Dramione - Side Effect

14 Amizade AMEAÇAda?


Notas iniciais
Oi gente! Finalmente voltei! Tive milhões de problemas que me impediram de escrever nesse meio tempo. Mas não vou ficar enchendo vocês com eles. O que precisam saber é... Eu havia perdido a continuação da história que estava no meu computador. Então tive que reescrever tudo. Como leitora, odeio ficar esperando décadas por um novo capítulo, por isso, prometi a mim mesma que não faria isso com vocês. Ou melhor, faria apenas uma vez (enquanto reescrevia o que havia perdido e mais um pouco). =( E agora que tenho vários capítulos de frente, vou voltar a postas um por semana. Aproveitem e deixem sua querida autora saber o que acharam dos rumos que a história está tomando. XOXO

O silêncio tomou conta do grande cômodo. Nós três ficamos olhando de um para o outro. Gina parecia estar reunindo coragem para começar a contar o que quer que fosse.

— Gina… — Harry começou a dizer, meio engasgado.

Eu arregalei os olhos em direção à garota ruiva, tentando estimulá-la, mas sem forças para perguntar o que mais poderia ter acontecido enquanto eu estava desmaiada. Apesar do tom de brincadeira, Gina parecia mais séria do que eu jamais vira.

— Bem… — ela tentou sorrir, mas não deu certo. Ao contrário, seu rosto exibiu uma careta: havia angústia, cansaço e um certo desespero presos por baixo da máscara de calma que ela tentava vestir. Meu coração, se isso era possível, apertou-se ainda mais.

— Gina, você sabe que não há nada que não possa nos dizer… — comecei. E os olhos dela se encheram de lágrimas.

Harry passou o braço pela cintura de Gina e a puxou para perto, afagando os cabelos ruivos da namorada. O que só serviu para que o choro aumentasse. Comecei a me desesperar com o que poderia ter acontecido para deixar Gina naquele estado.

— Giny… — Harry chamou. Mas a garota estava agarrada a camisa dele, ensopando-a enquanto soluçava. — Giny, depois de tudo o que passamos, nada pode ser tão ruim… — ela murmurou alguma coisa na curva do pescoço de Harry, mas a frase abafada e cortada pelas lágrimas foi incompreensível, exceto por uma palavra. “Papai”.

— Aconteceu alguma coisa ao senhor Weasley? — Harry questionou, tão surpreso quanto eu.

Ela balançou a cabeça negativamente, enquanto se afastava de Harry, limpando os olhos.

— Ainda não… mas… assim… — e começou a chorar novamente.

— Continuo sem entender nada! — Harry foi categórico. — Alguém está ameaçando sua família Gina?! Você viu ou ouviu alguma coisa?!

Aquele era bem o tipo de coisa em que Harry pensaria. Mas as coisas andavam tão tranquilas…

— Harry, não acho que seja uma possibilidade. Quem?! — protestei.

— Alguns comensais ainda estão à solta, Mione. Podem estar tentando confundi-la com visões e sonhos como já fizeram comigo. Podem estar tramando uma retaliação. — ele teimou.

— Agora você soou exatamente como o Ronald. — destaquei. — Nenhum dos comensais com cérebro e habilidade suficiente para fazer uma coisa dessas ainda está vivo ou à solta.

— Chega! — Gina se manifestou, fungando. — Não é… Não é nada disso, Harry. Apesar de poder dar início a uma terceira guerra bruxa. — ela parecia cansada. Gina sentou-se na cama novamente, ao meu lado. Ela levantou os olhos ainda marejados para mim e segurou a minha mão.

— Eu sei que não é justo te pedir isso, com tudo o que você está passando, Mione. Mas eu preciso da sua ajuda. Papai sempre escutou você e o Harry mais do que eu, ou qualquer um dos meus irmãos. Mas não acho que seja uma boa ideia deixar Harry ao alcance dele pra isso… Bem, talvez o perigo mesmo, nesse caso, seja mamãe e, é claro, Ronald.

Gina falava com rapidez, atropelando as palavras, colocando para fora o que pareciam horas de reflexões sobre o assunto. A compreensão iluminou a minha mente à menção da sra. Weasley, associada a possibilidade de uma terceira guerra bruxa. Não era como se eu não soubesse tudo — até mesmo mais que o necessário — sobre a relação de Harry e Gina.

Como pude deixar passar os sinais? Como pude não perceber? Merlin! Eu estava tão envolvida assim em mim mesma, que nem pude ver o quanto minha melhor amiga precisava de mim?

— Por Merlin, Ginevra! — murmurei, não conseguindo deter o espanto que o entendimento da situação causou em mim. Os olhos dela eram piscinas de lágrimas.

— Será que alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui?! — Harry parecia doente.

— Eu tenho a impressão de que você sabe, Harry Potter. — eu não queria soar tão aborrecida, mas era como eu me sentia.

