Drama Total: Floresta dos Mistérios
1 bem-vinDos à floresta
O sol brilhava intensamente sobre a vasta e esquecida reserva florestal, um lugar tão isolado que nem parecia existir no mapa. Porque, na verdade, não existia.
A câmera deu um zoom em uma estrada deserta e sinuosa, onde um ônibus surrado, com pneus que cantavam a cada curva, avançava de forma errática.
Em frente a um portão enferrujado, uma placa desgastada balançava precariamente com os dizeres: “Parque Florestal Tipikanizaw — Entrada Proibida (Sério!)”.
Sob ela, Chris McLean apareceu, exibindo um sorriso mais afiado do que nunca. Ao fundo, Chef Hatchet varria folhas com cara de poucos amigos, até ser interrompido por um gnomo travesso que começou a roubar seus utensílios.
CHEF: Volta aqui, seu…!
Chef jogou a vassoura, correndo atrás da criatura, mas tropeçou em uma raiz e caiu, enquanto o gnomo desaparecia na floresta com uma risada estridente, deixando o Chef espumando de raiva.
CHRIS: Não, pessoal, sua TV não está com defeito, e sim, aquilo era realmente um gnomo! E se você acha que isso é o máximo de esquisitice por aqui... — Ele fez uma pausa dramática. — Bem, você claramente nunca assistiu ao meu programa! Mas calma, tudo tem uma explicação… mais ou menos! E isso é só o começo! Bom, vocês vão ver o resto. Primeiro, é hora de dar as boas-vindas!
Ele abriu os braços exageradamente numa pose teatral.
CHRIS: Este é o Parque Florestal Tipikanizaw e esta é uma nova temporada de Drama Total!
A câmera cortou para uma montagem da floresta, filmada em dias anteriores: árvores retorcidas com raízes tão grossas quanto pés de gigantes, olhos brilhantes espiando por entre os galhos e um frame rápido de uma silhueta monstruosa se esgueirando pelas sombras.
CHRIS: Chef e eu tropeçamos nesse lugar durante uma road trip radical pela Colúmbia Britânica. Quando vimos que essa floresta não constava em nenhum mapa… sabíamos que algo estava errado. Precisávamos investigar!
A filmagem mudou para cenas perturbadoras: uma cachoeira subindo, sua água desafiando a gravidade; estalactites com brilho neon brilhando em uma caverna escura como breu.
CHRIS: É claro que mandamos os estagiários explorarem primeiro! E adivinhem? Eles confirmaram! Esse lugar tá recheado de criaturas bizarras e fenômenos inexplicáveis! Isso só poderia significar uma coisa: Precisávamos gravar uma temporada de Drama Total aqui!
Ele soltou uma risada perversa.
CHRIS: Então, minha equipe de produção reuniu doze dos jovens mais... corajosos, ou ingênuos, que concordaram em participar dessa loucura. Eles sabem que a floresta é um pouco estranha, mas o que eles vão enfrentar? — Ele deu um sorriso diabólico. — Bem, nem eu tenho certeza!
A cena cortou para o ônibus que se aproximava da entrada.
CHRIS: Mas fiquem tranquilos! Isso ainda é Drama Total. Ou seja, desafios absurdos, sobrevivência no meio da natureza e, claro, tentar não perder a cabeça! Divididos em equipes, eles lutarão pela invencibilidade… enquanto os perdedores… bem, vão direto para a Cerimônia de Eliminação! No final, apenas um sairá vencedor, levando para casa o prêmio de 1 milhão de dólares!
Ele cruzou os braços, o sorriso ainda maior.
CHRIS: Que comecem os jogos! Uma coisa é certa: Tipikanizaw não os deixará saírem os mesmos.
A câmera ampliou o ângulo, revelando figuras estranhas nas sombras da floresta.
CHRIS: Sejam bem-vindos a Drama Total: Floresta dos Mistérios!
*Abertura*
O ônibus sacolejava pela estrada de terra esburacada, soltando gemidos metálicos a cada tranco. A placa desbotada na lateral dizia “TRANSPORTE DA FLORESTA”, mas quase invisível. O cheiro de combustível misturado com madeira úmida enchia o ar, enquanto a vista do lado de fora era engolida por árvores imponentes, seus galhos se entrelaçando como se quisessem bloquear o caminho.
Dentro do ônibus, doze campistas seguravam-se como podiam, alguns tentando manter a dignidade, outros apenas a paciência.
No fundo, Cyrus, de 16 anos, magricelo e de olhar penetrante, observava o grupo com um misto de curiosidade e cinismo. Com pele clara e cabelo castanho em um quase-mullet dentro do boné azul e branco que estava levemente torto, e a camisa vermelha folgada que parecia grande demais para seu corpo.
A cena corta para uma pequena casa de banho de madeira com uma câmera colada na porta. O confessionário.
*CONFESSIONÁRIO ON*
CYRUS: ‘Floresta encantada’? Sério? — Ele revirou os olhos. — Da última vez que me venderam algo 'mágico', acabei preso num evento escolar ouvindo um hippie falar sobre cogumelos. Não foi mágico, só foi longo. — Ele pausa, pensativo. — Mas… vai que tem zumbis. Aí eu perdoo.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Willow, uma garota alta de 19 anos, sentava-se algumas fileiras à frente. Seu cabelo ruivo natural escapava de um chapéu "ushanka" surrado, e a camisa xadrez completava o visual lenhador. Ela parecia gostar dos trancos, quase como se fosse uma massagem improvisada. Calças jeans e botas gastas completavam seu look.
*CONFESSIONÁRIO ON*
WILLOW: Esse lugar? Tem potencial. — Ela ajeitou o chapéu com um sorriso. — Se der ruim, eu construo uma cabana. Meu pai arrastava a família pra acampar três vezes por ano. Somos os O’Flannel, lenhadores há quatro gerações. Se eu não ganhar, pelo menos sobrevivo.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Ao lado de Willow, Molly vibrava de excitação. Com roupas coloridas, pulseiras por todo o antebraço e um suéter decorado com adesivos brilhantes, a garota de 16 anos irradiava alegria. Enquanto a maioria parecia desconfiada, ela olhava para a floresta com olhos arregalados de curiosidade.
