Dramione - When Fire Meets Ice
10 Capítulo 10 - Pretérito
Notas iniciais
Leitores, espero que sejam compreensivos. Não estou tendo muito tempo para nada, por isso as atualizações estão menos frequentes, mas quero que saibam que meu plano não é e nunca foi abandonar a fic.
Amei escrever este capítulo e minha beta gostou muito também, espero que tenham a mesma reação.
P.S.: Só para ficar claro, essa fic é escrita APENAS por mim, a Bia apenas revisa, dá sugestões e etc, e a Changing Concepts é escrita apenas por ELA, e sou eu quem faço a revisão, mas apenas isso. Quando uma de nós escreve um capítulo para a outra, colocamos os devidos créditos.
Enfim, boa leitura!
Hermione parou repentinamente de correr, ofegante, pensando em onde Rony poderia estar. Certamente, não no dormitório e nem no salão da monitoria, pois sabia que seriam os primeiros lugares que Hermione procuraria. A garota respirou fundo, raciocinando, pensando em um lugar que Rony acharia que ela nunca iria procurar.
A Sala Precisa.
A castanha retomou a correria, seus pensamentos a mil por hora, sem parar nem por meio segundo. Quando a porta da sala se abriu, Hermione não hesitou.
Encontrou a mesma sala onde, um dia, Voldemort escondera uma de suas horcruxes. Havia muitas cinzas, e o pouco que restava estava bem destruído por causa do fogo. Lembrou-se da última vez que esteve ali e um arrepio percorreu seu corpo.
O local costumava ser um labirinto, mas com quase tudo queimado e destruído, era fácil enxergar o lado oposto da sala, e era lá que estava Rony, sentado em uma cadeira de balanço, parecendo nervoso e desorientado ao mesmo tempo.
Hermione se aproximou devagar e silenciosamente, pensando no que falar. Esticou a mão para tocar o ombro do ruivo, mas antes que conseguisse, o mesmo se virou de repente e Hermione deu um passo para trás, um pouco assustada.
-O que você está fazendo aqui? – Perguntou Rony, agressivo, porém contido. Os círculos ao redor dos seus olhos estavam vermelhos, assim como suas orelhas.
-Queria falar com você.
-Não temos mais nada para conversar, Hermione. –O ruivo andou alguns passos, distanciando-se da garota.
-Claro que temos, Rony. –Mione andou em direção ao garoto novamente. – Quero dizer, você está entendendo tudo errado. Draco e eu...
— Draco? –Rony ergueu as sobrancelhas, impressionado. – Desde quando você o chama pelo primeiro nome, Hermione? Pelo visto, não entendi nada errado. Vocês parecem bem amigos. Ou mais que isso.
-Rony, por favor, deixe-me explicar! –Hermione disse, em tom de súplica. – Fiquei aqui hoje porque eu sabia que em Hogsmeade Harry e Gina ficariam juntos, ou com você, e eu não queria ficar sozinha. Pensei que eu era a única que eu tinha ficado, então fui ao corujal enviar uma carta para minha mãe, e Drac... Malfoy estava lá. Antes que eu pudesse ver, ele já estava desabafando sua história em cima de mim, sobre como matou um trouxa, sobre como estava arrependido, sobre como tinha vontade de pular da janela quando se lembrava da situação do Lúcio Malfoy, que, por sinal, foi enviado para um sanatório! Eu nem posso acreditar, Rony. Sei que ele merece, eu sei... Mas é muita coisa para se enfrentar sozinho, até mesmo Malfoy, que se arrepende tanto de seus atos. Ele me abraçou, pedindo perdão, e aí você chegou. Foi só isso.
-Quantos “só isso” vão acontecer, Hermione? A banheira, agora isso... O que mais aconteceu?
Hermione pensou um pouco e resolveu falar de uma vez. Era melhor que tudo ficasse claro.
-Uma vez, o encontrei na sala precisa. Quando nós dois brigamos, eu vim até aqui, e eu não sabia, e...
-E foi “só isso”, não é? –Rony estava exasperado. –Cansei, Hermione. Sinceramente, eu cansei! Eu já estava bastante chateado por todas as nossas brigas, pelo fato da minha confiança estar abalada e eu não conseguir resolver isso... Eu estava tão preocupado e me sentindo tão culpado, Hermione. Voltei mais cedo de Hogsmeade porque eu ia te mandar uma coruja com um bilhete, dizendo para você ir para os jardins, e eu estaria te esperando com uma flor. Iria fazer uma surpresa. Mas quando vou ao corujal, o que encontro? Você, abraçada com o Malfoy! Desculpe, Hermione, eu realmente entendo que a situação dele é ruim e séria, mas você esquece que nós quase morremos várias vezes por causa desse garoto! Você esquece que passamos seis anos sendo humilhados por ele e o pai dele, Hermione! Você esquece que nós salvamos a vida desse fuinha e mesmo assim ele continuou nos desprezando! Perdão por dizer, mas ele merece isso!
-Ronald, como você pode falar algo assim? Você está certo, nós sofremos muito por causa dos Malfoy, mas ele está arrependido! Eu nunca desejaria mal à ninguém, Rony, nunca falaria que alguém que se arrependeu dos seus atos merece sofrer por causa deles. Todo mundo merece uma segunda chance, e essa é a segunda chance de Malfoy! Ele me pediu perdão, Rony, você não vê que isso é um grande passo? Por que você simplesmente não pode perdoá-lo?
