Notas iniciais
Penúltimo Capítulo ;/

Pov. Draco.

—Vocês são algum tipo de grupo de homossexual novo? Perguntou o taxista quando paramos em frente e a Pub Strip Zoo Man.

Estupefaça, Crucio ou Avada? Perguntei-me mentalmente.

Se não bastasse o constrangimento de quinze homens, em quatro táxis diferentes, pararem ao mesmo tempo na frente de um bar de Strip-Tease destinado para o público feminino, porque Theodore Nott não sabia exatamente onde devíamos aparatar e não podíamos aparatar todo mundo junto, e ainda o desgraçado do motorista ainda tenta ser engraçadinho.

Antes que eu o mandasse para o beleleú, Harry foi muito mais rápido e apenas entregou o dinheiro para o motorista enquanto saltávamos do taxi.

—Caramba, perto do de onde nós estávamos esse aqui é bem mais luxuoso, aposto que deve ter alguns quartos aqui ou as famosas orgias. – Falou Carlinhos.

—Eu só queria saber o que vocês estão fazendo aqui? – perguntei com os dentes trincados – Nem comprometidos vocês são, a não ser é claro que vocês gostem de ver homens pelados dançando.

—E perder o mico que vocês vão pagar? – respondeu Carlinhos jogando os braços nos meus ombros e no de Harry – Eu não perderia isso por nada na vida, ainda mais que minha irmã caçula grávida está aí dentro com alguns saradões, vai que eles estão se masturbando nos peitos dela? Eu tenho que ajudar meu cunhado.

Dessa vez fui eu que segurei Harry para ele não partir para cima de Carlinhos, tudo que não precisávamos naquele momento era o Ministro da Magia estampado na primeira página do Profeta Diário por espancar o cunhado na frente de um bar de Strip-tease.

Eu já passei por alguns muitos momentos vergonhosos na minha vida depois que eu reencontrei Mione. O mico do ciúme, explicar para Sophia e Enzo sobre uma tal asiática ou até mesmo querer bater num menino de oito anos...

Mas se eu pudesse definir o momento mais vergonhoso na minha vida, este estaria no topo máximo.

Os seguranças do local pareciam um bando de guarda roupas ambulantes, o troglodita do Rafael era pequeno perto deles e pior, eles nos olharam com o mesmo olhar que os taxistas nos olharam.

—Esse é realmente um bar com homens pelados? – Percy perguntou para um dos seguranças.

Qual é o problema dele?

—Sim senhora, acho que vão se divertir bastante aí dentro. Debochou o segurança.

—Não é senhora, é senhor. Percy Weasley, prazer em conhecer. – ele estendeu a mão para o segurança que não retribuiu – Eu não me surpreendo não conhecer meu sobrenome, principalmente vocês trouxas.

—Você chamou a gente de que?

Era o que faltava agora! O segurança pegou Percy pelo colarinho da camisa e o encostou na parede começando um reboliço.

—Ei amigo, não ligue para ele – Rafael interviu – Ele não regula muito bem.

—Os trouxas tem maneira diferente de duelo...

—Da para calar a boca, Percy? – pelo amor de Deus! Eu havia me esquecido que de todos os Weasley ele era o que tinha o menor contato com o mundo trouxa. O que tinham na cabeça de convidar Percy para minha despedida de solteiro? – Ele bebeu algumas bebidas em outro bar e não está acostumado com isso, acho que ele ainda não tomou o remédio dele ainda.

—Além de bicha, é maluca? – o segurança perguntou com raiva o jogando no chão. – Se o grupinho de vocês veio caçar confusão, vão caçar outro lugar.

—Não vai acontecer de novo, vamos controlar ele, dá um desconto...

—Vocês não estão entendendo esquisitos, aqui vocês não entram. – Interviu o outro segurança.

Os quatro seguranças da porta fizeram uma linha bloqueando nossa entrada, mesmo Rafael tentando conversar com ele, estavam irredutíveis. Não queriam nos deixar entrar por nada que fosse mais sagrado e muito menos chamarem as garotas que estavam lá dentro.

—E agora? – Perguntei me virando para os outros depois de tentar argumentar com o chefe de segurança.

—Podemos gritar elas. –Sugeriu Jorge.

—Isso aqui ia virar um bagunça, temos que tentar outra coisa. Aconselhou Hugo.

Theo estava encolhido num canto sem pronunciar nenhuma palavra enquanto Carlinhos fazia alguns comentários irônicos com Rafael, que apesar de tentar ajudar, estava adorando a situação.

—Acho melhor vocês se apressarem – Carlinhos falou segurando uma espécie de panfleto – Já viu o itinerário da noite? Daqui a pouco tem o show principal onde as mulheres participam. Vai que uma das de vocês bebeu demais? Eu não queria perder a oportunidade de ver isso.

Rápido demais Harry apontou a varinha para varinha para Carlinhos.

—Travalingua.

Carlinhos se sufocou por alguns segundo e depois tentou falar, mas a língua dele estava colada no céu da boca. Sem dar tempo de sabermos o que aconteceu com o poço de paciência chamado Harry Potter, ele caminhou até os seguranças com a mão dentro do casaco, escondendo a varinha, e apontou para os quatro de uma só fez de um jeito que ninguém, a não ser nós, conseguiu ver.

—Confundus!

Os homens ficaram todos com sorrisos bobos na cara e balançando a cabeça como se fossem bonecos de postos de gasolina.

—Vamos. Mandou Harry.

—O que você acabou de fazer? Perguntou Rony espantado.

—Resolvendo nossa situação.

—Você é maluco? – sorriu Walisson, mas ao ver a cara de Harry desfez o sorriso – Desculpe Ministro.

—Desculpa uma ova – gargalhou Jorge – Não é todo dia que vê o Ministro desrespeitar as regras.

—Como você disse eu sou o Ministro – Harry respondeu ríspido – Quer reclamar de alguma coisa?

Rony, Jorge e Walisson ergueram as mãos em sinal de rendição de uma só vez.

O primeiro a entrar na boate foi Harry, seguido de Blás e eu logo atrás. O som do lugar tocando uma música eletrônica alta invadiu nossos ouvidos assim que entramos nos corredores, Carlinhos ainda resmungava alguma coisa atrás e Percy era mantido sobre a vigilância de Walisson e Jeovane.

