Dramione - Side Effect
9 Detenção
Notas iniciais
Ronald ficou fora a manhã toda. Já estávamos terminando de almoçar quando ele entrou no salão principal exibindo um sorriso bastante satisfeito.
— Parece que as coisas no ministério correram bem! – Harry disse quando ele se aproximou.
— Mais que bem. Vou poder assistir a execução de Lucius Malfoy e consegui um estágio no departamento de aurores. – ele contou animado.
Automaticamente olhei para a mesa da sonserina. É claro que Malfoy tinha visto Ronald entrar no salão e, agora, examinava nossa conversa de longe. Quando nossos olhos se cruzaram ele levantou uma sobrancelha, mas aquela atitude foi mais irônica que questionadora. Meneei a cabeça negativamente. Mais cedo naquela manhã, quando as portas do elevador do ministério se abriram, esquivei-me de seus carinhos, puxando a mão com um pouco mais de brutalidade do que eu realmente gostaria e passei na frente dos outros para o hall, morrendo de vergonha e rezando para que ninguém notasse o quanto eu estava corada. Então, eu o tinha ignorado veementemente durante todo o resto da manhã.
— Quase esqueci de avisar! Pelo jeito, o Profeta Diário quer que o tal jornalista acompanhe a rotina de vocês durante uma semana! – Gina falou do nada. – A carta chegou hoje no café e como vocês não estavam aqui, eu abri. – ela completou, fazendo sua melhor cara de inocente.
Vi Harry prender a respiração diante da notícia. Uma semana de tortura.
— Isso vai ser legal. – decretou Ron.
Ia argumentar, mas resolvi manter a boca fechada. Não era boa ideia enfrentá-lo publicamente duas vezes seguidas no mesmo dia. Ainda conseguia me lembrar com clareza de como ele fuzilou Harry, Luna e eu com os olhos quando saímos de dentro da sala de julgamento. Tenho certeza de que ele se sente traído, ultrajado, por termos feito aquilo. E, principalmente, pelo fato de, apesar de não nos sentirmos confortáveis com as penas estabelecidas nas condenações de nenhum dos outros comensais, o que fizemos ter beneficiado, justamente, Draco Malfoy.
— Quando ele chega? – Harry verbalizou o que todos queriam saber.
— No sábado.
— Pelo menos ainda teremos alguns dias de paz e tranquilidade. – falei sarcástica. Tranquilidade e paz não pareciam ser opções na nova fase de Ronald, e isso estava afetando todos ao redor.
— Pelo menos vou poder terminar minha detenção com Slughorn antes dele chegar aqui. Apesar de eu estar pagando o castigo injustamente, não quero ter que ficar dando explicações. Esses jornalistas adoram distorcer as coisas e não seria nada bom para a minha reputação.
Todos que participavam ou escutavam a conversa, e isso significava um número considerável de pessoas, reviraram os olhos impacientes. Ron conseguia ser tão idiota às vezes.
— Que reputação, Ronald? – Gina perguntou seca. Ele ignorou a pergunta retórica de Gina.
Mas o discurso de Ronald tinha me alertado para meus próprios segredos, ou problemas (ainda não sabia como chamar), que eu não queria que fossem revelados, remexidos. Na maior parte do tempo, desde que voltamos a Hogwarts, eu tinha que me controlar para não gritar meia dúzia de verdades para Ronald. Agora, também tinha de aplicar a detenção de Malfoy, descobrir que raios estava acontecendo com ele, o que ele estava querendo com tudo aquilo e, principalmente, porque suas atitudes me deixavam tão abalada. Pelo menos, de uma coisa eu tinha certeza: não seria nada fácil fazer tudo isso com um jornalista bisbilhotando. Talvez se eu conseguisse desvendar o mistério que cercava Draco Malfoy antes de sábado, as coisas ficariam mais fáceis. É, vai sonhando, Mione! Quando foi que as coisas foram fáceis para você? Só porque eu queria um ano totalmente normal e sem graça, para variar!
***
A tarde com Hagrid na aula de Trato das Criaturas Mágicas foi tão agradável que pareceu voar. Ele tinha se tornado um professor incrível. Os alunos, com certeza, o adoravam. Tinha até me esquecido de que precisaria encarar Malfoy sozinha, sem ninguém por perto, naquela noite. Quando foi que eu me tornei tão covarde?
