Dramione - Fix You
15 Capítulo 15 - Darkness
Notas iniciais
Draco Malfoy POV ON
Estava extremamente arrependido de ter sido tão doce com Granger, mas vê-la fragilizada daquele jeito me fez pensar como seria estar no lugar dela,e pela primeira vez, senti ternura por ela, nada além de ternura. Decidi que não iria a Hogsmeade no domingo, não estava nem um pouco a fim de aturar Pansy me perseguindo por todos os lugares na esperança que eu a chamasse para ir até o Café da Madame Pudfoot.
Os N.I.E.M’s estavam se aproximando cada vez mais, e meus miolos estavam prestes a estourar de tamanha que era minha preocupação com os exames, com meus pais, e como ficaria nossa situação assim que eu me formasse em Hogwarts, talvez eu fosse obrigado a implorar pelo perdão dos comensais apenas para poupar minha família da morte certa, mas eu não quero isso, de forma alguma.
— Draco, é sua última oportunidade de ir – Zabini disse esperando que eu mudasse de ideia.
— Já disse, não vou, se divirtam – eu disse virando as costas e subindo para o dormitório.
Tirei os sapatos e me deitei na cama, disposto apenas a desfrutar dos lençóis macios e de pensamentos positivos, o que era quase impossível nesses últimos tempos, todas as soluções que eu via me levavam para um caminho ao qual eu custei a sair e não queria voltar. Meus olhos pesaram, e aos poucos se fecharam, fazendo com que eu entrasse em um sono harmonioso.
Estava em um corredor com paredes escuras, que refletiam muito bem o ar sinistro do local, mal iluminado e vazio. Andei vagarosamente pelo corredor, até chegar a uma porta com uma fresta aberta, e por aquela vão, saía uma luz forte e fascinante.Empurrei a porta e aos poucos ela se abriu, provocando um ranger quase ensurdecedor, mesmo assim, entrei no cômodo e pude ver uma enorme cama, coberta por cortinas verdes, no mesmo tom da Sonserina, havia também um guarda-roupas e uma cômoda alguns porta retratos em cima. Caminhei até a cômoda e analisei os quadros, grande parte deles eram apenas borrões pretos ou brancos, com linhas tortas e embaraçadas, mas havia um que não chegava nem perto dessa confusão, era a foto de um garoto, e eu sabia bem quem era, me reconheceria em qualquer lugar. Tomei o quadro em mãos e encarei a imagem, eu balançava a varinha em meio a gargalhadas, devia ter uns dois anos quando a foto foi tirada.
— Quem está ai? – Ouvi uma voz do andar de baixo – É você, Draco? – era a voz de minha mãe, meu coração palpitou rapidamente assim que a reconheci.
— Mãe, sou eu, eu estou aqui – eu disse colocando o quadro novamente em cima da cômoda – Estou indo até ai – sai rapidamente do quarto e fui em direção ao que parecia ser uma escada.
Ao chegar ao local onde deveria ser a escada, pude perceber que não havia como descer para o andar de baixo, havia apenas mais uma parede escura e um longo corredor.
— Draco, não é seguro, volte, você tem que voltar – dessa vez a voz de minha mãe soou cansada e fraca – Me escute, tem que voltar – era um lamurio.
— Mãe, preciso ver você, saber que está segura – eu batia os punhos com força na parede – Só preciso que me diga como chegar até você – apalpei a parede em buscar de alguma passagem invisível.
— Filho, não estou mais aqui, nada disso é real agora, eu e seu pai precisamos que volte – ao ouvir isso meu coração apertou e um nó se formou em minha garganta.
— Eu não entendo, voltar para onde – eu chorava desesperadamente e continuava a bater na parede.
Não recebi resposta, logo cansei de bater na parede e escorreguei pela mesma, não conseguia segurar os soluços que lutavam para sair da minha garganta. Na minha cabeça eu só queria saber o que havia acontecido com meus pais, e pra onde eles queriam que eu voltasse.
— Ei, o que está fazendo ai – ouvi a voz feminina soar a alguns metros de mim – Eu estava procurando por você – levantei a cabeça devagar e pude ver os cabelos castanhos ao fim do corredor.
Era Hermione Granger, não havia como confundir aquela voz e os cabelos. Ela caminhou em minha direção e agachou-se em minha frente, seu olhar era vazio, mas havia um sorriso terno em seus lábios, ela balançava a cabeça vagarosamente de um lado para o outro.
