Dramione - House Of Night
14 O mistério da gaveta
Notas iniciais
O dia estava bem frio e chuvoso, assim como o humor de Draco nessa segunda-feira. Hoje era o primeiro dia dele como presidente na empresa e ele parecia querer morrer. O que era bem verdade.
Depois de se arrumar impecavelmente, despediu-se da mãe e entrou no carro. Dirigiu mais devagar do que de costume, tentava adiar ao máximo sua chegada.
Chegou. Foi recebido pela recepcionista mal vestida que insistia em esfregar seu decote na cara dos homens. Cumprimentou uns aqui, outros ali e entrou na antiga sala do pai.
Uma infinidade de relatórios estavam em cima da mesa e ele suspeitava que estava do mesmo jeito que seu pai havia deixado. Ninguém ousava mexer nas coisas do chefe.
Draco olhou alguns papéis de relance e já sofrendo por antecipação se lamuriou por ter de passar o resto do dia mergulhado naquela enorme pilha de trabalho. Não fazia ideia de como seu pai conseguia fazer tudo isso, mas conseguiria também, afinal ele era ou não era filho dele?
Sentou na cadeira e começou a abrir as gavetas a procura de uma caneta. Uma delas estava trancada à chave e Draco achou aquilo curioso demais. Continuou a mexer nas outras gavetas mas agora à procura de uma chave; não encontrou. Resolveu deixar a gaveta para uma outra hora e voltou a pilha de relatórios.
Pouco antes da hora do almoço já estava cansado de tudo aquilo. Largou tudo do jeito que estava e saiu. Olhou as horas no relógio de pulso mas percebeu tristemente que ainda faltava pouco mais de uma hora para se encontrar com Hermione. Ela tinha convidado — convidado não, obrigado — ele para almoçar na casa dela e ele aceitou sem pestanejar. Desde o dia em que ela fora na casa dele eles não haviam se visto e já estavam morrendo de saudade.
Tomou um gole de café e voltou para a sala. Passou o restante do tempo imaginando o que seu pai guardava naquela gaveta que precisava ficar trancada. Finalmente ele saiu da sala, foi até o estacionamento e saiu com o carro.
Algum tempo depois já descia do carro em frente ao prédio de Hermione. Tocou o interfone e esperou que ela abrisse. Tocou a campainha do apartamento e foi recebido por Rose.
– Draco! — A menina correu para abraçá-lo e ele retribuiu. — Venha, já vamos almoçar. Mamãe está no banho.
Hugo foi até a sala saber quem tinha chego mas logo se decepcionou.
– Oi Hugo. — Draco falou sorridente.
– Oi. — O menino respondeu indiferente.
Rose e Draco sentaram no sofá e ficaram assistindo TV enquanto Hermione não aparecia. Um pouco depois, Draco foi deixado sozinho. Ficou assistindo a uma série policial que passava naquele momento e nem percebeu quando alguém se aproximou.
Hermione colocou as mãos quentes nos ombros de Draco fazendo ele tomar um leve susto.
– Quer me matar do coração? — Ela riu.
– Não, dramático. — Ele a encarou incrédulo e a puxou em direção ao sofá fazendo ela cair por cima dele e então começou a fazer cócegas na barriga de Hermione que não conseguia segurar as gargalhadas. — Dr-draaco, ha-ha-ha, por fa... por favor, ha-ha-ha, PARA.
Ele parou somente para puxá-la de encontro a ele e beijá-la.
– Senti saudades.
Ele murmurou contra os lábios dela.
– Também senti.
Alguém pigarreou na porta da sala e Hermione se assustou. Era Hugo.
– Estou com fome. — Ele falou em tom acusatório. Hermione tinha certeza que a acusação não era bem sobre estar com fome.
– Ok, então vamos todos almoçar.
Todos os quatro se dirigiram para a cozinha e sentaram-se à mesa. Rose, Draco e Hermione conversavam sem parar enquanto Hugo se recusava a participar da conversa. Ele parecia determinado a não gostar de Draco de forma alguma.
O almoço chegou ao fim na mais perfeita paz. As crianças se retiraram para a soneca da tarde deixando Draco e Hermione a sós.