*CONFESSIONÁRIO ON*
MOLLY: Meu Deus! Eu tô tão animada! Mesmo! Quando soube que a temporada seria numa floresta encantada, eu sabia que TINHA que estar aqui. Até tentei dar meu sangue para o produtor, mas ele não aceitou. — Ela riu, mostrando o aparelho dental. — Quero ver fadas! E unicórnios! Todos acham que é coisa de conto de fadas, mas se eu encontrar algo assim, vou usar pra vencer o jogo. Todo mundo sabe que chifres de unicórnio concedem desejos, né?
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Nacho, um rapaz de 20 anos corpulento e sorridente, segurava firme sua mochila enquanto o ônibus chacoalhava. Sua blusa verde musgo meio suada com uma estampa, ironicamente, de pizza, ilustrava seu nervosismo.
*CONFESSIONÁRIO ON*
NACHO: Eu tô aqui pela aventura, mas esse ônibus... Não sei se vai aguentar. — Ele riu nervoso. — A última coisa que quero é começar empurrando essa lata velha. Não que eu não consiga! Já rebocamos caminhão com meu tio Reggie antes dele ser deportado. — Ele tossiu, ficando triste. — Enfim…
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Mais à frente, Serena estava de braços cruzados, lançando olhares de desprezo. A garota de 16 anos, estava bem trajada. Loira e vestida de grife, seus saltos impecáveis estavam completamente deslocados naquele ônibus imundo.
*CONFESSIONÁRIO ON*
SERENA: Ugh, Eu não sei o que fiz para merecer isso. Quero dizer, uma floresta? Com insetos, lama, e sei lá o quê mais? — Ela suspira. — Eu deveria estar num spa, não num ônibus caindo aos pedaços. E ainda tenho que competir com esses… — Ela faz uma pausa, lançando um olhar de desprezo. — ...desafortunados. Só vim porque meus pais me obrigaram. Papai disse que precisava da mansão vazia para ‘uma reunião de negócios’. Que reunião é essa que dura semanas? Argh, acho que isso acontece quando sua família é dona de metade da província. — Deu de ombros.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
McConnor, pálido e alto, de cabelos desgrenhados, óculos quadrados e jaleco surrado, estava próximo à frente, com um caderno aberto. Ele rabiscava cálculos enquanto balançava a cabeça, incrédulo.
*CONFESSIONÁRIO ON*
MCCONNOR: Florestas encantadas, criaturas mágicas, blá blá blá. Quer saber? Não passa de efeitos especiais baratos e truques de ilusionismo. Eu já vi muito disso em subreddits de céticos. Não vai me pegar. — Ele sorri, satisfeito. — Agora, se eles realmente quiserem me impressionar, talvez um robô gigante ou algo assim. Aí sim falamos a mesma língua.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
O ônibus deu uma última guinada antes de parar em frente a uma área aberta da floresta. Chris McLean os aguardava com aquele sorriso largo e um brilho levemente sinistro nos olhos.
CHRIS: Vamos, pessoal, todo mundo pra fora! — Ele estalou os dedos como um mágico.
Molly foi a primeira a sair, quase tropeçando de empolgação. Suas pulseiras tilintavam enquanto ela dava um giro dramático.
MOLLY: Ai, meu Deus! Isso é PERFEITO! Árvores sinistras, cheiro de mistério no ar e... será que tem lobisomens aqui? Por favor, me digam que sim. Quero beijar um lobisomem!
Logo atrás, Nacho tentou sair ao mesmo tempo que outra pessoa, a Harper. A xerife olhou irritada quando eles ficaram presos na porta.
NACHO: Ops! Desculpa aí, moça... ou, hm, policial?
HARPER: Xerife! — Ela rosnou, ajeitando o distintivo dourado no peito. — Xerife Harper! E pode sair do caminho antes que eu te prenda por obstrução de justiça!
A xerife vestia um uniforme típico, de cor bege e verde, que contrastava com sua pele negra retinta e seu corpo rechonchudo. Seu cabelo crespo era raspado curto, exemplo de autoridade. Os dois caíram no chão, enquanto Serena passava altiva, equilibrando uma mala que parecia mais cara que o ônibus.
SERENA: Aff, incompetentes. Tem gente importante querendo sair. — Ela olhou em volta com nojo. — Não que esse lugar mereça minha presença.
Nacho, sempre prestativo, ajudou Harper a se levantar. Ela ajeitou o chapéu e o distintivo, claramente incomodada com Serena.
HARPER: Eu podia te prender, sua mimada!
SERENA: Pode tentar, mas tem alguma prisão no mato? Além disso, meu pai pagaria a fiança num piscar de olhos. — Ela seguiu em frente sem olhar para trás.
*CONFESSIONÁRIO ON*
HARPER: Eu sou a Xerife Kathy Harper, mais jovem xerife da gloriosa cidade de Eureka! Apenas 22 anos! — Ela ajeitou o chapéu, cheia de orgulho. — Seiscentos e dezoito cidadãos, todos seguindo as regras… porque eu faço questão! E esses pivetes aqui? — Ela estreitou os olhos, segurando o cassetete. — Vão aprender a seguir também. Se alguém pisar fora da linha, vai conhecer meu cassetete. E, acredite, eu sei usar ele! — Ela sorriu, ameaçadora.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
A xerife lançou um olhar para Molly, que a cumprimentou com um sorriso entusiasmado. Então disparou perguntas para ela.
MOLLY: Você já prendeu alguém? Oh, oh! Você já prendeu um monstro?
Harper não conseguiu esconder o leve sorriso de orgulho que surgiu em seu rosto.
HARPER: Talvez. — Ela respondeu enigmaticamente. — E se houver monstros aqui, confie em mim, eu sei me cuidar.
NACHO: Monstros? — Ele entrou na conversa, sua voz cheia de entusiasmo. — Tipo chupacabras ou... fantasmas?!
HARPER: Chupacabras não são reais! — Respondeu categoricamente. — Já fantasmas..
Enquanto isso, Cyrus descia do ônibus mais atrás, dando uma olhada discreta em Willow, que arrumava o cabelo ao vento. Sua expressão meio fechada era uma mistura de curiosidade e mistério.
Tommy, um rapaz de 19 anos, no entanto, com seu moletom preto e olhar soturno, observava a cena de longe, fingindo não ligar, mas claramente também interessado em Willow. Sua pele pálida contrastava com as espinhas vermelhas no rosto.