As luzes quase me cegaram quando chegamos ao lugar certo. Para onde você olhava você via homens apenas de cueca e algum outro acessório segurando uma bandeja. Nos palcos espalhados pelos lugares, homens dançavam uns fantasiados outros...

—Esses caras estão mesmo pelados? Perguntou Percy finalmente deixando a ficha cair.

Havia vários palcos nos locais, alguns iniciando a apresentação, outros já quase finalizando dançando pelados. As luzes rosas e vermelhas chocavam com as paredes e nos deixavam confusos, mulheres riam alto com alguns homens que não fazia parte da boate, mas que gostavam daquele estilo de vida, enquanto jogavam dinheiro no palco e cobiçavam os dançarinos.

—Onde nós estávamos parecia o céu perto daqui. Comentou Rony.

E ele estava certo. Onde nós estávamos, não podíamos encostar nas mulheres que dançavam nos palcos, aqui não. As mulheres davam tapas nas bundas dos homens, passavam a mão pela barriga deles e eu juro que vi uma apertando o saco de um homem perto de onde estávamos.

O lugar era grande demais, a diferença só em luxuosidade com o que estávamos já era grande. Blás estava com os olhos arregalados e assustados assim como boa parte dos homens casados e comprometidos. Walisson estava num nível de cor verde muito estranho entre assustado e enjoado e Simas já estava mais do que vermelho, ambos comprometidos, mas não casados.

Harry ainda estava paralisado, o menino que sobreviveu ainda não tinha decidido o que fazer e eu... Bom, eu não sabia o que fazer ou o que falar, ou nem mesmo o pensar. Custava acreditar que minha futura esposa estava ali...

—Precisamos procurar por elas. Falei suspirando fundo.

Cabeças concordaram comigo e varremos o lugar apenas com os olhos a procura de algum sinal delas.

—No palco do canto de lá. – Encontrou Jeovane que era o mais alto.

Nem fui eu que tomei a dianteira, foi Blás que estava tão desesperado que saiu aos tropeços para onde Jeovane apontou. Atravessar o lugar foi difícil quando se tem um monte de homens pelados querendo se esfregar em você.

Por você Hermione. Pensei segurando a respiração para não sentir o perfume barato daqueles homens imbecis e nojentos. Apenas por você.

—Mãe?

O choque que eu tive me fez parar de uma vez e pelos menos três dos caras atrás esbarrar em mim. Minha mãe estava com uma taça de champanhe na mão e enfiando uma nota de cem libras na última peça de um cara que antigamente deveria estar vestido de policial.

—Susana Bones...

Tirando do meu choque, Blás avançou para onde a mulher dele dançava com um enfermeiro. Nem vou falar a ironia já que ela esta gravida. Blás foi feito um raio, esbarrando num dos garçons fazendo as taças subirem tudo de uma vez e molhar Hugo, Gui e Theo. Para completar ele mesmo acabou escorregando e caindo de cara nos peitos de uma senhora que apreciava o show no palco ao lado.

—Blásio Zabini, tire já sua cara daí! Gritou Susana.

A confusão começou a rolar solta. Hugo, ainda molhado, arrastou Adriana para o canto que nem estava dando muito moral para a raiva do marido. Percy havia atingido um nível de ciúmes estranho por finalmente deixar a ficha cair sobre o que estava acontecendo. Jorge e Angelina discutiam, eu acho, porque vai saber o que tem na cabeça daquele casal que mais ria do que falava. Walisson e Jessica estavam se beijando assim como Aline e Simas, vai entender também esses casais!

Harry ainda estava em estado de choque olhando para Gina sem falar nada, a ruiva estava soltando fogo gritando com ele que só tinha um sorriso estranho do rosto. Será que eu fiquei tão patético assim quando soube que ia ser pai de novo?

Esquecendo o resto voltei o olhar para onde Neville estava com Luna, bem mais tranquilo agora, perto de onde Mione e minha mãe estavam ignorando completamente a confusão que acontecia ao redor.

—Mãe... O que a senhora está fazendo aqui? – Perguntei sem desviar o olhar de Mione, que sorria, na maior inocência.

—O que você achar que estou fazendo? Riu minha mãe.

O som do riso dela me fez olha-la. Minha mãe estava animadinha demais, o cara ainda dançava para ela que colocou outra nota na cueca dele e começou junto com Adriana, cujo marido ainda discutia sozinho, Lilá e Angelina a pedir para ele tirar a cueca... E ele tirou, minha mãe vibrou e jogou mais uma nota para ele... Estremeci até a alma vendo essa cena.

—Eu vou precisar de terapia para esquecer isso.

—Eu ainda estou atendendo, se quiser marcamos um horário. – Falou minha ex terapeuta.

Quanto que essas mulheres beberam? Merlin do céu!

Voltei o olhar para Mione que apenas sorria satisfeita com a situação. Merda! Ela realmente estava linda.

—Se vocês não se sentarem, vão ser obrigados a se retirar. – Falou dois grandes seguranças.

—Já estamos de saída. Respondi me virando para vê-lo.

—Estamos de saída o cacete! – gritou Gina – Se vocês quiserem ir embora, podem ir. Nós vamos ficar.

—Será que pode dar um jeito na sua mulher, Potter? – Pediu Blás, que adivinha? Ainda discutia com Susana.

Harry até tentou. Apenas tentou. Mas não deu certo. Os seguranças saíram, mas a confusão continuou

As mulheres se uniram quase numa gincana de um lado enquanto os homens ainda estavam no outro. Jeovane e Natalia já haviam sumido para casa, provavelmente. Jessica e Walisson, assim como Simas e Aline ainda se beijavam, mas o resto ainda brigavam cada um de lado. O lugar parecia um inferno e eu só descobri porque os seguranças não chegavam perto de novo da confusão quando olhei para Theo, Carlinhos e Rafael sentados em cima do palco.

