Dramione | Seis anos depois
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Hermione passou o restante da tarde lendo o diário que Voldemort havia deixado para seus seguidores.
Por várias e várias páginas o Lorde das Trevas falava apenas sobre o quanto ele esperava uma devoção total de seus seguidores a ele, o quanto queria uma dedicação exclusiva e obediência acima de tudo. E por esse motivo havia criado a Marca, porque aqueles que possuíssem seu símbolo em seu braço era porque Voldemort havia encontrado em tais pessoas fidelidade e sabia que esses eram os que realmente acreditavam em tudo o que ele pregava, acreditavam na sua visão de mundo.
Porém, ele deixa claro que a Marca também foi criada para garantir tal devoção. Ao explicar que seu símbolo foi criado usando seu sangue e que seu sangue correria pelo corpo de todos que o seguissem, Voldemort também explica que dessa maneira poderia controlá-los, poderia ver o que seus seguidores viam, sentir o que sentiam, e poderia puni-los. Era uma óbvia ameaça a quem quer que considerasse a mínima ideia de traí-lo, deixando claro que haveria consequências bem graves já que ele tinha tamanho poder e controle sobre cada um de seus seguidores.
Hermione achava Voldemort um péssimo ser humano, com ideias conservadoras e preconceituosas e uma visão de mundo totalmente horrível, mas admitia que ele era estratégico e pensava em cada detalhe de seus planos. Sempre achou isso do Lorde das Trevas, para ser honesta consigo mesma. Durante os anos de Hogwarts, com todas as maneiras que Voldemort tentou se fortalecer para recuperar seu corpo, ainda no Torneio Tribuxo, em que conseguiu levar Harry para sua armadilha e recuperar sua vitalidade e também quando descobriram sobre as horcruxes e as poucas maneiras de destruí-las... E agora o óbvio cuidado e importância relacionado a Marca Negra.
Voldemort era bem inteligente. Afinal, precisava ser para causar todo o temor e a dominância no mundo bruxo como causou duas vezes e em um relativo curto espaço de tempo.
Hermione ajeitou a postura na cadeira, passou a mão pelo pescoço ainda dolorido e mudou a página do diário.
Depois de mais algumas linhas fazendo claras ameaças a qualquer um dos seus seguidores que pensassem em traí-lo, Voldemort começou finalmente a falar sobre a opção de que tudo desse errado. As horcruxes destruídas, ele morto, seu pensamento de mundo deixado de lado por todos e todas. Ele simplesmente não admitia isso e tinha um “plano B”, por assim dizer.
Voldemort deixa claro que tudo dependeria de seus Comensais e que pela primeira vez em toda a sua vida, acreditaria no potencial deles – Hermione achou essa frase de tamanha arrogância – e por isso deixaria instruções sobre como eles conseguiriam se unir sem levantar pistas de outras pessoas e como, através dessa união, eles poderiam juntas forças e dominar tudo novamente, fazer valer todo o seu idealismo de mundo puro.
Voldemort diz que o único modo de reativar e fortalecer a comunicação da Marca é através do seu sangue, sangue este que existe apenas no local da Marca Negra. Então eles precisariam usar desse sangue, mas Voldemort deixa claro que tirar o sangue do corpo de seus seguidores causará alguns efeitos – Hermione sabe bem disso, ela pensou que Draco ia morrer bem na sua frente – então ele diz que só é possível a retirada de dois vidros de sangue diários para efeitos mínimos e que depois disso deveriam dar um tempo para que o sangue se repusesse de pelo menos um dia e meio.
Com esse sangue – o sangue de Voldemort presente em cada um dos Comensais – eles deveriam criar uma poção que Voldemort carinhosamente chamava de “poção do reestabelecimento” que pela lista de ingredientes e modos de preparo Hermione conseguiu logo entender porque a Marca Negra no braço de Draco não escurecia há dias: eram ingredientes extremamente raros, alguns perigosos de conseguir (principalmente os que eram encontrados somente em territórios de centauros e no fundo do de lagos tomados por grindylows) e preparos demorados e com medidas específicas.
Voldemort deixava claro que os Comensais precisariam de tempo e perseverança para fazer a conexão da Marca Negra ser reestabelecida e que por isso eles deveriam ser cuidadosos ao realizar todos os passos para não chamarem atenção de nenhum inimigo.
Hermione deu um suspiro longo e deixou o diário de lado. É claro que aqueles Comensais por todo esse tempo estavam seguindo um plano já montado por Voldemort anos antes; parecia até mesmo que eles não tinham cérebro próprio para tomarem suas decisões e organizarem seus planos.