*CONFESSIONÁRIO ON*
TOMMY: “Drama Total”? Isso parece uma grande palhaçada. — Ele deu de ombros. — Mas um milhão de dólares? Nada mal. — Ele lançou um olhar crítico pensando no grupo. — A competição? Moleza. Metade desse pessoal parece que nunca viu uma árvore. A outra metade… uns esquisitões, tipo aquela garota cheia de pulseiras. Holly? Millie? Não importa. Mas… Willow? — Ele sorriu, um pouco mais animado. — Ela parece que sabe o que está fazendo. Melhor do que aquele maluco com a câmera, pelo menos.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
O "maluco com a câmera", Toby estava lá na frente da fila, ajeitando os óculos redondos e segurando sua câmera Polaroid com firmeza. Mesmo tendo apenas 18 anos, ele se vestia como um repórter dos anos 1920.
TOBY: Vamos, pessoal! Posem para o primeiro registro dessa aventura! — Ele disse, com uma voz aguda e animada. — Vai ficar ótimo no meu documentário! Vamos fazer um ótimo vídeo!
Molly foi a primeira a acenar com entusiasmo. Minyoung e Gretchen logo seguiram o exemplo, enquanto Serena rolava os olhos, obviamente.
SERENA: Garoto, isso aí é uma Polaroid. Não faz vídeos. — Ela suspirou. — Eu sei disso, meu tio-avô investiu nessa empresa, lá pelos anos 30. Ugh... Estou cercada de imbecis!
Desolado, Toby abaixou os ombros e foi para o fim da fila, murmurando para si mesmo.
TOBY: Eu só queria me enturmar...
*CONFESSIONÁRIO ON*
TOBY: Meu nome é Toby, e eu fui editor do jornal da escola. “O Fofoqueiro de Whistler” ganhou prêmios todos os anos! Agora na faculdade, já sou assistente júnior! — Ele sorriu, orgulhoso. — Quando ouvi sobre a 'Floresta Misteriosa', soube que tinha que vir. Que tipo de jornalista eu seria se não investigasse? — Ele deu uma piscadinha. — Essa floresta? Vou entrevistar até as árvores! Não é só um jogo, sabe? Eu vou conseguir um grande prêmio de jornalismo por minhas investigações algum dia, e este é meu grande furo!
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Quando os campistas finalmente se aquietaram na fila, Chris McLean, com seu sorriso característico, tomou a palavra.
CHRIS: Que belo grupo de... futuros desastres, quero dizer, campistas, não? — Ele riu de sua própria piada. — Vocês doze são as estrelas da nossa nova temporada de Drama Total! Ou seriam vítimas? A diferença é pequena.
Alguns campistas trocaram olhares confusos.
CHRIS: Sei que vocês ouviram uns rumores sobre esse local de filmagem ser um pouco… “diferente”. E eu posso assegurá-los, tudo o que vocês ouviram é verdade! E pior!
McConnor riu com desdém, cruzando os braços.
CHRIS: Oh, temos um sabichão entre nós! — Ele sorriu com malícia. — Vai ser divertido ver até onde dura essa confiança, McConnor.
McConnor apenas bufou, e Molly bateu palmas.
CHRIS: É claro, independentemente da floresta, ainda estamos competindo num jogo de Drama Total. Isso inclui toda a experiência! Ser dividido em equipes, viver em cabines, comer a deliciosa culinária do Chef Hatchet…
MOLLY: Ai, pessoal, já pensaram o que vamos encontrar? Zumbis? Aliens? Gnomos?!
Alguns engoliram em seco.
SETH: Pelo amor da Santa Querupita! Não seja boba, garota, gnomos não existem!
CHRIS: Eu não estaria tão certo disso, Seth! Mas não vamos focar nisso! Como eu dizia, ainda estamos jogando Drama Total, ou seja, isso significa competir em desafios e quem perder os desafios, corre risco de partir numa emocionante Cerimônia de Eliminação! Obviamente, aqueles que sobreviverem até o final terão a oportunidade de lutar pelo prêmio sonhado de um milhão de dólares!
Ele bateu palmas, e um estagiário entrou com uma maleta cheia de dinheiro. Ao abrir a maleta, uma rajada de vento espalhou as notas. Seth foi o primeiro a se jogar na grama, pegando as cédulas espalhadas.
SETH: Ei! Eu vi primeiro! — Ele rolava no chão, pegando cada pedaço de dinheiro.
Os outros campistas observavam, incrédulos.
SETH: Qual foi? Não me julguem! Façam o mesmo se quiserem sobreviver!
Exposto no chão, era possível ver melhor sua aparência. Um rapaz de 20 anos, com o rosto avermelhado pela rosácea, óculos quase caindo do nariz e um terno surrado.
Quando terminou de catar as cédulas, Seth voltou para a fila com um ar de triunfo. Chris suspirou, tentando ignorar a cena.
CHRIS: Enfim… como eu disse, vocês serão divididos em equipes! — Ele balançou um saco de estopa velho. — Normalmente, dividiríamos vocês em equipes com base em... sei lá, drama. Mas, esta floresta é especial, então decidi deixar o místico resolver!
Ele puxou um saco de estopa desgastado do nada e sacudiu o conteúdo.
CHRIS: Dentro deste saco estão os nomes de todos vocês. Vamos ver o que acontece quando o destino decide quem está com quem.
Ele abriu o saco, e os campistas observaram curiosos. Chris virou o saco e os pequenos papéis com os nomes escorregaram, caindo no chão.
SETH: Quanto desperdício de papel.
Mas em vez de ficarem lá, eles subiram lentamente, desafiando a gravidade, enquanto todos observavam de olhos arregalados e bocas abertas.
MOLLY: Uau! — Ela exclamou, seus olhos brilhando. — Isso é incrível! Olha só, os nomes estão flutuando!
CYRUS: Isso não faz sentido nenhum! Mas interessante. — Intrigado, observava atentamente.
McConnor balançou a cabeça, olhando os papéis.
MCCONNOR: Pfft, algum truque barato. Talvez imãs. Ou linhas invisíveis. Claramente nada sobrenatural. Ainda assim, eu deveria anotar isso…
Tirando uma caneta de trás da orelha, McConnor começou a rabiscar furiosamente, murmurando baixinho sobre "potenciais aplicações industriais de forças antigravitacionais".
Os papéis se dividiram em duas pilhas distintas, girando suavemente antes de voltarem ao chão. Chris se agachou para examiná-los, seu sorriso se alargando.
CHRIS: Bom, parece que o destino falou. Vamos às equipes, pessoal!
Ele pegou a primeira pilha e começou a ler os nomes.
CHRIS: Se juntem, Cyrus, Willow, Tommy, Minyoung, Xerife Harper e Nacho! Vocês serão, a partir de agora, conhecidos como os “Pinheiros Questionadores”!