Todos os três estavam com mulheres que, quando chegamos, estavam assistindo as apresentações em outros palcos. Cada segurança que aparecia, eles riam feito hienas e impediam de penetrar a confusão. Até Luna discutia, e não era com Neville, era com Rony que pela primeira vez na vida parecia estar com ciúmes de Lilá, que se deliciava com a situação, enquanto Luna dizia para Rony o quanto ele era machista.

Vi Mione com a minha mãe perto do palco quando o cara que estava totalmente pelado se aproximou dela. Meu sangue ferveu. O dançarino exorcista parecia alheio a toda confusão, outras mulheres rodeavam o palco enquanto eu ainda podia ouvir as discussões dos nossos amigos, agora sim aquele lugar parecia o inferno.

O dançarino se abaixou perto de Mione e segurou a mão dela deslizando-a por sua barriga de uma forma nojenta. Os olhos de Mione brilharam e um sorriso debochado se formou nos lábios dela quando olhou para mim e atingi um nível estranho de vermelho, tudo que eu podia ver era essa cor.

Marchei em direção ao palco empurrando quem quer que fosse. O dançarino segurou nas mãos da minha mulher e para leva-la a uma cadeira no meio do palco, mas ele não teve muito tempo. Meu punho se fechou tão rápido e o soquei com tanta força que tudo ficou mais vermelho ainda quando os gritos das mulheres ecoaram nos meus ouvidos.

O soquei de novo e de novo, sem me lembrar que o cara estava pelado – outro momento que eu ia me envergonhar pelo resto da minha vida – ele até tentou revidar, mas eu não dei espaço.

—Sai da Draco – Pediu Mione puxando meu tornozelo –Larga ele...

Só parei de socar o peladão, quando Rafael e Theo me tiraram de cima dele.

—Você. Fica longe de mim... Avisei a Theo.

Ele ergueu as mãos rindo e me desvencilhei dos braços de Rafael. As mãos de Mione substituíram a dele ao redor do meu braço enquanto ela me arrastava. Eu ainda ouvia os gritos histéricos de Susana discutindo com Blás, a voz zangada de Gina, as risadinhas de Lilá, as gaitada de Adriana, minha mãe de uma forma que nunca pensei e a voz de Mione falando alguma coisa enquanto me arrastava para algum lugar que eu realmente não sabia onde era.

Atravessamos a boate e entramos nos banheiros laterais, ela berrou alguma coisa que fez as mulheres sair e usou a varinha para fazer alguns feitiços e trancar a porta do banheiro e evitar que fossemos interrompidos.

—Posso saber o que você está fazendo aqui? – Ela perguntou levando as mãos a cintura, mas para a minha surpresa, não estava brava. Sua voz soou calma e quase, quase, me acalmou.

—Eu te pergunto o mesmo, Hermione? O que raios você está fazendo numa boate como essa? O que você tinha na cabeça quando aceitou um absurdo desse?

— É uma despedida de solteiro, Draco. O que você queria que fizéssemos. Não tinha a necessidade de invadirem nossa festa, não estávamos fazendo nada demais.

Aquelas palavras me fizeram explodir. Na verdade eu nem sei o que falei direito, apenas soltei o verbo falando tudo que eu sentia e a raiva que senti no momento que eu soube que ela estava aqui, tudo que aconteceu onde estávamos até chegarmos naquele maldito bar de Strip-tease. Falei de como aquela noite era a mais vergonhosa da minha existência e que tive que engolir piadinhas de um taxista que merecia pelo menos um Crucio.

—... Sem falar na minha mãe! Eu vou fechar meus olhos todos os dias e ver minha mãe enfiando dinheiro na cueca de um cara, Hermione! – continuei aos berros – Minha mãe é uma mulher séria e toda cheia de classe, e ela estava bêbeda! Bêbada e pedindo para um homem tirar a cueca... E ele tirou! Não posso nem fazer terapia, minha terapeuta também estava pedindo para o cara tirar a cueca. E aquele cara pelado tentando encostar em você? E se eu não estivesse aqui? Ele ia se esfregar em você? Só de pensar em outro homem te tocando já me dá vontade de voltar lá e quebrar as mãos dele e todo o resto...

Os sons da risada dela me fizeram parar e encara-la incrédulo. Não tinha porra de graça nenhuma ali. O que ela estava fazendo? Rindo daquele jeito da minha cara, a situação era grave.

—Não sei onde você está achando graça. – Falei alto levantando as mãos para cima.

—Espera só um pouco... – ela falou ainda rindo colocando a mão no rosto para escondê-lo enquanto ainda ria – O Percy falou mesmo que Penélope nunca tinha manifestado curiosidade de ver outras mulheres peladas?

—É sério que de tudo que eu falei essa é a parte que você realmente quer comentar?

Novamente ela desatou a rir, levantando uma mão para eu esperar mais um pouco. Mas eu não estava nos meus melhores dias, quer dizer, noites.

—Vamos embora daqui! – Chamei com raiva.

—Draco... Só um segundo – ela esperou um pouco respirando fundo, mas ainda tinha resquícios de um sorriso nos seus lábios – Vocês realmente não precisavam ter vindo até aqui.

—E você queria que eu fizesse o que? Vamos nos casar em cerca de... – olhei no relógio, já era uma da manhã – Dezessete horas. Vamos casar em dezessete horas e minha futura mulher estava num bar com um monte de homens pelados.

—E o meu futuro marido estava num bar cheio de mulheres peladas. Mas você não me viu reunindo as mulheres e indo onde vocês estavam para fazer um escarcéu, ou viram?

Minha boca fez uma linha reta.

—É diferente. Falei firme.

—Diferente como?

Merda! Eu realmente não sabia como era diferente.

—A gente não ia comer elas.

—E a gente não ia dar para eles – ela respondeu sorrindo paciente. Droga! Me senti um idiota – Olhar não arranca pedaço, é apenas uma despedida, acontece uma vez na vida ou quando nossa próxima amiga solteira se casar...

—Nem brinca com isso, você nunca mais vai pisar num lugar como esse.

—Você está sendo machista, amor. Você só está nervoso.

—Eu não estou nervoso, eu estou furioso!

—Só porque eu e as meninas viemos para cá? Você realmente acha que eu ia te trair aqui, Draco? Ela perguntou ficando séria.