– Como foi no trabalho?
– Cansativo. Tenho uma enorme pilha de relatórios na sala do meu pai apenas me esperando para organizá-los. — Ele disse suspirando. Só de pensar nisso ficava desanimado. A verdade é que não gostava muito de tarefas desse tipo, preferia coisas mais dinâmicas.
– Isso quer dizer que você precisa ir embora agora? — Hermione fez bico.
– Infelizmente. — Ele disse dando um selinho no bico que ela fez.
– Tudo bem, você precisa trabalhar, então vou deixar você ir trabalhar.
– Nos vemos mais tarde?
– Hoje não vai dar, Gina vai vir passar a noite aqui.
– Tudo bem então nos vemos amanhã.
– Combinado.
Draco enlaçou sua cintura e lhe beijou. Um beijo calmo, sem pressa, demonstrando toda a saudade que sentiram um do outro. Draco se separou depositando dois leves selinhos em seus lábios. Despediu-se mais uma vez e se foi.
Hermione sentia-se com 17 anos de novo. Parecia uma adolescente boba e apaixonada. Mas não havia nada de errado nisso, havia?
Pegou o telefone e ligou para Gina.
– Você vem mesmo não é? Tenho tanta coisa para conversar. — Hermione disse alegre.
– Claro que vou, tenho uma coisa para contar também.
– Ótimo, vou estar te esperando. Tchau.
Desligou o telefone e procurou dar um jeito na casa. Quase uma hora depois o interfone tocou. Era Gina e Harry.
– Tio Harry! — Hugo e Rose correram até ele e o abraçaram. Gina pigarreou.
– Só o tio Harry que está aqui né? — Gina fingiu-se de ofendida.
– Tia Gina! — Os dois correram de encontro a ela como se só a tivessem visto agora. Todos gargalharam.
– Olá Harry, como você está? — Hermione perguntou abraçando o amigo.
– Estou ótimo e você?
– Estou ótima também. — Ela sorriu para ele e se virou pra Gina: — Temos muito o que conversar hoje não? — As duas riram.
– Vamos deixá-las a sós então. Vamos? — Harry perguntou já abrindo a porta; as duas crianças o seguiu.
Finalmente sozinhas Gina pôde começar o seu típico interrogatório.
– E então? Como Draco está? Vocês têm se visto? Já se beijaram? Ah não, não me diga que ele é lento assim... — Gina começou a disparar perguntas sem dar tempo para que Hermione respondesse.
– Gina! — Hermione gritou aos risos. — Se você não me deixar falar como irá saber?
– Desculpe Mione, vou deixar você falar agora. — A ruiva fingiu que trancava a boca e depois jogou a chave fora.
– Draco está melhorando. Lembra que lhe falei sobre o pai dele? Então, ele está se recuperando.
– E vocês têm se visto?
– Bem, ele veio almoçar aqui hoje. Foi a primeira vez que nos encontramos depois dos nossos beijos. — Hermione falou casualmente e deu uma olhada para a amiga que parecia ainda absorver as palavras dela.
– Ah entendi. Espera aí, beijos? — Gina perguntou finalmente se tocando do que ela tinha falado. — Pelo visto ele não é tão lento como eu pensava! — Gina deu um típico sorriso travesso digno dos Weasley e Hermione gargalhou.
– Eu te contei que seu irmão veio aqui? — Hermione perguntou se lembrando do acontecido.
– Meu irmão O QUE? O que aquele cretino veio fazer aqui? — Gina perguntou exasperada.
– Hugo contou para ele sobre Draco e ele veio tirar satisfação. Como se eu devesse alguma satisfação da minha vida pra ele. — Hermione suspirou. Omitiu a parte em que praticamente se entregou aos beijos dele, lógico, tinha vergonha por ter sido tão fraca.
– É um sem cérebro mesmo. Espero que ele não volte a te incomodar se não serei obrigada a fazer uma visitinha a ele. — Gina falou apertando os punhos.