— Não chore – ela passou o polegar por meus olhos – Isso é resultado do que plantou, você é o culpado por isso – o sorriso continuava em seus lábios – Você não pode protegê-los e eles se foram, não devia chorar – ela acariciou meu rosto levemente e eu senti mil caroços se formarem em minha garganta desta vez.
Com um gesto, ela pegou em minha mão e me puxou para cima junto de si, entrelaçou nossas mãos e juntou seu corpo ao meu, pousando a cabeça em meu ombro, logo, ela começou a se movimentar devagar, como se estivesse dançando, e eu apenas acompanhei.
— Você é fraco, Malfoy, você não pode proteger a ninguém, nem a si mesmo, sua única saída é voltar para o lado daqueles que são fracos mas de alguma forma se acham fortes, daqueles que querem destruir a vida de quem matou seu mestre, os seus semelhantes – podia sentir sua respiração próxima a meu pescoço – Não fuja de quem é – ela completou.
— Mas eu não sou essa pessoa, eu nunca nem se quer quis estar ao lado deles, eu não tive escolha – eu respondi com os olhos marejados novamente.
— Sempre há uma escolha, mas você, você foi longe demais – ele parou e se distanciou alguns centímetros de mim – Nada apaga isso de você – ela puxou meu braço e levantou a manga de minha camisa, lá estava a marca negra se mexendo, como quando Voldemort ainda estava vivo.
— Ele está morto, isso não importa mais – eu disse analisando os movimentos da marca.
— Você terá um longo caminho até provar isso – como se fosse de areia, ela sumiu, me deixando sozinho no longo corredor.
Olhei para os lados e vi meus pais sorrindo no final do corredor, com um impulso, corri até eles na esperança de abraça-los, mas assim como Granger, eles sumiram, me deixando novamente sozinho.
Acordei assustado e suando, minha cabeça latejava e meu corpo estava dolorido. Olhei ao redor e pude ver que ainda era dia e que meus colegas ainda não haviam retornado, o que me deu certo alivio, poderia passar mais tempo sozinho e pensando no pesadelo que acabei de ter. Isso fez com que eu ficasse ainda mais preocupado com meus pais, precisava ver eles e saber que estavam realmente seguros, eu não me perdoaria se algo acontecesse a eles.
Me levantei e olhei o relógio perto da cama, eram quase 16 horas, o que quer dizer que todos estavam prestes a voltar. Desci as escadas rapidamente e tratei de me encaminhar para a entrada do castelo, a fim de falar com Zabini e Nott assim que eles chegassem, precisava da ajuda deles para bolar um plano e dar algum jeito de ver meus pais. Sentei-me no muro que rodeava a fonte da entrada e esperei, por uns dez minutos talvez, até que eles chegaram. Levantei e caminhei em direção a eles, que se empurravam e riam, ao me aproximar deles, pude ver Granger um pouco atrás, estava acompanhada do seu novo fiel guardião, o tal lufano, o olhar dela estava brilhando e ela ria sem pudor algum de algo que ele falava. Me distrai com aquela cena, nunca havia percebido o quão radiante ela era, mas agora qualquer coisa que eu pensasse seria errante, poderia ser uma consequência do pesadelo que tive poucos minutos atrás.
— Viu alguma alma penada, Draco? – Nott disse chamando minha atenção.
— Não, nada de almas – eu disse o encarando – Preciso da ajuda de vocês dois, é algo muito sério – após eu dizer isso, a feição deles mudou e eles assentiram seriamente – Vamos para o dormitório, lá eu explico – eu disse virando as costas, mas ainda podia ouvir o riso de Granger.
Caminhamos em silêncio até a torre da Sonserina, não queria me dar ao trabalho de inventar um assunto aleatório e pelo jeito nem eles, parece que eles haviam entendido realmente a complexidade da situação antes mesmo que eu dissesse.
Conversamos por algumas horas, e não chegamos a conclusão nem uma, não havia uma maneira de simplesmente sair de Hogwarts a procura de meus pais.
— Os exames vão chegar logo, e não há como abandonar Hogwarts agora – Zabini disse tenso – Minerva foi generosa de te convidar e aceitar seu retorno, não pode desperdiçar essa oportunidade, e além disso, é perigoso demais pra você lá fora, aqui dentro você está protegido dos comensais – ele disse se sentando novamente.
— E do que adianta eu estar protegido e minha família correndo perigo? – eu questionei exasperado – Não posso deixar que algo aconteça a eles – eu esfregava as mãos em meus cabelos freneticamente, até que tive uma ideia – O natal, está chegando, vamos ter os dias de recesso, poderei procurar eles – foi como se o fluxo de sangue voltasse a circular dentro de mim e o coração voltasse a bombea-lo.