—Claro que não! – respondi sincero – Eu confio em você, só não confio neles. Por Merlin, Mione! Você está tão bonita, não consigo parar de pensar que aqueles tarados vão ficar olhando para você.

—Aqui funciona ao contrário – ela sorriu – A gente que olha para eles...

—Não começa. Você não me ajuda muito com essas gracinhas suas.

Passei a mão pelo cabelo frustrado, merda, eu nem conseguia ficar com raiva dela.

—Desculpa estragar sua noite. – fechei os olhos e encostei a cabeça na parede fria do banheiro.

—Não acho que você estragou, acho que foi uma das noites mais divertidas da minha vida – senti ela se aproximar de mim e espalmar a mão sobre meu peito – No fundo eu gostei de ver você antes do casamento, contando que íamos nos ver somente lá... E é claro, ver a cara de Blás nos peitos daquela coroa também foi hilário.

Um sorriso se formou nos cantos dos meus lábios e ela o tocou com a outra mão livre. Abri os olhos e encontrei seus olhos me encarando com seu sorriso mais lindo. Merlin, eu amava aquela mulher com todas as minhas forças. No final de tudo, nada mais importava.

Não importava vergonha, não importava a raiva, nem que os nós dos meus dedos estivessem doloridos... Era apenas aquele sorriso que importava no final das contas.

—Eu te amo tanto. Falei segurando seu rosto.

—Ei! Eu também te amo.

Nossos lábios se encontraram de forma gentil, sentindo a textura, a maciez e por mais que eu tivesse os beijado muito nesse último ano, era sempre como se meu coração fosse explodir. Aquela era a mulher da minha vida, a mãe dos meus quatro filhos!

—Acho que precisamos apartar as coisas, eles vão acabar se matando lá fora. Ela disse quando interrompemos nosso beijo.

Apenas afirmei com a cabeça lhe dando mais alguns selinhos. Por mais que eu quisesse continuar naquele banheiro só com ela, sabendo que eu só a veria daqui dezessete horas, ainda tínhamos uma confusão para apartar e resolver as coisas.

—Ainda vou poder te esperar no altar mais tarde? Perguntei.

—É o mínimo que eu espero seu bobo.

—Então eu te esperarei.

Pov. Mione

A mansão Granger Malfoy estava lotada uma verdadeira zona de pessoas subindo e descendo todos os andares organizando o evento que aconteceria em pouco menos de uma hora e meia. Nosso lar não estava mais vazio, estava mobiliado. Do jeito que a gente queria.

Havíamos dedicado tempo ali, Draco havia dedicado o raro tempo para que junto com as crianças decorássemos cada canto da nossa casa, a que viveríamos o resto da nossa vida. Aonde íamos nos casar, onde Sophia e Enzo iriam passar o resto de suas adolescências e onde nossos bebês iam crescer e viver.

Apesar da noite conturbada da despedida de solteiro que deu tão errado quanto certo, eu ainda sim havia conseguido dormir mais do que o normal. Graças aos meus hormônios, é claro.

Não tinha sido fácil organizar tudo naquele fuzuê que se estabeleceu, era muito casal brigando e se amando. Mas estávamos todos ali, não estávamos? Dentro de tão pouco tempo eu não seria apenas Hermione Granger, eu seria Hermione Malfoy... Uau. Isso era um pouco assustador para falar a verdade.

Eu já havia sido uma Malfoy, tecnicamente falando. Eu já tinha sido casada com Draco durante um tempo, já tinha assinado como Malfoy apesar de ter usado o Granger durante todo nosso casamento de mentirinha... Mas agora parecia tão assustador. Como se não pudesse ser real. Eu não conseguia acreditar que no final de tudo, eu realmente seria dele. Por era isso que eu era, não era?

Eu era inteiramente dele. Eu havia me tornado completamente de Draco.

E eu o amava.

Mais do que pensei ser possível uma mulher amar um homem.

E o engraçado de tudo isso, era que eu sentia que era amada igualmente. Eu amava aquela doninha irritante. Eu amava o quanto ele era fodidamente bonito, o modo como ele mesmo depois de um ataque ou furacão continuava com o ar sexy. Ele era o único cara que eu conhecia, e olha que eu conheci bastantes homens em minhas aventuras, que independente de qualquer coisa ou situação conseguia ficar irresistivelmente bonito.

Sim, não tinha explicação. Eu o amava, muito.

Amava seu cabelo loiro, seus olhos cinzentos, amava quando ele pretencioso. Amava quando ele era arrogante e usava aquele arzinho superior para me irritar, o modo como ele cuidava de Sophia e Enzo, o modo como ele me olhava me fazendo sentir o centro do seu universo e eu me sentia realmente assim toda vez que eu olhava para aquele homem absurdamente sexy.

...E eu ia me casar com ele...

Sinceramente meu estômago se revirou com aquele novo status, com essa nova fase. Não que eu me sentia insegura em relação a isso, eu o queria para sempre comigo e sabia que mais cedo ou mais tarde isso ia acabar acontecendo. Mais cedo ou mais tarde íamos nos casar afinal de contas, como dizia Jorge, já tínhamos quatro filhos não é mesmo? Tínhamos passado a carroça literalmente na frente dos bois, não fazia mais diferença agora.

Só que ainda sim eu sentia aquele friozinho na barriga enquanto minhas três madrinhas deslizavam o vestido em mim, enquanto o a costureira me elogiava por não aumentar muitos minhas medidas mesmo estando grávida e Sophia tagarelava com as avós, sendo que uma delas ainda estava de ressaca.

Não parecia real. Tínhamos enfrentado tanta coisa para estarmos ali, que eu tinha a impressão de que a qualquer momento Melgaço sairia do túmulo e gritaria que era pegadinha.

Só que não era.

Respirei fundo e olhei no espelho para ver meu reflexo pela primeira vez naquela noite.

—Você está parecendo uma princesa mamãe – Soou as palavras doces de Sophia.

E eu realmente estava. Eu estava linda!

O vestido branco tomara que caia com várias camadas me deixavam como uma princesa. O corpete do vestido havia erguido meus seios e afinado minha cintura sem ficar muito apertado, na verdade era mais apenas para destaca-la.

