Dramione - Side Effect
18 Não posso deixar que faça isso!
Notas iniciais
Preciso dizer que estou muito, muito triste... Recebi apenas 3 reviews no capítulo anterior! Mas eu tenho mais de 150 leitores. Estou começando a achar que a história não está agradando... Por isso, meu agradecimento especial à Amanda Tolosa, Dafne Lux e Giuh Malfoy Odair Castellan pelas palavras de incentivo, este capítulo está sendo postado por causa de vocês.
De qualquer maneira, preciso agradecer à linda Dafne Lux também pelo comentário maravilhoso! Este capítulo é especialmente para você!
Aproveitem...
Eu estava um caco. Meus olhos estavam fundos e meu corpo todo doía. Além de todas as vezes em que levantou passando mal, Gina se mexeu na cama a noite toda e eu passei longe uma boa noite de sono. Apesar de tudo, ela parecia melhor que eu, apenas um pouco pálida e cansada. Todos na mesa nos encararam quando sentamos ao lado de Harry.
– Meu Merlin! Vocês estão horríveis! — comentou Ronald.
– Muito obrigada! — respondeu Gina sarcástica.
– O que aconteceu? — questionou Neville.
– Hermione passou mal a noite toda ontem! — Parvati se adiantou a nós duas. — E acabou não deixando a Gina dormir. Eu mesma acordei umas duas vezes com o barulho delas.
Harry olhou espantado de mim para Gina e de volta para mim, enquanto compreendia.
– Mas você está bem agora? — Neville estava realmente preocupado.
– Estou sim. Obrigada!
– O que será que te fez ficar tão mal, Hermione? — Parvati não podia mudar de assunto e deixar de chamar atenção para o episódio, era mais forte que ela.
– Deve ser estresse.- interveio Luna. — Ela não teve descanso desde que voltamos. Uma briga arás da outra, julgamento, entrevistas. Isso deixa qualquer um psicologicamente cansado. — enfatizou.
– Acho que não estou totalmente recuperada dos acontecimento de sábado de manhã. — acrescentei. Todos olharam para Ronald, que fingiu não notar e continuou comendo suas torradas com geléia. Eu e Gina, por nossa vez, olhamos para Luna agradecidas. E ela sorriu para nós através da mesa.
– Faz sentido! — Neville comentou.
O correio começou a chegar e, finalmente, o assunto morreu. Uma coruja marrom pousou na mesa à minha frente e me apressei para pegar a carta em seu bico. Meu nome estava escrito em letras garrafais na caligrafia inconfundível de mamãe, em um envelope branco. Felizmente, para os outros receber corujas com cartas de casa era uma coisa tão normal, que ninguém registrou o fato, a não ser, é claro, Harry e Gina. Estava indecisa entre abrir o envelope ali, ou esperar até que as pessoas se dispersassem em direção às salas de aula, quando outra coruja aterrizou na mesa.
Ela era enorme e totalmente negra. Trazia um uma bolsinha de couro atada à uma das pernas e um cartão roxo no bico. Ninguém se moveu em direção ao bicho e todos começaram a olhar para mim. Demorei a perceber que a encomenda era minha e quando aconteceu, corei violentamente. Desatei o nó que prendia a bolsinha e peguei o cartão. A ave levantou voo, abrindo suas longas asas negras e derrubando o suco de abóbora de Neville em cima de Ron. O ruivo levantou-se de um pulo, praguejando e amaldiçoando. Gina foi a primeira a cair na gargalhada.
– O que é? — indagou Parvati.
– Quem enviou? — exigiu Ron.
– Acho que isso só diz respeito à Hermione. — Gina retrucou brava. — Além disso, se não formos agora vamos nos atrasar para a aula do Slughorn. — Ela se levantou e me puxou junto. Harry distraído não se mexeu, então ela começou a bater o pé no chão, impaciente.