— Sozinho? – Nott riu cinicamente – Você não tem chance, eles estão por toda parte, vão te pegar assim que botar os pés fora dos limites de Hogwarts e Hogsmeade – o irmão de Dumbledore, Aberforth, estava guardando Hogsmeade para que eles não sofressem um ataque dos comensais, ele era um velhote muito forte.
— Vou ter que fazer isso, não terei outra chance – eu disse pesaroso – Não antes de me formar – completei.
— Ótimo, então vamos com você – Zabini disse se levantando.
— Vamos? – Nott perguntou arregalando os olhos e Zabini deu uma cotovelada nele.
— Claro que vamos, Theodore – ele disse convicto.
— Não posso deixar que façam isso, é perigoso demais, como você mesmo disse, Blásio – eu me levantei também.
— E não pode nos impedir de fazer – ele franziu a testa – Não vamos deixar você morrer, Draco, e se for pra morrer, que morramos lutando por algo justo – ele disse e eu tive a certeza que poderia me apegar em sua amizade e lealdade.
— Obrigado, cara – eu o abracei e ele deu uns tapinhas em minhas costas – Não tenho nem palavras pra dizer o quanto vai me ajudar – eu disse o segurando pelos ombros.
— Sem sentimentalismo – ele disse – Agora, sua missão é tentar arrancar umas pistas de onde eles possam estar – ele disse sério – Indiretamente, é claro, sem perguntar demais ou expor demais – ele disse como se fosse algum calculista nato.
— Tudo bem, vou tentar – consegui dizer apenas isso, afinal, a parte mais difícil havia sobrado para mim – Preciso ir, tenho treino de quadribol – eu disse olhando o relógio na parede – Nada como uma estreia para me acalmar – falei para mim mesmo e sai os deixando sozinhos.
Naquela noite, treinei como nunca, estava determinado o bastante para extravasar, nunca havia me sentido tão livre ao voar. Ao pousarmos, recebi aplausos calorosos dos meus companheiros de equipe e senti meu coração ser preenchido pelo ego.
Fui até a cozinha pegar algo para comer, havia perdido o jantar por causa do treino e meu estomago não parava de protestar. Peguei meu jantar e me sentei sozinho no salão principal. Decidi escrever uma carta para minha mão, para saber como ela estava e tentar saber onde ela estava. Fui até o corujal e me dirigi até a mesa onde ficam alguns pergaminhos e penas que são utilizadas pelos estudantes para escrever suas cartas. Me sentei na escadaria e comecei a escrever.
“Mãe, as coisas estão bem por aqui, estou nervoso por causa dos N.I.E.M’s, mas logo passa. Como vocês estão? Estou com saudade, espero vê-los em breve. Não andam passando frio, não é? Espero que não. Por hora, é isso, espero receber uma resposta positiva e confortante.
Com carinho, Draco.“
O lance de perguntar do frio foi a única coisa (e a mais estúpida) que consegui pensar para ter alguma pista de onde eles poderiam estar, se eu soubesse do clima, poderia eliminar vários lugares da lista. Enrolei o pergaminho e o prendi a perna da minha coruja, que protestou, mas logo saiu voando pelo janelão.
Voltei para a torre e ainda haviam alguns alunos na sala comunal, porém, nem um que valesse a pena engatilhar uma conversa. Subi para o dormitório, tomei um banho e me deitei, amanhã seria um longo dia.
* * *
Chegada a hora do jogo, eu estava confiante que iria ganhar, jogar contra a Grifinória sempre havia sido meio difícil, mas com esse time provisório, nossas chances de ganhar eram imensas.
Vesti o uniforme a apanhei a vassoura, ouvimos as últimas instruções do nosso capitão e fomos em direção a saída do vestiário. Eu podia ouvir os gritos alucinados dos alunos do lado de fora, e isso me deixava animado. Decidimos sair caminhando e não voando, como de costume, seria uma entrada mais tranquila, para expressar que nos sentíamos exatamente assim. O time da Grifinória entrou da mesma forma, caminhando, e pude ver Granger ao lado do capitão do time, ela estava elegante no uniforme e agarrava firmemente o cabo da vassoura.
Eu podia ver determinação e confiança em seu olhar, e por um momento, eu passei a acreditar nela também.
Draco Malfoy POV OFF
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