Dramione - Side Effect
23 Lide com isso, Potter!
Notas iniciais
Espremidos na sala anexa à enfermaria, encarávamos uma McGonagall prestes a explodir. As vestes totalmente pretas da bruxa só faziam ressaltar a vermelhidão que cobria seu rosto. Ela examinou atentamente cada um de nós, procurando a primeira vítima para o interrogatório. Mas ninguém desviou o olhar e deu à ela uma oportunidade. No meio de toda a euforia e comoção, não me atentei à presença de professores no salão. Entretanto, o fato de Minerva ter adentrado a enfermaria cinco segundos após a nossa comitiva, acompanhada de Madame Pomfrey, deixou claro que elas estavam lá. Seu rosto exibia uma expressão carrancuda, os lábios apertados em uma linha fina.
— Esta é a terceira vez que um de vocês vem parar na enfermaria em menos de um mês! Alguém vai fazer o favor de me explicar o que aconteceu? E por que eu não fui oficialmente avisada sobre a situação da srta. Weasley?
Seu olhar caiu sobre Harry. Gina agora dormia tranquilamente em uma das camas, mas os últimos vinte minutos tinham sido angustiantes. Assim que saímos das vistas dos alunos, Harry passou o braço sob as pernas de Gina e a ergueu no colo. Isso pareceu dar a ruiva um pouco de fôlego e quando Madame Pomfrey irrompeu pelas portas da enfermaria, ela conseguiu balbuciar o que estava sentindo. Os olhos da diretora e da curandeira se arregalaram quando elas ouviram Gina dizer a palavra “grávida”. E o círculo frouxo que formávamos ao redor da cama foi completamente ignorado durante todo o tempo em que examinaram a garota, assim como nossas perguntas angustiadas. Depois de beber uma poção transparente e viscosa em meio a caretas, a ruiva pareceu relaxar e apagou.
— Sinto muito, diretora, mas também acabamos de descobrir. — Harry respondeu. — Nossa intenção era conversar com a senhora hoje depois da aula.
— E a srta., srta. Granger? Costumo ignorar a maioria das fofocas, especialmente as que são publicadas pelo Profeta Diário, mas sou obrigada a perguntar...
— Eu? — minhas conexões neurais falharam por alguns segundos. — Não. Não. Era Gina desde o começo. Como de costume o Profeta Diário estava mal informado.
— Entendo que tenham ficado assustados com a notícia, Potter. Mas tentar manter as coisas em segredo, aparentemente, só fez piorar a situação. Ela já foi examinada por um curandeiro especializado? Tem tomado regularmente as poções de fortalecimento?
— Nós fomos até um ginecologista, um tipo de curandeiro trouxa que cuida de mulheres grávidas. — apressei-me em explicar. — Ele disse que elas estavam bem, mas que Gina não podia ficar nervosa. Só que infelizmente, os acontecimentos da manhã…
— Srta. Lovegood, por favor, peça que o professor Slughorn envie uma coruja em meu nome ao St. Mungus solicitando um curandeiro especializado. Ele saberá quem contatar para garantir descrição.
— Vou com ela! — anunciou Neville. — Não exitem em nos chamar se precisarem de qualquer coisa. Voltamos assim que for possível.
— Sei que não adianta pedir para voltarem às aulas e deixarem a srta. Weasley descansar. Mas preciso retornar e tentar enfiar alguma coisa na cabeça de seus colegas. Quero ser informada de tudo. Por mais insignificante que pareça.
***
Harry ocupava uma cadeira ao lado da cama de Gina segurando a mão esquerda dela nas dele. Draco estava apoiado no espaldar da cama logo em frente com os braços cruzados, acompanhando com o olhar meu ir e vir frenético pelo cômodo. Quando ele repetiu pela terceira vez “Fique calma. Você vai fazer um buraco no chão.”, recostei-me ao lado dele. Gina parecia tranquila em seu sono, a expressão serena, os cabelos ruivos espalhados contrastando com o lençol branco, a mão direita protetoramente pousada sobre a barriga. A espera fazia eu sentir como se estivesse me afogando, minhas narinas queimavam a cada vez que eu inalava, lutando para conseguir colocar um pouco de ar nos meus pulmões. Eu nem conseguia imaginar como estava sendo para Harry.
Fiz um ruído áspero quando tentei respirar fundo mais uma vez, Draco passou o braço pelos meus ombros e eu me recostei nele.
— Ela vai ficar bem! Quer dizer, essa garota é a irmã mais nova de seis Weasley. — dei um soco no lado do corpo dele. — O que eu quero dizer é… Vai ficar tudo bem, Hermione. Ela é dura na queda.
— Não acredito que vou dizer isso. Mas concordo com você, Malfoy.
Todos nos sobressaltamos com a declaração inesperada. Gina fixou os olhos nos de Harry e sussurrou só para ele um pequeno “Olá”. Assisti o corpo dele relaxar, enquanto um sorriso formava pequenas rugas nos cantos de sua boca.
— Fico feliz com isso. — o loiro disse.
A cabeça de Gina se inclinou e o esboço de um sorriso surgiu nos lábios da ruiva enquanto ela nos observava. Eu conhecia aquela expressão, ela estava se divertindo com alguma coisa. Foi então que me dei conta de que o braço de Draco ainda estava em volta de mim. Senti minhas bochechas esquentarem quando Harry seguiu o olhar da namorada e absorveu a cena.
— Não me entenda mal, agradeço muito a ajuda em trazer Gina, mas porque ainda está aqui, Malfoy? — disse Harry, registrando a estranheza do fato.
— Tudo bem. Acho que já é quase um novo ritual fazer revelações na enfermaria.
— Estou ouvindo. Atentamente! — brincou Gina.
— Lembra do terceiro ano, Gina?
