Era uma sexta-feira fria quando Derek corria pela floresta junto de seu irmão, Cesar. Corriam de um enxame de abelhas, por terem invadido sua colméia, e roubado mel.

Derek e Cesar eram órfãos desde que seus pais se divorciaram em 2011, daí eles fugiram para a floresta, e montaram acampamento, e, desde então viveram por conta própria, vivendo de caça, pesca e de uma horta que fizeram no acampamento.

▬ Cesar, por aqui! ▬ Derek gritou.

O grito não houve resposta.

Derek correu sem perceber que quase caiu de um penhasco íngreme de mais ou menos 7 metros. Descendo o penhasco encontrava-se um lago de água cristalina.

Derek percebeu que o enxame se aproximava dele, e, sem ter opção, foi pelo instinto, e pulou. Só se ouvia o som de água espirrando.

Ao mergulhar, Derek percebeu que no lago não havia peixes, nem sapos, rãs, ou qualquer sinal de vida, pelo menos era o que ele pensava.

Foi mergulhando mais a fundo e encontrou uma caverna, de onde vinha uma luz, e ele, curioso, foi verificar.

Era uma passagem para outra caverna maior, e com abertura para outro lado da floresta, desconhecido até então.

Ao sair da água, Derek encontrou um ninho de serpentes, pisando-o, sem querer. Do ninho, saiu uma víbora enorme, que foi a toda velocidade a fim de atacar Derek.

Ele correu para fora da caverna encontrando a floresta escondida, que até então era desconhecida por ele e seu irmão, e adentrou nela.

A serpente mantinha a velocidade constante, enquanto Derek ofegava. Correndo, Derek tropeçou em um tronco de árvore caído, e torceu o tornozelo. Sem poder mais correr, pegou uma pedra pontuda do chão, e, esperando cautelosamente a víbora se aproximar o bastante, ergueu a pedra, e fincou a pedra no pescoço da víbora, matando-a.

Levantou-se, mancando, e seguiu caminho, levando consigo a víbora sem a cabeça; caso tivesse que passar a noite naquele lugar, teria alimento.

*************

Kylla fazia sua ronda diária na fazenda dos pais. Depois de algumas horas, resolveu voltar para casa, mas esta estava vazia.

▬Pai, mãe. ▬Ela chamava. ▬ Onde estão vocês.

Ela encontrou um bilhete na geladeira dizendo:

“Kylla, precisamos sair daqui para um lugar que nem você, nem ninguém mais podem ir, pois ninguém sabe o que se encontra por lá, é um outro mundo, desconhecido, e a passagem foi aberta a poucos metros de distância da nossa propriedade. Alguns seres de lá vieram para nosso mundo, criaturas inimagináveis fugiram de lá e só nós podemos impedir que eles nos ataquem, com amor,

Papai.”

Ao ler o bilhete ela se desesperou, mas logo se acalmou e precisou pensar “por onde meus pais costumam passar na ronda deles?” ▬ E se lembrou ▬“ Perto do rio!”

Subiu no cavalo e foi em direção ao rio.

Ao chegar onde queria encontrou uma coisa anormal: Perto da margem, havia uma fenda larga que engolia a água do rio.

“▬Eles só podem ter entrado aí!” ▬ Pensou. ▬ Se eles foram, preciso encontrá-los.

Desceu do cavalo e pulou dentro da fenda.

Foi sugada para dentro. A fenda dava para uma pequena queda d’água, e a queda d’água para corredeiras. Ao chegar perto das corredeiras, Kylla se segurou a um galho de árvore e saiu da água.

*************
Zero e Zoey acampavam nas proximidades do Rio Murray, em New South Wales, Austrália, com seus pais, exploradores ambientais, que estavam catalogando as espécies do local.

Zero e Zoey eram gêmeos de 13 anos. Nasceram na Nova Zelândia, mas com 3 anos mudaram-se para a Austrália.