A equipe se reuniu, com Tommy dando um tapinha amigável forte demais nas costas de Cyrus.
HARPER: Perfeito! — Ajeitou seu chapéu. — Tudo bem, cadetes, só sigam minhas instruções e colocaremos esta floresta nos eixos!
Minyoung deu um passo à frente hesitante, seu corpo pequeno ofuscado pela figura imponente de Harper. A garota sul-coreana de 17 anos tinha o rosto bem pálido, óculos redondos enormes e o cabelo preto liso. Vestia uma blusa longa com listras em tons de verde e uma saia lilás.
MINYOUNG: Hum... o que significa 'cadetes'? — Ela perguntou suavemente, sua voz quase um sussurro.
Harper piscou para ela, confusa antes de deixar escapar um grunhido.
HARPER: Significa que você segue ordens. As minhas. Entendeu?
Minyoung assentiu rapidamente, mas sua atenção logo se voltou para Cyrus, que ainda olhava os papéis no chão com fascínio.
*CONFESSIONÁRIO ON*
MINYOUNG: Olá a todos. — Ela começou hesitante, mas pronunciando com cuidado. — Meu nome é Cho Minyoung. Minha família se mudou para este país há um ano e seis meses. Ajustar-se a uma nova escola, a uma nova cultura... tem sido um desafio. — Ela sorriu timidamente. — Na escola eu fico no meu canto. Mas aqui... espero poder fazer alguns amigos. Talvez as pessoas me notem mais. — Suas bochechas ficaram rosadas. — Alguns dos membros da minha equipe parecem muito legais. Outros... hum… — Seu rosto vacilou ligeiramente. — A xerife? Ela parece... intensa. — Ela ajustou os óculos novamente. — Espera. O que é um 'xerife', afinal?
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Enquanto Nacho tentava explicar o conceito de xerife para Minyoung com sua maneira alegre de sempre, Chris pediu silêncio.
CHRIS: O resto de vocês, se unam! Ou seja, Molly, Gretchen, Serena, Toby, Seth e McConnor!
O grupo se uniu rapidamente.
GRETCHEN: É bom conhecer vocês! — Cumprimentou com uma alegria inesperada, sua voz profunda e rouca pegando todos desprevenidos.
SETH: Uh, qual o problema da sua voz, querida? Precisa de uma pastilha pra garganta?
GRETCHEN: O quê? Não tem nada de errado com a minha voz! Por que você disse isso? — Sua mão passou pelo rabo de cavalo enquanto sua cabeça abaixava de vergonha.
Suas bochechas coradas combinavam com o tom rosado de sua roupa. Uma camiseta rosa brilhante com a palavra “COOL” estampada e shorts violeta. Um look jovem que refletia sua idade de 17 anos. Uma pinta adornava seu lábio superior, cuidadosamente pintado com batom vermelho.
MOLLY: Eu gosto da sua voz! É tão única! — Sorriu.
GRETCHEN: Obrigada! E eu gosto das suas pulseiras! São tão coloridas! — Ela sorriu de volta.
MOLLY: Ah, obrigada! Minhas pulseiras são talismãs de proteção! — Explicou, estendendo o braço para exibi-las com orgulho.
Do canto, Serena cruzou os braços e fez um muxoxo.
SERENA: Que equipe podre, meu Deus! Eu tive que ficar com a garota arco-íris, a voz de locutora, o pobretão que cata dinheiro do chão e o maníaco que acha que uma polaroid grava vídeos!
O resto da equipe claramente ouviu o comentário.
SETH: Ei!
MCCONNOR: E eu? Não tenho um apelido maldoso? — Ele abordou a garota.
SERENA: Ainda não decidi qual é a sua. Mas você é esquisito também. Não chega perto de mim. — Ela virou o rosto.
MOLLY: Não se preocupe. Eu tenho certeza que nossa equipe tem forças diferenciadas.
GRETCHEN: Eu tenho força sem ser a diferenciada!
A garota pegou uma pedra enorme que estava no chão e chocou-a contra a própria testa. A pedra quebrou em vários pedaços.
GRETCHEN: Viu?
Molly ficou maravilhada. Serena ficou horrorizada.
*CONFESSIONÁRIO ON*
SERENA: Eu disse! Estou cercada por gente maníaca! Ugh! Papai vai ter que redobrar minha mesada ou então ele vai ver só!
*CONFESSIONÁRIO OFF*
CHRIS: Bem, já vejo que vocês estão se conhecendo! A sua equipe será chamada de “Arbustos Enigmáticos”.
Toby pegou um graveto do chão e se aproximou do apresentador, apontando o graveto na cara dele.
TOBY: Que nome peculiar! Você pode contar mais do motivo dessa nomenclatura?
CHRIS: Err… não! — Ele afastou o graveto do rosto. — E isso não é um microfone, é um galho.
TOBY: Talvez, mas estamos numa floresta encantada, não? Talvez o galho vire um microfone!
CHRIS: Volte para sua equipe, eu ainda tenho alguns avisos a fazer.
Toby obedeceu, sorrindo como se sua pergunta tivesse sido respondida.
CHRIS: Continuando, como vocês devem ter desconfiado até agora, esta é uma reserva florestal abandonada. E os alojamentos deste ano são antigas cabines dos guardas florestais. Mas não se preocupem, vocês vão aproveitar tudo que os guardas deixaram... antes de fugirem 'misteriosamente'. Sortudos, hein?
Os campistas se animaram com a menção das comodidades que sobraram, e seus murmúrios aumentaram.
CHRIS: Claro... as cabines foram abandonadas em 1983! Então espero que estejam prontos para o estilo de vida vintage. E o novo refeitório é a cantina da reserva, bem ali, perto do lago.
CYRUS: Espera, aqui tem um lago?
CHRIS: Obviamente tem um lago! Estamos na Colúmbia Britânica. Como NÃO teria um lago? Aliás, ouvi boatos sobre algo grande se escondendo por lá.
Ele gesticulou vagamente na direção das diversas instalações da reserva.
CHRIS: A casa de banho e o confessionário ficam ao lado da cantina, mas os banheiros comunitários... esses ficam do outro lado do lago. Ah, e tem outros locais que vou mencionar só quando eles se tornarem... relevantes.
Serena ergueu a mão, parecendo nada impressionada.
