Dream On

10 Rachel - Dias de noite quente


Notas iniciais
Narração: Rachel E. Dare Status atual: Precisando de um banho frio

Vou confessar que não estava muito segura daquela ideia. Mas eu confiava a minha vida nas mãos de Percy Jackson de olhos fechados. Eu tinha certeza de que iriam acontecer muitas coisas estranhas a partir de agora. Fui alertada em sonho pela deusa da sabedoria que não era nada inteligente da minha parte conviver com o filho dos mares.

Eu não posso dizer que fiquei com medo, mas também sabia que a deusa possuía uma certa rixa com o deus dos mares. Por isso achei melhor seguir o que meu coração dizia. E ele clamava e gritava por Percy.

Eu não tinha dúvidas, mas precisava ter certeza de que tomaria a decisão certa.

Jamais havia me sentido assim antes, era como se ele fosse uma pedaço de mim que sempre fez falta. E agora, quando finalmente podemos ficar juntos... tem uma serpente vingativa maluca solta por aí. Quando Percy me contou sobre a história de Píton, a princípio eu não quis acreditar.

O que é completamente ridículo da minha parte. Veja em volta, estou cercada de deuses e mitologia. Uma serpente cheia de rancor e ódio não parecia o pior dos piores.

Essa semana eu recebi a visita de muita gente ilustre na Galeria Dare. Entre eles, semi-deuses romanos e gregos que vieram conferir a exposição de seus colegas. As caçadoras de Ártemis também vieram, mas não ficaram por muito tempo, porque algo perigoso estava no ar e parecia incomodá-las. Eu queria dizer para não se preocuparem, pois provavelmente seria alguma Serpente me caçando. Entretanto, elas foram embora antes que eu terminasse a frase.

No final da semana eu estava exausta. Deixei Drew no comando da Galeria durante todo o sábado, assim eu poderia descansar. E a noite, sair com Percy. Seria esse nosso primeiro encontro. Nada melhor que um cinema no sábado a noite para relaxar. Depois, pensei em voltar para meu apartamento e comer uma das tortas que eu comprei na confeitaria essa semana.

O que? A semana foi muito difícil para mim. A única coisa que me ajudou foram as calorias extras que consumi. Tal atitude que me arrependo amargamente, porque eu não parecia nada bem diante do espelho. Estava inchada e com olheiras, mas nada que uma boa maquiagem não resolva.

As oito horas em ponto Percy tocou a campainha. Dessa vez nada de BlackJack. Seríamos somente nós dois, pela cidade. Assim como era quando adolescentes.

— Nossa, você tá uma gata. — ele disse, entrando no apartamento com seus braços abertos para um abraço. Eu precisei desviar, porque o combinado era nada de abraços, beijos e toques. Eu precisei respirar fundo e contar até três para não cair em seus braços. — Desculpe, eu me esqueci.

Percy passou a mãos nos cabelos. Ele estava bem bonito de calça jeans e camisa, apesar dos botões estarem nas casas diferentes. Eu estiquei as mãos e arrumei. Isso não conta como toque. Não é? Foi mais uma ajuda necessária.

— Qual filmes vamos ver? — Perguntei, enquanto procurava as chaves e meu celular. Lembre-se, meio-sangue não usa celular, oráculo sim.

— Tem um filme muito bom sobre o Bruce Lee. O cara que interpreta ele foi um dos discípulos do Bruce Lee, então dá pra imaginar como ele é bom. Deve fazer aqueles movimentos rápidos e eu li que na época que o Bruce estava vivo e fazia filmes, precisaram gravar as cenas de luta com outro tipo de câmera para capturar os movimentos, porque ele era tão rápido... — Percy parecia muito animado.

— Filme de luta? É, parece interessante.

— Você não gosta?

— Não é que eu não goste. Mas nós passamos por maus bocados nos últimos anos. Você não está um pouco cansado de ver violência?

— Certo. Você tem razão. E então? O que você quer assistir no cinema.

— Vejamos. — Procurei em um aplicativo de cinemas, o mais próximos. — Ah! Já lançou um documentário sobre Vincent Van Gogh. A crítica tem falado muito bem sobre essa estreia.

Percy parecia mais concentrado em brincar com o copo de água do que o que eu falava.

— Van Gogh? É aquele cara que cortou o nariz?

— Orelha.

— Radical. Vamos logo antes que a sessão lote. — Eu senti um certo sarcasmo em seu tom de voz. Peguei minha bolsa e saímos.