Por um lado, toda aquela informação era um bom sinal para Hermione e Draco: os Comensais precisavam de ingredientes raros e as poções eram trabalhosas e como eles pareciam não pensar por si mesmo estavam – com toda certeza – tendo muito trabalho. Por outro lado, tudo aquilo também era um mau sinal: se reativar a Marca era totalmente trabalhoso, com todos aqueles passos complexos e longos, criar um bloqueador para aquilo seria o triplo do trabalho.
Hermione novamente pensou na reversão do feitiço, mas sabia que era mais difícil por ser magia antiga que provavelmente encontrariam um número quase nulo de informações úteis, fazendo com que demorassem mais tempo procurando algo sobre o assunto do que realmente trabalhando nele. Sem contar com o fato de que a posse do feitiço de criação da Marca era totalmente de Voldemort e Hermione tinha quase certeza de que para tomar a posse de um feitiço de outra pessoa tal pessoa precisaria estar viva, algo que Voldemort não está.
Além disso, Draco tem toda uma empresa com conhecimentos quase infinitos sobre poções, então será realmente mais fácil trabalhar na criação de uma poção que enfraqueça o feitiço e bloqueie a poção que os Comensais estão trabalhando, a fim de impedir esse reestabelecimento da Marca Negra. A poção é o caminho mais lógico e mais fácil.
Bom, na verdade, nada daquilo parecia fácil. Hermione preferiu ir com as palavras “menos difícil”.
Começou a ler a lista dos ingredientes da poção que Voldemort havia deixado para seus Comensais: folhas de tentáculo venenoso, casca de Wiggentree, muco de verme gosmento, ditamno, chifres de arpéu...
E isso não era nem um terço da quantidade de ingredientes, pois haviam mais de 20 especiarias necessárias para fazer uma poção que para ser preparada com êxito, de acordo com Voldemort, levaria cinco dias – então era bem óbvio que seus seguidores não estavam obtendo êxito, pois já havia quase um mês desde a última vez que a Marca no braço de Draco escureceu.
No final, o Lorde das Trevas também deixava bem claro que a poção finalizada deveria ser inserida através de uma seringa na própria Marca, ao invés de ser bebida ou espalhada em cima do símbolo, como normalmente as poções são utilizadas.
Hermione encarou o diário alguns segundos, notando que faltavam poucas folhas para acabar a leitura, mas com o cérebro já totalmente cheio. Eram informações demais, uma poção totalmente complexa e que eles ainda precisariam criar um bloqueio para tudo aquilo. E sabe-se lá em que pé os Comensais estariam com suas próprias poções...
Decidiu deixar o diário de lado por alguns minutos e subiu para a cozinha. Já era meio da tarde e ela estava com fone, seu estômago já fazendo barulhos estranhos.
Preparou um chá com algumas torradas e um ovo e se sentou sozinha na ilha da cozinha, observando ao redor. Até a cozinha da casa era gigantesca e para alguém que cozinhava usando só magia não havia motivo para tanta grandiosidade. Hermione definitivamente nunca entenderia o motivo de Draco ter uma casa daquele tamanho; provavelmente era só mais uma demonstração de poder, algo que ela sabia que ele gostava, por mais que sentisse atualmente que talvez conhecesse Draco bem menos do que imaginava.
Enquanto comia Hermione pensou nos amigos. Na verdade, se sentiu até um pouco culpada por não ter pensado neles antes, mas não era isso que importava no momento. Imaginou como provavelmente Rony, Harry e Gina estavam procurando por ela, sem entender nada de seu sumiço repentino e sem nenhum aviso, o que com certeza era o mais estranho, porque se Hermione estivesse considerando se demitir e seguir outro rumo em sua vida, como foi noticiado, seus amigos seriam as primeiras pessoas para quem ela falaria sobre sua decisão.
Provavelmente eles não estavam entendendo nada e deveriam estar um tanto quanto preocupados, até mesmo com raiva. Hermione se sentia mal com isso, mas não poderia arriscar avisá-los sobre o que estava acontecendo, porque só de colocar o pé na casa de Harry ou de Rony com certeza ela estaria colocando os amigos e a si mesma em perigo e ela não tinha intenção de fazer isso. Harry e Gina eram pais, tinham que zelar e proteger James e Hermione não colocaria seu casal de amigos em perigo diante de toda essa confusão da Marca Negra, arriscando a vida dos pais do seu afilhado. Colocar Rony no meio de tudo isso também significaria colocar toda a família Weasley e ela gostava de todos eles demais para colocá-los em risco de repente.
