Dramione - Side Effect

27 Mas. Que. Merda. É. Essa?


Notas iniciais
Oi pessoas! Estava com saudade! Primeiro, deixa eu agradecer aos meus lindos leitores que me deixaram recomendações e eu ainda não tinha agradecido! Este capítulo é dedicado à Paula Potter, Vi Ferreira, Potterhead always lovatic, Loris Malfoy e Maris Di Angelo. Obrigada pelas palavras lindas! Segundo... Estamos precisando dar uma agitada por aqui. Por isso, decidi que quem deixar recomendações a partir deste capítulo vai ganhar de presente o próximo (28) por mensagem privada! o/ o/ o/ o/ o/ o/ o/

— Por favor nada muito chamativo, nem muito curto. Pode até ser um vestido de festa comum, que depois eu dou um jeito nele.

— Já sei, já sei. Hermione, você fez recomendações a semana toda. Será que não dá para confiar em mim? Além do mais, Harry estará comigo, ele vai garantir que eu não me exceda.

Harry lançou um olhar apavorado para mim. É claro que ele não contrariaria Gina, por mais maluca ou estranha que fosse a escolha da ruiva. Da mesma maneira que passaria o dia andando por lojas de alfaiates em toda a Hogsmade e carregaria sacolas sem reclamar. Então, por meio daquele olhar ele estava antecipando o pedido de desculpas, qualquer que fosse o resultado do dia de hoje.

— Tudo bem. Aproveitem Hogsmade por mim. E mandem lembranças à Madame Rosmerta.

— Prometa que não vai ficar enfiada neste salão comunal ou na biblioteca o dia todo. — pediu Gina. — Isso é tão injusto.

— Eu prometo Gina. Agora vá, ou as outras garotas vão ficar com as melhores fantasias.

Não precisei insistir de novo.

— Tem certeza de que vai ficar bem, Mione?

— É claro que sim, Harry. Não há lugar mais seguro que Hogwarts, lembra?

Depositando um rápido beijo na minha bochecha, Gina virou e saiu pelo buraco do retrato com Harry ao seu lado. Praticamente todos os alunos da Grifinória que tinham idade e autorização para ir, já estavam lá embaixo ou à caminho da vila. Sentei no chão de frente para a mesinha de centro e peguei pena e pergaminho. Não faria mal adiantar os deveres da próxima semana.

Com o baile tão próximo, havia muito o que fazer e pouco tempo para isso. A primeira remessa de convites havia esgotado. Até mesmo os primeiranistas queriam participar do baile. Perdi a conta de quantos convites enviei pelo correio coruja — uma tarefa que Gina, Harry e eu nos revezávamos para conseguir completar, todos os dias. Segundo as cartas de Andrômeda, as vendas no próprio Instituto também não iam mal. Se continuássemos naquele ritmo, estaríamos esgotados antes do meio da semana. Harry sugeriu usarmos os jardins do castelo para garantir a participação de mais gente, mas o clima não permitia um evento ao ar livre. Então, infelizmente, teríamos que limitar a quantidade de pessoas em 3 mil — o que, para mim, já era bem significativo.

Terminei a redação de História da Magia, realizei os exercícios de Feitiços e revisei a matéria de Defesa Contra as Artes das Trevas pela segunda vez. Talvez Gina estivesse certa afinal e eu estivesse mesmo desenvolvendo uma pequena obsessão por DCADT. Mas eu não conseguia parar de me lembrar das situações por que passamos, de como escapamos da morte por sorte ou quase morremos por falta de um pouco mais de conhecimento. Sei que as chances de algo como aquilo se repetir com Voldemort morto eram mínimas, contudo, eu não conseguia evitar e, com certeza, não perdia nada em me concentrar um pouco mais no aprendizado de magia defensiva.

Um pássaro de papel pousou sobre a página do livro. Olhei ao redor e descobri uma das janelas entreabertas. Alguém deve ter esquecido daquela maneira. Fiquei espantada ao constatar que o sol estava alto do lado de fora. Pra variar, eu me distraí com os deveres e esqueci do tempo. A imagem de Gina me repreendendo por estudar demais fez um sorriso brotar dos meus lábios e, de repente, eu estava rindo sozinha. O pássaro bateu as asas com força demandando atenção e eu o peguei, observando a distinta caligrafia que o cobria.

— Finite Incantatem!

A dobradura se desfez quando o feitiço acabou. E antes mesmo de ler eu sabia — pela forma como as letras foram cuidadosamente desenhadas na folha – que o bilhete era de Draco.

