Dream On

6 Percy - Meus olhos finalmente foram abertos


Notas iniciais
Título completo: Meus olhos, eles finalmente foram abertos, na hora certa? Narração: Percy Jackson Status atual: Em busca de respostas e conselhos Oferecimento TV Hefesto: Perfume da paixão - Aphrodítē

Após descobrir que minha vida foi totalmente exposta aos olhos críticos de gregos e romanos, eu quis enfiar minha cabeça no Tártaro.

O mais incrível é que ninguém me avisou.

— Eu achei que você soubesse. — Lavínea comentou, enquanto almoçávamos no refeitório da faculdade. Estávamos nos preparando para apresentar um trabalho. Mas a verdade é que meu estômago se revirava, possivelmente eu vomitaria na frente de todos. Lamento fazer vocês imaginarem isso.

— Caso não tenha percebido, eu sou um pouco discreto quanto a minha vida particular. Ela sequer existe. Não iria aprovar um programa sobre minha própria vida.

— Sua vida é tudo, menos discreta. — Ela falou séria, mordendo a ponta da caneta.

— Não é como se eu tivesse culpa. — Fiquei magoado em saber que ela pensava isso de mim. — O que você acha que eu deveria ter feito? Ignorado o sátiro, um minotauro e as profecias?

— Não foi o que eu quis dizer. — Lavínea precisaria de muito mais para me convencer. Além de ficar mastigando a ponta da caneta. — Sinto muito.

— Tudo bem.

O que foi? Ela sente muito.

— E então? Como é ela?

— Quem?

— Ora, quem mais? A mulher de que Vênus falou no programa. Ela não deve ser daqui. É?

— Bem... depende. — desisti de comer, precisava urgentemente de um anti ácido. Meu estômago revirava.

— Depende? Você está me escondendo alguma coisa. Achei que fossemos amigos Perseu Jackson.

— É, ultimamente eu sou só o amigo de muita gente.

— Não se preocupe. Eu tenho certeza de que ela também gosta de você, ou se ainda não gosta, vai se apaixonar rapidamente quando se declarar.

— Você acha mesmo? — Ela sorriu, deveria ser mesmo minha amiga para mentir tão bem na minha cara. — O que faz você acreditar nisso?

— Bem, muitas mulheres falam de você para mim.

— Espero que tenham pago pelo pay per view.

— Não, seu bobo. — Lavínea gargalhou. — Não precisa pagar para saber que você é uma pessoa boa. Agora me conta de onde ela é. Do acampamento meio-sangue?

— Sim. Ela é o oráculo.

— O que? — Lavínea quase cuspiu o refrigerante. — Um oráculo?

— Isso é mal?

— Percy... você conhece algum oráculo ter um relacionamento?

— Bem... eu. A mãe do Luke, ela... — ela era completamente louca. — Mas o que exatamente pode acontecer?

— Você conhece a história das Vestais, certo?

— Mais ou menos, pode refrescar minha memória?

— Tudo bem. — Lavínea sentou na minha frente e começou a falar, seus cabelos presos com a caneta, eu só aguardava o momento da caneta escorregar dos cabelos lisos dela. — Vesta, a versão romana de Héstia. Ela era uma virgem conhecida como “aquela de luz”. As virgens Vestais representavam a alma de Roma. Elas eram escolhidas entre os sete ou dez anos, e serviam trinta anos após uma rigorosa seleção. Estudavam, eram honradas e respeitadas. Mas o castigo por profanar a deusa e ter relações carnais era ser enterrada viva.

— Enterrada viva? — Foi uma péssima história. Não poderia ter me deixado mais apavorado.

— Isso mesmo. Não estou dizendo que vai acontecer isso a sua oráculo. Afinal, ela não foi selecionada de acordo com as doutrinas romanas.

— Ufa. Que alívio. — Confesso que suei frio. — Mas não rolou nada entre nós. Só um beijo.

— Um beijo pode causar muito problema.

— Pode mesmo?

— Como foi o beijo?

Como foi o beijo. Como... foi... o beijo. Ora essa. Que pergunta indiscreta.