Hermione amava o jeito como Gina a defendia do próprio irmão. Na verdade, Hermione amava a forma como todos os Weasley a defendiam de Rony. Eles sabiam que ele quem tinha errado com ela e se recusavam a apoiá-lo nesse caso.
– Não será necessário. Se ele voltar a aparecer aqui eu mesmo me encarrego de acabar com ele. — Ou Draco teria o maior prazer em fazer isso caso esteja presente Hermione pensou.
– Mas chega de falar dele. Eu quero saber mais de você e do loiro gostoso. Estão namorando? — Gina perguntou sonhadora, lembrando vagamente a Luna.
Hermione pensou sobre o assunto. Não haviam falado sobre isso ainda. Não sabia se estavam namorando ou somente tinham uma amizade colorida; o que ela achava bem estranho para a idade dela.
– Não — Ela respondeu insegura. — Não falamos sobre isso ainda, ele anda ocupado com a empresa do pai, nos vemos tão pouco agora.
– Mas você está apaixonada por ele?
Gina fez a pergunta que Hermione mais temia. Ela não tinha a resposta para isso. Talvez fosse cedo demais para dizer se estava apaixonada ou não, além do mais, não se sentia segura o suficiente para se apaixonar de novo. Rony havia destruído suas esperanças para o amor.
– Acho que ainda é cedo para dizer. — Gina assentiu parecendo compreender.
Hermione levantou-se e foi até a cozinha. Voltou meio minuto depois com as mãos lotadas de doces e chocolates.
– Dane-se a dieta. — Gina disse abrindo um pacote de chocolates em forma de sapos. Hermione riu enquanto abria um pacote de jujubas.
– E então, o que a senhorita tinha para me contar?
Subitamente Gina pareceu ter lembrado do fato e seus olhos brilharam. Ela parecia travar uma luta interna entre surtar e contar.
– Quero que seja minha madrinha! — Ela disse e Hermione arqueou uma sobrancelha sem entender nada. Finalmente uma luz pareceu acender na cabeça de Hermione e ela pareceu compreender o que a ruiva falava.
– Você está? — Perguntou num misto de felicidade e incredulidade.
– Estou! — Gina praticamente gritou.
– Ai meu Deus! — Hermione se jogou em cima da amiga e as duas se abraçaram. — É claro que eu aceito ser madrinha! Quem mais sabe disso?
– Só Harry, e agora você. Contarei para todos num almoço lá em casa no sábado, que você vai estar com certeza. Leva teu loiro gostoso também. — Hermione revirou os olhos. Parece que aquele seria o mais novo apelido de Draco entre elas.
– Harry deve estar pulando de alegria não?
– Ah, ele ficou tão feliz quando soube! Quem não gostou muito da ideia foi James, você sabe como ele é ciumento, mas ele logo se acostuma com a ideia.
– Estou tão feliz por você amiga! — As duas se abraçaram novamente.
***
Draco saiu da casa de Hermione pensando em apenas uma coisa: na pilha de relatórios que estava em cima de sua mesa no escritório. Bufou mas seguiu seu caminho até lá.
Entrou em sua sala e sentou-se na antiga cadeira do pai. Vagueou o olhar pela sala até ele pousar sobre a gaveta trancada. Aquela gaveta devia ter algo importante para estar trancada e isso só atiçava ainda mais sua curiosidade. Tentou se concentrar na papelada até o fim do expediente.
17:00 marcava o relógio em cima da mesa. Fim do expediente. Draco pegou suas coisas e deixou o escritório. A maioria das pessoas também já saiam da empresa. Draco despediu-se de alguns conhecidos e desceu até a recepção.
– Tchau Sr. Malfoy. — A recepcionista oferecida o cumprimentou e ele apenas assentiu com a cabeça e saiu do prédio.
Entrou no carro e dirigiu sem parar até a casa de Blás. Tocou a campainha e o próprio amigo o atendeu.
– E aí cara? — Draco entrou e sentou no sofá da sala.
– Estou acabado. Estou atolado em trabalho, mas não quero falar disso.
– E sobre o que quer falar?
– Pansy Parkinson voltou.
Blás arregalou os olhos e sentou no sofá de frente para ele.
