Dramione - Heart Attack {Hiatus}
25 O fio de esperança
Notas iniciais
–O que faz aqui? – Draco murmurou confuso
–Vim conversar com você, Draco Malfoy. É importante.
–Eu não tenho mais assuntos a tratar com você.
–Jura mesmo? Jura que vai deixar seus sonhos ir por água abaixo? Vai destruir uma carreira que nem começou e tem chances de prosperar? Em lugar disse prefere virar um rato? Beber, se drogar, transar com mulheres diferentes, e voltar para casa assim, 03h32min da madrugada? – Ele fez uma pausa — Eu vim para falar e você vai me ouvir. – Harry disse com a voz firme e o tom duro, apesar de ser bem menor do que o loiro, ele se impôs e não deixou que a altura o ameaçasse.
–Vocês podem usar o escritório, Potter. Irei mandar Sascha levar um café forte e sem açúcar para Draco junto com uma poção anti-ressaca, e uma xícara de chá com bolinhos para você – Narcisa disse. Ao mesmo tempo em que aquela mulher usava um tom forte, às vezes sonserino, uma voz importante, ela conseguia ser amável em uma simples frase. Era coisa que só mãe entendia.
Narcisa Malfoy apresentava sinais da idade, algumas pequenas rugas, e outras coisas. Mas quase imperceptíveis. Ela era bonita, exalava elegância e charme, coisa que todo Malfoy apresentava. E em meio de toda essa postura e imagem, estava uma mulher sofrida, arrependida, usava feitiços para disfarçar as olheiras, e escondia o tom cansado. Ela ainda tinha pesadelos, horríveis pesadelos. Mas acima de tudo, ela era boa. Era uma boa mãe, uma boa esposa, uma mulher guerreira. Que teve a infelicidade de se casar com o homem errado.
–Não precisa se preocupar, senhora Malfoy – Harry disse com um sorriso.
–Claro que não querido, você está esperando o Draco de madrugada, claro que devo lhe oferecer um pouco de hospitalidade – Ela piscou para ele e foi na cozinha chamar a elfo, Sascha.
–Me mostre o caminho – Harry voltou a usar o tom duro, e seguiu o Malfoy pela sala, este tropeçou nos degraus da escada e caiu.
Cairia na verdade, se não fosse pela a ajuda do Harry, ele pegou ele, passou-lhe os braços pelos ombros, e subiu.
–Eu.. eu não preciso da sua ajuda – Draco tentou usar o tom arrogante e falhou.
–Claro que não – Harry revirou os olhos enquanto subia o último degrau.
Draco então ficou calado, essa atitude foi uma grande prova de amizade, companheirismo. E claro que essa amizade teria muitos altos e baixos, mas muito carinho, atenção e cuidado. Harry e Draco, acredite ou não, no futuro vão virar grandes amigos, amigos que se zoam, brincam, se batem, criticam, humilham é claro. Mas uma verdadeira amizade.
Harry resolveu brincar um pouco com o loiro, e sentou-se na cadeira principal, ouvindo um “ei” em resposta, ele apenas fingiu um olhar duro e o loiro sentou-se calado na cadeira de frente para a mesa.
Sascha bateu segundos depois, Harry pegou a bandeja e agradeceu, a elfo nem pareceu surpreendida, sinal de que era bem cuidada na mansão. Abriu um lindo sorriso desdentado para Harry e um sorriso confortante para Draco.
Harry forçou o loiro beber a poção, o resultado não era 100% de melhora garantida, mas os olhos do Malfoy pareceu se focar, e a expressão melhorar um pouco, ele bebeu o café preto amargo, soltou uma exclamação de nojo, mas melhorou bastante. Na bandeja também havia aspirinas, Sascha se adiantara, já que sabia que dali a duas horas Malfoy urraria de dor de cabeça. Harry pegou o chá com um sorriso satisfeito, e colocou para dentro um bolinho.
–O que veio falar comigo? – Draco perguntou em um tom que beirava à humildade.
–Você é culpado – Harry disse com a maior naturalidade e Draco levantou os olhos confuso – Você é culpado por todo esse sofrimento – O loiro baixou o olhar marejado, é claro que uma simples frase trazia lembranças horríveis – Mas eu não vim lhe julgar, eu já errei muito. E eu sei que você está arrependido, sei também que teve os seus motivos, sei que amava ela. Sei de tudo isso e vim lhe oferecer um ombro amigo. Você errou, e perdeu ela, aceite isso. – Draco estava com a boca aberta e um olhar surpreso – Você, Draco Malfoy, precisa de uma nova chance de viver – Harry pousou a xícara vazia na mesa e apoiou os cotovelos na mês, jogando outro bolinho na boca.
–Usar drogas, beber, acha que isso é vida? Isso é uma anestesia, assim que ela passar, a dor vai continuar ali. Tem de aprender a conviver com a dor. Infelizmente, a dor precisa ser sentida. Tem que ser um homem de verdade. –Os olhos de Draco estavam melancólicos e entristecidos. – Eu estou aqui, porque encontrei uma clínica de reabilitação – Os olhos de Draco agora se encheram de fúria.
–VOCÊ VEM À MINHA CASA PARA ME CHAMAR DE LOUCO? PONHA-SE PRA FORA IMEDITAMENTE. – Mas Harry continuou com a expressão cansada e entediada.
–Sente sua bunda loira agora, larguei de sair com a minha namorada para vir falar com você, me respeite e cale a boca! –Harry se ajeitou na cadeira – Como eu estava dizendo antes, essa clínica é realmente boa, procurei saber dela. Seu tratamento incluiria seis meses de monitoração, atividades físicas, remédios controlados, lazer, e é claro, terapia em grupo. – Draco ia se opor novamente quando Harry levantou a mão de forma brusca – Após esses seis meses, se você apresentar melhora, eu faço um teste de auror com você, caso for bem, o que eu sei que vai acontecer, você terá o emprego dos seus sonhos, essa sua vida miserável irá mudar, você fará sua mãe feliz, terá um amigo de verdade do seu lado. Você só tem a lucrar, Draco.
–Do que adianta? Quando Hermione foi embora pensando que eu sou um monstro, levou com ela toda a felicidade que havia em mim.
–Mulheres são como dementadores, meu caro, eu sei. Quando eu tive de deixar Gina por causa da guerra, eu quase morri. Ficava vigiando ela pelo mapa do Maroto, e tentava a qualquer custo receber notícias dela – O moreno lançou um olhar compreensivo para o loiro.
–Mas ela continuou te amando, segundo a sua própria namorada, Hermione arranjou outro cara para amar.
–Quem disse que é um homem? – Harry mantinha um sorriso divertido nos lábios.
–Ela... ela virou lésbica? – Draco arregalou os olhos assustados.
–Não homem de Merlin! Estou dizendo que a Hermione teve sim outros lances – E até engravidou de um, Harry completou mentalmente, mas escondeu a informação do loiro. Suspeitava que Esther, a garotinha que logo nasceria, era filha do Malfoy, mas Hermione negou essa informação com muita certeza. – Mas nenhum deles a deixou tão marcada quanto você. O jeito que ela te amou, ela não amaria mais ninguém. Não é esse tipo de amor que Gina estava falando. Na verdade ela começou a amar muita coisa lá, o emprego, a casa, enfim, consequentemente vai amar outras pessoas, mas não é o amor que uma mulher sente por um homem.
E foi esse fio de esperança em que Draco agarrou, ele lutaria com unhas e dentes se significasse ter Hermione de volta.
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