— Foi uma ano bastante agitado, mas qual deles não foi?. Eu estava ainda mais apaixonada pelo Harry depois de ele ter me salvado na Câmara Secreta. — ela riu para o namorado, que estava um tanto encabulado. — Lembro da tensão de achar que Sirius podia tentar matar Harry a qualquer momento. Passávamos noites conversando com medo de dormir e alguma coisa acontecer.
— Isso mesmo, teve uma noite em especial, uma em que falamos bastante sobre… meninos.
Corei ao admitir aquilo na frente de todos. Harry revirou os olhos, mas Draco pareceu interessado. Gina se concentrou na memória.
— É claro que eu me lembro. Parvati e Kátia também ficaram acordadas naquela noite. A Kátia não parava de falar do Cedrico, ele já era apanhador da Lufa-Lufa e era véspera do jogo. Começamos uma discussão sobre os jogadores da escola, não conseguíamos chegar a um concesso. Mas o mais engraçado foi quando você falou que achava Malfoy o mais interessante de todos, ninguém sabia o que di-
Ela se interrompeu no meio da frase. Eu estava ainda mais corada, se é que isso era possível. Meu rosto parecia em chamas. Era incrível como Gina não tinha filtros. Às vezes, soava muito como Luna, principalmente quando se empolgava com algo, falava o que lhe vinha à cabeça.
— O que está tentando dizer, Hermione? Eu não sei tanto quanto a Gina, então, vai ter que explicar melhor. — indagou Harry.
— Ah. Meu. Merlin. Você está tentando dizer o que eu acho que está tentando dizer?
Harry olhou para Gina como se implorasse por uma explicação.
— Como você é lento! O loiro aí se jogou na frente de feitiços, brigou com meu irmão, a defendeu das acusações dos meus pais. Te ajudou a me trazer pra cá e ainda está aqui quando não tinha razões para isso. Merlin! Ele insinuou que ia assumir o filho que achava que ela estava esperando! Além disso, teve a jóia, flores todos os dias no café da manhã… — diante da incredulidade de Harry, que parecia querer interromper para protestar, ela acrescentou. — e tudo isso poderia ser apenas Malfoy armando mais uma, tentando conquistá-la para provocar você e Ronald, se não fosse por um roxo extremamente suspeito no pescoço dela. Mas desse, não tinha como você saber. Ela quase me enganou também, quase. Mas agora tudo faz sentido…
— Então, eu sou o mais interessante de todos?
Draco se segurava para não rir, quando me encarou, arqueando uma sobrancelha.
— Não. O jogador de Quadribol mais interessante. Mas isso foi antes do Krum.
— Gina!
Harry nos encarava de olhos arregalados. Sua boca meio aberta. Ele parecia lutar para decidir o que dizer.
— Nós estamos juntos, Potter. Estamos namorando. Lide com isso!
Como se as palavras não fossem provocação suficiente, Draco segurou meu queixo com a mão livre e pressionou os lábios contra os meus. Meus joelhos fraquejaram por um instante e foi bom que ele estivesse com o braço em volta de mim. Harry soltou o ar pesadamente para se acalmar.
— Vou respeitar a escolha da Hermione, mas estou de olho em você, Malfoy. Não se atreva a tentar fazer mal a ela ou eu mato você.
— Ninguém vai matar ninguém, Harry. — Gina disse, gemendo ao ajeitar-se nos travesseiros. Com isso, a atenção de Harry voltou-se toda para a namorada. Ele sentou ao lado dela na cama e deixou que ela se aconchegasse nele. Gina parecia ter aceitado e assimilado o meu namoro com Draco mais rápido do que eu.
***
— Como elas estão? — Luna perguntou, antes mesmo que eu terminasse de me aproximar da poltrona onde ela estava com Neville, no salão comunal da Grifinória.
— Bem. Descansando. Mas vão precisar ficar na enfermaria até amanhã para garantir. Por falar nisso, muito obrigada pela ajuda mais cedo. Quer dizer, obrigada por impedir que eu fizesse uma besteira.
Ela balançou a cabeça positivamente. Seus bondosos olhos azuis encararam os meus e ela torceu a boca em uma pequena careta.
— Não deixe ela te tirar do sério de novo. Isso é tudo o que ela quer, acredite em mim, eu sei.
— Oi para todo mundo! — os pelos do meu braço se eriçaram ao ouvir a voz de Parvati atrás de mim. Isso explicava a pequena careta de Luna. Foquei em tirar meus livros e pergaminhos da mochila. — Estamos fazendo apostas sobre o sexo dos bebês, alguém quer participar?
Nada me faria mais feliz que estuporar aquela garota. Mas apertei o livro de Transfiguração que tinha nas mãos até as juntas dos meus dedos doerem. Fechei os olhos e imaginei Lily mais uma vez, covinhas se formando em seu rosto quando ela ria para mim. Diante da falta de respostas, Parvati virou as costas e desapareceu pelo buraco do retrato, resmungando algo sobre a falta de senso de humor das pessoas ultimamente.
— Ela e Padma estão se achando as novas Fred e George. Como está Gina? — Simas, que acabava de chegar, disse em tom de desculpas.
— Ela está bem. Descansando.
Encerrei o assunto sem maiores detalhes enquanto sentia meu estômago revirar à menção do nome de Fred. Meus olhos começaram a arder conforme as lágrimas foram se acumulando e tive que respirar fundo para contê-las. Abri o livro de Transfiguração no capítulo 3 lutando para enxergar as palavras em meio às lágrimas e coloquei todas as minhas energias em estudar. Ainda não tinha feito isso desde que voltamos das férias e esse era ano de N.I.E.M's, duvidava que minhas ofertas de emprego continuariam de pé se eu falhasse neles.
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