Já no cinema, é claro que a sessão não estava lotada, ao contrário, a fila do tal filme do Bruce Lee era gigantesca. E Percy parecia uma criança emburrada quando não consegue o que quer. Nem se eu tentasse agradá-lo daria certo, porque os ingressos para aquela sessão estavam esgotados.

Ele ficou de comprar pipoca, enquanto eu achava um bom lugar para sentar. Percy chegou com um enorme balde de pipoca melado de manteiga e dois refrigerantes tamanho GGG. Eu não iria conseguir beber nem 20% daquilo. Mas não foi problema para ele, que bebeu tudo e comeu também toda a pipoca. Depois disso eu o ouvi roncar. Quando acordou, perguntou se Van Gogh já havia cortado sua orelha.

Dessa vez eu respirei fundo e tive que contar até dez.

Percy foi ao banheiro e retornou. Parecia entediado e agitado. Sendo ele um meio-sangue não conseguia ficar muito tempo sentado em um ambiente silencioso como aquele. A não ser por necessidade, como se estivesse em uma caverna, descansando para uma batalha com algum ogro nojento.

O filme acabou, foi um alivio, confesso. Não queria que ele se sentisse daquela forma.

Assim que saímos na rua, Percy parecia mais aliviado e muito mais elétrico.

— Que tal dar uma volta pela cidade. Você deve conhecer muitos lugares legais a noite.

— Na verdade eu não costumo sair a noite. — caminhávamos pela calçada, um ao lado do outro. De vez em quando Percy saltava sobre os hidrantes ou caixa de correio. Eu ria porque parecia mesmo uma criança livre no mundo.

— O que você quer fazer agora? Acho que depois dos vinte e nove anos podemos ficar acordados até mais tarde sem os pais mandarem para a cama.

— É um bom argumento. — eu pensei em levá-lo a alguma bar ou boate. Mas definitivamente não era meu jeito certo de se divertir. Então minha ideia inicial poderia salvar a noite. — E se fossemos lá para casa? Comprei algumas tortas e donuts durante a semana e me sinto mal comer tudo sozinha.

Percy gostou da ideia, ele aproximou-se mas não muito e com um sorriso de orelha a orelha. Se ele estava pensando besteiras, não poderia culpá-lo, pois o mesmo se passava pela minha cabeça.

Foi difícil abrir a porta do apartamento com Percy me beijando. Nós quase caímos para trás quando a porta foi aberta. Não sei como conseguimos chegar ali sem que ninguém percebesse nossa euforia, algo me dizia que Percy havia aprendido a moldar a névoa a seu favor. E teoricamente não deveria utilizar essa técnica para um bem pessoal, como por exemplo: levar a namorada aos beijos e tropeços para casa.

Minha bolsa caiu no chão entre as almofadas. Os botões da camisa dele de repente pareceram presas e se alguns quebraram não foi minha culpa. Caímos no sofá.

Já havíamos esquecido do fiasco que fora o cinema, porque pelo menos agora estava tudo muito, mas muito bom. Pelo menos até receber a mensagem de Íris de Clarisse, Juniper, Grover e Nyssa.

— Fecha os olhos Juni. Pelo amor de Pã, vistam as roupas. — Grover estava com as mãos de Juniper tampando seus olhos. Enquanto Clarisse dizia que iria esmagar Percy e Nyssa gargalhava.

Eu não poderia ficar mais constrangida com Percy me entregando o sutiã e vestindo a camisa de botões quebrados. O comentário de Nyssa sobre nossa pressa também não ajudou muito.

— Não aconteceu nada. — Percy disse, tentando se redimir, mas a animação dele era visível dentro da calça. E eu quero deixar bem claro a vocês que a calça não foi retirada.

— Isso porque a gente apareceu antes, seu espertinho. — Clarisse bufou. — Essa não é a melhor forma de afastar Píton.

— Eu sei. — Consegui vencer minha vergonha e falei. — Mas também não precisavam aparecer assim de surpresa na minha casa. — Já estava com a blusa no lugar, apesar do meu cabelo estar todo amassado e minha saia revirada. Mas era isso, não aconteceu nada, mais grave. Senão alguns beijos e … sabe.

— Acho que precisamos vigiá-los. — Nyssa sugeriu.

— Não preciso de ninguém me vigiando. — Percy reclamou.

Eles ficaram discutindo e minha cabeça parecia que ia explodir. Mandei que todos fossem embora, principalmente Percy. Ele ainda tentou me convencer de que dormiria no sofá e ficaria quietinho, mas eu não podia acreditar que era verdade. Até porque eu mesma poderia não resistir a tentação.

Notas finais
HAHAHA esses dois :D