– Harry, acho melhor você ir. — brincou Luna. Ele olhou para trás e arregalou os olhos para a expressão exasperada de Gina. Depois, juntou apressadamente os livros da mesa e nos seguiu. Enquanto saíamos do salão ele balançava a cabeça negativamente para as risadas na mesa atrás de nós. E eu fui atraída pelo sorriso zombeteiro e o par de olhos azul-acinzentados brilhantes na mesa do outro lado do salão.
Nós mal havíamos nos sentado nas bancadas da sala de poções, quando Gina exigiu:
– Quem mandou?
– Achei que isso só dissesse respeito a mim. — retruquei.
– Abre logo esse troço, Hermione. — ela gruniu. Harry sentado do outro lado da ruiva, fingia não estar interessado no assunto.
Peguei o saquinho de couro no bolso das vestes, a ansiedade crescendo em mim. Desatei o nó do cordão com os dedos trêmulos. Virei o conteúdo da palma da mão e fiquei sem palavras. Em uma fina corrente de ouro, estava pendurado um pequeno e delicado pingente em forma de pena. Apesar de pequenino o objeto era cheio de detalhes, as linhas e curvas formavam uma miniatura perfeita da minha pena preferida, a não ser por um detalhe — havia um cristal encravado próximo à ponta fina.
– Ah. Meu. Merlin! — exclamou Gina. O que fez Harry quase derrubar os livros e pergaminhos e parar de fingir. A atenção dele agora estava, sem dúvidas, voltada para nós.
Examinei a jóia atentamente, ainda sem saber o que dizer. Era linda! E totalmente inadequada… Devia ter custado uma fortuna.
– Eu não vou desistir de você! — Gina disse. Quando me virei, ela tinha o cartão roxo nas mãos. — Não está assinado. Por que não está assinado? Quem mandou isso, Hermione?
– Como vou saber?! — menti.
– Ah, por favor, você deve pelo menos desconfiar. Não reconhece a caligrafia?! — ela questionou estendendo o cartão para mim. Peguei o pergaminho e o perfume amadeirado invadiu minhas narinas. — Eu não vou desistir de você! — ela repetiu. — Se ele não vai desistir, significa que já tentou antes. Diga a verdade, Mione. Quem é?!
– Eu não faço ideia. — teimei.
Como que para me contrariar, Draco Malfoy entrou na sala e sentou-se na cadeira exatamente na frente da minha. Seus olhos registraram o colar e o cartão em minhas mãos e um sorriso brincou em seus lábios.
– Admirador secreto, Granger? — ele provocou.
– Pode ser do meu irmão. — Gina sugeriu, ignorando o comentário do loiro.
– Como se ele tivesse dinheiro e bom gosto para uma jóia como essa. — Draco retrucou zangado.
– Isso não é problema seu, Malfoy. — Harry interveio.
O loiro preparou-se para retorquir, mas Slughorn entrou na sala e ele teve que se virar. Guardei o cartão no livro de Poções e estava guardando a corrente quando Gina ralhou.
– Não, não guarda. Coloca! É muito bonito pra ficar guardado.
– Gina. Faz ideia de quanto isso deve ter custado? Não posso aceitar. — Vi os músculos das costas de Draco ficarem tensos enquanto eu falava.
– Ah, você pode sim. Além do mais, não é como se você pudesse devolver. A não ser que esteja mentindo sobre saber a identidade do seu admirador secreto. — ela completou rapidamente, antes que eu começasse a protestar.
Suspirei pesadamente, estiquei a jóia para ela, virei de costas e levantei os cabelos. O metal estava gelado contra a minha pele, mas parecia se encaixar perfeitamente na depressão entre os ossos da minha clavícula. Automaticamente estiquei a mão e envolvi o pingente.
– Srta. Weasley, srta.Granger! — Slughorn chamou.
– Desculpe. — Gina murmurou. Sentei ereta na cadeira.
Não haviam se passado nem cinco minutos, quando Gina me cutucou.
