Dread Of The Grave.
2 Azul
Notas iniciais
Cap 1-Azul
A lua cheia iluminava as ruas da cidade, eu estava cansado, e por isto reparava melhor nos detalhes da cidade, eu estava num bairro semi-industrial, haviam fabricas ridiculamente altas e assustadoras, cobrindo o céu que antes já fora um mar de estrelas de fumaça negra, porém, este não era o pior fator, o pior fator era o de que haviam pessoas que moravam aqui, normalmente estas não tinham uma nota seques no bolso, e não conseguiam um lugar melhor para se viver, obres almas, morreriam cedo devido ao acúmulo de poluição do local. Não que precisassem esperar tudo isso, eu que raramente passava por este lugar de hoje, já havia visto ao menos três corpos mortos de maneiras diferentes, nenhuma delas sendo algo "normal", todos foram assassinados, um deles tinha a cabeça rachada ao meio, o outro, oito buracos em seu estomago, e o ultimo estava sem cabeça. E eu, não fiz absolutamente nada, digo, roubei o dinheiro que eles tinham nas carteiras, afinal, este não seria mais útil para eles.
Cheguei a frente a capela do bairro, não se viam muitas mais como aquela hoje em dia, madeira e pedra, simples, porem de certa forma era artística, não nego, sempre achei igrejas bonitas e com certo charme, mas sempre senti um calafrio ao entrar nelas, especialmente durante a noite, onde aquelas malditas estátuas de santo e imagens do paraíso se tornavam monstros e imagens do inferno respectivamente. Empurrei a porta da igreja e vi que haviam dois ladrões tentando roubar as oferendas do dia, o padre não estava na igreja, se tivesse, ele mesmo já as teria roubado, e eu, que sou amigo do padre, não poderia deixar que eles simplesmente roubassem o dinheiro de um amigo, um amigo que pagava meu jantar quando eu não tinha:
-Roubar da casa de deus é muito feio sabiam? Vocês tem dez segundos para rezar, tomara que entrem no céu. — Falei num tom sarcástico, com total intenção de provocar eles, afinal, eu mesmo iria matar aqueles dois, então, por que não me divertir? — Acabaram?
Não haviam se passado os dez segundo que eu havia lhes dado, mas ambos os bandidos correram em minha direção, um com uma faca de bolso e o outro com um tijolo, não sem quem era o mais idiota. O "tijolo" tentou acertar o seu tijolo em minha cabeça na vertical, apenas desviei, o peso do tijolo e o impulso do golpe fizeram sua cabeça ir para baixo, simplesmente o agarrei pela nuca e lhe finalizei com uma joelhada.
O "faca" foi mais rápido, me fazendo recuar muitos passos, não que ele soubesse usar a arma, apenas a balançava como um aleijado sendo a ser ridículo para mim, que havia treinado com facas desde pequeno estar recuando para ele, até que ele deu um passo desequilibrado, e eu aproveitei, dando-lhe uma rasteira, fazendo o rosto dele encontrar o chão, e logo em seguida, pisei encima dele, fazendo metade de seu rosto entrar no assoalho de madeira.
Meu amigo chegou uma hora depois com algumas compras na mão, não ficando nada surpreso ao ver os corpos de dois assaltantes no chão e eu deitado num dos bancos dormindo, ele simplesmente deu risada, colocou as compras encima do banco paralelo ao meu e pegou um celular:
-Oi polícia? Dois assaltantes foram pegos tentando roubar a igreja do bairro industrial 2136, poderiam vir recolher eles? Obrigado! — O Padre desligou o celular e me cutucou, meio que com uma brincadeira. — Quebrou a porra do chão e um banco, na próxima, toma mais cuidado!
-Prometo ter, na próxima vai ser só um banco! — Falei brincando — Mas então Bernardo, vamos comer?
Bernardo fez um sinal de negação com a cabeça, mas mesmo assim fomos para a cozinha do local, ficava a uma porta a esquerda do altar, era apenas uma cozinha simples e suja, um fogão, um microondas e uma geladeira, tinha um freezer em algum lugar, mas eu nem imaginava onde. Bernardo tirou um pacote de macarrão de dentro da sacola, encheu uma panela velha com água e esperou ferver, logo em seguida ascendendo um cigarro.
