Dream Or Reality?
45 2 Temporada - Capítulo 30° - Meu Bebê, Minha Luna!
Notas iniciais
Luce POV*
Três semanas depois...
Havia se passados semanas desde que eu havia me ausentado de Forks, tudo mudou depois disso.
Minha barriga estava enorme.
De repente um cute veio á tona.
Um chute que me fez urrar de agonia.
A dor era extremamente forte.
Exatamente isso — eu estava desnorteada. Eu não podia entender, não podia fazer idéia do que estava acontecendo.
Meu corpo tentava rejeitar a dor, e eu era puxada continuamente para dentro de uma escuridão que cortava segundos ou até mesmo minutos inteiros da agonia, tornando muito mais difícil acompanhar a realidade. Eu tentei separálas.
A ilusão era negra, e não machucava muito. A realidade era vermelha, e me fazia sentir como se estivesse sendo serrada ao meio, acertada por um ônibus, esmurrada por um lutador premiado, atropelada por vacas, e submergida em ácido, tudo ao mesmo tempo.
Realidade era sentir o meu corpo curvado, quando eu não podia ao menos me mexer por culpa da dor.
Realidade era saber que havia algo muito mais importante do que toda aquela tortura, e não ser capaz de se lembrar o que é. A realidade chegou tão rapidamente.
Um momento, tudo estava como deveria ser. Rodeada por pessoas que eu amo. Sorrisos. De algum jeito, que eu não gostava muito, parecia que eu
Dentro de mim alguma coisa estava sendo empurrada na direção oposta.
Rasgando. Quebrando.Agonia. A escuridão havia tomado conta e lavou uma onda de tortura. Eu não podia respirar — Eu já me afoguei uma vez, mas isso era diferente; Era muito quente em minha garganta.
Pedaços de mim se despedaçando, quebrando, fatiando-se.
Mais escuridão.
Alguma coisa afiada como uma faca rasgou-me — as palavras fazendo sentido apesar de todas as outras dores. Placenta retirada — Eu sabia o que isso significava. Significava que o meu bebê estava morrendo dentro de mim.
Machas escuras apareciam sobre a luz do aposento enquanto uma dor fria penetrava meu estômago. Isso parecia errado — Eu lutei automaticamente para proteger o meu ventre, o meu bebê, mas eu estava fraca. Meus pulmões doeram, e o oxigênio se foi.
A dor havia desaparecido, embora eu tenha me segurado à ela. Meu bebê, meu bebê, morrendo….
Eu tinha que lutar, era pela minha Luna, meu Gabriel...
E então pude ouvir um choro de criança, e depois, de alguém me mordendo.
A queimação sem fim se encolerizou.
Poderiam ter sido segundos ou dias, semanas ou anos, mas, eventualmente, o tempo veio a significar algo novamente.
Três coisas aconteceram juntas, crescendo uns dos outros, então eu não sabia qual veio antes: o tempo recomeçando.
Eu podia sentir o controle do meu corpo voltar para mim com acréscimos, e esses acréscimos foram as minhas primeiras marcas do tempo passando. Eu sabia disso quando era capaz de movimentar meus pés e minhas mãos em punhos. Eu sabia disso, mas eu não o fiz.
Apesar do fogo não ter diminuído nenhum grau — na verdade, eu comecei a desenvolver uma nova capacidade para experimentar isso, uma nova sensibilidade para apreciar, separadamente, cada língua empolada da chama que lambia através das minhas veias — eu descobri que conseguia pensar através disso.
Eu conseguia lembrar o porquê que eu não deveria gritar. Eu conseguia lembrar a razão pela qual eu agüentei essa agonia insuportável. Eu conseguia lembrar que, apesar de parecer impossível agora, havia algo pelo qual talvez valesse à pena essa tortura.
Isso aconteceu bem a tempo de que eu agüentasse, enquanto os pesos deixavam meu corpo. Para qualquer um me assistindo, não haveria mudança.
Mas para mim, enquanto eu lutava para manter os gritos e a dor trancados dentro do meu corpo, onde eles não pudessem machucar mais ninguém, era como se eu tivesse passado de ser amarrada a uma estaca enquanto queimava, a me agarrar àquela estaca para me manter no fogo.
Eu tinha só a força necessária de ficar deitada ali sem me mover enquanto carbonizava viva.
Minha audição ficava cada vez mais nítida, e eu conseguia contar a batida esmagada e frenética do meu coração para marcar o tempo.
Eu podia contar os suspiros superficiais que arfavam através dos meus dentes.
Eu podia contar os suspiros baixos que vinham de algum lugar próximo a mim. Esses se moviam mais lentos, então me concentrei neles. Significam mais tempo passando. Mais até que o pêndulo de um relógio, aquela respiração me puxou daqueles segundos queimando até o final.
Eu continuava a ficar mais forte, meus pensamentos mais claros. Quando novos sons vinham, eu podia ouvi-los.
Meu coração disparou, batendo como asas de um helicóptero, o som era quase uma nota aguda solitária; parecia que ia escapar pelas minhas costelas. O fogo incendiou o centro do meu peito, sugando os últimos indícios das chamas do resto do meu corpo para dar combustível à brasa mais quente até então. A dor era suficiente para me derrubar, para quebrar meu aperto de ferro que eu sustentava. Minhas costas doeram, curvadas como se o fogo estivesse me levantando pelo meu coração.
Eu não deixei nenhuma outra parte do meu corpo se levantar quando meu tronco desmoronou na mesa.
Aquilo virou uma batalha dentro de mim — meu coração disparado contra o ataque do fogo. Os dois estavam perdendo. O fogo estava condenado, tendo consumido tudo que era inflamável; meu coração galopava em direção a seu ultimo batimento.
O fogo reduziu, concentrando-se dentro do único órgão humano que restava, com uma explosão final, insuportável. A explosão foi respondida com uma pancada de som profundo e oco. Meu coração vacilou duas vezes, e então bateu calmamente só mais uma vez.
Não houve som algum. Nem respiração. Nem mesmo a minha. Por um momento, a ausência da dor foi tudo que eu pude compreender. E então eu abri meus olhos e observei acima de mim, assombrada.
Ali, sentada, esta um bebê, o meu bebê, a minha Luna.
Assim que me viu, ela sorriu, vi seus dentinhos — ainda pequenos — sorri.
Avaliei ela, seus cabelos caíam em cachos acobreados, seus olhos eram azuis, assim como os meus, e pude perceber que ela era igualzinnha em partes, divididas em parte.
Tud estava perfeito.
Eu havia conseguido.
Eu havia sobrevivido.
Eu tinha Luna, o meu mais novo motivo de continuar viva.
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