— Hermione, se vai brigar comigo, podia, pelo menos, explicar o motivo. — Ele pareceu suplicar. Eu acreditava que Harry sabia do que nós estávamos falando. Ele era mais esperto que isso. E foi então que eu entendi., Harry precisava que alguém dissesse em voz alta e que, fazendo isso, tornasse real.

— Ela está grávida, Harry Potter. — eu sabia que estava gritando agora, mas não pude evitar. — Ginevra Weasley está grávida de um filho seu!

O rosto de Harry era uma máscara de angústia. O garoto que sobreviveu estava paralisado diante de nós. Seus olhos perdidos fitavam a janela atrás de mim, sem realmente enxergar. Uma lágrima solitária correu de seus belos olhos verdes. Ele lutava uma batalha interna consigo mesmo.

Um gemido abafado vindo de Gina fez com que eu desviasse a atenção de Harry. Segui seu olhar horrorizado até a porta da enfermaria. Lá, com as mãos ainda na maçaneta, os cabelos loiros caindo em cascatas pelas costas, Luna nos encarava com um olhar curioso e calmo.

— Mas que droga! — Gina soltou. O que fez com que Harry finalmente se virasse.

— Luna, o que… quanto você ouviu?! — Ele questionou.

— O suficiente para entender tudo. Bem, Hermione fez questão de esclarecer as coisas no final para que não restasse nenhuma dúvida, então… — eu corei furiosamente com a declaração, mas todos estavam muito preocupados para notar.

— Luna, você não pode, em hipótese alguma, falar sobre isso pra ninguém… — começou Gina.

— Eu não vou dizer. Não é um segredo meu para contar. — ela respondeu com simplicidade.

— Mas, com o tempo, as pessoas vão começar a desconfiar. — completei. — No momento certo, pensaremos em como vamos lidar com isso. Primeiro, precisamos contar aos seus pais. — Gina gemeu e Harry perdeu o ar.

— Sinto muito não poder ajudar nessa parte. — Luna disse sincera. — Se precisarem de mim, sabem onde me encontrar. Vou deixar vocês à vontade para conversar. — e com isso, a doce loirinha virou-se e saiu fechando a porta.

Harry e Gina se olharam com tristeza e eu não pude deixar de pensar em como eles eram o tipo de casal feito para ter filhos. E em como, encomendando o primeiro de forma tão precoce, haviam diminuído drasticamente as chances de sobreviverem por tempo suficiente até mesmo para trazê-lo ao mundo. Quando a sra. Weasley soubesse, não ia ser bonito.

— Ok, vamos começar pelo mais importante… — eu disse batendo palmas para quebrar a tensão. — De quantos meses acha que está Gina?

— Bem, no máximo dois. Mas…

— Que tipo de teste você fez? Precisamos marcar uma consulta com um Ginecologista/Obstetra o mais rápido possível. Fazer exames de sangue…

— Hermione! Do que é que você está falando? — ela me cortou.

— Desculpe. Obstetra é uma espécie de curandeiro trouxa, especializado em mulheres grávidas. Pensei que, enquanto não resolvemos como contar ao senhor e senhora Weasley, devemos verificar como vai a sua saúde e a do bebê.

— Mas porque não ir até o… Oh! Porque todos sabem quem somos e, com certeza isso chegaria aos ouvidos do papai, se não ao Profeta Diário. — ela disse a última parte com o desdém de quem percebe uma coisa óbvia.

— Posso marcar um horário com o da minha mãe, se quiser. Mas vamos precisar de uma boa desculpa para a McGonagall.

— Vamos pensar em alguma coisa! — Harry disse apressadamente. — Mas, nesse meio tempo, nada de Quadribol! — decretou. Gina parecia que ia protestar, mas ele a silenciou com um olhar que dizia: “Você sabe que eu tenho razão”.

Madame Pomfrey surgiu pelas portas da enfermaria, parecendo meio carrancuda.

— Vocês ainda estão aqui!? — bradou. — A srta. Granger precisa descansar. E vocês deveriam estar na aula.

Harry me lançou um olhar e Gina me deu um abraço apertado e um sussurrado “Obrigada”. Eles saíram caminhando vagarosamente, não sem antes me darem olhares resignados. E tive certeza de que a aula de História da Magia seria o último lugar para onde iriam. Meus dois melhores amigos precisavam conversar, encarar a nova e desafiadora realidade que se abria para eles e começar a lidar com ela.

— Hora de dormir srta. Granger. — Madame Pomfrey praticamente me empurrou de volta aos travesseiros. — A srta. precisa descansar.

Bem, dormir era a última coisa que eu queria ou precisava, mas sabia que a bruxa não me deixaria em paz se não o fizesse. Então, me recostei nos travesseiros e fechei os olhos obediente, pensando em uma garotinha de revoltos cabelos cor de fogo e olhos verdes correndo pelo jardim d’A Toca. Não importa quão brava Molly pudesse ficar, ou quão desapontado Arthur pudesse parecer, quando eu imagina Harry e Gina contando a novidade a eles, no futuro, essa criança seria insuportavelmente mimada.