-Porque eu não esqueci o que eu passei por causa dele, Hermione! Não é fácil! Todas as perdas... Os feridos... Fred, Lupin, Tonks, Dumbledore, e tantos outros... –O ruivo andava de um lado para o outro, fora de si, sentindo dor ao relembrar aquilo. – Eu nem mesmo posso acreditar no que estou ouvindo. Não acredito que você está defendendo esse cara! Pelas barbas de Merlin, Hermione... Eu simplesmente não...
-Ronald... –Hermione não fazia ideia do que falar. As palavras estavam presas em sua garganta, impedindo-a de respirar direito, engasgadas.
-Acho melhor terminarmos de vez.
Um silêncio absoluto e incontestável seguiu-se após essa frase. Ambos parados, sem saber onde colocar as mãos, se encarando, esperando a realidade atingir suas respectivas cabeças como uma pesada bigorna.
Hermione engoliu o choro que estava vindo.
-Tudo bem. – Falou, com dificuldade.
Mas não estava tudo bem. Nem perto disso. Passara sete anos gostando do mesmo garoto, sempre do mesmo, um certo ruivo desajeitado, alto e sardento com olhos irritantemente azuis, que sempre insistia em dizer algo para magoá-la, mesmo sem querer. Ela não sabia, mas esse mesmo ruivo também passou sete anos gostando de uma mesma garota, uma morena irritante e esperta, com o nariz mais empinado que já vira e uma mania constante de tentar conseguir um objetivo mais alto do que o esperado.
E agora os dois estavam ali, frente a frente, encerrando aquela história.
-Então é isso. Nos vemos por aí. –Rony deu um suspiro, sem ter coragem de encarar a... ex-namorada (como doía pensar assim!) e andando o mais rápido que podia para sair dali.
Hermione continuou parada como uma estátua, escutando os passos do ruivo ecoarem até sumirem aos poucos. Seus pensamentos estavam uma bagunça e ela não conseguia arrumá-los, então simplesmente sentou-se no chão, encolhida, com o rosto enterrado nas mãos. Sentiu as lágrimas molharem o rosto aos poucos, derramando-se silenciosamente, como se fossem clandestinas. Não queria ser o tipo de garota que chorava por um término. Rony era o único idiota que conseguia fazê-la chorar. Ele era seu primeiro namorado de verdade, o primeiro garoto com que tivera algo sério. Hermione sentia-se angustiada. Todas as memórias dos momentos que teve com Rony invadiam sua cabeça, sem parar, torturando-a.
Talvez ele estivesse mesmo certo. Talvez ela não deveria defender Malfoy. Afinal, o loiro a fizera perder tantas coisas na vida... Incluindo Rony.
Parada ali no meio da Sala Precisa, pensando em todas as coisas que já aconteceram naquele mesmo lugar com o que restou do grande incêndio ao seu redor, Hermione lembrou-se de quando encontrou Draco ali, chorando. Lembrou-se também que isso acontecera horas após uma briga com Rony. Aquela era a Sala Precisa, certo? Então por que diabos encontrara Draco ali?
A garota ergueu a cabeça e secou as lágrimas, afastando aqueles pensamentos. Se recusava a pensar em Draco naquele momento. Saiu pelos corredores na direção do salão da monitoria, querendo sossego. Ainda restavam uma hora ou duas até que o resto dos estudantes voltassem de Hogsmeade, e isso era um alívio imenso. Poderia jantar mais cedo e passar o resto do dia dentro de seu quarto.
Ao entrar pelo buraco do Quadro Dourado, porém, encontrou Draco jogado em uma das poltronas, com uma calça de moletom e uma camisa folgada. Estava lendo algum livro de capa escura, mas a garota não conseguiu identificar o título. Seus cabelos estavam ligeiramente despenteados e o garoto estava tão concentrado que nem percebeu a entrada de Hermione.
A garota pensou em se aproximar e puxar algum assunto, talvez terminar a conversa que iniciaram mais cedo, mas apenas balançou a cabeça negativamente e continuou andando em silêncio em direção ao seu quarto. Pelo menos inicialmente, era melhor distanciar-se de Draco até que tudo se ajeitasse. Tinha certeza que Rony falaria para Harry a razão do término, soletrando Draco Malfoy com todas as letras, e o moreno repassaria a informação para Gina, e ambos com certeza tirariam conclusões precipitadas. Hermione não queria dar mais motivos para pensarem de que realmente existia algo entre ela e Malfoy.
Suspirou, verificando se a porta estava realmente trancada e jogando-se na cama. Queria ser capaz de lançar um “obliviate” em si mesma e simplesmente esquecer as últimas semanas. Sabendo que aquilo não era possível, enfiou-se embaixo das cobertas e fechou os olhos, procurando afastar todos os pensamentos perturbadores que invadiam sua mente. Depois de intermináveis e torturantes minutos, adormeceu, e pela primeira vez em meses, não teve sonhos.
Notas finais
Faz bem para a escritora!
Caso estejam gostando, recomendem também (:
Obrigada desde já e até o próximo capítulo.
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