[Dramione] - Revelações 2 - Escolhas
2 Olivaras
Notas iniciais
Olivaras
O julgamento saiu na primeira página d’O Profeta Diário do dia seguinte. Para minha sorte o artigo não havia sido escrito por Rita Skeeter, e por esse motivo ele condizia com a realidade do julgamento. Pelo menos em parte já que a imprensa não obteve permissão para entrar no tribunal e, portanto, nenhum detalhe sobre meu relacionamento com Hermione escapou.
A manchete no jornal dizia “Julgamento da família Malfoy: Culpados ou Inocentes?” e vinha acompanhada de um imenso artigo nas páginas 5 e 6, que falava principalmente sobre meu pai, Lúcio. Na matéria eles destacavam tudo que meu pai havia feito nos anos em que Voldemort esteve ausente, as inúmeras doações para o ministério, a influência que ele tinha conquistado. Depois falavam sobre a prisão dele durante a Batalha do Departamento de Mistérios, a fuga, a Batalha de Hogwarts e sua recaptura.
Em seguida o jornal fazia um resumo do julgamento onde Lúcio foi condenado à prisão perpétua sem liberdade condicional antes dos 50 anos de pena. Depois falavam do recente divórcio e da absolvição de minha mãe, Narcisa Black, explicando que mesmo sendo considerada inocente ela ainda teria que prestar serviços comunitários, e só então falando de mim. Culpado por inúmeros crimes e também cumprindo serviços comunitários.
Hoje era dia 30 de novembro um dia depois do meu julgamento e eu estava sentado na poltrona da sala de Hermione esperando que ela descesse, enquanto lia esse maldito artigo do Profeta.
– Draco, quer por favor parar de ler esse maldito jornal?
A voz dela soou das escadas de onde ela vinha descendo e me encarando com as mãos na cintura.
– Você já leu o que está escrito aqui? – disse dando uns tapinhas no jornal.
– Não, e nem você deveria. Sabe muito bem que o Profeta é sensacionalista.
– Saí de casa tão apressado pra ver você que esqueci completamente de sumir com o jornal antes que minha mãe visse.
– Narcisa não é nenhuma tola, Draco. Ela com certeza sabe que vai ter muita coisa no jornal. Aliás, porque sua mãe não vai conosco? E como você chegou aqui?
– Olivaras disse que iria pessoalmente em nossa casa para dar de presente uma varinha para minha mãe. – disse jogando o jornal na mesinha da sala — E eu vim aparatando, Greek me trouxe.
– Você fez o elfo lhe trazer? Draco Malfoy, o que eu lhe disse sobre os elfos-domésticos?
– Hermione, eu não mandei ele me trazer. Eu pedi. Até usei por favor!
– Não fez mais do que sua obrigação. – disse fechando a cara.
– Você sabe que foi o Ministério quem nos deu o Greek, não sabe?
– Sei. – disse ainda emburrada.
– Então porque você está brava comigo?
– Você ainda não libertou ele.
– E nem vou.
Ela veio em minha direção, furiosa, e começou apontar o dedo me cutucando no peito.
– Mimado. Arrogante. Imbecil.
– Ei, ei. Calma. – disse segurando-a pelos pulsos – Isso dói sabia?
– Espero que fique roxo.
Hermione fez um bico com os lábios, sua face vermelha pela agitação e o rosto demonstrando raiva, que eu não consegui me segurar e comecei a rir. Rir não, gargalhar mesmo.
– Do que é que você está rindo?
– De você! – disse entre risadas.
– De mim? Ora seu...
– Você fica linda até com raiva Hermione. — E puxei-a para um beijo.
Beijar Hermione era um vício recém descoberto. Uma necessidade que eu tinha que saciar. Era a melhor sensação do mundo, ainda mais pelo fato de ela me corresponder tão intensamente. Puxei-a pela nuca, nos aproximando ainda mais, aprofundando o beijo. Toda a discussão de segundos atrás, esquecida. Parei o beijo apenas quando senti o ar faltar.
– Isso não vale. – ela disse baixando o rosto e ruborizando.
– Eu te amo Hermione.
– Eu sei. Também amo você. Só que você não pode simplesmente me beijar sempre que eu ficar brava.
– Funciona não é?
– Idiota.
Ela me deu um empurrão de leve e se afastou para terminar de se arrumar. Assim que ficou pronta, aparatamos para o Beco Diagonal. Eu havia sido liberado pelo ministério para portar uma varinha, mas para isso eu precisava de uma. Íamos até o Olivaras comprar a minha.
Passamos pela porta e o sininho tilintou avisando nossa chegada, não demorou muito para que o velho Olivaras aparecesse atrás do balcão.
– Ora, menino Malfoy. Fico feliz que esteja livre. Particularmente torci muito para que você e sua mãe não fossem presos. Os erros de seu pai meteram vocês nisso.
– Creio que meu pai já fez todo o mal que podia.
– Sim, sim. Veio buscar uma nova varinha acredito.
– É, o Potter perdeu a minha.
– Ele não perdeu Draco. – disse Hermione saindo de trás de mim para defender o amigo
– Jura? Então onde ela está? Ele pegou a varinha dele de volta e simplesmente perdeu a minha.
– Srta. Granger. É uma honra recebê-la aqui em minha loja. Veio acompanhar o Sr. Malfoy ou a senhorita deseja alguma coisa?