Meu cabelo estava cacheado e jogado apenas para meu lado direito deixando a mostra a minha tatuagem do infinito de Enzo e Sophia que eu me orgulhava de ter feito, assim como eles orgulhavam em ver. O prendedor de esmeraldas que segurava o cabelo para o lado era presente do meu pai, havia me emocionado muito com esse presente dele, minha mãe havia usado no casamento dela e isso me deixou muito feliz.

Mas o que eu mais gostava de tudo aquilo era o colar. O colar que Draco havia me dado, melhor, mandado Gina me entregar. Era o mesmo de pérolas que ele havia me presenteado no Natal e que eu havia perdido no dia que fui sequestrada no hotel. Aquilo para mim tinha sido mais um prova do seu amor, ter guardado ele durante todo esse tempo.

—Você é noiva mais linda que já vi Mione – emocionou-se Gina e todos nós olhamos para as lágrimas dela – Não liguem para mim, são os hormônios.

Nos unimos a ela a sua risada. Minhas escolhas de madrinhas eram até obvias levando em conta quesito amizade. Gina e Luna eram minhas amigas mais antigas, minhas primeiras amigas mulheres de verdade que não eram Harry ou Rony, e Adriana era minha companheira de aventuras, não era minha amiga a tanto tempo como as duas, mas por anos havia sido ela que me acompanhou algum tempo e que me fez conhecer Rafael. Elas eram perfeitas e Draco não fez a menor objeção, assim Harry e Rony eram nossos padrinhos, junto com Blás que era o parceiro de Adriana.

Conforme os minutos iam passando e as pessoas iam saindo do meu quarto para irem para o local do casamento, o frio na minha barriga ia aumentando, a ansiedade tomando conta do meu corpo e até a antecipação da Lua de Mel me faziam ficar mais nervosa. Frases como “fica calma” e “é normal” me dava vontade de arrancar a língua de quem às falavam.

Como eu ia ficar calma? Caramba, eu estava na beira de um ataque de nervos.

—Acho que já podemos descer, Draco já está esperando há quase meia hora. Informou Gina.

—O que? – perguntei exasperada – Por que não me avisaram que ele já estava lá? Eu já teria descido para acabar logo com isso.

As três riram.

—Atraso faz parte. Divertiu-se Gina.

Podia fazer, mas não para mim. Eu já tinha esperado demais...

Pov. Draco.

—Que horas são?

—Quarenta segundos desde a última vez que você perguntou. Respondeu-me Rony entediado.

Fechei a cara para ele e voltei a andar de um lado para o outro no altar. Pessoas conversavam por todas as fileiras de cadeiras, algumas olhavam para mim como se eu fosse um animalzinho de zoológico que as divertiam. Ridículos.

Assim como o meu mau humor.

Ela estava atrasada trinta e dois minutos e quarenta segundos... Até aquele segundo passado. Qual é o problema das noivas? Se elas sabem que não vão dar tempo, porque não começam a se arrumar mais cedo? Falta de praticidade.

—Precisamos ir parceiro, acha que vai ficar tudo bem aqui sozinho? – Perguntou Blás, como se eu tivesse dois anos e não pudesse ficar no altar sozinho... Ridículo ele também.

Apenas concordei e junto com Harry e Rony eles se foram, quem sabe eles conseguiam arrastar aquelas mulheres lá de dentro? Respirei fundo enquanto batia o pé bem devagar para não fazer barulho, o maldito reverendo apenas ria e pedia paciência, que era comum. Bom, ele não conhecia Hermione para falar isso.

Mas eu conhecia, e por mais que toda a endorfina do meu corpo estivesse em alta, eu sabia que era a cara dela atrasar para o nosso casamento, assim como era a cara dela levar meia hora para vestir um mini vestido para ir ao ano novo, ou quarenta minutos no banheiro. Só que mesmo sabendo disso, ainda sim era difícil não lidar com a paranoia que cercava a minha existência em relação a ela.

Boa demais para mim. Só que oras, qualquer maldito homem seria pouco para ela, não seria?

Minha mãe já estava sentada no piano, talvez a presença dela ali que não me deixasse pirar de vez. Já fazia tanto tempo que eu não ouvia Narcisa tocar, desde quando era muito pequeno para me lembrar de alguma vez que ela fez isso. E enfim ela começou...

Quando uma música lenta tocada no piano soou ao fundo meu coração acelerou em expectativa. Eu poderia contar nas notas musicais como se fosse segundos para finalmente poder ver Hermione.

A primeira a aparecer foi Gina e Harry. Ela estava com um vestido verde Sonserina, eu tinha que me vingar por ter usado um Grifinória no casamento dela e essa foi uma das poucas exigências que eu fiz mesmo não usando os temas de Hogwarts. Pouco depois Rony com Luna, ela num vestido muito bonito rosa. E por último dos trios de padrinhos Adriana com um vestido azul marinho, com Blás usando uma gravata com estampa de notas de dinheiro que ele não estava usando quando estava aqui no altar.

Sophia estava radiante, um vestido rodado rosa bem claro com uma fita na cintura segurando uma cestinha de pétalas jogando no caminho, o cabelo mais cacheado do que nunca e uma pequena tiara, eu tinha certeza que essa era a que mais ia me dar trabalho quando crescesse, eu não tinha duvidas disso. Junto dela estava Enzo, de page, com um mini smoking que parecia o meu, parecia estar mais orgulhoso do que nunca andando com um sorriso quase arrogante no rosto.

E então eu a vi...

Toda aquela tensão que eu tinha no meu corpo, todas aquelas dúvidas, toda a ansiedade praticamente se dissiparam quando ela entrou no meu campo de visão subindo no tapete vermelho ao lado do pai dela. E ela estava linda. Não, linda era pouco. Hermione humilhava qualquer outra noiva que já vi na vida, os cabelos castanhos estavam cacheados, o vestido tinha feito dela realmente uma princesa, a minha princesa.

Os olhos dela brilharam quando encontraram os meus e foi como se mais ninguém existisse, como se não tivesse cerca de cento e cinquenta pessoas nos olhando no jardim, como se não tivéssemos tido nenhuma briga, como se eu não tivesse quase a perdido para a morte, como se eu me apaixonasse por ela de novo, e de novo.