– Cara, como assim? — Ele perguntou aflito.
– Ela teve a cara-de-pau de aparecer na minha casa. Disse que estava disposta a voltar para mim. — Falou entredentes.
– O que você fez?
– A coloquei para fora, lógico.
– Ela ainda mexe com você não é? — Draco não respondeu. Não sabia o que responder. — Você precisa se livrar desse sentimento que tem por ela, seja ele qual for. Precisa se desligar dessa mulher de qualquer jeito.
Draco sabia que ele estava certo mas não sabia o que fazer.
– Hermione sabe do acontecido? — Blás perguntou calmamente.
– Em partes, sim. Posso ter mencionado o assunto alguma vez, mas sem detalhes.
– Devia contar para ela. Você sabe que se a Pansy está de volta, fará de tudo para ter você. Quando ela descobrir sobre a Hermione eu não quero nem pensar no que ela seria capaz de fazer.
– O que quer dizer com isso?
– Quero dizer que ela joga sujo quando quer alguma coisa, sempre foi assim. Você nunca percebeu isso mas eu percebia. Você estava cego por ela Draco, não enxergava um palmo a frente do seu próprio nariz.
– Isso não é verdade. — Draco reclamou. Apesar de tudo, se recusava a acreditar nisso.
– Pelo visto ainda não enxerga.
– Ela não é assim.
– Eu simplesmente não consigo acreditar que você está defendendo essa mulher depois de tudo que ela te fez passar. Você é mesmo inacreditável, merece um Troféu Imbecilidade.
– Não estou defendendo ninguém. — Ele retrucou feito uma criança.
– Tá, você sabe o que faz. — Ele falou em tom de quem encerra a conversa.
Depois de algum tempo de silêncio, Blás se levantou e pegou um copo de suco que estava na mesa.
– Suco? — Draco perguntou estranhando. — Desde quando bebe suco?
– Desde quando Astoria me fez prometer parar de beber uísque.
Draco riu. Blás puxou uma garrafinha do bolso da calça e despejou dentro do copo de suco.
– Mas um pouco de vodca não faz mal a ninguém.
Os dois riram.
– Você não muda nunca né? Fez o que Hermione te disse? — Blás assentiu.
– Foi assim que consegui fazer ela me aceitar de volta. Lógico que ela impôs suas regras e eu concordei prontamente com a maioria delas, por hora. Mas estamos bem. E você e Hermione?
– Nos vimos hoje cedo, ela me convidou para almoçar em sua casa.
– Quando vai pedi-la em namoro?
– Não acho que ainda seja a hora. Nos conhecemos a pouco tempo, não sei muitas coisas sobre ela.
– E mesmo assim ela anda sempre presente quando você precisa. É Draco, você devia mesmo ganhar o Troféu Imbecilidade.
– Apenas me deixe em paz.
– Como queira.
**
Mais tarde, já em casa, depois do jantar com sua mãe, trancou-se no quarto. Seus pensamentos estavam longe de serem tranquilos. As coisas que Blás havia falado não fazia tanto sentido, mas seu amigo não falaria aquilo se não soubesse ser verdade.
Draco esbarrou na mesa de cabeceira e derrubou o abajur. Praguejou quando viu o mesmo estilhaçar no chão. Abaixou-se para apanhar o que havia sobrado do abajur e bateu com a cabeça na gaveta semi-aberta da mesa. Foi então que se lembrou da gaveta trancada no escritório de seu pai.
Largou os cacos do abajur no mesmo lugar e saiu em disparada para o quarto dos pais. Sua mãe não dormia mais lá, tinha decorado o quarto de hóspedes inteiro para ser seu novo quarto. Não fazia ideia de onde começar a procurar e muito menos se iria achar.
Pegou o molho de chaves de Lúcio mas não tinha nenhuma chave incomum, apenas as chaves de casa. Abriu todas as gavetas do quarto mas não encontrou nem sombra de chave alguma. Mexeu nos ternos caros e vasculhou os bolsos. Nada. Não tinha mais onde procurar então desistiu. Daria um jeito de abrir aquela gaveta com ou sem chave.
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