Por mais que se sentisse culpada por não conseguir avisar seus amigos, ela não iria envolvê-los nisso, não quando sabia que o perigo estava aumentando. Pelo menos quanto a isso seus pais estavam salvos, afinal, não estavam nem mesmo em terra firme no momento e não estariam por um tempo considerável.
Terminou de fazer seu lanche, lavou a louça e voltou para o porão. Havia somente mais quatro páginas depois da descrição da poção e contava apenas com uma frase na caligrafia de Voldemort:
“Não me decepcionem.”
O restante das páginas estava em branco. Então era tudo aquilo que eles possuíam: como a Marca foi formada e o que os Comensais deveriam fazer para fortalecê-la novamente. Hermione deixou o diário aberto na página em que havia o passo a passo da poção e leu os ingredientes novamente.
Basicamente para se criar um poção que bloqueie o efeito de um feitiço, ou, no caso atual, uma poção que vá bloquear o efeito de outra poção é necessário usar ingredientes que sejam opostos a cada um dos ingredientes da poção primária.
A questão com tudo aquilo era que a poção de Voldemort era feita com coisas totalmente raras, algumas vendidas apenas em países específicos da Europa e outras que eram absurdamente caras – talvez mais uma das razões de ele escolher as famílias do seu ciclo interno de Comensais da Morte a dedo.
Pegou um pergaminho e começou a anotar o ingrediente e seu oposto, mas, no final, dos mais de vinte ingredientes, Hermione só conhecia o oposto de cinco deles, o que a deixou totalmente frustrada.
Os degraus da escada do porão rangeram e Hermione levantou os olhos para ver Draco chegando no andar inferior da casa. Ele carregava uma sacola parda e a deixou sobre a mesa, começando a retirar alguns vidros com raízes, folhagens e líquidos brilhantes de dentro dela.
— O que é tudo isso? – Hermione perguntou, curiosa.
— São alguns ingredientes básicos de poções bloqueadoras. – Draco respondeu e tirou um último frasco de dentro da sacola e olhou para Hermione – O que descobriu para estar com essa cara?
— Que cara?
— Você sempre faz essa cara quando descobre algo que não gostou. Essa cara... A testa franzida, o lábio tenso. – Draco a imitou.
— Eu não faço essa cara! – Hermione exclamou, indignada. Por fim deu um suspiro e disse: – Mas sim, descobri uma coisa não tão agradável assim. Olhe os ingredientes dessa poção. – ela entregou o diário a ele – São muito difíceis de serem encontrados. Os dois últimos eu nunca ouvi falar.
Draco leu a página e ficou em silêncio por alguns segundos.
— Erva de grama-estrelada... – Draco sussurrou – É encontrada em poucos lugares do Polo Norte, muito difícil de conseguir. Na minha empresa só temos dois frascos, raramente usamos, mas tem grandes poderes restauradores. Infelizmente a única coisa que impede o seu efeito é veneno.
— Precisamos de veneno?!
— Pelo jeito sim.
Eles ficaram em silêncio alguns segundos.
— Sabe que você é a cobaia, não sabe? – ela disse.
Draco deu uma risada quase sem querer.
— É, eu sei. Mas alguns dos ingredientes essenciais para poções bloqueadoras é bezoar então vou ficar bem.
Hermione apenas assentiu.
— Tenho muitos dos opostos desses ingredientes na empresa, mas não todos. Mas se acertamos a medida dos opostos que temos já vai ser suficiente.
Hermione ficou surpresa porque ela não tinha ideia disso, imaginava que precisava do oposto de todos os vinte e quatro ingredientes.
— Como você sabe tanto assim sobre poções? – perguntou.
— Ah, não fique tão surpresa por eu ser minimamente mais inteligente do que você em uma coisa, Granger. – Draco tinha um pequeno e disfarçado sorriso no rosto – Estudei bastante sobre poções depois da Guerra, mas sempre gostei.
— Nunca foi a minha matéria predileta. – Hermione deu de ombros e Draco revirou os olhos – Então você vai até a empresa buscar esses ingredientes agora? Podemos adiantas muitas coisas ainda hoje.
Draco mordeu o lábio.
— Na verdade não. Tenho outra coisa para fazer agora. Vem comigo.
