Dramione - Redemption
4 — chapter four
Notas iniciais
— chapter four
Slytherins don’t broke promises
Astoria bateu suavemente na porta de seu quarto. Assim que ele autorizou-a a entrar, ela simplesmente saiu correndo e se jogou em cima dele, mesmo com a sua posição de encolhimento na cama.
“Tudo bem, Draco?” ela perguntou, a voz suave. Agora que ela estava mais perto — só agora ele notara o quanto ela estava perto, com a sua respiração batendo em sua bochecha — ele notou os seus olhos inchados.
“Estou bem, Astoria.” Ele replicou, erguendo uma das mãos e passou-a levemente em cima dos seus cabelos loiros. “Mas e você? Você está bem?”
Astoria corou. “Eu nunca imaginei me casar com você, Draco.” Assumiu ela, saindo da posição em que estava — em cima dele, com só o cobertor a separá-los — e deitando ao seu lado, por cima da coberta. “E não adianta que você negue, eu sei que gosta de alguém.”
“Está dizendo que sou tão mal partido assim, Asty?” ele perguntou. Astoria não respondeu, limitando-se a abaixar os olhos. “Asty?”
“Não me chame assim.” Ela murmurou. Antes que ele pudesse perguntar o porquê, ela se explicou. “Me lembra de Daphne e você, bem, você sabe...”
Sim, ele sabia. Daphne Greengrass era a irmã mais velha de Astoria, e, assim como Carmem, era uma ravenclaw. Isso, em uma família mais liberal e menos ligada as trevas como os Greengrass, não era nada. Mas o único problema era que no momento que Ignius decidira apoiar a causa de Voldemort, ainda sem ser um comensal, Daphne não aceitou e juntou-se as fileiras do lado da luz. A decepção fora enorme para toda família, mas é claro que foi pior para Astoria.
“Ainda sente falta dela?” Draco perguntou, abraçando-a de lado.
“Acho que o ainda vai ser mais ou menos pela eternidade.” Ela brincou. “Ela nunca vai me perdoar por não ter ido com ela.”
Ele a cutucou, tentando arrancar um sorriso dela. O máximo que ela esboçou foi um sorrisinho de canto. “Você ficaria feliz se eu te contasse o meu segredo?”
Astoria imediatamente teve um surto de energia, pulando várias vezes em cima da cama até se deitar de novo. “Fale logo.”
Draco sentiu a garganta fechada. Astoria prova-se ser de confiança, e querer ajudar, mas a sua parte mais reservada ainda desejava que ele escondesse esse segredo com dentes e garras. “Ok.” Disse apenas. “A garota que eu estou apaixonado é...” Astoria o interrompeu antes que ele pudesse dizer qualquer coisa.
“Gryffindor.” Replicou, imediatamente. “Você não esconderia se ela fosse uma boa puro-sangue Slytherin. Como eu.” O queixo de Draco provavelmente estava caído. Como ela descobrira isso só por observação? Antes que formulasse essa pergunta, Asty respondeu. “Ah, Draco, eu sempre soube que alguns slytherins tinham uma quedinha por Gryffindors. Me poupe dessa pergunta idiota.”
“Ela poderia ser Huffle-Puff ou Ravenclaw.” Ele contrariou-a.
“Bem, as de Ravenclaw são inteligentes demais para você, apesar de bonitas, enquanto as de Huffle-Puff... Merlim, Draco, não me diga que você traria tanta desonra assim para a sua família?” ela perguntou horrorizada.
“Sim, ela é Gryffindor.”
“Oh, acertei!” ela bateu palmas animadas. “Mas há muitas gryffindors. Bom, Brown morreu, que o Diabo a tenha. Sobra-me... hm, Ginny Weasley. Não te recriminaria, é claro. Ela é bonita, puro-sangue, mas gosta do Potter, se não notou. Parvati Patil, é. Merlim, não reparo nelas tanto. Não sei quem é.”
“Nenhuma das três.” Ele garantiu.
Ela semicerrou os olhos. “Eu só citei as sangue-puro, Draco.” Ela notou. “Não me diga que ela é uma sangue-ruim, não me diga...”
“Não a chame assim!” ele murmurou.
“Draco! Você é um Malfoy, Merlim! Você pretende viver assim, com uma sangue-ruim? E eu aqui, determinada a fazer a sua felicidade mesmo que ela significasse a minha tristeza enquanto você faz planos impossíveis com uma sangue-ruim! E se meus dons de adivinhação ainda funcionam, ela se chama Hermione Granger! Que por acaso está noiva do garoto que amou pela vida toda! Que nunca teria nada com o garoto que a humilhou.”