Eu caminhava o mais devagar que podia, sem começar a parecer idiota. Estava tão concentrada na tarefa que só me dei conta de que não havia marcado um ponto de encontro com o loiro quando cheguei ao terceiro andar. Parei e respirei fundo, contendo a raiva. Então, lembrei-me de que isso não era realmente necessário. Ele deveria cumprir a detenção e isso nos dava apenas um destino: a grande e esquecida sala de troféus. Virei bruscamente a direita no fim do corredor. Aquela parte do castelo era assustadora, quase abandonada, nem os fantasmas vagavam muito por ali. Tirei a varinha das vestes, só por precaução.
— Alguns hábitos são difíceis de mudar, não é? – virei-me para trás em um salto. Malfoy tinha a varinha segura na mão esquerda, mas a mantinha abaixada. Olhando para o rosto dele, pude perceber que não era exatamente sobre andar alerta e com a varinha em punho de que ele estava falando.
— Você precisa parar de fazer isso. Você me assustou. Muito! – disse zangada. – Como consegue ser tão silencioso quando anda?
— Anos de prática. É quase um hábito. – ele respondeu seco. – Pode baixar a varinha, eu não vou te azarar, Granger.
Aquilo foi o que mais me atingiu, ouvi-lo dizer meu sobrenome daquela forma arrastada e desgostosa que fazia antes da guerra. Guardei a varinha nas vestes e quase cuspi as palavras nele:
— Pode fazer o mesmo, Malfoy. Você não tem permissão para usar magia durante a detenção.
— Claro, claro. – ele balançou a cabeça e obedeceu. Passando por mim com passos rápidos, abriu a porta da sala e entrou, deixando-me para trás. Respirei fundo tentando me acalmar e me juntei a ele na sala empoeirada.
Já fazia uns 40 minutos que estávamos ali e o único barulho que se ouvia era o dos troféus batendo na madeira quando Malfoy os colocava de volta na prateleira. Merlin! Ele conseguia ser elegante até mesmo enquanto limpava coisas. Ele tinha as costas e o pé apoiados displicentemente na parede, da maneira que ele sempre fazia quando queria fingir que não estava prestando atenção. E eu quase podia vê-lo com as mãos nos bolsos e a cabeça jogada para trás, como já tinha visto ele parar milhares de vezes no pátio ou nos corredores do castelo. Os olhos fechados, o rosto calmo. Nesses momentos, lembro-me, ele quase parecia um rapaz comum, sem toda a carga de responsabilidade pelas péssimas coisas que tinha precisado fazer pesando sobre seus ombros.
E se ele realmente fosse bom? Se ele tivesse sido arrastado à força para o lado escuro? Todos insistem em dizer que ele tinha escolha. Talvez não fosse uma questão de escolher, mas de realmente precisar. Precisar ficar ao lado de sua família, sua mãe, seu pai. Como virar as costas e deixar tudo e todos para trás? Não era como se Voldemort fosse encarar as coisas numa boa e deixar pra lá.
Ri comigo mesma diante de todas as conjecturas e “ses” que Malfoy representava.
— Pelo menos alguém está se divertindo. Está rindo de mim ou para mim, Granger? – ele perguntou com sarcasmo.
— É... eu... não... é que... Ah, quer saber, deixa para lá! – desisti de tentar formular uma desculpa.
— São só problemas de dicção, ou eu te deixo nervosa?
— Cale a boca e volte ao trabalho, Malfoy!
— Isso! Agora sim se parece com a boa e velha Granger. Aquela que me deu um soco e costumava me xingar.
— Alguns hábitos nunca mudam! – imitei a voz dele. – Você sabe do que está falando, não é? Por mais que o tempo passe, e você diga que amadureceu, continua um arrogante, irritante, metido...
Enquanto eu falava ele cruzou o espaço entre nós em três passadas largas. Quando percebi, estava parado bem na minha frente. Ele segurou meu braço e me puxou da cadeira, colando nossos corpos perigosamente.
— Eu.Não.Sou.Assim. – ele disse pausadamente, com os dentes trincados.
Então, azul e castanho mergulharam um no outro. E tudo ficou em silêncio. Havia apenas a respiração entrecortada dele se misturando com a minha, irregular.