SERENA: Uh, senhor McLean, — Ela começou, seu tom cheio de sarcasmo. — Não que eu assista esse programeco para gente de classe baixa, mas fiquei sabendo que a temporada passada tinha um chalé especial com lareira para os vencedores de desafios. Onde fica? Sinto frio à noite.
CHRIS: Primeiro, não me chama de 'senhor'! Não sou tão velho assim...
Serena arqueou uma sobrancelha, desconfiando um pouco da resposta do apresentador, mas acatou a bronca.
CHRIS: E segundo... nada de Chalé McLean! Isso é só para veteranos. Vocês são novatos. Ainda têm que provar que aguentam o tranco antes de pensar em mimos! Ambas as equipes vão ficar em cabines idênticas, em cantos opostos da reserva.
SERENA: Como assim... "cantos opostos"?
CHRIS: Exatamente! Pinheiros Questionadores, a sua cabine fica naquela direção. — Ele apontou para o oeste. — Arbustos Enigmáticos, a sua cabine fica bem... ali. — E apontou para o leste. — Espero que gostem de caminhar!
SERENA: Caminhar? — Ela ficou completamente boquiaberta. — Ah, não. Foi mal, pessoal, mas eu desisto. Não vale a pena.
Ela foi até Chris e fez um sinal com as mãos, desenhando um quadrado no ar. Os outros observavam, confusos.
CHRIS: Que isso? O que esse gesto significa?
SERENA: Cadê a sua cláusula de desistência? Quero assiná-la e voltar pra minha mansão. Você tem um telefone? Talvez meu chofer chegue mais rápido que aquele ônibus... horrível.
Chris soltou uma risada irônica.
CHRIS: Cláusula de desistência? Não, não... você assinou um contrato, lembra? Se desistir, nos deve um milhão de dólares.
SERENA: Tudo bem, eu tenho esse dinheiro. — Ela deu de ombros, tentando parecer indiferente. — Meu pai paga.
CHRIS: Ah, eu já esperava que você fosse dizer isso. Por isso... — Ele tirou o celular do bolso e balançou na frente dela, exibindo um contato. Era o número do pai dela.
SERENA: O que isso significa?! — Ela recuou, visivelmente desconcertada.
CHRIS: Seu pai me avisou que, nas próximas quatro semanas, você não terá acesso às contas dele.
SERENA: Tá... eu tenho minha própria poupança.
CHRIS: Ah, e ele também trocou a senha da sua poupança.
SERENA: Sem problemas, eu trouxe dinheiro comigo. — Ela tirou a carteira, abrindo-a com confiança. — Todo mundo tem seu preço, McLean. Me diz o seu.
CHRIS: E ele me pagou dois milhões para que eu não aceite um centavo seu. Boa tentativa!
Serena soltou um gemido alto de frustração e voltou para sua equipe, com os braços cruzados firmemente sobre o peito. Chris, claramente satisfeito consigo mesmo, sorriu ao vê-la recuar.
*CONFESSIONÁRIO ON*
SERENA: Argh! — Ela cerrou os punhos e rangeu os dentes. — Não entendo por que o papai tá fazendo isso comigo! Sempre fomos honestos um com o outro. Não temos segredos! Eu sou a filha favorita, a única! É como se ele estivesse me tratando como... — Ela hesitou, quase chorando. — Como uma cidadã de segunda classe! — Ela suspirou, resignada. — Parece que vou ter que aguentar isso mais do que esperava.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Enquanto Serena fervia de raiva, o resto do grupo cochichava entre si, trocando olhares curiosos.
MCCONNOR: Que garota... peculiar. — Ele ajeitou os óculos. — Talvez seja melhor manter uma certa distância.
SETH: Que garota... rica! Acho que vou tentar me aproximar. Será que ela empresta uns quinhentos? — Deu um sorriso interesseiro.
Com os cochichos cessando, Chris chamou novamente a atenção das equipes.
CHRIS: Muito bem, esses foram todos os avisos de hoje. Aproveitem para conhecer suas cabines e se acomodarem. Amanhã, o Chef Hatchet estará de volta com suas... delícias, servindo café da manhã, almoço e jantar! E o primeiro desafio será anunciado no café. Então, aproveitem o descanso hoje. — Ele bateu duas palmas. — Hora de caminhar!
Com um floreio, ele estalou os dedos e um carrinho de golfe apareceu, conduzido por um estagiário exausto. Chris pulou no carrinho, seu sorriso se alargando.
CHRIS: Enquanto vocês fazem uma bela caminhada, eu vou pegar uma carona. — Ele deu uma risadinha e acenou, antes do carrinho acelerar.
Enquanto os campistas começavam a longa caminhada, Chris virou-se para a câmera.
CHRIS: Então, o que você acha do nosso novo lote de campistas? Vejo... potencial. Potencial para caos, traição e drama! Não saía daí! Nossa jornada está apenas começando! Já voltamos após esses rápidos intervalos comerciais, com mais Drama Total: Floresta dos Mistérios!
*Intervalo*
Quando o show voltou do intervalo, os Pinheiros Questionadores caminhavam pela floresta densa, seus passos esmagando folhas secas e quebrando galhos.
Na frente do grupo, a xerife Harper liderava, com o cassetete na mão, afastando com confiança os galhos enquanto marchava em frente. Raios de luz solar atravessavam a copa espessa acima, lançando sombras misteriosas no chão da floresta. Mesmo assim, Harper permaneceu implacável, mantendo seu ritmo constante.
*CONFESSIONÁRIO ON*
HARPER: Finalmente, a aventura começa! — Declarou, flexionando o braço orgulhosamente para a câmera. — Claro, alguns dos meus companheiros pareciam nervosos. E, ok, admito que as vibes aqui são um pouco estranhas. Mas medo? Eu? Eu sou a xerife! Ninguém vai ver o medo em meus olhos. Estou liderando esta exploração com coragem. Nada pode me parar! Hup!
*CONFESSIONÁRIO OFF*
HARPER: Escutem, já estive em muitas reservas naturais, ok? — Disse, tirando um galho de seu caminho com um floreio. — Toda essa conversa sobre florestas com ‘ocorrências extraordinárias’ é apenas bobagem televisiva. Nada a se preocupar!
Cyrus, atrás, franziu a testa ceticamente.
CYRUS: Não sei não, Xerife. Só nessa meia hora, um mosquito me picou e as picadas formaram a palavra “FUJA!” no meu braço!
Ele levantou a manga, mostrando para ela. Harper olhou para o braço, confusa.
HARPER: Está escrito “FULA!”, isso nem faz sentido.