Hermione,

Aposto que está debruçada sobre pilhas de livros e pergaminhos e nem percebeu que já passa, e muito, da hora do almoço.

Você cuida de todo mundo! Quando é que vai começar a cuidar devidamente de si mesma?

Para remediar isso, preparei um lanche para nós.

Estou esperando no local onde as flores e as borboletas são um só.

Draco.

Eu cuido de mim mesma, ora essa. Quando sobra um tempinho... Meu estômago roncou, como se concordasse com a acusação de Draco. Suspirei resignada. A quem eu queria enganar... Desde que o pequeno pássaro de papel entrou pela janela meu estômago borbulhou com a antecipação. Porque eu sabia que o bilhete só podia ser dele.

Recolhi minhas coisas rapidamente, corri escada acima e depositei tudo na cama. Depois me apressei até o banheiro e observei com atenção a garota que me fitava do espelho. Seus cabelos castanhos estavam presos em um coque frouxo, com pequenas mexas se desprendendo aqui e ali. Ela estava corada pelo esforço de subir as escadas e seus olhos, apesar de cansados, brilhavam de animação. Nunca fui de usar maquiagem, aplicar feitiços de alisamento nos cabelos, nem nada dessas coisas. Mas também nunca tive muito tempo para me preocupar com isso. Sorri para meu próprio reflexo. Eu gostava do que eu via, mesmo com alguns defeitos, porque aquela era a verdadeira Hermione Granger. Então, decidi que estava bem.

Encontrei Draco sentado sobre um cobertor embaixo do velho carvalho, observando o sol, que começava a baixar no horizonte, e seu reflexo na superfície do lago. Ao redor do sonserino estavam espalhados suco de abóbora, chá, amoras, tortas de limão e morango, pequenos sanduíches naturais, torradas, geleia, entre outras coisas. Todas as comidas e bebidas que eu adorava.

— Você demorou para dar sinal de vida. — fiz a constatação mais para mim mesma — Onde conseguiu tudo isso?

Draco se virou para mim sorrindo.

— Desculpe, tive que resolver alguns problemas. — ele murmurou. — Nem todos os elfos domésticos da cozinha me odeiam. Mas o principal é que, todos eles te idolatram… Então, quando disse que você não tinha almoçado, esse foi o resultado. Sente-se.

Ele esticou o braço para me ajudar. Peguei sua mão e me sentei no espaço reservado para mim. Tirei a varinha do bolso e depositei ao meu lado. Então, olhei ao redor novamente, admirando a comida. Se ainda estivesse lá em cima, na torre, eu nem me lembraria que precisava comer. Mas ali, diante de todas aquelas delícias minha fome despertou avassaladora.

— O que vai querer?

Draco parecia esperar por uma decisão para me servir.

— Não sei. Aqui tem tudo o que eu mais gosto. Não consigo escolher.

Um sorriso de satisfação coloriu o rosto dele.

— Que tal amoras? — Draco ofereceu.

Ele alcançou o pote e colocou uma fruta na minha boca. O néctar doce se espalhou pela minha língua e acho que eu literalmente lambi os lábios. Peguei mais frutas eu mesma e comi com prazer. De repente, dei-me conta de que o sonserino me analisava.

— O que?

Mordi o lábio acanhada. Será que eu estava comendo muito rápido, cometendo alguma falta de educação? Fiquei assustada quando ao invés de responder, Draco tirou o pote de amoras das minhas mãos sem muita gentileza e depositou na toalha. Mais que depressa, ele me puxou para perto e me beijou. O gosto da fruta, ainda na minha boca, foi o tempero para um beijo esfomeado.

— Ah, droga… — ele gemeu quando nos soltamos. — Isso é ainda mais difícil do eu imaginei que seria.

— Do que é que você está falando? O que aconteceu?

— Estou falando sobre ficar ao seu lado e conseguir me comportar. Sobre não te agarrar assim, feito um maluco desesperado.

— Falando desse jeito, você realmente parece maluco. — disse, recostando-me apoiada nos cotovelos, ainda olhando para ele. — Sou só eu Draco.

— Esse é o problema… Quer dizer, você não é um problema… É que, ficar junto de você… Hermione, você faz ideia do efeito que causa nas pessoas?