Hermione não entendeu, mas seguiu Draco até o primeiro andar da casa. Ele foi direto para a sala e ela o acompanhou, ainda confusa.
— O que estamos fazendo aqui? – Hermione perguntou. – Decidiu tirar um tempinho livre para um drinque como se os Comensais da Morte não estivessem atrás de nós dois?
Draco revirou os olhos.
— Vou ignorar seu comentário. Bom, Hermione, nós estamos aqui porque estamos esperando. – Draco disse, servindo-se de um copo de whisky e então se sentando no sofá – Recebi duas visitas inesperadas na minha empresa hoje. Adivinhe quem?
Foi a vez de Hermione revirar os olhos, irritada por Draco estar ali conversando distraidamente ao invés de eles estarem no porão trabalhando.
— Adivinhações também nunca foi a minha matéria preferida, Draco. – Hermione falou, cruzando os braços.
— Por Merlin, que mau humor! O que foi que deu em você hoje?
Hermione fuzilou Draco com o olhar e somente pelo jeito que ele disfarçou bebendo um pouco do whisky ela soube que ele entendeu muito bem o que estava acontecendo com ela.
— Potter e Weasley. – Draco disse, por fim – Eles foram até a empresa hoje.
O coração de Hermione se acelerou apenas à menção dos sobrenomes dos melhores amigos.
— Rony e Harry foram falar com você?
— Sim. Usaram uma desculpa idiota de que era uma vigilância necessária a pedido do Ministério, mas queriam saber se você estava comigo, pareciam bem desesperados. Eu tentei enrolar eles, mas não sei que tipo de conexão vocês três tem que eles simplesmente sabiam que eu tinha uma ideia do que havia acontecido com você. Eu não disse nada porque sei que você não quer colocá-los em perigo, apenas disse que eles poderiam vir vê-la e até já dei um jeito nos feitiços de proteção, então eles não devem demorar.
Antes mesmo que o cérebro de Hermione terminasse de entender tudo o que Draco havia dito, as figuras de Harry Potter e Rony Weasley apareceram na sua frente, desaparatando bem no centro da sala. Os dois pareceram igualmente confusos nos primeiros instantes, mas então os dois pares de olhos encontraram Hermione.
— Mione! – Rony exclamou e foi o primeiro a abraçá-la, Harry logo em seguida – O que foi que aconteceu com você? O que está fazendo aqui?
— Você está bem? – Harry perguntou, o cenho franzido.
— Eu... Sim, está tudo bem! – Hermione falou, ainda espantada e alegre em ver os dois amigos. – É tão bom ver vocês!
— É bom ver você também! Mione, não entendemos nada quando aquela notícia saiu no jornal. Fomos até a sua casa e você não estava lá, mas todas as suas coisas estavam, o que achamos bem estranho. Então notamos que alguém havia jogado um feitiço na sua casa para deixar tudo em ordem e quando realmente vimos o que tinha acontecido com a sua casa...
— Ficamos desesperados. – Rony completou a fala do amigo – Começamos a procurar por você e Malfoy foi uma das últimas pessoas que soubemos que você teve contato então fomos atrás dele com uma desculpa, porque imaginamos que, pelo estado da sua casa, você definitivamente não estava envolvida em boa coisa.
— Olha só, não quero ser estraga prazeres... – Draco falou, interrompendo a pequena “confraternização”, ainda no sofá com uma expressão de tédio – Mas vocês só têm mais cinco minutos exatos até meus feitiços de proteção expulsarem vocês daqui.
Harry assentiu e Rony voltou a olhar para a amiga.
— O que está acontecendo? – perguntou.
— Não posso colocar vocês em perigo. Viram como fui atacada dentro de casa, não vou dormir tranquila sabendo que vocês podem estar na mesma situação!
— Sem querer me intrometer outra vez... – Draco falou e os três amigos o encararam irritados – Por Merlin, não me olhem desse jeito, só estou querendo ajudar! Hermione, ninguém sabe que eles estão aqui. Ninguém do lado de fora da propriedade consegue vê-los aqui dentro por causa dos feitiços ao redor da casa e não é como se eles fossem menores de idade para que o Ministério saiba todos os lugares em que eles estão. Só não posso garantir que não estejam sendo vigiados, porque isso com certeza estão e vão continuar sendo.
Hermione assentiu, assimilando as informações de Draco. Pelo o que ele dizia, realmente parecia bem difícil que os antigos Comensais descobrissem que Harry e Rony sabiam onde ela estava.