— Eu não quero mais ser assim! – ele completou em um tom mais calmo.
— Então não seja, Draco. – eu disse sem emoção. — Prove que mudou, mas por meio de suas atitudes, não com palavras.
Quis retirar aquilo no momento em que disse. Péssima escolha de palavras. Assim que as infames saíram da minha boca, um sorriso safado brotou nos lábios dele e eu soube o que ele ia fazer.
— Por que tem me ignorado desde ontem à noite, Hermione? – ele perguntou virando a cabeça de lado e me lançando um meio sorriso.
Preferi não responder. Aparentemente, Draco também não estava disposto a esperar que eu o fizesse, pois me puxou ainda mais para si e tomou meus lábios. Dessa vez, o beijo foi faminto, desesperado, como se há anos esperasse para acontecer. No começo, tentei protestar, empurrá-lo, mas ele claramente era muito mais forte que eu. Então, minha já escassa força de vontade terminou de se esvair e eu cedi. Quando nossos pulmões não aguentavam mais a falta de ar, nos afastamos e eu disse no meu melhor tom zangado:
— O que pensa que está fazendo?
— Poupe-me, Granger. Não foi como se você não tivesse correspondido.
Não foi difícil me fingir de ofendida com ele usando meu sobrenome.
— Como ousa? – estendi meu dedo em riste. – Você acha mesmo que é só chegar com seu charme inebriante, seus sorrisos de tirar o fôlego e sair me beijando? Acha que por isso vou me derreter por você como metade do castelo? Eu conheço você, Draco Malfoy. – disse batendo com a ponta do dedo em seu peito.
— Quer dizer então que eu sou inebriante e tiro o seu fôlego? – ele perguntou me lançando um daqueles sorrisos marotos que só ele sabia dar. DROGA! Maldita língua.
Enquanto falava, Draco voltou a se aproximar de mim e eu dei um passo para trás.
— Não distorça as minhas palavras. Conheço rapazes muito mais charmosos e interessantes que você.
— Quem? Ah, e, por favor, não teste a minha inteligência respondendo “Weasley”. – ele chegou mais perto.
— Vkitor Krum. – dei mais um passo atrás.
— Você não pode estar falando sério. – ele desdenhou.
— É claro que estou. – enrolei, enquanto continuava com minha fraca tentativa de escapar. – Ele, inclusive, beija melhor que você! – novamente, péssima escolha de palavras. Por que você não pode simplesmente ficar de boca fechada Hermione? Estuporá-lo e sair correndo? Tentei recuar novamente e senti a parede nas minhas costas. Merda!
Malfoy sorriu vitorioso e colocou as mãos na parede, uma de cada lado da minha cabeça.
— Acho que vamos ter que tirar a prova, não é mesmo?
Ele se inclinou devagar na minha direção, saboreando o momento e me beijou de novo. Então, prendeu meu corpo na a parede, pressionando o próprio corpo contra o meu.
Levei as duas mãos até a sua nuca e segurei com força seu cabelo, fazendo ele soltar um leve gemido. Não me preocupei em ser delicada, Draco certamente não estava preocupado. A prova disso eram suas mãos apertando minha cintura, puxando-me para ele.
Foi preciso respirar novamente. Mas, dessa vez, ele não se afastou, apenas levou uma das mãos até a minha nuca e segurou meu cabelo, puxando levemente minha cabeça para trás. Então, ele começou a beijar meu pescoço, agora totalmente exposto. Draco alternava os beijos com sugadas e pequenas mordidas. Ele foi descendo até alcançar minha clavícula e, depois, fez o caminho inverso, quando chegou a base do pescoço sugou com mais força e tive que morder o lábio para não gemer. Os beijos continuaram até perto da minha orelha, ele mordiscou o lóbulo e eu arfei.
— Eu sou melhor e você sabe. – ele sussurrou no meu ouvido, com a voz ainda mais rouca que o normal. Arrepios de prazer percorreram meu corpo. Ele era melhor, com certeza. E eu sabia. Mas não admitiria isso para ele nem com a Maldição Cruciatus. Que se dane!, revirei os olhos em pensamento. Então, passei a mão novamente pela nuca do sonserino e voltei a beijá-lo.
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