Acordei suada e com os lençóis enrolados em volta de mim, prendendo minhas pernas juntas. O clarão verde ainda piscava por trás dos meus olhos. Não me lembrava de nada do sonho, mas a minha respiração instável e meu coração acelerado me diziam que não havia sido nada bom. A enfermaria estava silenciosa, como sempre. Sentei, desvencilhando-me dos lençóis, com o coração ainda na boca. Uma luz preguiçosa entrava pelas janelas, levantei o olhei para fora, estava amanhecendo. O que significava que eu havia dormido o resto do dia e a noite. Ou me enganei sobre não estar cansada, ou Madame Pomfrey me deu algo para dormir e eu nem sequer me lembrava. Pelo menos ela devia estar satisfeita com a qualidade e a quantidade do meu descanso.

Uma pilha de roupas ao pé da cama chamou a minha atenção e eu sorri para minha carta de alforria. Minhas roupas limpas e dobradas me esperavam, o cachecol vermelho e dourado cuidadosamente esticado sobre uma blusa de linho. Não foi surpresa nenhuma encontrar o livro que eu estava lendo no jardim logo abaixo das roupas. Tentei não pensar em tudo o que precisaria enfrentar assim que passasse pelas portas da enfermaria enquanto me vestia e fazia minha higiene. Subi as escadas para o grande salão e respirei fundo antes de entrar. Era domingo, então foi fácil encontrar Harry, Gina e os outros, mas algo em seus olhares me fez praticamente correr de encontro a eles.

— Bom dia, Hermione. Que bom que pode voltar a se juntar a nós! — cumprimentou Neville, nervoso.

— Vai depender do que vão me dizer, eu acho. Por que essas caras? — inquiri.

Gina me estendeu o Profeta Diário com um pedido de desculpas no olhar.

AMIZADE AMEAÇADA?

TRIO DE OURO DISCUTE NOS JARDINS DO CASTELO DE HOGWARTS

A aproximação de Hermione Granger, aliada de Harry Potter na luta contra Aquele-que-não-deve-ser-nomeado, e Draco Malfoy, ex comensal da morte, parece ter prejudicado a amizade do trio de bruxos mais famoso do mundo. Fontes afirmam que há um mal estar entre os três, já que a srta. Granger era namorada do melhor amigo de Harry Potter e irmão do vice-Ministro da Magia, Ronald Weasley — que tem se destacado na luta pela condenação dos comensais envolvidos na guerra. Leia mais sobre a acalorada discussão que parou a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts na página 03.

Deixei-me cair no banco ao lado de Gina, com o jornal pendendo nas mãos. Gina estava errada, as coisas tinham ficado ainda piores!

— O que? Quem? Como? — balbuciei para ninguém em especial.

— A vaca chegou mais cedo ontem. — a ruiva rosnou para a mesa que estava do outro lado do salão.

Olhei e vi Ronald acompanhado de uma garota alta, esguia e com cabelos cor de cobre. Eles conversavam animadamente, ela toda sorrisos e carinhos, se pendurando no pescoço dele.

— O que? Aquela? — perguntei.

— Uma ex-aluna de Beauxbatons, aspirante a jornalista. Conseguiu um estágio com ninguém menos que Rita Skeeter. O que deixa claro que ela está aqui pra infernizar nossas vidas com o que ela sabe fazer melhor: fofoca. — ela gruniu.

— Gina, ficar nervosa pode te fazer mal! — Harry anunciou com um olhar de condenação, carregado de significado.

— O Harry está certo, Gina. Precisamos pensar no que fazer. Deixe-me ler a matéria completa. — eu disse.

Li apressadamente o texto de meia página que trazia uma foto gigante do aglomerado de pessoas em volta de nós. A discussão era descrita em detalhes, beneficiando o ponto de vista de Ronald. Havia comentários sobre as brigas anteriores que também envolveram Draco, como o episódio da plataforma e a confusão no salão principal. Além de insinuações de um relacionamento entre o sonserino e eu. Dava para imaginar quem tinha passado todas aquelas informações à tal jornalista. Olhei através do salão para a mesa que ela dividia com Ronald e alguns primeiranistas que, desde o retorno das aulas, formavam um verdadeiro fã-clube do ruivo. Os olhos dela encontraram os meus e ela sorriu maliciosamente. Desviei o olhar exasperada.

— Ok, como adiantaram nas cartas, ela vai querer nos entrevistar separadamente, então, precisamos contar todos a mesma história. — eu disse para meus amigos na mesa. Todos balançaram as cabeças positivamente. — Não quero pressionar ninguém, mas, para o Ronald, isso vai significar que vocês escolheram um lado…

— Problema dele! — Luna se manifestou. Gina quase riu. E vi, pelo sorriso que brotou nos lábios de Neville que ele concordava com ela.

— Então, se alguém não concordar com o que eu vou dizer, avise… Mas acredito que nossa versão deve ser...

Notas finais
Até semana que vem! Próximo capítulo, um bônus das coisas sob o ponto de vista de Draco Malfoy. XOXO