– O que sua mãe respondeu? — tinha me esquecido completamente da carta. Procurei-a nos bolsos das vestes, no meio dos livros. Mas não estava lá.
– Está procurando por isso? — a voz de Ronald soou abafada atrás de mim. Ignorando a presença do professor na sala, virei-me para trás na cadeira e encarei meu ex-namorado. — Você ficou tão empolgada com o presente do seu admirador secreto, que esqueceu em cima da mesa. — ele caçoou.
– Devolva. – exigi estendendo a mão para ele.
– O que pode ter acontecido de tão importante para ter feito você escrever para sua mãe? — ele perguntou. — Achei que ela não gostasse de se corresponder usando corujas.
– O que você tem haver com isso? — Gina ralhou tapando a boca com a mão.
– Só fiquei curioso. Desmaios, mal-estar e agora uma consulta com um curandeiro trouxa… — ele enumerou.
– Você leu a carta?! — acusei, um pouco alto demais. Isso chamou a atenção das pessoas em volta, especialmente de Draco. Mas felizmente, o professor pareceu não notar.
– Li. Queria saber o que estava escrito. Sua mãe quer saber porque você precisa ir ao ginecologista. — Harry parecia que ia desmaiar. Gina apertou a beirada da mesa. Já Draco desistiu de tentar disfarçar e virou de frente para nós. — Aparentemente, ela acredita que ainda estamos namorando e está preocupada que tenhamos sido descuidados. — senti meu rosto corar violentamente e sabia que devia estar da cor dos cabelos de Gina.
– Cale a boca e devolva a carta, Weasley. – Draco disse com desdém.
– Você está grávida, Hermione? — Ronald perguntou com a maior naturalidade do mundo.
– Chega, Ron. — Harry explodiu. — Quem você acha que é para falar assim com a Hermione? Devolva a droga da carta e cale a boca. — o ruivo arregalou os olhos para o amigo. — Agora, Ronald.
– Qual é o problema? — Slughorn, que parecia finalmente ter notado a agitação no meio da sala, caminhou até nós.
– Weasley está com uma coisa que pertence à Granger e não quer devolver. — Parvati respondeu por nós, como uma criança de três anos delatando os amiguinhos para a professora.
– Por favor, Walamby, devolva o que quer que seja à srta. Granger. — apesar de ter pedido “por favor”, havia uma exigência no tom de voz do professor, que deixava claro à Ronald que ele seria expulso da sala se não obedecesse.
Com uma grande má vontade, ele estendeu a carta para mim. Agarrei-me ao papel, como se daquilo dependesse a minha vida.
– Obrigado, Wiber. Podemos continuar? — perguntou retoricamente enquanto se dirigia de volta para a frente da sala.
Gina encarava algum ponto na parede atrás de Slughorn enquanto ele falava com um olhar duro. Examinei-a de perfil e notei como a linha da mandíbula estava tensa. Ela parecia estar lutando para não chorar. Por cima da cabeça dela, Harry – que obviamente também havia notado como ela estava — me lançou um olhar desesperado. Rapidamente ergui minha mão no ar.
– Pois não srta. Granger? — Slughorn, disse cansado.
– Sinto muito professor, mas não estou me sentindo bem. Se importa se Gina me acompanhar até a enfermaria? — ele pareceu alarmado.
– Acho que isso responde à minha pergunta! — Ronald comentou baixo o suficiente para que só as pessoas próximas ouvissem. Draco olhou por cima do ombro me encarando.
– Por que tem que ser sempre tão idiota? – Harry disse ríspido, alto o suficiente para que todos na sala ouvissem. Ele deu uma piscadela para mim e mais que depressa entendi.
– Ela já é bem grandinha para se defender sozinha, Harry Potter. – Ronald respondeu, mordendo a isca.
Peguei Gina pelo cotovelo e empurrei em direção à porta. Lancei um olhar a Slughorn, que balançou a cabeça positivamente, antes de se voltar para a já acalorada discussão entre os dois garotos.