Num certo dia, estavam colhendo frutas para o café da manhã quando sentiram um tremor no chão, como o de um terremoto de baixa escala, mas de fato era um tremor. Ambos assustaram-se com o tremor, mas por ter sido em um breve espaço de tempo, acharam que não tinha importância.

▬O que você acha que foi isso, Zoey?

▬Não faço à mínima idéia! ▬Respondeu

▬Talvez não tenha sido nada mesmo.

E parecia não ser mesmo nada importante.

Foram lavar as frutas no rio e descobriram o motivo do tremor: uma serpente gigante que emergiu da água, com 2 cabeças, cada qual com 1 par de chifres que pareciam de cobre.

A serpente bateu sua cauda com força contra a água, inundando as margens do rio.

Zero e Zoey tentaram correr, mas sua tentativa de fugir foi inútil. Foram submersos em poucos segundos. Zoey não sabia nadar e a serpente foi na direção deles. Do fundo do rio saía um redemoinho que sugou os irmãos para seu interior.

Eles foram tão rapidamente sugados, que nem perceberam que foram levados ao fundo do redemoinho, e saíram numa cachoeira, dentro de uma floresta, era uma cachoeira não muito grande, de águas geladas, que desciam das montanhas. Zero puxou sua irmã pelo braço, e a levou para fora da água. Ela estava inconsciente. Zero precisou fazer respiração boca a boca nela, e ela, quase se engasgando, levantou.

▬O que ouve Zero, onde estamos?

▬Essa é uma das muitas coisas que eu não sei. ▬Ele respondeu.

▬Vamos voltar?

▬Não dá, nós entramos aqui pelo redemoinho.

▬Isso é tudo muito estranho.

▬Concordo.

Daí, eles se viraram e foram para dentro da floresta.

*************

Kenji estava dentro da caverna onde morava, no Japão, esperando os pais voltarem de viagem.

Filho de missionários, ele ficava em casa só, sempre que seus pais viajavam para evangelizar.

Ele tinha 13 anos e mora no Japão desde os 5 anos. Quando seus pais foram enviados, ele se sentia frágil em um ambiente novo, e queria fazer amigos, mas se fosse para algum lugar longe de seus pais, poderia ser morto por ser Cristão.

Em certo momento, ouviu o som de dezenas de passos, vindo em direção de sua “casa”. Ele sabia que se o encontrassem, o matariam.

Então, pegou o que era de valor e fugiu pela saída de trás da caverna, que seus pais lhe aconselharam a sair em uma emergência.

Correu, até a saída, sem pensar, fazendo muito barulho, o que deve ter chamado muita atenção.

Correu para o pântano que ficava atrás de sua caverna, pegou um pedaço fino de bambu oco, cortou com um canivete e mergulhou, usando o pedaço de bambu como um snorkel.

Dentro da água, não ouvia muito, mas conseguia para distinguir os sons. Ele ouviu o som das vozes de três homens, um deles dizia: “Eu tenho certeza de que era aqui o esconderijo deles!” E outro dizendo: “Vamos embora, não tem ninguém aqui”.

E outro que dizia: “Não vamos sair até encontrarmos o que procuramos, é um instrumento valioso demais para se perder”.

Kenji não entendeu o último homem, pois não tinha nada de valor consigo.

Do nada, uma salamandra entrou em sua calça, o que fez ele se mover bruscamente, provocando ondulações na água.

Os homens perceberam as ondulações e o pedaço de bambu se mexendo na água.

Kenji percebeu e mergulhou, mas ao fundo, e encontrou uma caverna (semelhante a que Derek encontrou, porém, essa não se abria em uma caverna maior), e sem ter mais para onde ir, entrou nela.

Atravessou-a, e saiu do outro lado, encontrando luz.

Saiu de perto e correu, entrando em uma densa floresta (a mesma que Derek, Kylla, Zero e Zoey entraram), e andou sem direção em seu interior.