Ele era simplesmente o pior padre do mundo, bebia muito, fumava maconha, e era ateu, só trabalhava de padre por que podia roubar as oferendas das pessoas que iam lá, e sinceramente, não eram poucas, pois afinal, o mundo está simplesmente uma desgraça total, chegando a ser ridículo a quantidade de coisa que havia mudado em poucos anos, ele apenas tentava tirar proveito disso.
Voltei ao salão principal enquanto a comida não ficava pronta, me estiquei um pouco e voltei a me deitar sobre o banco, eu estava usando um casaco longo negro, parecia um paletó, e calças jeans cinzas, meio rasgadas, eram feias, mas confortáveis. Agora olhando para o teto da igreja eu via os desenhos de deus e seus anjos, santos e todas as coisas fofas e bonitas que os cristãos amam falar sobre, eu particularmente gostava dos preceitos, mas muitos deles haviam simplesmente se perdido durante os anos, a prova disso, eram as muitas imagens pichadas no teto, ainda era possível de se identificar elas, porém, chegava aquilo provava que aos poucos até mesmo a fé se perdia:
-Como que eles alcançaram lá encima? — Falei tirando uma latinha de cerveja de debaixo do banco, Bernardo sempre tinha uma ou duas jogadas por a — Deve ter sido com uma escada.
Comecei a beber a cerveja, inconformado com o quão alto aquela porra estava, como infernos alguém entra na igreja sem ser percebido, com uma escada, picha as imagens, e vai embora? Ok, eu mesmo até ajudaria, me parecia muito divertido, porém, isso não vem ao caso.
Vi Bernardo saindo de dentro da igreja com pressa, ele já havia tirado a bata e estava com um casaco negro com uma camisa branca por baixo, usando calças jeans simples. Ele me falou que tinha esquecido a carteira no mercado, e que se ele não voltasse lá na hora iriam ter roubado ele, eu falei que já haviam, mas ele não me ouviu e saiu pedindo para eu esperar os policias e ficar de olho no macarrão. Sabia o tempo que demoraria pra comida ficar pronta, e eu conseguiria esperar os policias deitado, então nem ao menos me mexi, não queria e estava confortável daquela maneira, apenas algo realmente surpreendente me tiraria dali.
Se passaram dez minutos, talvez quinze, mas não é que fui surpreendido? Sem aviso algum, algo quebrou o teto da igreja, caindo ao meu lado, fazendo muitos bancos, inclusive o meu, voarem para longe, apenas com a pressão que o ar envolta dele fazia, todas as fileiras de bancos foram arremessadas para os lados da igreja, eu ainda estava deitado quando o meu banco se colidiu com os outros, senti um estralo, dei sorte se não tiver quebrado nada. Abrindo os olhos aos poucos vi o que exatamente aquilo que havia quebrado o teto de pedra da igreja, parecia humano, tinha cabelos curtos de cor negra, olhos verdes que reluziam a luz da lua e usava um manto negro que cobria seu corpo por inteiro. Mas havia um diferença crucial que provava que ele não era humano, ou os programas de radiação extrema do Discovery eram verdade, sua pele era completamente azul, sim, azul! E suas pernas eram curvadas de uma maneira estranha, pareciam pernas de cavalo na grossura de pernas humanas, não sei se ria ou corria, e por algum motivo, resolvi rir.
-Que merda é essa?! É O BAMBI DA LAGOA AZUL!!!- Eu ria alto, sem nem me lembrar que ele havia afastado as cadeiras apenas com a sua queda — Porra, esqueci, você vai me matar né?