– Ela é minha melhor amiga. É minha obrigação defendê-la de babacas e imbecis, mesmo que não peça minha ajuda. – ouvi Harry retrucar.
– Hey, Potter. – ouvi a voz de Draco incentivando a briga.
Assim que saímos para a segurança do corredor, passei meus braços ao redor de Gina, amparando-a. Felizmente estávamos perto de um banheiro. Fiz com que ela apressasse o passo até lá e tranquei a porta no minuto em que se fechou atrás de nós. Abafiatto! Murmurei rapidamente. Dessa vez não...
Gina chorou abraçada a mim por um longo tempo. Quando ela se acalmou, fiz com que lavasse o rosto. Ela jogou água gelada na face vermelha duas vezes antes de se virar para mim.
– Não posso deixar que faça isso! – decretou.
– Isso o que, Giny?
– Não se faça de desentendida, Mione. Você sabe do que eu estou falando. – ela passou a mão pelo rosto cansado. – Não vou permitir que deixe todos pensarem que está grávida só para me proteger.
– Sabe que não me importo com o que os outros pensam. Sete anos como alvo das fofocas de um castelo inteiro te dão alguma carapaça. – brinquei. – Mas não é essa a questão! “Só para te proteger”? Gina! Especialmente e propositalmente, com o intuito consciente de te proteger. Não é negociável. – afirmei.
– Merlin! Mas você nunca nem transou! – ela constatou. Senti o sangue se concentrar nas minhas bochechas.
– Você é a única que sabe disso. E, provavelmente, a única que acreditará nisso depois de hoje. – Arrependi-me de ter dito a última parte quando ela soltou um gemido triste. Com os olhos cheios de culpa, Gina me abraçou novamente.
– Muito obrigada, Mione. – ela sussurrou. – Você é a irmã que eu nunca tive.
– Me deixe ser madrinha dessa criança e está tudo certo!
– Você tem alguma dúvida? O posto é seu desde antes de ela existir.
Ficamos por ali mais alguns minutos, na esperança de que o corredor esvaziasse e ninguém notasse quando saíssemos. Quando achei que já tínhamos esperado o suficiente, ajudei Gina a se levantar e destranquei a porta. Harry, é claro, estava esperando do lado de fora. Ela correu até ele e o abraçou. E eu tive certeza de que estava fazendo a coisa certa.
– Obrigada, Mione. – ele agradeceu. Entregando-me meus livros e pergaminhos.
– Não há de que. – respondi. – O que a briga lhe rendeu?
– Trinta pontos a menos para a Grifinória e uma noite de detenção com o Sluge. Nada demais. Estou preocupado é com você.
– Eu disse a ela... – Gina começou. Levantei a mão para silenciá-la.
– Não é negociável. – repeti. – Você faria o mesmo por mim, se não até mais. – constatei.
– Com uma condição... – Harry declarou. – Seja a madrinha!
Eu e Gina caímos na gargalhada e ele corou entendendo que havia chegado atrasado.
– Tarde demais Potter, a mãe me convidou primeiro! – disse me virando e saindo para deixar os dois à sós.
– Você vai ficar bem? – Harry gritou. Girei nos calcanhares e balancei a cabeça positivamente ao mesmo tempo em que fazia uma mesura. Ele segurava Gina pela cintura protetoramente. Ela agora estava segura e em boas mãos.
Acenei para os dois e peguei o caminho para a biblioteca. Virei a direita no corredor e apressei o passo em direção à escada. Precisava do conforto e segurança dos livros. Queria ler tudo o que pudesse sobre gravidez no mundo bruxo. Eu só conhecia os costumes e cuidados trouxas, e é claro que eles não podiam ser tão diferentes assim. Mas por precaução... Quando alcancei o primeiro degrau, uma mão se fechou ao redor do meu anti-braço esquerdo me fazendo congelar.
Notas finais
XOXO
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