— Foi bom! — Não havia outra resposta. Lavínea girou os olhos, mas não de forma grosseira. Ela deu uma risadinha que fez as covinhas salientarem. — Sabe, foi um beijo, bom demais.

— Pense nisso: Você conseguiria passar o resto da sua vida sem nunca mais poder beijá-la?

Uau, que pergunta complicada.

Lavínea me lembrou que precisávamos nos preparar para o seminário, mas depois daquela pergunta, como é que eu ia conseguir pensar no que deveria falar? E mais uma coisa, eu precisava ser sincero e dizer que ultimamente pensava muito na forma que ela mordia aquela caneta. Talvez eu perderia sua confiança e amizade.

Mas eu tenho essa necessidade de dizer as coisas.

Milagrosamente o seminário foi bom. Antes de começar Lavínea disse para eu não me preocupar, pois meus conhecimentos estavam na minha cabeça, apenas deveria me concentrar em meus objetivos. Foi um bom conselho.

— Hey, Lavínea, podemos conversar mais? Eu preciso contar uma coisa.

— Vamos marcar outro dia. Hoje eu tenho um encontro com o Robert. — ela balançou os ombros, parecendo animada com o encontro. Carregava algumas pastas e sua bolsa desajeitadamente. Eu ajudei a levar alguns, enquanto caminhávamos para fora do prédio.

— É rápido. Eu só queria dizer que... que. — Tossi, gaguejei e fiz papel de bobo.

— Não se preocupe, eu sei.

— Sabe? Tipo, sabe mesmo?

— Claro. Você deve estar preocupado com o que eu penso sobre tudo isso. Mas a verdade é que... Percy você vai me achar uma garota boba.

— Não, não vou. Juro, me conta. — ela parecia muito constrangida e eu sei que depois de uma cara vermelha de vergonha, vinha uma bela surpresa.

— Quando a gente se conheceu, eu meio que tinha uma queda por você. — ela riu e me deixou de cara no chão. — Ouvi tanta história ao seu respeito, que acabei criando uma paixão platônica. Você me acha boba por isso?

— Pfff, eu? Não, claro que não acho. — Ela tinha uma queda por mim! Como nunca percebi isso? — Aquela vez que rolou o beijo, eu não achei que... você sabe.

— É. Eu morri de vergonha, achei que fosse me odiar. Sempre imaginei que você curtisse mulheres mais velhas e experientes. Afinal, falava tão bem da Annabeth, ela parece ser tão incrível.

— Você também é incrível. — Não sabia o que fazer, o que falar. Mas Lavínea era tão boa nisso que me abriu os olhos novamente. — E não é assim tão jovem.

— Eu pensei que não fosse gostar de mim. Achei que não era boa o bastante para o herói mais conhecido do século XXI. E você está apaixonado por um oráculo. O que eu disse. Quem sou eu perto de um oráculo?

Caramba, eu queria abraçá-la e falar que ela era a dona da sobrancelha mais linda de Nova Roma. Mas aí o tal Robert apareceu e o desgraçado apertou minha mão falando que eu era o melhor. É uma droga quando você quer odiar alguém, mas não pode porque a pessoa é super legal.

— Ah! Percy. E sobre aquela pessoa. Não se preocupe, se alguém quiser enterrá-la viva, eu sei que você vai salvá-la. Então não tenha medo das consequências.

Ela foi embora com o Robert, e me deixou sozinho com aqueles pensamento.

Uma série de perguntas para serem respondidas.

Eu poderia viver o resto da vida sem nunca mais beijá-la?

Não permitiria que ela fosse enterrada viva?

Passaria o resto da minha vida me baseando em um E se?

Não, eu não poderia viver sem nunca mais beijá-la novamente.

Não, eu não permitiria que ninguém tocasse em um fio de cabelo dela, quanto mais enterrá-la viva. Que coisa doente de fazer com alguém.

Um homem de vinte e nove anos completamente apavorado com o próximo passo a dar. Eu precisava de uma certa ajuda. Pois muito bem. Fui atrás de ajuda.

