Dream On

3 Rachel - Termino a noite nos braços de um herói


Notas iniciais
Título completo: Eu termino minha noite nos braços de um herói Narração: Rachel E. Dare Idade: 29 anos Status atual: Curadora de uma grande galeria de Artes de NY e madrinha de casamento.

Reencontrar Percy foi como viajar ao passado. Um tempo onde eu ainda era uma garota cheia de sonhos juvenis e que desejava mudar o mundo a ferro e fogo. Claro que ainda desejo fazer essas mudanças, mas aquela garota cresceu, não digo que estou tão velha, mas cresci.

Você se pega pensando no que poderia ter mudado ou como seria sua vida se algumas coisas fossem diferente. No meu caso eu sempre imagino o que aconteceria se Pery Jackson não aparecesse na minha frente segurando aquela espada. Provavelmente eu teria encontrado ele em alguma outra situação estranha, mas, desde aquele dia, algo nasceu, passou a viver e se alimentar dentro de mim.

Não, não era um alien, se bem que seria mais fácil lidar com um.

Até algumas horas atrás eu realmente alimentava um alien dentro de mim, não sabia seu nome e nem o que pretendia, mas quando sentei de frente para Percy, esse alien passou a ter nome e sobrenome. Eu fiquei apavorada, mas espero que ele não tenha percebido meu nervosismo na hora do jantar.

Ah! Oi, sou a Doutora Rachel Elizabeth Dare. Sou curadora de uma das maiores galeria de artes de Nova Iorque, herdeira de uma fortuna e oráculo do acampamento meio-sangue. No domingo passado fui dama de honra no casamento de minha melhor amiga Annabeth. Ela me obrigou usar uma toga de seda, ao melhor estilo grego. Eu espero que quando ver o álbum de fotos do casamento, aquela toga não tenha me deixado gorda.

Oh! Claro, fugi completamente do assunto.

Antes de mais nada, precisa compreender porque estou caminhando na direção do apartamento de Percy. E também porque minhas mãos estão suando. Digo, se alguém souber, me informe o motivo.

Quando Annabeth me contou que iria se casar eu fiquei em choque. Afinal, ela vivia uma vida cheia de aventuras pelo mundo. Desbravando os lugares mais incríveis. Então, em um determinado dia de primavera, me aparece na galeria e diz que finalmente conseguiu esquecer o cabeça de alga e que iria se casar com David.

Who is David?

Um homem lindo! Inteligente, gentil e arqueólogo. Conheci David em um safári na África, quando Annabeth me obrigou ir com ela. Não precisou de muita conversa para saber que era o tipo de pessoa que se dava bem com tudo e todos. E principalmente: deixava Annabeth perdidamente boba e apaixonada. Foi divertido ver aquilo.

Ele podia ver através da névoa, estava em Roma quando desastres ocorreram alguns anos atrás. Annabeth me disse que ele aceitou bem toda aquela coisa de meio-sangue e que até desconfiava disso, já que em suas aventuras muitas vezes não possuía uma explicação científica para o que presenciava. O casamento foi na Grécia. Isso quer dizer que eu acabei de chegar de uma longa viagem. De Nova Iorque, peguei o jatinho para a São Francisco.

Eu precisava ver Percy. Essa era a única certeza que sentia. Os sonhos que tive, os desenhos que criei na viagem, tudo me fazia crer que precisava estar aqui.

Mas eu não podia chegar e dizer: Oi, sonhei com você e achei legal passar por aqui.

Foi por isso que inventei aquela história da Annabeth. Aliás, ela até pensou em convidá-lo para o casamento, mas uma deusa convenceu do contrário. Piper concordou com a mãe dela, então a festa grega foi para poucos convidados.

E antes que me entendam mal, vamos continuar.

Percy abriu a porta do apartamento e ascendeu as luzes. O lugar estava um pouco bagunçado, mas ignorei as roupas no chão e as caixas de comida embaladas na mesa. Por outro lado, não pude deixar de notar os livros, cadernos e até mesmo uma lousa com diversas anotações.

Ele se virou e coçou os cabelos, pedindo desculpa pela bagunça enquanto ia recolhendo as meias e camisetas do chão, enfiando tudo num saco de lixo, dizendo que iria levar para a lavanderia no outro dia.

— Eu uso muito essa lousa para não me esquecer do que preciso fazer. É como uma enorme agenda. — Ele pediu um minuto e desapareceu fechando a porta do quarto. Ouvi apenas barulho de coisas caindo.

Caminhei pela sala do apartamento e observei as fotografias na estante. Algumas antigas, outras nem tanto. Muitos rostos conhecidos.

Lá estavam Annabeth, Percy e Groover. Peguei a fotografia e coloquei no lugar novamente quando Percy retornou.