Terminei de me deitar rindo da declaração. É, eu sabia… Tédio. Ah… e, às vezes, pena. Mas preferi não dizer em voz alta. Draco se deitou ao meu lado, apoiado em um cotovelo e levou a outra mão até a minha clavícula. Desde quando recebi a pena, ela não saiu mais do meu pescoço. Eu a usava sempre escondida sob a roupa, mas ela devia ter aparecido quando me deitei. Ele percorreu o cordão até o pingente com os dedos, como havia feito embaixo da escada no dia em que me deu o presente.

— Você ainda está usando…

— É claro que sim. A propósito, acho que não disse isso no dia em que ganhei, mas ele é lindo. Obrigada.

Olhei nos olhos dele enquanto agradecia. O azul-acinzentado parecia mais vívido do que nunca. Contudo, o que mais me chamou atenção foi como a tempestade que eles continham já não assustava e oprimia, mas transmitia segurança, aconchego. Descobri, chocada, que os olhos azul-acinzentados agora me enchiam de paz.

***

Arregalei os olhos sobressaltada. Já era começo de noite mas ainda estávamos no jardim. Aparentemente, eu e Draco tínhamos caído no sono sobre a toalha de piquenique. Eu apoiada no peito dele e o sonserino com o braço em volta de mim.

— Draco… — chamei baixinho. — Draco, acorda.

Depositei um selinho em seus lábios e eles se curvaram num sorriso.

— Mas. Que. Merda. É. Essa?

O rosnado gutural veio de uns cinco metros à minha esquerda. Draco sentou-se já com a varinha na mão, procurando pela origem do som. Um vulto se mexeu perto do tronco da mesma árvore em que Draco esteve quando me presenteou com as flores-borboletas. O sonserino pulou de pé me trazendo junto e se colocou na minha frente no momento em que a pessoa caminhou para fora das sombras. Ronald, apesar do grito assustador de segundos atrás, tinha uma expressão vazia e os olhos idem. A varinha pendia displicente em sua mão direita, caída ao lado do corpo. Mas eu sabia que ele podia ser bem rápido. Procurei pela minha própria varinha no bolso da calça e então me lembrei de tê-la tirado de lá quando me sentei mais cedo. Olhei desesperada para a toalha no chão, ela estava há dois ou três metros de mim, entre a geleia e o suco de abóboras.

— O que significa isso? — ele perguntou entredentes com o mesmo tom ameaçador da primeira vez.

— Significa o que você está vendo.

— O que você quer, Ronald?

— Para começar, uma explicação de por que estava ai deitada com… ele. E, principalmente, de por que o beijou! Não dava para você correr para um outro idiota carente qualquer, tinha que ser justo para esse aí?

— Eu não te devo explicação nenhuma, Ronald Weasley. Você terminou comigo, lembra? O único idiota aqui é você!

— Ele está te usando, Hermione. Se aproveitando de você. Será que você não vê?

— Assim como você fez com a Pottins e a Patil? — sua expressão vazia vacilou por um instante. — Ah, eu sei sobre elas. Não que eu me importe. Mas só para que fique ciente, elas é que tiraram proveito da situação.

— Eram só passatempos, Hermione. É você que eu amo. Mas não dava para continuar com você falando na minha cabeça, defendendo aqueles comensais. Você é minha e sabe disso. Quando eu quiser você de volta, vai voltar para mim.

— Dá o fora daqui, Weasley. Vai lá se vangloriar da sua aventura de hoje para quem não tem mais o que fazer.

Aquilo pareceu deixar o ruivo transtornado. Ele balançou a cabeça algumas vezes, depois fez uma careta estranha e se voltou para nós. Ronald deu alguns passos para a frente, na minha direção. Draco deu um passo para o lado, escondendo-me ainda mais.

— Dá um tempo, filhote de comensal. Todo mundo sabe que você não tem peito para me enfrentar. Se eu lançasse um feitiço aqui e agora sem minha irmã e o Harry para te defender, o que você faria? Nada. Nem saberia o que te atingiu.

Ele deu mais um passo. Os músculos do braço de Draco se retesaram ainda mais. Suas costas estavam duras como aço na minha frente.

— É sua última chance, Hermione. Venha comigo. Eu te perdoo.

Balancei a cabeça em negativa. Eu não confiava na minha voz para falar. O nojo que eu sentia de Ronald naquele momento ameaçava me afogar.

— Quer saber, pode ficar com ela, cara de fuinha. Eu já usei como queria mesmo.

Segurei Draco pela cintura com toda a força quando ele ameaçou ir atrás de Ronald. E senti seu corpo vibrar quando, de repente, do nada, ele riu alto. Ron estacou e virou-se de súbito.