Me levantei com a fala, sabia que eu não poderia fugir, o instinto me dizia isso, apertei o colar que eu levava envolta do pescoço, tinha formato de um lobo em posição de ataque, conseguindo colocar medo em suas vitimas ao mesmo tempo mantendo a sua expressão "nobre". Entrei em posição de luta, esperando o Bambi vir me atacar, mas quando veio, nem ao menos vi o golpe, apenas o levei, ao menos oito vezes. Levei um soco no estomago, dois no meio do peito, três na cara e dois chutes das coxas, e todos os ossos dos lugares que ele havia atingido estavam quebrados, sim, ele quebrou a porra do meu Fêmur! E rachou o meu crânio! puro e simples, se eu não fosse um idiota, já estaria em estado vegetativo no chão, porém, apenas cai devido ao meu fêmur quebrado, e depois comecei a rir novamente.
-Caralho isso dói!!! — Chingava de dor rindo, era quase triste de assistir- Caralho....Não quero morrer...Mas não tem jeito né?
Vi a perna dele subindo, parecendo que iria pisar no meu rosto e acabar com tudo, mas não, ele não pisou em mim, apenas colocou a perna no lugar, olhei ele nos olhos, o filho da puta estava sentindo pena de mim, me achava miserável, estava escrito em seus olhos, iria me deixar naquele estado deplorável, mas eu estaria vivo, seres humanos racionais poderiam até gostar disso, mas eu não, era muito orgulhoso para isso, aceitar a dó de um cara que interrompe meu sono, quebra minhas coxas, e me deixa completamente ferrado? Não poderia fazer isso, então comecei a rastejar co os braços na direção dele, não desistindo, devo ser a pessoa mais idiota do mundo.
-Ei, se for pra me deixar assim me mata logo, vou morrer de hemorragia interna de qualquer jeito, assim se só vai me fazer morrer mais devagar!
O monstro me olhou, e simplesmente pisou encima do meu braço, entortando ele, agora, só tinha o meu braço direito, meu esquerdo agora estava puramente destruído, droga, esse cara me via como uma formiga, queria arrancar todas as minhas patas e me fazer sofrer o maximo possível, e eu, estava completamente acabado, tinha vontade zero de reagir, a dor finalmente havia tomado conta de meu corpo, aquele monstro havia quebrado meu orgulho, me deixando numa maneia simplesmente miserável.
Ele finalmente havia me deixado em paz, e foi ao altar da igreja, e o chutou para longe, contra a parede traseira da igreja, destruindo ela por inteira, mostrando assim, a casa que ficava logo atrás dela, era uma residência conhecida minha, merda....Merda!!! Ela mora lá!! Porra!! Porra!!! Por que infernos eu não me movo?! Por que?! Merda, um tempo, só mais um pouco de tempo!!
Comecei então apertar o colar em meu pescoço, e não sei, desejei algo, pedi para qualquer um que estivesse me ouvindo:
-Só dessa vez.....Pra qualquer um que esteja me ouvindo!! Uma vez!! Me deixe conseguir realmente ajudar ela uma vez!!! Não deixe que ela morra!!
O monstro pareceu me ouvir, e irritado começou a voltar, parece que finalmente iria finalizar o inseto de antes. Porém, algo o fez parar, uma luza, vinda do meu colar, os olhos do lobo brilhavam, e seus pelos pareciam se mexer um pouco, até que então, a luz tomou conta de toda a igreja, deixando o monstro, imóvel. E quando percebi, eu estava no outro lado da igreja, inteiro, eu não era mais eu mesmo, mas estava inteiro, meus membros haviam se concertado sozinhos e eu estava segurando algo nas mãos, ao que parece, arranquei um braço dele no instinto, era feito de carne, definitivamente, apenas mudava a cor, até mesmo o sangue era vermelho.
-Não sei que merda é essa, mas depois eu descubro.
Falei num tom sério, minha forma de pensar também era outra, não ligava mais tanto em proteger a casa atrás de mim, nem ligava mais tanto para o monstro em si, me sentia superior a ele, simplesmente queria matá-lo rápido para voltar a dormir. Não só minha personalidade havia mudado, mas meu corpo também, eu estava branco, puro e simples, branco como a neve, também estava um pouco mais furte em questão de musculatura, e agora meus cabelos que antes eram curtos e penteados para cima, estavam longos, chegando até a minha cintura. E estranhamente, havia adorado aquela sensação.
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