CYRUS: Não é Fula, é FUJA! Eu tô falando sério!
Frustrado, Cyrus abaixou a manga e se afastou.
NACHO: Talvez o mosquito não saiba ler. Nem todo mundo tem acesso à escola. Eu sei disso e...
Um PLAFT repentino o interrompeu! Todos os olhos se voltaram para Harper, que olhava para baixo, com os olhos arregalados, para uma criatura pequena e brilhante esparramada no chão. Suas asas rosa e azuis cintilantes se contraíram fracamente.
Uma fada. O rosto de Harper empalideceu.
HARPER: E-Eu... foi sem querer!
CYRUS: Viu? Uma fada! Tem algo estranho aqui! Você acabou de matar uma fada!
HARPER: Fala baixo, garoto! — Ela rosnou. — Eu não matei nada! Eu sou uma xerife! Foi só um acidente. Deve ter sido um desses mosquitos analfabetos que te picou. Efeito especial, não fale mais disso!
Frustrado, Cyrus sussurrou para Nacho.
CYRUS: Se isso é efeito especial, então eu sou o Papai Noel.
NACHO: O Papai Noel é real, cara. Meu tio Ernesto me disse que viu com os próprios olhos...
Despreocupada com a conversa paralela, Harper continuou marchando, embora a atmosfera sinistra da floresta começasse a pesar sobre o grupo. Cada passo parecia aprofundar a tensão no ar.
Eventualmente, eles chegaram a uma bifurcação no caminho. Duas trilhas escuras se estendiam diante deles, cada uma igualmente agourenta.
MINYOUNG: Então, xerife, — Disse, apontando para as trilhas. — Para que lado vamos?
Harper fez uma pausa, olhando para os dois caminhos. Sua expressão transbordava de confiança, mas estava claro que ela não tinha ideia.
TOMMY: Você não sabe, não é? — Ele perguntou, cruzando os braços. — Achei que os policiais deveriam ser treinados para coisas assim. Navegação e tudo mais.
A mandíbula de Harper se apertou enquanto ela tentava manter a aparência.
HARPER: Ah, claro que eu sei! — Ela respondeu, fingindo um ar de autoridade. — Estou apenas... analisando. É o que os profissionais fazem. Pensar antes de agir. Evitando erros.
CYRUS: Claro. — Disse secamente. — Porque é isso que os policiais fazem. Olham para as árvores e pedem conselhos. ‘Ó árvore sábia, que caminho devo seguir?’
Harper lançou-lhe um olhar fulminante, mas manteve a compostura. Então, Willow deu um passo à frente, seus olhos penetrantes examinando a área. Ela se agachou para examinar as marcas nas árvores e no chão da floresta.
WILLOW: Relaxem, pessoal. Ela está certa. Olhem para as árvores. — Disse, apontando para uma série de marcas desbotadas em um dos troncos. — Estas são marcas de lenhadores. Meu pai sempre me disse que quando os madeireiros fazem trilhas nas florestas, eles deixam sinais para navegar. Este caminho foi muito usado, provavelmente leva a algum lugar seguro.
Cyrus piscou, impressionado.
CYRUS: Uau. Isso é… genial. Você é tipo um guru da floresta!
WILLOW: Não é nada especial. Apenas experiência. Vamos por aqui.
*CONFESSIONÁRIO ON*
CYRUS: Essa Willow, hein? — Disse, seu tom se iluminando. — Ok, vou admitir. Ela é muito mais inteligente do que eu imaginava. E honestamente, muito mais legal também. Não que eu estivesse prestando atenção nela ou algo assim... mas, sim, ela sabe o que faz. — Ele tossiu nervosamente, suas bochechas ficando rosadas. — Talvez ela possa me ensinar algumas coisas.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Sem saber da nova admiração de Cyrus, Willow conduziu o grupo pela trilha marcada. Harper seguiu-a a contragosto, tentando reafirmar a sua autoridade.
Depois do que pareceu ser uma jornada interminável, eles finalmente chegaram a uma clareira onde ficava uma cabine velha e desgastada. As paredes cobertas de musgo, várias tábuas estavam quebradas e uma janela rachada que balançava para frente e para trás, rangendo ameaçadoramente ao vento.
TOMMY: Que lugar aconchegante. — Ele brincou. — Exatamente o que sempre sonhei.
MINYOUNG: Acho que os insetos que vivem aqui são mais velhos do que nós. — Acrescentou, franzindo o nariz.
HARPER: OK, cadetes! Chega de choramingar. Estamos aqui para competir e vencer. Vocês querem perder para o outro time?
Com um gemido coletivo, eles entraram na cabine. O interior estava mais escuro do que o esperado, com poeira cobrindo a mobília escassa. O rangido das tábuas do piso e os leves farfalhares aumentavam a atmosfera misteriosa.
WILLOW: Bem, — Disse, largando a bolsa no chão e lançando uma nuvem de poeira no ar. — Acho que dá pro gasto. Quem quer o beliche com vista para a aranha gigante?
O grupo trocou olhares inquietos enquanto começavam a explorar, verificando os beliches, vasculhando as gavetas e se preparando para o que prometia ser uma noite longa e desconfortável.
***
Os Arbustos Enigmáticos caminhavam pela trilha irregular, tropeçando em galhos e tentando se ajustar à floresta misteriosa ao seu redor. Na frente, Serena caminhava confiante, com o nariz erguido como se a natureza selvagem não existisse. Penduradas em cada braço havia várias malas de couro reluzentes, todas estampadas com um pavão dourado.
Aproveitando a oportunidade, Seth se aproximou dela, um sorriso malicioso se espalhando por seu rosto como um predador avaliando sua presa.
SETH: Sabe, Serena… essas malas parecem pesadas. Que tal um assistente pessoal? Eu me candidato! — Ele estendeu as mãos, como um mordomo.
Serena olhou para ele com desprezo e bufou.
SERENA: Que trágico. Meu pai sempre diz que tristeza é coisa de pobre, que vive de esmolas e depende de doações. Mas… — Ela suspirou dramaticamente. — Já que não tem lojas aqui pra eu gastar, vou ser filantrópica!
Ela tirou da carteira uma cédula alta e lançou-a para Seth como quem joga fora um papel.
SERENA: Pronto, “assistente”. Agora, carregue minhas malas. E com rapidez! E cuidado, são da marca exclusiva da minha família!
Seth agarrou o dinheiro com um sorriso triunfante.