Eu sabia que era ridículo, se meu Eu do passado me visse hoje apontaria o dedo na minha cara e riria feito Nelson de Os Simpsons, sim eu conhecia os Simpsons era um dos desenhos favoritos dos gêmeos.

Cara, eu ia me casar. Não era para me sentir apavorado? Pois eu não me sentia, tudo que eu sentia era vontade de acabar com o espaço entre mim e ela e carrega-la mais depressa para o altar e casar logo com aquela mulher, tira-la logo do mercado de solteiras e torna-la só minha.

Eu deveria espera-la no começo do altar, mas não foi o que fiz, adiantei-me quatro passos a frente e ela andou os últimos mais rápidos. Num gesto tão antigo quando o casamento em si, o pai dela tirou a mão dela de cima da sua e colocou na minha.

—Agora é com você, rapaz. Cuida da nossa Hermione. – ele falou embargado.

—Eu vou cuidar.

O toque da mão dela era suave sobre a minha, o sorriso dela aumentou quando seu pai lhe deu um beijo e ao invés de subirmos logo para o altar, eu já não tinha mais tanta pressa assim. Apenas a abracei a erguendo do chão fazendo as pessoas rirem ao nosso redor, enquanto ela passava os braços pelo meu pescoço.

—Você está... Uau... Nem sei o que dizer.

—E você está muito gostoso de Smoking, gostei da escolha – ela sussurrou no meu ouvido – Vou adorar tirar ele depois na lua de mel.

Agora sim ela estava falando minha língua.

—E eu vou adorar tirar seu vestido depois.

—Seus tarados, temos um banquete para comer e um casamento para fazer. – Theo falou pouco atrás de mim nas cadeiras.

A cerimônia foi completamente diferente do nosso primeiro casamento, sem toda aquela frieza de apenas assinarmos papeis. Foi mais bonito, as palavras foram bonitas, intensas e verdadeiras. E acho que pela primeira vez na vida eu tinha prestado atenção no que o reverendo estava falando, porque agora ia ser diferente.

Ele leu o discurso sobre amor e casamento e repetimos os votos de casamento com as juras mais antigas de amor, fidelidade e lealdade. Quando o reverendo fez sua pergunta para ela, Hermione olhou para ele me deixando nervoso, ela olhou para as pessoas que estava sentadas no banco, olhou para os padrinhos e seu rosto estava sério. Senti meu peito apertar, nem uma respiração parecia ser ouvida, todos pensando que ela pudesse desistir.

Depois de cerca de cinquenta e quatro segundo, que pareceram mais de cem horas, ela abriu um sorriso cafajeste e irritante nos lábios e disse: Sim.

Eu devo ter ouvido um coro de respirações se soltando ao mesmo tempo e nem tinha notado que tinha prendido a minha.

—Eu vou repetir a pergunta para a senhora ter certeza... – começou o reverendo.

—Ela já falou que sim uma vez – interrompeu Blás ao lado – Não dê a chance dela pensar de novo.

Risadas se espalharam pelo jardim e ela se juntou a eles.

—Irritante. Sussurrei para ela.

—Arrogante.

Ele repetiu a pergunta, mas dessa vez para mim e eu não hesitei em dizer SIM logo, quando eu tinha falado que queria ir logo para a lua de mel eu não estava brincando. Eu realmente queria ir logo para a lua de mel. Ninguém se manifestou na hora de impedir o casamento, graças a Merlin.

—As poderes em mim investido, eu vos declaro marido e mulher. Draco, pode...

Ele não precisava realmente pedir, assim que ele nos declarou marido e mulher, Hermione já tinha avançado para beijar o noivo, no caso eu. Segurando na sua cintura e a erguendo do chão, nos demos nosso primeiro beijo como Sr. e Sra. Malfoy sobre uma chuva de risos e aplausos.

—... Podem fazer isso aí que estão fazendo agora.

Nós tínhamos noção que havia outras pessoas ao redor, mas realmente naquele momento não nos importávamos com isso. Apenas nos beijamos, sentindo toda aquela adrenalina, toda aquela excitação, aquela felicidade.

Erámos finalmente marido e mulher.

Pov. Mione.

A festa começou depois de cumprimentarmos e tirarmos foto com todo mundo. Após o jantar as pessoas dançavam na pista de dança animadas, as crianças corriam pelos enormes jardim iluminados da nova mansão Malfoy. E agora eu realmente era uma Malfoy. Ainda não sei o que pensar sobre isso.

Na valsa dos noivos, dançamos mais do que realmente precisávamos e logo em seguida passamos a dançar com os outros convidados, mas sem tirar os olhos um do outro. Era como uma atração magnética, um sempre buscando o olhar do outro no meio de tanta gente.

Dancei com meu pai que me deixou muito emocionada assim como o senhor Weasley com suas palavras doces e gentis. Enzo, que para uma criança de oito anos dançava muito bem, no papo dele tinha feito aulas com o pai. Eu não duvidava, eles eram parecidos praticamente em tudo. Harry e Rony também me monopolizaram, assim como Blás, Theo e Simas.

Talvez fosse a ansiedade, mas após Jessica pegar o buquê e ficarmos na festa apenas o necessário decidimos que estava na hora de partirmos para a nossa lua de mel que tanto estávamos ansiando.

A chuva de arroz aconteceu nos portões da casa Malfoy deixando nossos cabelos brancos de grãos. Theo, Jorge e Blás jogaram camisinhas. Muito sem graça e desnecessário da parte deles. Ainda bem que Enzo e Sophia eram inocentes, porque eles esperaram por nós no final junto com Harry, Rony e Narcisa para se despedirem.

Meu coração apertou em dizer adeus para meus dois pequenos, mesmo que fosse apenas por duas semanas de lua de Mel ainda sim eu não gostava de ficar muito tempo longe deles.

—E o senhor cuida bem da mamãe, escutou papai. –Enzo intimou Draco.

—Quando eu não cuido, campeão?

—Temos uma coisa para vocês, nosso presente. – Sophia disse tirando um envelope vermelho da cestinha que ela ainda carregava e entregou para Draco – Não é para abrir até chegar lá.