–Eu também vim comprar uma varinha. Perdi a minha na Mansão Malfoy e ainda estou usando a varinha de Bellatrix. – Só então me dei conta de que ela realmente usava a varinha de minha tia.
– Mas é claro, então vejamos. Srta. Granger se a senhorita não se importar em esperar, creio que primeiramente devemos encontrar uma varinha nova para o Sr. Malfoy.
– Não, sem problemas, eu espero.
Olivaras virou-se e subiu em uma escadinha para pegar umas caixas de varinhas de diferentes prateleiras.
– Sabe menino Malfoy, sua antiga varinha, pinheiro, 25 centímetros, pelo de unicórnio semi-flexível. Mesmo que o Sr. Potter lhe devolvesse, ela jamais lhe serviria bem novamente.
Andou pela loja coletando caixinhas e trouxe umas cinco delas.
– Porque não?
– A varinha escolhe o bruxo, rapaz. Acredito que Harry tenha lhe tomado a varinha a força, e nesse caso a lealdade de sua varinha mudou. É o mesmo caso da Srta. Granger. A varinha de Bellatrix Lestrange pertence a Ronald Weasley.
Experimentei quatro das cinco até que na quinta varinha eu consegui algum resultado.
– Muito bom. Essa é uma excelente varinha.
– Quais as especificações dela?
– Carvalho, núcleo de corda de coração de dragão, 20 centímetros, semi-flexível.
– Perfeita.
– Agora a senhorita. O que pretende fazer com essa varinha?
– Sinceramente não sei senhor. Se o senhor quiser pode ficar com ela, ela nunca me serviu bem mesmo.
– Creio que ela ficaria feliz em achar um novo dono.
Voltou para os fundos da loja levando a antiga varinha de Bellatrix e começou a procurar caixinhas. Acabou trazendo apenas uma. Abriu a caixa em cima do balcão.
– Talvez essa lhe sirva. É uma varinha especial, parreira, 27 centímetros, corda de coração de dragão, flexível.
Hermione tirou a varinha da caixinha e imediatamente uma chuva de faíscas vermelhas e douradas explodiu da ponta.
– Ora, exatamente o que eu achei que aconteceria.
– O senhor sabia que eu iria ficar com essa varinha?
– Tinha minhas suspeitas. Essa varinha é especial senhorita. Muito boa para feitiços exatamente como a irmã dela.
– Pensei que só a varinha do Harry tivesse uma irmã.
– Ah não, não. Não que varinhas irmãs sejam algo comum, pelo contrário, são extremamente raras. Mas eu acreditei que a senhorita fosse ficar com essa aí. Quando veio a primeira vez em minha loja eu ia lhe entregar essa varinha, mas apenas um bruxo completamente desenvolvido conseguiria usá-la em sua plenitude.
– Não entendo senhor. O que está tentando dizer?
– Apenas que você não deve jamais se separar dessa varinha. Ela ainda vai lhe ajudar muito.
– Olivaras, que história é essa?
– Menino Malfoy, os núcleos de suas varinhas são gêmeos. A fibra de dragão de sua varinha é a mesma da varinha da senhorita Hermione.
– Minha varinha é irmã da varinha do Draco? – disse Hermione surpresa.
– Sim, sim.
– Que papo é esse? Eu continuo sem entender.
– Pouco se sabe sobre núcleos gêmeos. Quando fui criar a sua varinha senhor, a fibra do coração se dividiu em duas, sem que houvesse qualquer interferência minha. O mesmo aconteceu com a pena de fênix que era o núcleo da varinha do Lord Sombrio. O menino Potter que entrou em minha loja levou a gêmea da varinha de Voldemort.
– Certo. E no que isso interfere nas coisas com Hermione? Se nossas varinhas são gêmeas isso nos afeta de alguma forma?
– Como eu disse rapaz, não se sabe muita coisa sobre núcleos gêmeos. O que posso dizer é que vocês estão destinados a alguma coisa bem grande.
– Acho impossível realizar algo melhor do que o Menino-Que-Sobreviveu.
– Draco! – disse Hermione dando uma cotovelada de leve nas minhas costelas. – Obrigada Sr. Olivaras. Vamos.
E saiu pela porta irritada. Despedi-me de Olivaras e saí atrás de Hermione, ela andava com pressa e eu corria tentando alcançá-la. Já quase na passagem para o Caldeirão Furado, quando finalmente consegui alcançá-la, puxei-a pelo braço.
– Qual é? Eu estava brincando. Calma, Hermione.
– Não entendo essa sua picuinha ridícula com Harry. – puxou o braço se soltando — Porque um tem que ser melhor que o outro?
– Não vou com a cara dele. – disse cruzando os braços.
– Você não gosta dele porque ele te ignorou desde o primeiro ano. Harry não é uma pessoa ruim, você que era nojento.
– Ouch. — descruzei os braços e levei uma das mãos ao peito — Obrigado, eu precisava mesmo ouvir isso.
– Draco, desculpe. Não foi isso que eu quis dizer.
– Eu mudei Hermione, mudei bastante por você. Porque eu te amo e não suportaria não te ter ao meu lado. Mas eu não sou outra pessoa. Ainda sou Draco Malfoy. Se você não percebeu isso não sei o que está fazendo comigo.
Dei as costas e saí dali, agora que eu já tinha uma varinha eu conseguia aparatar. Aparatei na porta da casa dos Nott e bati. Segundos depois um elfo veio me atender e eu apenas entrei indo diretamente ao quarto de Theo.
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