As palavras de Astoria o machucaram, muito. Mais do que ele podia dizer. Mas ele sabia que a reação dela não era simplesmente exagerada. Sabia como era impossível algo entre ele e Hermione, eram diferentes demais, mas ninguém pode cortar as esperanças de alguém assim tão pela raiz. Isso não era justo com ele. “Pare, Astoria. Pare agora.” Ele pediu, as mãos erguidas em um sinal de redenção.
Ela olhou para ele, e nesse momento, ele pode ver que haviam lágrimas lá. Mas por quê? Ela se sentia traída? Trocada por alguém como Hermione Granger? Por que ela chorava? “Eu não mereço isso.” Disse para si mesma. “Não mereço.” Repetiu roboticamente, antes de sair correndo do quarto. Ele pode ouvir seus soluços através da porta.
Então, em meio a sua afobação e dúvida pela saída de Asty ele não notou a entrada silenciosa de Prude, que teve de bicar sua mão repetidamente para ele virar-se para si. Na sua pata esquerda, havia um pequeno bilhete enrolado.
Abriu-o numa letargia. Antes, ele teria aberto correndo e animadamente, mas a briga com Astoria diminuiu o seu humor. E muito. A caligrafia era, como sempre, cuidadosa e arredondada. A assinatura dela vinha em floreios. E ele preferia notar as suas manias ao invés de ler a tão aguardada réplica.
Bom, Draco, seu convite me deixou surpresa. Mas tudo bem, vamos relevar isso já que estamos tentando entrar num relacionamento de colaboração. Bem, poderíamos marcar para amanhã, às sete da manhã, no café Fleurs.
Hermione Granger.
Ele quase sentiu-se culpado quando rabiscou simplesmente um Okay desleixado. Não se sentia bem o bastante para fazer algo melhor ou planejar o encontro. Astoria... se nem ela conseguia pensar nele com Hermione Granger, quem conseguiria? Ele devia cortar esse mal pela raiz.
Mas não era forte o bastante para fazer algo como isso.
Despachou a carta e deitou novamente em sua cama, perdido em suspiros e reflexões. Reviu a cada segundo a sua conversa com Astoria, sentindo a clássica tristeza de quem briga com alguém importante. Esse tipo de tristeza sempre se faz pensar que tudo se está acabado. Que tudo terminou.
E então, ele notou algo importante.
“E eu aqui, determinada a fazer a sua felicidade mesmo que ela significasse a minha tristeza enquanto você faz planos impossíveis com uma sangue-ruim!”
O que Astoria queria dizer com o fim de sua felicidade a partir do início da dele? Que tipo de sacrifício era aquele? Estaria Astoria... Apaixonada por ele?
Endireitou a gola de sua camisa. Pegou a carteira no criado mudo e desceu a escada silenciosamente.
“Aonde vai a essa hora da manhã, Draco?” seu pai perguntou.
Ele optou por uma resposta não reveladora. “Vou... me encontrar com alguém.”
“Quem?” seu pai insistiu. “A pessoa é de confiança? Você sabe que estamos escondidos.”
“São meus negócios, pai. Mas eu não vou falar pra ninguém de você.”
“Vá então, filho.”
Astoria estava sentada em uma cadeira lá fora, refletindo, mas ele passou por ela sem nem lhe dizer bom dia. As suas palavras cortantes de ontem haviam feito cortes profundos demais para se curarem tão rápido. Entrou em seu carro, um luxuoso Omega, e dirigiu em uma velocidade razoável até aonde a estrada da cidade e as estradas rurais se encontravam. A partir dai, sua velocidade tornou-se quase estagnada. Mesmo em 1998, a velocidade do trânsito parisiense já era bem pouca.
O café Fleurs representava uma visão bastante agradável em meio a cidade, com uma maravilhosa e privilegiada vista para a Torre Eiffel. Uma chuva fina caia, e ele correu para o meio-fio rapidamente, assim que saiu do carro, e entrou no café. Notou Hermione sentada em uma mesa para dois, observando a grandiosidade da Torre. Draco nem mesmo podia acreditar que os trouxas um dia pensaram em destruir algo como aquilo.
“Hermione!” acenou, enquanto andava até à mesa.
“Draco.” Ela cumprimentou com um pequeno sorriso, assim que ele estava acomodado na confortável cadeira. “Como vai?”
“Bem.” Replicou. “E você?”
Ela riu. “Bem ocupada. Ronald insiste para que nos casemos assim que eu terminar o 7º ano, e já tenho de começar a arrumar tudo desde agora. Provas de vestido, provas de bolo, Buffet, lista de convidados e mais todas aquelas tarefas desagradáveis que geralmente sobram para a noiva.” Ela deu um sorriso cansado. “Não pense que eu esqueci de colocar o seu nome na lista de convidados, Sr. Malfoy.”