— Pronto, enfiei tudo dentro do guarda roupa, sugiro não abrir a porta dele.

— Não irei.

Ele se aproximou e olhou as fotos na estante: — É bom olhar esses quadros e lembrar como cheguei aqui. Pode parecer loucura, mas sinto falta dessa época.

— Mesmo com os ataques constantes e profecias malucas?

— É. Mesmo com isso. — ele olhou para o quadro em que peguei anteriormente. Quis saber o que se passava em sua cabeça. Mas não precisei perguntar. — Ela está feliz?

— Quem? Oh! Annabeth? Sim, sim. Ela esta feliz.

— Que ótimo. — Ele sorriu, sincero e ao mesmo tempo deprimido. Será que Percy ainda a amava? — Você quer beber alguma coisa?

— Você tem algo para beber?

— Vou procurar. — ele vasculhou as portas dos armários da cozinha e achou uma garrafa de licor. Disse que foi um presente de Lavínea. A partir daí ouvi muitas coisas ao respeito dela. Talvez com empolgação demais no tom de voz dele.

Percy estava sentado no sofá, com as pernas esticadas em cima da mesa de centro que dividia espaço com livros e uma caixa de pizza. Ele vestia a camiseta do acampamento Júpiter, a gola esticada e a cor roxa desbotada. Os cabelos desgrenhados e uma barba crescendo. Ao seu melhor estilo não estou nem aí para os padrões de beleza. Mas não deixava de ser menos bonito.

Não sabia como, mas precisava contar a ele sobre o alien dentro de mim, digo... a coisa que cresceu e se transformou naquilo, aquele sentimento... eu prefiro não pensar em seu nome.

Mas não encontrei a melhor maneira de fazê-lo senão descobrir mais detalhes de sua vida atual.

— E então, essa Lavínea? O que tá rolando?

Ele pareceu surpreso com a pergunta, porque engasgou com o licor.

— Entre nós? Não está rolando nada. Nadinha. Porque? — Ficou nervoso demais. Sinal de que aconteceu alguma coisa.

— Sei. E tem alguma outra?

— Você quer dizer uma namorada? Nenhuma especial. Quer dizer, não é como se eu tivesse um monte de mulher atrás de mim. Até tinha. Precisava ver. Mas as coisas ficaram mais fracas depois que eu parei de sair em missões perigosas. Acho que as mulheres curtem o estilo: vamos curtir hoje porque talvez amanha posso virar comida de um monstro.

Nós dois rimos.

— Isso não é verdade. Algumas mulheres não são assim.

— É mesmo? Me diz uma.

— Eu.

— Então me fale que tipo você curte. — Antes que Percy pedisse desculpas pela pergunta, eu respondi.

— Dos que sobrevivem e retornam para contar a história.

Eu pedi aos deuses por um buraco para enfiar minha cabeça, no entanto, recebi algo melhor em troca.

Um beijo.

Um simples e arrepiante beijo. Fechei os olhos e deixei que ele me beijasse. Nosso segundo beijo. O primeiro já faz tanto tempo que...

Quando abri os olhos, encontrei um Percy Jackson amarelo e apavorado. Sem ar e sem palavras. Eu também estava do mesmo jeito, porque sentia meu coração descompassado e perturbado no meu peito.

Pedi mentalmente para que ele não se desculpasse pelo beijo, afinal, quem pede desculpas após fazer algo que se deseja tanto? Mas ele fez, e isso me desarmou.

— Sinto muito, eu não quis. Pelos deuses! O que eu fiz. — ele se levantou. — Você é o oráculo. Me perdoa. Não quis te ofender. Vou ser transformado em algum bicho nojento?

— Está tudo bem Percy. Foi apenas um beijo. Não é o fim do mundo.

— Tem certeza? Não vai afetar as coisas? Sua visão? Sei lá. Dá azar?

Sim, seu grande idiota. Já afetou a minha vida, meu coração.

Certo! Respira fundo.

— É claro que não. — eu sorri desanimada e pedi mais licor.

— Rachel, você é importante para mim. Uma amiga que eu não quero perder jamais.

As palavras dele me encheram de calor, mas também apagou uma chama de esperança. Decidi que era melhor assim. Dali em diante a conversa ficou um pouco estranha, acabamos dormindo, quando acordei, estava nos braços de Percy, que me segurava gentilmente com medo de me machucar.

Me levantei e saí na ponta dos pés, afinal, só possuía um visto de passagem de algumas horas, e antes que Terminus aparecesse para me dar um chute na bunda (não sei como aquela estátua poderia fazer isso) eu parti, deixando uma pequena lembrança no quadro de Percy. Meu endereço em Nova Iorque, quem sabe... o verão estava se aproximando.

Notas finais
Eu adoro essa história kkk espero que gostem também. Até o próximo capítulo ♥