— Você é patético, Weasley. Sabe tanto quanto eu que isso não é verdade. — a boca do ruivo se escancarou. — Mas, pela sua cara, aposto que deve estar imaginando como eu sei. Quer que eu te conte os detalhes? Porque eles ainda estão bem vívidos na minha cabeça.

Estupefaça!

Everte Statum! — Draco gritou acenando a varinha.

Aproveitei que eles estavam concentrados um no outro e me joguei atrás da minha própria varinha. Senti uma fisgada dolorida abaixo o joelho esquerdo quando cai sobre a toalha e os restos de comida. Tateei por um instante e fechei a mão sobre a conhecida madeira entalhada. Ainda ajoelhada, olhei de Ronald para Draco sem saber o que fazer. Os jorros de luz continuavam a cruzar o jardim. Escutei o ruivo urrar Sectumsempra! e assisti o loiro se jogar atrás de uma árvore bem a tempo. Ronald agora usava o monumento como proteção. O sonserino revidou com um Expelliarmus. Então, Ron atirou duas vezes seguidas contra Draco com Estupefaça!, automaticamente lancei um feitiço de proteção para impedir que a segunda rajada atingisse o sonserino. Draco percebeu onde eu estava — praticamente no meio do fogo cruzado — exatamente quando Ronald gritou Bombarda! e destruiu o escudo. Ele lançou outro feitiço para desarmar Ron e correu ao meu encontro, me puxando para a proteção de outro salgueiro.

Fui girada no ar e vi quando o raio verde passou a centímetros da orelha do loiro, bem na hora em que ele bateu com as costas de encontro ao tronco da árvore e eu de encontro a ele. Por alguns segundos fiquei chocada demais para processar os acontecimentos. A luz verde ainda piscando diante dos meus olhos. Meu joelho latejou, trazendo-me de volta para a realidade e libertei-me do braço protetor de Draco ao redor da minha cintura. Nossos olhares se cruzaram e vi que ele estava tão espantado quanto eu. Ainda sem acreditar, contei mentalmente até três e respirei fundo para deixar a proteção do salgueiro e gritar:

Petrifucus Totallus

Alarte Ascenda

Meu feitiço atingiu Ron segundos antes de ele terminar de falar, mas isso não impediu que o dele chegasse até mim. Senti quando meu corpo foi jogado para trás, subiu e começou a despencar.

Aresto Momentum. — a voz de Draco beirava o desespero.

Parei abruptamente a alguns centímetros do chão e depois cai com um baque surdo sobre as pedra e raízes. Imediatamente, Draco estava ao meu lado. O cabelo loiro bagunçado e cheio de terra e folhas, alguns arranhões avermelhados cobrindo o lado direito do rosto. Ele me puxou de encontro ao peito e eu gemi quando ele me apertou.

— Desculpe! Você está bem? Consegue se levantar?

— Acho que sim.

Quando apoiei os pés no chão, foi como se meu joelho esquerdo não estivesse lá. A dor rasgou o músculo perna acima, gritei e desabei sobre Draco. Olhei para baixo e vi que meu jeans estava coberto de sangue. Muito sangue.

— Ah, droga. Hermione, você precisa de cuidados imediatamente.

— Draco, se alguém souber do que aconteceu aqui seremos expulsos. Ronald pode pedir uma revisão da pena ou apelar da sentença alegando que você o atacou, que ainda é perigoso.

— Você é testemunha de que eu apenas me defendi! Além disso, não sei como tratar sua perna de forma adequada, vou ter que levá-la até Madame Pomfrey.

— Meu testemunho não valeria de nada, porque estou envolvida com você. Não, Não. Só temos uma saída…

Ele me olhou duro e cheio de censura. Sustentei o olhar, concentrando-me nas íris azul-acinzentadas. Depois de alguns segundos em que ele pareceu discutir internamente a minha sanidade, Draco suspirou e disse derrotado.

— E qual é?

— Confundi-lo. Apagar o dia de hoje da memória dele!

Notas finais
Só para lembrar, os Dramione Awards ainda estão rolando!!! Então, bora lá votar em Side Effect e no nosso querido Draco Malfoy... Link: https://pt.surveymonkey.com/s/QQDNDY8 Dá para votar nos comentários também: http://fanfiction.com.br/historia/439069/Dramione_Awards_Brasil_-_1_Edicao/capitulo/2/