— Hermione, o que podemos fazer? – Harry disse, olhando atentamente para a amiga – Não precisa nos contar se não quiser, mas só por sermos seus melhores amigos já estamos correndo um pouco de perigo, até o Malfoy sabe disso.
— Ei! – Draco exclamou, ficando de pé, parecendo ofendido e até mesmo bravo.
Harry simplesmente o ignorou.
— Se realmente acha que é melhor não sabermos de nada só nos diga como podemos ajudar. – Rony disse.
Hermione assentiu ainda um pouco atordoada, a imagem dos amigos na sua frente parecia até mesmo miragem.
— Prefiro não contar o que está acontecendo, porque sei que se vocês souberem demais vão querer se intrometer... Só se mantenham seguros, mantenham todos seguros, por favor. Observem se estão sendo seguidos, vigiados, essas coisas. – ela disse – E mantenham os olhos abertos no Ministério. Não confiem em Davies e em Margareth White. Não troquem cartas com Draco também. Se desconfiarem de algo e precisarem falar com ele usem a capa da invisibilidade.
— Como nos velhos tempos... – Rony comentou e Harry deu um pequeno sorriso.
— Ei! – Hermione exclamou – Não comemorem por estarem infringindo as regras. Isso nunca foi legal.
— Potter, Weasley, vocês têm vinte segundos. – Draco disse, voltando a se sentar, os olhos fixos no relógio de pulso.
— Tomem cuidado, por favor! – Hermione exclamou e abraçou os amigos uma última vez.
Os dois homens encararam Draco, que apenas assentiu, e então olharam para Hermione com um sorriso até mesmo triste por saberem que as coisas estavam mudando novamente, que o perigo agora parecia ser iminente outra vez.
Então aparataram e de repente não estavam mais ali. Draco olhou ao redor, parecendo se certificar de algo, e Hermione também sentiu o pequeno arrepio, provavelmente dos feitiços de proteção ao redor da casa se fortalecendo novamente.
Hermione ainda estava em choque. Não conseguia acreditar que havia visto os melhores amigos, que eles estavam bem e agora também sabiam que ela estava bem. Não ter contado nada a eles foi uma decisão certeira, na opinião dela, porque apenas alertá-los sobre as pessoas perigosas era suficiente para que eles tomassem cuidados maiores. Hermione sentiu um gás gigantesco em querer acabar com tudo aquilo o mais rápido possível, porque queria voltar para sua vida pacata com seus amigos, sua vida sem problemas iminentes e na qual a segurança de todos que amava era praticamente certeira.
Sentiu um peso enorme sendo tirado de seus ombros. Rony e Harry estavam bem e agora tinham notícias dela. Eles ficariam bem. Tudo vai ficar bem.
E parecia que tudo isso, todo esse alívio que sentia, toda essa súbita vontade de trabalhar como nunca e acabar com aquilo rapidamente — era tudo graças à Draco. Hermione nunca se sentiu tão grata a ele como se sentia nesse momento.
Hermione encarou Draco, que ainda estava sentado no sofá bebericando o copo de whisky que ainda se mantinha surpreendentemente cheio. Ela se aproximou e Draco levantou os olhos para ela parecendo desconfiado.
— Fique de pé. – Hermione falou, parada de frente para ele.
— O que? – Draco franziu o cenho.
— Levante logo, Malfoy. – ela ficou em silêncio alguns poucos segundos — Por favor.
Draco ainda parecia desconfiado, mas ficou de pé.
Eles se encararam e nesses segundos do olhar trocado entre os dois pares de olhos, castanhos e cinzas, Hermione conseguiu ignorar as palavras dele dos dias anteriores – seus sentimentos e como aquilo a fez sentir -, conseguiu ignorar o fato de que ele jogou tudo isso para o ar e foi para a cama com outra minutos depois de dizer que Hermione ainda mexia com ele; conseguiu ignorar essa nova pequena mágoa e a confusão que ele lhe causava, porque ela simplesmente se sentia grata por ele ter proporcionado que ela conseguisse ver seus amigos.
— Obrigada. – Hermione sussurrou e o abraçou.
Draco pareceu surpreso com o gesto, mas retribuiu, cercando o corpo dela com os braços e repousando o queixo no topo da cabeça de Hermione. Ela respirou fundo e sentiu o cheiro de canela amadeirado que ele tinha. Sentiu a respiração calma dele e o calor bom que ele lhe transmitia.
Detestou admitir o quanto sentia falta disso.
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