—E o que é que tem aí dentro?

—Se a gente falar não vai ser surpresa, mamãe. – repreendeu-me Enzo – Somente quando não tiverem aqui que podem abrir, aí sim vocês vão saber o que são os bebês e o nome deles.

—Essa parte do nome é inegociável.

—Sophia, você está me assustando – Draco disse a pegando no colo – Você já está falando igual a sabe tudo da sua mãe.

Rimos, os beijamos e nos despedimos...

...

A areia era branca, a agua do mar era de um azul tão intenso que eu poderia ficar olhando horas seguidas para ele mesmo estando de noite. A casa com janelas e portas de vidro era na verdade apenas um chalé moderno em meio a tanta natureza sem deixar ter as construções de pedras rústicas.

Seguimos um verdadeiro roteiro, desde entrar no chalé construído numa pequena ilha particular próximo as ilhas Fiji, sendo carregada nos braços até a noite quente de sexo depois de uma semana inteira mal nos tocando para aquele momento.

O sol adentrou o quarto nas primeiras horas da manhã. Draco já estava sem o smoking que mal o deixei entrar no quarto para tirar, quando ele fez o mesmo com o meu vestido. Não havia barulho do lado de fora de casa, não havia pessoas conversando, crianças discutindo ou assistindo televisão, nem som de carros e buzinas, o único som era o do mar.

Espreguicei-me enrolada nos lençóis sentindo uma perna me prendendo a cama. Não ficamos na cama até tarde, levantamos assim que a preguiça nos deixou depois de fazermos mais uma vez como “bom dia”.

—Acha que podemos olhar agora? – Draco perguntou ao achar o envelope de Enzo e Sophia no meio das suas roupas no chão.

—Melhor daqui a pouco.

Não tínhamos mais tanta pressa para fazer as coisas, preparamos juntos o café da manhã, arrumamos a cesta de comida com algumas toalhas de mesa e tralhas de praia e descemos para lá. Os bebês estavam quietos, apenas um enjoo matinal já era lucro para mim e era mais do que merecido depois de tudo que eles enfrentaram nas últimas trinta e seis horas.

Eu não sabia o que eles eram, se eram duas meninas, dois meninos ou um casal. Independente do que fossem íamos ama-los, entretanto não deixávamos de estar curiosos e até ansiosos para sabermos qual as cores que deveríamos pintar o quarto ou como iriamos decorar os de quando eles estiverem na idade de separarem e terem cada um o seu.

Centenas de nomes passaram por nossas cabeças, tínhamos sentado tantas vezes na cama para conversarmos sobre eles, o que íamos fazer, como eu ia trabalhar ou até quando eu ia trabalhar, se eles íamos contratar alguém para ajudar Pops e até mesmo como a chegada deles iam influenciar Enzo e Sophia dentro de casa.

Apesar de pedir para esperar eu estava ansiosa, de certa forma emocionada. Dois filhos a mais era muito além do que tínhamos planejado ou pensado algum dia, e mesmo assim, agora era tão bem vindo quanto.

Enzo e Sophia foram a melhor coisa que aconteceram em nossas vidas. Eles chegaram como furacões, arrastando e me inundando de um sentimento que eu nunca senti. Me fizeram sair da minha zona de conforto, mudar minha rotina, profissão, minha vida. E eles me deram Draco de presente.

Colocaram definitivamente um loiro arrogante em minha frente, fez com que eu trabalhasse, brigasse, casasse, me apaixonasse e me casasse de novo com ele. E eu os agradecia.

Não, realmente não importava de quem era o sangue que corria nas veias deles. Eles eram mais filhos nossos do que de Voldemort, eram mais filhos nossos do que da própria Melissa que se sacrificou por eles. E agora eles iam ganhar mais duas companhias, dois bebezinhos para eles cuidarem.

Nos sentamos na areia. Draco abriu o envelope tirando de dentro um pergaminho dobrado duas vezes e colado as pontas de encontro entre elas.

—Vem cá. – ele me chamou aninhando-me entre suas pernas.

Encostei minhas costas no peito dele apoiando a cabeça no seu ombro.

—O que você acha que vai ser? Perguntei empolgada.

—Ás vezes eu penso que poderia ser duas meninas – ele respondeu com a voz meia sonhadora – Tipo, mais duas princesinhas de cabelos loiros. Também posso imaginar dois meninos, me ajudando a vigiar nossas duas princesas... Ou quem sabe um casal, igualar os dois seria legal também...

—Você está em cima do muro, Draco.

—Eu realmente não sei, já fiz milhares de combinações de verdade na minha cabeça. Eles realmente conseguiram nos torturar com todo esse suspense. E ai? Tem certeza que você vai querer saber agora? – ele me perguntou – No mundo bruxo eles esperam até os cinco ou seis meses para saber. Quem sabe você quiser deixar para descobrir apenas quando nascer...

—Abre logo essa merda, Draco.

Seu peito vibrou nas minhas costas numa deliciosa risada.

—Os hormônios da gravidez não estão te fazendo muito bem, Hermione.

Impaciente passei a unha abrindo o selo que juntava as duas pastes dobradas e ele ficou um pouco mais sério. Eu ainda sentia aquela comichão na barriga de ansiedade para saber o que eram, trocamos um olhar ansioso e Draco beijou minha testa quando abriu as duas partes, mas estava vazia.

—Filhos da mãe, eles nos...

Duas letras interrompeu suas palavras e nos olhamos de novo sem entender. S...C...

—Magia, sua mãe deve ter ajudado eles.

As letras se desenharam lentamente enquanto quase não respirávamos.

...O... R... P... I... U... S...

Scorpius

—Um menino! Falei exasperada.

—Gostei do nome. Parabéns mamãe do Scorpius!

Lágrimas grossas escorreram pelo meu rosto e ele beijou o topo do meu cabelo com um sorriso enorme enquanto as o outro nome começava a se desenhar: E... T... H...A ...N ...

Ethan

—Merlin do céu, Hermione, dois meninos!

Fechei os olhos sentindo as lágrimas ainda escorrendo.

—Acho que agora vou ter que dividir você com mais dois homens, não é? Ei, você está bem, Hermione?

—Shiiii...