*CONFESSIONÁRIO ON*
SETH: Não acredito que funcionou! — Ele exibia a cédula, eufórico. — Serena pode ter uns parafusos soltos, mas agora... agora ela é minha investidora! Com isso aqui, posso finalmente comprar um relógio que vai fazer o Henry morrer de inveja! E, um dia, meu pai vai me receber de volta com orgulho! Eu não perco a esperança! E a Serena vai garantir isso!
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Seth enchia os braços com as malas de Serena, tentando equilibrar tudo enquanto o grupo observava com incredulidade e diversão.
SERENA: Vocês aí, fofocando? Andem logo, quero chegar nessa cabine horrível e descansar!
O grupo continuou, com Seth tentando acompanhar o ritmo enquanto tropeçava em raízes e segurava firme nas malas, motivado pelo dinheiro.
GRETCHEN: Serena, não quero ser crítica, mas talvez… uma mala a menos fosse mais prático?
SERENA: Ninguém te perguntou, monstrenga.
Gretchen fez uma careta, mas ficou em silêncio enquanto os outros trocavam olhares sobre a convivência com Serena. Finalmente, Molly se pronunciou.
MOLLY: Já que estamos no mesmo time, talvez devêssemos… sei lá, ajudar uns aos outros? Foi gentil da parte do Seth, mas pagar pode ser um pouco…
SERENA: O quê? Você quer que ele carregue minhas malas sem pagamento? Eu não sou cruel! Trabalho voluntário é pra idiotas, e Von Nordwestens não são idiotas. — Ela enfatizou o nome da família. — No mundo real, ser legal demais só faz você virar alvo.
*CONFESSIONÁRIO ON*
MOLLY: Uau, Serena… Ela é linda, não vou mentir, mas conhecê-la foi... interessante. Ela acha que o mundo é uma guerra, mas, sinceramente, prefiro pensar que podemos sobreviver juntos. Isso é bem mais legal! — Ela sorriu metálico.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Depois de mais alguns minutos de caminhada, avistaram ao longe uma velha construção de madeira, a cabine deles. Em ruínas, com tábuas soltas e um cheiro de mofo no ar, parecia um cenário de filme de terror.
Seth finalmente alcançou Serena e entregou as malas com um sorriso cínico.
SETH: Suas malas, madame. Serviço de cinco estrelas.
Serena o ignorou completamente e seguiu em frente.
*CONFESSIONÁRIO ON*
SETH: Agora podem tirar seus cavalinhos da chuva, eu não sou imbecil! Eu sei bem que a Serena só quer alguém pra fazer as coisas por ela. Tudo bem, porque eu tô mais que disposto a ser esse alguém… desde que ela continue pagando. Eu me adapto! Talvez eu ganhe uma gorjeta!
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Aproximando-se da porta, Serena fez uma careta.
SERENA: Eu não vou entrar aí. Isso é uma… uma… pocilga.
MCCONNOR: Bom, essa pocilga vai ser nossa casa por enquanto. Então, bem-vinda.
Serena lançou um olhar fulminante, mas McConnor apenas deu de ombros.
Ao entrar na cabine, o grupo soltou expressões mistas de desgosto e surpresa com as condições do lugar. Gretchen tremeu ao ver uma teia de aranha em um canto, e McConnor empurrou uma cadeira que rangeu sinistramente.
SERENA: Eu não vou ficar aqui. Isso é insalubre. Inimaginável.
MCCONNOR: Ah, mas vai. — Ele sorriu, provocando. — Melhor você se acostumar, porque é isso que a gente tem.
Serena lançou um olhar venenoso para McConnor, mas ele parecia imune. Os campistas se instalaram como puderam, limpando colchões e inspecionando gavetas.
*CONFESSIONÁRIO ON*
GRETCHEN: Não vou mentir, as acomodações são péssimas! Esta floresta é igualzinha aos livros de romance de terror que roubei da minha mãe. E as pessoas?! Aquela Serena, se achando! Estou tentando manter a pose, mas não sei quanto tempo vou aguentar. — Ela avaliou com sua voz rouca típica. — E o tal cara do jaleco? McConnor? Estranhíssimo!
*CONFESSIONÁRIO OFF*
A maior parte do grupo já tinha arrumado as malas e pegado camas na cabine apertada e empoeirada.
McConnor, porém, permanecia próximo a uma janela quebrada, rabiscando furiosamente um caderno surrado, alheio ao fato de que o sol estava se pondo, espalhando sombras sinistras pela floresta.
Molly, observando, sentiu uma pontada de curiosidade. Ela se aproximou, limpando a garganta para chamar a atenção.
MOLLY: Hum, desculpe interromper… — Ela começou, hesitante.
MCCONNOR: Mas você já interrompeu. — Ele resmungou, esfregando a ponte do nariz, sem olhar para cima. — O que você quer?
MOLLY: É só que... bem, o sol está quase se pondo e você ainda não desfez as malas. Achamos que seria melhor descansar cedo esta noite, você sabe, para o primeiro desafio de amanhã.
McConnor olhou para cima, semicerrando os olhos para a luz fraca do lado de fora, como se percebesse pela primeira vez quanto tempo havia passado.
MCCONNOR: Pela Santa Probabilidade! — Ele deu um pulo abruptamente, reunindo suas anotações. — Perdi a noção do tempo!
MOLLY: O que você estava fazendo?
MCCONNOR: Catalogando tudo o que vi até agora para poder refutar essa farsa da ‘Floresta Encantada’. — Ele atravessou a cabine, murmurando para si mesmo, enquanto Molly tentava reprimir uma risada.
MOLLY: Você está brincando, né? — Ela piscou diante de sua expressão extremamente séria. — Como você pode não acreditar? Vimos papel flutuando! Eu vi olhos com asas de morcego!
MCCONNOR: Eu sei o que vimos! Mas há uma explicação racional. Tem que haver. — Ele passou a mão pela parede, procurando um interruptor de luz. Toby, que ainda organizava suas coisas, falou.
TOBY: Já vi algumas coisas estranhas na floresta hoje... se prestar atenção, você percebe que as árvores parecem ter marcas repetidas. Como um padrão. Parece importante, não acha? — Argumentou com sua voz esganiçada.
MCCONNOR: Ninguém te perguntou, Toby!
O repórter pendeu os ombros, triste. McConnor abordou Molly novamente.