— Você está me dizendo que essa mulher pela qual Vênus falou na televisão é o oráculo do acampamento? — Perguntou Reyna, surpresa. Vou dizer que ela estava mesmo muito surpresa. E como Jason me alertou antes de entrar na casa deles, era melhor tomar cuidado com o que eu falava, porque ultimamente a sensibilidade dela estava como a de um elefante.

— Eu já entendi que isso é um problema.

— Você não entende. — Ela levantou-se da poltrona, com certa dificuldade. Estava com oito meses de gravidez e eu não queria ser grosseiro, mas Reyna parecia grávida de gêmeos. Mas segundo a ultrassonografia, era apenas uma criança. Uma bem grande, presumo.

— Os oráculos são puros. Devem manter sua pureza para que seu poder seja total. Uma influência como a sua poderia desencadear uma confusão na cabeça dela.

— Já entendi. — Comentei desanimado e Jason deu uns tapinhas nas minhas costas. Deve ter se comovido com minha cara de cão sem dono. — Eu só queria poder dar a ela a oportunidade de escolher.

— Escolher se ela quer continuar sendo importante para o acampamento ou virar sua namorada? — Da forma como as palavras saíram da boca dela pareceram ácidas.

— Sim. Ela não merece saber o que eu sinto?

— E você sabe o que sente? Sabe se isso não é passageiro? Porque não se pode deixar de ser oráculo uma noite e na outra semana voltar como se tivesse tirado férias.

Uau, Reyna era melhor que minha mãe quando queria abrir meu olhos. Ao menos mamãe fazia um bolo para mim, com chocolate quente.

Depois de um tapa na cara da realidade proposta por Reyna, eu caí sentado na cadeira da varanda. Não ganhei uma bebida quente, mas Jason me ofereceu uma cerveja. Ficamos ali um tempo apenas apreciando o pouquíssimo movimento noturno da rua.

— Você não vai desistir, não é? — Jason me perguntou.

— O que acha?

— Acho que precisa fazer o que deve fazer. — Ele se recostou na outra cadeira, olhando o nada a sua frente.

— Sabe, alguns anos atrás, quando Rachel e eu éramos mais jovens e dividimos um tempo em Nova Iorque. Eu achei que estava gostando dela. Mas aconteceram diversas coisas e acabou como estou agora. Não é estranho você gostar da mesma pessoa em diferentes épocas?

Jason riu. Talvez ele me entendesse. — Eu não posso deixá-la escapar dessa vez. Não vou deixar ela ir embora. E se ela me disser não, ao menos não ficarei com essa dúvida para sempre. Porque a última coisa que eu preciso, é conviver com meus atos covardes.

Reyna chamou Jason para ajudá-la. Eu agradeci pela bebida e os conselhos, voltei para casa, onde eu poderia colocar meu plano em prática. Começando pela barba. Reyna disse que eu estava relaxado demais e Jason concordou, acho que para agradá-la, não sei. Talvez.

O convite da nova exposição na galeria em que Rachel trabalha estava em cima da mesa. Enquanto eu comia uma tigela de cereal com leite, fiquei pensando a melhor forma de falar com ela, abrir meu coração, essas coisas. E tudo isso ficou fixado na minha cabeça depois que fui dormir. Porque quando sonhei, estava no apartamento dela.

Rachel estava em pé, pintando um quadro próximo a janela. Havia também uma garrafa de vinho ao seu lado, e como não haviam copos ali, ela devia estar tendo uma noite difícil.

Eu não consegui ver o que ela pintava, porque Rachel tirou o quadro do cavalete e arremessou na parede. Pensando bem, era um ótimo momento para desabilitar a conexão. Mas vê-la deitar na cama, carregando a garrafa de vinho que manchou o chão e o lençol, fez meu peito apertar. Rachel é solitária. Assim como eu.

Não posso simplesmente deixá-la escapar. Só preciso de uma ajudinha.

Acordei, estava em meu quarto. Onde mais estaria?

Eu precisava de ajuda, mas de alguém que fosse realmente capaz de me dar as respostas certas.

Notas finais
Quem será essa pessoa que vai ajudar o Percy? :D heheNão sejam tímidos.