—Onde pensa que vai? — A voz de Draco ecoou pela enfermaria, rouca, e falha, pela falta de uso.

Hermione o olhava aturdida, como quem é pego no flagra, e já não consegue reverter a situação. Os seus cabelos castanhos caíam sobre seu rosto, com a luz da lua os deixando com um brilho dourado, seus olhos cor de mel, petrificados diante do tempestuoso azul dos olhos de Draco, que a segurava pelo pulso, a fazendo ficar um pouco curvada sobre ele.

Quando finalmente pôde respirar, para tentar, e apenas tentar se recompor, ela pôde proferir apenas uma palavra.

—Malfoy! — Sua voz saiu quase como quem profere uma praga, irritada. — Há quanto tempo você estava acordado?.

Arqueando uma sobrancelha, e se contendo para não dar um de seus sorrisos de canto, ele continuou sem expressão, afrouxando o aperto de sua mão sobre o pulso da castanha.

—Tempo suficiente, Granger. — Disse, dando ênfase no sobrenome da bruxa, caçoando do fato dela ter lhe chamado pelo seu próprio.

—Humph!- Ela bufou, enchendo o peito, se recompondo, e o fazendo soltar seu pulso. — Seu fingido, abusado!

Ele riu.

—Exatamente! Abusado! Eu estava sendo abusado em minha fragilidade aqui — Ironizou, rindo da cara da castanha, que fechava sua cara para ele. — Olha eu não sei você, mas eu sou do tipo que gosta de ser abusado direito. — A provocou, agora sim, dando um sedutor sorriso de canto.

Hermione abriu e fechou sua boca, tentando pensar em algo bom o suficiente para calar a boca do loiro a sua frente, mas ela simplesmente não tinha nada para rebater a frase que a deixou arrepiada e gelada em sua pele.

Abraçando os cotovelos, Hermione respirou e inspirou, desviando o olhar e a atenção dele, olhando para uma janela qualquer, antes que fizesse coisas das quais pudesse se arrepender, ou não...

—Seu descarado...- Proferiu ainda sem olhar para ele. — É sério agora, a quanto está acordado? — Questionou sinceramente preocupada, e mais calma, voltando sua atenção para os olhos dele.

Percebendo a preocupação nos olhos, e na voz dela, Draco relaxou suas feições de conquistador, e comprimiu os lábios, respirando pesado, mergulhando inteiramente no brilho dos olhos da castanha á sua frente.

—Acho que em algum momento da tarde, só que voltei a dormir. — Falava calmamente, enquanto usava a força dos braços para se pôr sentado sobre a cama da enfermaria. — Mas aí, senti seu perfume... — Proferiu como num sussurro, deixando-a desarmada mil vezes mais. — E o seu cabelo no meu rosto. — Falava lentamente, enquanto percebia como a deixava com suas palavras. — Eu só não sei em que parte do processo, você decidiu que abusar da minha pobre figura vulnerável não ia rolar. -Caçoou rindo e sorrindo abertamente.

Hermione se desfez de sua pose e feições derretidas, grunhiu raivosamente, e avançou com um braço para cima do loiro.

—Ora seu!

Mas antes que pudesse fazer algo, Draco a segurou pelos dois braços, forçando-a a parar, e a ficar perigosamente perto de seu rosto.

—É, eu também acho que esse jogo é pra dois. — A provocou arfante, encarando-a desafiadoramente em seus olhos.

—Não, você jura? — Cuspiu em sarcasmo para ele.

Afinal, quem o Malfoy pensava que era para provocá-la e confrontá-la daquela maneira? A tirava do sério, a fazia suar, e perder suas linhas de controle, mas não, ele não comandaria aquilo da maneira como bem entendesse.

—Talvez eu tenha que ir bem devagar para que você entenda. — O Malfoy proferiu, seriamente, se certificando que ela prestaria atenção. -Eu não pretendia ir rápido com você, de qualquer maneira.

Hermione ficou aturdida, segurando a marimba que Draco tinha jogado em cima dela.

Porque de fato, Draco havia se cansado de esperar as coisas acontecerem sozinhas, ele não teria Hermione se continuasse do jeito que ia, e os últimos acontecimentos com Cormaco tinham sido o fim da gota para ele.

—Você é tão ameaçador, Draco. — A castanha ironizou tentando diminuir o impacto de suas ações. — Ainda mais quando não sou que está nessa cama.

Draco respirou riso, curvando sua cabeça para baixo, mas logo voltou a encará-la novamente com um sorriso brincando no canto de sua boca, e apertando ainda mais o contanto de seus dedos com a pele dos braços da castanha. Ele finalmente disse.

—E acha que não vai estar por muito tempo?.

Notas finais
Gente, não existem desculpas para meu sumiço, não existem mesmo... Mas o que importa, é que estou aqui com esse capítulo novamente. Eu resolvi voltar, após apoio e força de amigos e familiares, eu realmente precisava de uma ocupação realmente distrativa, e que me ajudasse a passar o tempo... Minha sobrinha, uma bebêzinha de três meses, faleceu essa semana após uma cirurgia no coração, não existem palavras pra descrever como me sinto, mas existem palavras que podem me distrair, e sem duvidas, escrever e ler me faz muito bem, com certeza melhor que chorar... Então é isso, gente, tudo isso é dedicado a ela, a minha Nina. Espero que vocês gostem do capítulo, e da volta da fic, beijos pra vocês, comentem e recomendem. (Mil desculpas a todos que comentaram, e eu nunca respondi, vou fazer um esforcinho pra tentar responder, obrigada, gente.)