MCCONNOR: Olha, você ainda está no ensino médio, mas eu sou um homem da ciência, ok? Se essa ‘floresta encantada’ fosse real, com olhos voadores e objetos levitando, por que isso só aconteceria aqui? Por que não Vancouver ou qualquer outro lugar?
MOLLY: Talvez tenha uma barreira invisível!
MCCONNOR: Não é mágica, garota. É… física! Biologia! Ou pelo menos uma pegadinha. — Ele bufou, ainda procurando na parede o interruptor de luz.
Molly franziu a testa ligeiramente.
Então, cansado de tatear na parede, McConnor virou-se para outra parede e pressionou o botão do interruptor. Nenhuma luz. Do outro lado, Gretchen, deitada em um beliche, interveio.
GRETCHEN: Parece que a luz está escangalhada.
SETH: Bem, ninguém paga a conta de luz aqui há, o que, quarenta anos? Eu também não pagaria — Ele bufou.
McConnor soltou um longo suspiro, enfiando a mão em uma de suas malas.
MCCONNOR: Eu posso resolver isso.
Ele puxou uma pequena caixa de ferramentas, para surpresa de todos na cabine.
Molly observava McConnor mexendo furiosamente em sua caixa de ferramentas, enquanto ele mexia nos fios expostos da cabine.
MOLLY: Você carrega uma caixa de ferramentas? Pra um acampamento?
MCCONNOR: Óbvio. — Ele nem tirou os olhos da fiação. — Eu sou um homem da ciência. E um homem da ciência sempre vem preparado.
MOLLY: Mas… isso é mesmo necessário? Tipo, às vezes você só precisa acreditar, sabe?
McConnor parou e olhou para ela, como se ela tivesse falado algo extremamente ofensivo.
MCCONNOR: Acreditar? Você acha que a fé vai consertar essa luz? Não. O que conserta coisas é ciência. Logística. — Ele ergueu a chave de fenda dramaticamente. — E eu.
Molly cruzou os braços, frustrada, enquanto Serena grunhiu de longe, tentando descansar.
SERENA: Faça silêncio! Tem gente tentando tirar o sono da beleza!
McConnor a ignorou completamente. Finalmente, terminou de ajustar os fios. Ele olhou para Seth.
MCCONNOR: Liga o interruptor.
Seth apertou o botão, e a cabine se iluminou como um palco.
SETH: Esse cara é bom!
MOLLY: Uau! Tá vendo? Magia!
McConnor suspirou, olhando para ela com exasperação.
MCCONNOR: Não é magia. É ciência. — Ele se virou para pegar outro equipamento, murmurando. — Você deveria tentar usar mais o cérebro e menos as… pulseiras.
Molly fez uma careta, mas então começou a rir enquanto McConnor foi consertar o despertador.
*CONFESSIONÁRIO ON*
MOLLY: Ok, esse McConnor é… complicado! Estou meio surpresa que ele tenha conseguido consertar as luzes daquele jeito, mas ele está tão focado nessa coisa toda de ‘refutar o sobrenatural’. Eu não entendo. Por que isso importa tanto? Este lugar é incrível! Como ele não vê isso? — Coçou a cabeça. — Ele não é tão mais velho assim. Ele nem se formou na faculdade. — De repente, sua expressão se horroriza. — Será que eu vou ficar assim também quando tiver 20 anos? Que pesadelo!
---
MCCONNOR: Essa garotinha Molly e os outros não entendem. Só porque você vê algo estranho não significa que você simplesmente... aceita. Isso é exatamente o que eles querem que você pense! — Ajeitou os óculos. — Acredite em mim, não vou deixar que algum cenário de televisão me derrube. Estou de olhos abertos e, mais cedo ou mais tarde, revelarei exatamente como funciona essa farsa! ‘Floresta dos Mistérios’ uma ova!
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Mais tarde, na cabine dos Pinheiros Questionadores, a luz da lua atravessava a janela quebrada, lançando sombras pelas paredes de madeira.
Os campistas já haviam se ajeitado para dormir, exceto por Cyrus, que estava sentado no beliche, escrevendo intensamente em um caderno surrado.
Do beliche ao lado, Nacho se mexeu e, curioso, deu uma espiada.
NACHO: Hey, cara... tá tarde, não acha? O que você tanto escreve aí?
Cyrus parou por um segundo, encarando as páginas repletas de rabiscos antes de responder.
CYRUS: Estou tentando entender… as mensagens dessa floresta. Tem coisas que simplesmente… não fazem sentido. — Ele gesticulou para o ar, como se desenhasse padrões invisíveis. — Mas não vou parar até entender.
NACHO: Entender? Mano, eu vi umas sombras estranhas antes. Nem me dei o trabalho de ver de onde vinham. Tô pensando que não quero saber.
CYRUS: Mas é aí que está, Nacho! — Ele sorriu, com um brilho no olhar. — Entender esses mistérios… são exatamente o que faz esse lugar incrível. Eu tenho certeza que hoje foi só um gostinho do que tem nessa floresta! Algo mágico de verdade, não mentiras e falcatruas de hipsters entorpecidos com cogumelos! O sobrenatural puro e cru!
Nacho deu um olhar meio confuso, meio impressionado, mas apenas deu de ombros e se ajeitou de volta para dormir, murmurando algo sobre "ficar longe de problemas".
*CONFESSIONÁRIO ON*
CYRUS: Tem algo muito, muito estranho nessa floresta. É como um quebra-cabeças gigante esperando para ser resolvido. E eu não sou do tipo que fica parado esperando! É claro, as sombras e marcas misteriosas são meio… assustadoras. — Ele dá um sorriso nervoso. — Mas também são um convite. Eu não sei o que exatamente é isso, mas uma coisa eu sei. Vou tentar descobrir!
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Transição para a sala de monitoramento de Chris McLean, que observa as câmeras com seu sorriso característico.
CHRIS: Olha só, temos uns campistas que estão muito mais preocupados em entender o sobrenatural… Tadinhos.
Ele fingiu pena.
CHRIS: Eles não sabem que o sobrenatural não se entende? Se vive, se experimenta… e às vezes, o sobrenatural experimenta você! — Ele ri, divertido. — Mas, estamos em Drama Total e com isso, cabeças vão rolar! E amanhã, um desafio de imunidade… Quem será que vai conseguir sobreviver à primeira prova? E quem vai ser o primeiro a sentir o gostinho da eliminação? Vocês não vão querer perder! Nos vemos no próximo episódio!
Ele olhou fundo para a lente.
CHRIS: Até a próxima com mais Drama Total: Floresta dos Mistérios!
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