Dramione - A Sugestão
17 Capítulo 17 - A Reação
Notas iniciais
POV HERMIONE GRANGER.
Eu me afastei a passos largos e decididos de Draco e Narcisa Malfoy. A aparição da figura materna de Draco fez-me tremer por alguns instantes, mas ajudou-me a enxergar que, embora o pai de Draco fosse agressivo e completamente abominável, a mãe era amorosa e dedicada. Narcisa pode ser uma pessoa esnobe, todavia, nunca poderia ser chamada de relapsa quanto aos cuidados do primogênito de sua prole única.
Havia perdido todas as aulas da manhã, mas sabia que era por uma boa causa e que o diretor Dumbledore daria um jeito, se eu mesma não solucionasse o problema sozinha. Era hora do almoço e sabia que ao aparecer no Salão não teria como comportar-me com tantos olhares acusatórios.
“Se ao menos usassem mais do que um por cento do cérebro...”.
Indignava-me como as pessoas enxergavam as coisas apenas como queriam, elas forçavam os fatos a entrar em seus moldes e não a moldar conforme os fatos. Ademais, elas viam apenas dois dedos a sua frente.
Ao parar na entrada no Salão alguns me viram e começaram a cutucar os outros. Logo, todos silenciaram. A raiva e desprezo sangravam aquele silêncio. Eu iniciei uma marcha razoavelmente rápida até o lado de Harry.
Harry olhou para mim e sua preocupação, e não ódio, deu-me motivação para continuar minhas passadas. Quem me recepcionava também com um olhar diferente dos demais era Ronald Wesley, este parecia ter desistido de brigar comigo. Estava quase certa que com os acontecimentos relacionados a Draco ele se dava por satisfeito quanto a provar seu ponto. E aparecer sozinha par o almoço deu-lhe ainda mais certeza que eu havia “conscientizado-me”. Ele não sabia o quanto estava errado.
Sentei-me ao lado de Harry, ele nem teve tempo de principiar uma conversa. Um aluno mais velho da Grifinória levantou-se e jogou um jornal na minha frente. A reportagem trazia Lucius Malfoy acorrentado e gritando. Seguia com as falas do próprio sobre como Draco havia enganado a todos e fechava o discurso afirmando a volta do Lorde das Trevas e que os que não compreendessem a grandiosidade e a tarefa como correta estavam destinados a morte.
— Seu namorado deixou quarenta dos nossos feridos gravemente. – Pronunciou em alto e bom som o estudante. – E mais de metade da escola com ferimentos leves. Ele traiu a todos nós para aliar-se a causa que o pai servia. Traiu você, se é que você não sabia de tudo. Ele incendiou parte da escola. Ontem você deixou esse mesmo salão defendendo aquele... – O garoto perdeu o controle e precisou recuperar-se antes de continuar. – Enfim, hoje você aparece sozinha. Talvez queira compartilhar conosco o porquê de ter abandonado aquele rato desprezível. – O garoto não sairia dali até obter uma resposta.
Baixei os olhos e iniciei uma contagem regressiva. Quando me senti no controle de mim mesma, ergui-me e encarei o menino em desafio. Algumas semanas com Draco e eu havia aprendido a ser tão petulante quanto o próprio.
— Adoraria compartilhar. – Falar mais alto do que devia, minha intenção era chamar a atenção de cada alma naquele castelo, estivesse ela viva ou não. – E vou.
O garoto encarava-me de volta no mesmo nível de expectativa. Não precisei olhar para Harry para saber que ele temia, mas esperava, as minhas palavras, assim como Rony, que começou a duvidar de suas certezas.
— Eu estava com Draco Malfoy até pouco tempo atrás. E ontem defendi ele sim, na frente de todos vocês. E faria novamente, se fosse necessário. – E com um olhar ácido desafiei. – E instigo aos presentes a desafiar-me quanto a minha decisão. Para a informação de todos vocês, Draco Malfoy é inocente. Independente do que vocês acreditem. – Acrescentei. – Ele está sendo vítima de mentiras, sim, seu próprio pai. Entretanto, encorajo aos mais sábios responderem-me uma simples pergunta: se Draco Malfoy é um espião, por que diabos Lucius iria revelar isso agora? Sim, porque agora a escola e o mundo mágico vão começar a tomar atitudes para proteger-se de futuros ataques. Então, expliquem-me, sábios, por que revelar o informante agora que mais precisariam dele? – Cheguei tão perto do garoto que ele foi afastando-se até quase cair em cima de outros alunos que estavam sentados. Eu estava sem fôlego e pronta para avançar em qualquer um.
— Eu não sei... – Falou o estudante que parecia aturdido.
— Ah, não sabe. – Bati palmas. – Eu digo a razão: enquanto as beldades aqui estão preocupadas em trucidar uma pessoa inocente, que ajudou a parar o ataque, se não se lembram tenho o prazer de reavivar as memórias fracas de vocês, Lorde Voldemort e seus Comensais da Morte estão organizando-se e vão atacar! Então, excelências, desculpem-me por não concordam com vocês e não pensar tão pequeno, mas ignorar o verdadeiro problema não vai resolver nada. – Eu falava tão alto que parecia o próprio Dumbledore. E não encara apenas o estudante, encarava todas as pessoas.
Virei as costas e saí. Sabia que aquilo não ficaria assim, mas eu não me importava com uma detenção, se tivesse conseguido expandir algumas mentes, e esperava que tivesse, aquilo bastava. Valeria a pena.
Harry corria até mim.
— O que foi aquilo, Mione?
— Aquilo foi eu finalmente entendendo como é duro estar na sua pele, Harry.
Harry era visto como herói e vilão. Sua palavra era questionada incontáveis vezes, a primeira vez que apareceu afirmando a volta do Lorde das Trevas foi ignorado, mas o mal perseguia o menino, no seu segundo encontro com Voldemort, foi considerado perigoso. As pessoas não queriam acreditar em Harry. Chamá-lo de lunático e traumatizado era mais fácil do que aceitar que tempos escuros haviam retornado.
— Você realmente acredita que Malfoy está falando a verdade?
— Com toda certeza.
— Eu acredito em você, Mione.
— Eu também. – Uma segunda voz elevou-se.
Rony.
Os olhos do garoto suplicavam por uma resposta, mas havia mais do que aquilo.
— Fico feliz por isso. – Disse eu.
Fred, Jorge e Gina Weasley apareceram e disseram as mesmas palavras que Harry. Aos poucos, muitos alunos acumulavam-se no corredor acenando afirmativamente para mim.
— O que faremos, Hermione? – Alguém perguntou.
Suspirei.
— Nós revidamos.
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