D.r.e.a.m
3 Pobre Menina Rica - Parte Dois
Tentei me afastar de Cassidy, arrastando-me para o lado, mas algo me pegou pelos tornozelos me jogando contra armários, fazendo com que eu fique com uma forte latejante. Eu vi uma porta entreaberta e não pensei duas vezes ao ver Cassidy se aproximar flutuando, ansiosa, em minha direção, entrei.
Quando eu estava lá dentro, reparei que era uma espécie de depósito de zelador, procurei desesperadamente algo para me esconder e vi uma porta com uma chave na fechadura, saquei-a de lá, entrei e tranquei a porta.
Fiquei trancado lá até sentir o clima esfriar e ouvir o uivo do vento, Cassidy estava ali, me procurando... Quando o ar ficou mais leve e calmo, parei para ver onde eu tinha entrado. Esperava um outro ambiente cheio de mofo, vassouras e produtos de limpeza, mas encontrei muitos cadáveres que estavam em estado de decomposição de tal modo que tornava sua identificação quase irreconhecível.
Aí eu me lembrei do que Calix disse... Será que dois daqueles cadáveres teriam o que eu precisava para deter Cassidy? Não custava tentar...
Foi nojento revirar cadáveres só para achar alguma coisa que pertencesse às amigas. Depois de meia-hora procurando, o que eu consegui achar foi um brinco, uma foto borrada, mas que indiscutivelmente tinha uma garota de 12 anos como modelo e um... Diadema? Quem usa diadema hoje em dia? Só alguém metida a princesa mesmo.
Eu ainda estava nervoso e amedrontado, então, para me acalmar, dei corda na caixinha e uma música familiar de piano tocando ecoou. Era a música da caixinha que minha mãe colocava quando eu tinha os pesadelos com pessoas mortas. Aquilo me acalmou de tal modo que caí no sono... Eu sei, parece (e é) estranho, visto que eu estou em coma, portanto dormindo... Eu acho que isso reforça o fato de que eu estou realmente em um "outro universo".
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"Callum estava em meio a um nada absoluto, o garoto de longos cabelos ruivos estava em um lugar onde reinava o absoluto nada que era aliado à escuridão cegante que o cercava. Então, ele viu o chão embaixo de seus pés rachar e mãos cadavéricas e pálidas saírem de lá, seguida de rostos que pareciam ter sofrido de maneiras diferentes."
"Então, Callum viu se erguerem duas garotas de 10 e 12 anos, respectivamente, a mais baixa usava um vestido rosa com um lacinho de fita amarrado à cintura, ela poderia ser bonita se não fosse pelo fato de não ter a parte superior do rosto, deixando o interior de sua boca exposto, sua mandíbula inferior, língua, garganta... Tudo estava exposto, mas a substituição fantasma de seu rosto não ajudava em nada. A outra era uma garota de pele morena com cabelos crespos e cheios, ela tinha órbitas fundas e sangrentas no lugar dos olhos e metade da pele de seu rosto estava ausente."
" — Nos leve até nossa amiga... – Disse a morena. — Ela não irá parar até nos encontrar!"
"— Raiva, raiva... Vingança. – Por incrível que pareça, foi a menina sem a metade do rosto que o disse. — O Vingador... Não poupa ninguém que o aborreça. Nós vimos tudo, fomos as primeiras."
"— Mesmo assim, ela levantou-se de seu túmulo, inquieta, para achar as suas aliadas e para descansar em paz. — Disse a menina sem os olhos."
"Callum estava assustado, ele sabia do que elas estavam falando, mas o medo o impedia de processar mais uma informação."
"Até que, entre as garotas, surgiu uma mesa de aniversário com caixas de presentes, a cena rapidamente trocou para uma câmera fotográfica com a foto do que era, indiscutivelmente, a menina sem os olhos mais nova, com os olhos grandes e negros."
"Duas vozes disseram:
A Perturbada terá paz."
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