—Shiiii o que?

—Estou imaginando. – respondi.

E eu estava mesmo, eu já podia ver. Podia ver dois menininhos com cabelos bem loirinhos e olhos castanhos, podia ver Sophia e Enzo segurando seus irmãozinhos mais novos. Podia ver Enzo ensinando os dois a voarem de vassoura da mesma forma que seu pai lhe ensinou. Eu podia até escutar os gritos de Sophia adolescente no quarto porque seus irmãos de cabelos loiros tinham invadido de novo ou Draco os usando para vigia-la quando ela arrumasse um namorado.

Sim, eu podia ver. Scorpius e Ethan, Sophia e Enzo.

—Agora eu também estou imaginando – disse Draco bem perto do meu ouvido – Obrigado.

As palavras de Draco me fizeram abrir os olhos e olha-lo ainda com aquele sozinho lindo e bobo nos lábios.

—Pelo que? Perguntei sem entender.

—Por tudo, por Enzo e Sophia, por Ethan e Scorpius, por se casar comigo e aceitar ficar o resto da sua vida comigo. Obrigado. Acho que vou passar o resto da minha vida te agradecendo e mesmo assim ainda não vai ser suficiente.

—Eu que tenho que agradecer, Draco, por tudo– falei me virando para ele e colocando sua mão em minha barriga – Por eles.

—Eu acho que vou te amar para sempre, o que você acha? – ele sorriu beijando minha barriga e seus olhos cinzentos voltaram me olhar esperançosos – Acha que vai conseguir me amar para sempre?

Sorrindo eu olhei mais uma vez para aquele papel com o nome dos meus dois bebês. Dois menininhos para se juntar a Enzo e Sophia.

Um filme passou pela minha cabeça. Ainda podia me lembrar das 48 horas sem nem ao menos dormir depois que cheguei a Londres e fiquei pensando em tudo que eu tinha passado e que teria que passar. Me lembrando das feridas da guerra, da minha nova empreitada com Enzo e Sophia, com as cicatrizes que mesmo depois de sete anos, na época, ainda estava aberta e exposta.

Eu havia me casado, e muita coisa havia mudado. Eu não era mais apenas uma integrante do trio de ouro, a amiga de Harry Potter e Ronald Weasley, a aventureira moderna... Eu tinha escrito minha história e a gravado em fotografias.

Harry ainda estava nervoso, como um bom pai de primeira viagem. Ele ainda estava em choque, não ter sido criado pelos pais dava a ele medo de não ser tão bom, mas todos sabíamos que ele seria. O menino que sobreviveu, Ministro da Magia, estava vivendo sua vida. Superando os traumas que um dia a guerra deixou e por mais apreensivo que ele ainda estivesse na hora do meu casamento, eu sabia que ele faria de tudo para cuidar de Gina, Ted e seu bebê.

Rony podia dizer que não, e ás vezes zoar um pouco do que falávamos, só que todos podíamos ver que ele finalmente estava se acertando com Lilá. Talvez era para ser assim mesmo seu romance, construído pelo tempo e fortificado pela pequena Rose. Voltar a Hogwarts foi bom para ele quando os gêmeos foram sequestrados, um dia ele teria que enfrentar o passado e ele enfrentou, e estava finalmente se solidificando e amadurecendo mais e mais. Eu tinha certeza que o segundo integrante do trio de ouro ia ser muito feliz, do jeito dele, mas seria.

Já as minhas cicatrizes?

Não, as cicatrizes da guerra não me machucavam como antes, nem o Sangue Ruim no meu braço me incomodava. A mansão Malfoy ganhou outra filial, mas nem por isso eu tinha mais medo da antiga. Eu enfrentei meus medos e agora era mãe, não de uma, mas de quatro crianças. Uma menina e três meninos, que eu daria a minha vida para que ficassem bem ao lado de Draco.

Muita coisa mudou, mas não foi para ruim...

Draco... Draco era minha caixa de surpresas, não construímos nosso romance. Ele brotou do chão, nos puxou numa avassaladora e reveladora paixão, nos fez brigar e nos magoar. Fez da minha vida uma bagunça para depois colocar ela no rumo certo. Me ajudou e se tornou pai de Enzo e Sophia, acho que ninguém no mundo poderia ser um pai melhor do que ele. Ninguém amadureceu tanto quanto ele no final das contas, nem mesmo eu. Ele provou que poderia mudar, provou que o vilão pode se tornar mocinho e um mocinho bem sexy, cá entre nós.

E eu... Bom, eu depois de tudo, depois da guerra, depois do casamento, eu finalmente não precisava mais de válvulas de escape. Tudo que eu precisava era ele, Draco. Quando eu precisei ele esteve ali, ele me ajudou com meus dois maiores tesouros e de quebra ainda me deu mais dois para eu amar e cuidar, ao lado dele. Superamos juntos tudo que passamos até chegar onde estávamos, até nos tornarmos Senhor e Senhora Malfoy.

Não havia mais lado de Voldemort e lado do Potter. Melgaço agora era um passado distante, não era como se nunca tivesse acontecido, não tinha como esquecer os dias que passei naquela ilha, assim como não tinha como eu me esquecer o que aconteceu na câmara secreta ou a guerra. Essas coisas iam ficar para sempre em nossas memórias, e era até bom elas ficarem lá, porque minha história com Draco foi construída e fortificada com elas.

Olhei para Draco perto de mim e passei a mão pelo seu rosto tão bonito antes de respondê-lo.

Cada briga, discussão, perigo, Eu te amo, obstáculos e superações fazia parte de nós. Tudo ia ficar guardado, pois foi esse concreto que solidificou o que sentíamos um pelo outro, que deixou as coisas mais fortes.

Como poderia eu não ama-lo para sempre?

Era como numa história escrita por alguém que realmente queria que ficássemos juntos, e cada capítulo da nossa história foi essencial para chegarmos ao nosso final, que não foram felizes para sempre todos os dias depois que a mocinha e mocinho se casaram, mas que foram felizes na maioria deles.

Era o que importava, no fim ficamos juntos para sempre.

—Sim eu também te amo e vou continuar te amando. Para sempre.

Notas finais
O Próximo é o epilogo ;)