Ele deu um pequeno sorriso forçado para ela. “Com toda certeza eu irei comparecer.”
“E, bem, eu ouvi dizer pelo Profeta Diário que você vai se casar também! Dizem que uma fonte fidedigna denunciou isso.” Hermione replicou, alheia a sua falta de animação. “Astoria Greengrass? Ela seria uma ótima esposa, nós já conversamos algumas vezes.” Ela respirou, cansada por um segundo. “Mas, bem, não viemos falar aqui de nossos casamentos. Eu quase não acreditei quando você pediu desculpas para mim, Rony e Harry na batalha de Hogwarts, mas eu fiquei ainda mais surpresa ao receber a sua primeira carta.”
“Você não esperava que eu desejasse redenção.” Ele supôs. Corretamente, pelo pequeno sorriso envergonhado que ela lhe deu. “Mas tudo bem. Nem mesmo eu esperava por isso.”
“É só que...” as palavras perderam-se no caminho. “É estranho.” Ela disse, enfim. “Quer dizer, você sempre foi o inimigo. O cara que me chamava de sangue-ruim, e, desculpa te lembrar de tudo isso de novo, mas nós sempre tivemos um ódio declarado e mais do que verdadeiro. Eu não entendi o que mudou.”
Ele simplesmente não podia dizer que era ela o que o mudara. Ele sempre gostara dela, mas não entendia isso até que ouviu os seus gritos na mansão enquanto Bellatrix a torturara. Decidiu dá-la uma meia verdade. “Quando eu ouvi os seus gritos, na mansão... foi aí que tudo mudou. Aquelas brincadeiras, eram coisas infantis, não eram sérias. Mas a guerra... a guerra era real. Aquilo era a sério. Pessoas morreram. E eu não queria ver o corpo de todos aqueles que eu fiz mal, e vocês três se enquadram nisso. Eu preciso de redenção. Eu não posso viver sabendo que não me desculpei com cada pessoa ali.”
Ela passou suavemente os dedos em sua mão, que permanecia tensa em cima da mesa, em um gesto de consolo. O toque foi tão suave e curto que ele poderia nem mesmo ter sentido. Mas sentiu. O toque reverberou em seus nervos. Como ela podia ter tal poder sobre ele?
“Eu sinto muito.” Ela murmurou. “O problema é que eu não entendo. Se você se sentiu tão culpado... por que não fez algo antes, por quê?”
Ele abaixou a cabeça. “Você não entende como é ser um deles. Eu fiz o que eu pude, ao não reconhecer o Potter, mas qualquer coisa a mais seria traição e eu estaria morto no chão em menos de um segundo.”
“Morreria com honra.” Ela replicou, e, nesse momento, a voz suave tornou-se tão dura quanto ferro.
“O que valeria a minha honra, caso eu estivesse morto?” ele também endureceu a voz. “Você pode não notar, mas eu não seria o único a cair em desgraça. Minha queda levaria junto a minha família. Não entende isso?”
“Tudo que eu fiz também poderia afetar a minha família.” Ela contradisse. “E eu os abandonei, por mais que isso me doesse.”
“Nem todos poderiam ter um Obliviate como um recurso.” Ela sorriu amargamente, levantando a manga da blusa social até o cotovelo. A marca não era mais tão negra quanto antes, mas o seu contorno continuava marcado em ferro na pele. Ele se lembrava do momento em que a marca fora colocada em sua pele. Doera como os sete infernos, o feitiço Morsmordre pressionado diretamente em sua pele. Depois disso, com o braço em chamas e a cabeça pesando, ele seguira o protocolo e assassinara um trouxa qualquer. Ele nem mesmo se lembrava do rosto dele, e duvidava que alguém lembrasse. “Eu era um comensal. Um simples Obliviate não impediria Voldemort de matar os meus pais.” Determinou.
Ela parecia irritada, deduzindo a partir da vermelhidão de seu rosto e busto. “Tanto faz.” Determinou. “Você poderia ter feito algo, e não fez, mas agora já passou.” Forçou um sorriso seco. “Afinal, estamos todos bem.”
“Sim.” Ele deu-lhe um sorriso igualmente forçado. Toda a boa-vontade que existia entre eles parecia perdida por um momento.
Ela parecia sem saber o que dizer. “Bem... Eu acho melhor ir.” Ele sentia a mentira, em seu rosto, sua voz e no seu corpo. Oculta, mas ali. “Tenho algumas coisas a fazer.” Explicou, se levantando.
“Nos vemos no Embarque então, eu acho.” Ele replicou.
Com um aceno de cabeça, ela partiu.
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