Dragons Cold
5 4 - Who You Are
Notas iniciais
Nunca se esqueça de quem você é
Tem personagem nova na área >.< u-u
ME amem ~só que naum ♥
Alysson abriu os olhos. Luz forte a cegou.
- Argh – ela ergueu os braços e protegeu os olhos.
- Use isso – ela seguiu a voz de Charles e agarrou algo com aros de plástico resistente quando esse ia atingi-la. Um óculo de sol. Ela o colocou e se sentiu bem melhor. Com um guincho de horror ela percebeu que estava embaixo do sol. Rapidamente checou o corpo, os braços, o rosto, as pernas. Estavam todos ali. Ela ainda vestia a roupa da boate. Mas como... Ela podia estar embaixo do sol... E não ter queimado feito carvão?
- Não se preocupe – disse Charles e a claridade dificultava a visão dela para encontrá-lo em seu campo visual – não é real.
Ela franziu as sobrancelhas. O que não era real?
- Como fez isso? – ela perguntou eufórica. Fazia quase três séculos que não via a luz do sol ou saia à luz do dia.
- Eu lhe disse: não é real – Alysson piscou confusa. Charles continuou: — Estamos em uma lembrança.
Ah.
Sim, estava bom demais para ser verdade.
- Minha ou sua?
- Minha – respondeu ele.
Pela primeira vez ela notou a floresta ao redor. A visão dela começava a se ajustar ao excesso de luz.
- Sei que é desconfortável, desculpe – ele arregaçou as mangas do casaco de couro – mas na época você ainda podia sair no sol.
Ela piscou outra vez.
- Como?
Um sorriso fraco pintou os lábios de Charles.
- Tenho meus próprios truques, doçura. E, bem, preciso do seu perdão. Novamente. E não diga dá boca pra fora. Eu... nunca pensei em lhe mostrar isso. Mas é...
- Charles, cale a boca. – ela revirou os olhos. – Quero ver, não que me fale tudo.
- Como quiser, doçura – riu Charles.
Ele andou rapidamente e Alysson não hesitou em segui-lo. O sol podia ser de uma lembrança antiga de Charles, mas a sensação de luz solar tocar a pele dela era maravilhosa. Mesmo que fosse falsa.
Um casarão europeu que devia estar muito na moda a alguns séculos atrás – três, mais especificamente – apareceu no campo de visão dos dois. Aly ergueu os olhos e xingou baixinho.
- Idiota – murmurou para Charles
- Como sempre – ele admitiu.
- Sempre – concordou ela.
- O dia em que nos conhecemos... lembra?
- É meio difícil não lembrar, Charles – os cabelos castanhos chocolate escuro de Alysson cobriram seu rosto e ela andou mais depressa.
- É isso que vamos ver? – perguntou, ansiosa – Não me lembro muito bem de como eu era na época... – ela mordeu o lábio. E então, tendo uma sensação humanamente incontrolável, baixou os olhos. Envergonhada. Ela se lembrou do beijo de Charles. Do jeito como...
- E ali – Charles indicou uma fonte branca perolada. Eros, ou um cupido qualquer, cuspia água cristalina e na bacia havia coisas pequenas que brilhavam intensamente – está Estephano. Lembra dele? – Charles sorriu timidamente.
- Estephano – ela balançou a cabeça e andou até a fonte. Pescou uma moeda entre as milhares que brilhavam dentro da bacia branca forrada de água cristalina. Girando a moeda nos dedos, Aly ergueu os olhos. A moeda se movia assustadoramente rápida entre seus dedos brancos, longos e ágeis. Ela olhou pra lá e pra cá em busca de algo – ou alguém.
- Não estamos aqui – disse ela, pensativa.
- Não – concordou Charles. – Nos conhecemos no Jardim de Inverno. Achei que lembrasse disso.
- Eu me lembro – falou ela e o encarou nos olhos azuis profundos – mas não faço idéia de onde fica o Jardim de Inverno.
Charles riu.
Alysson havia crescido, vivido e morado naquela mansão durante seus curtos dezessete anos de vida humana. Ela estava fazendo piada, era óbvio, e de alguma maneira isso alegrou Charles – sim, era uma piada irônica, mas ainda assim era uma piada. Contava alguns pontos vindo de Alysson. Pontos positivos.
Eles andaram, lado a lado, até o Jardim de Inverno. Era amplo e havia várias flores e árvores de pequeno porte estrategicamente colocadas pelo Jardim. Charles se lembrava de tudo. Alysson também. Já conseguiam ouvir as vozes vindas de algum ponto logo à frente. Aly e Charles trocaram um olhar cheio de significados e seguiram.
- Ah, Emily... – dizia uma voz doce e melodiosa.
- Minha doce menina – dizia uma outra voz. Era mais velha, mais sábia, mais segura. – não me diga que ainda acredita nas histórias que sua tia lhe contava. – uma risada curta e então a dama de companhia de Alysson, Emily Penterosh, apareceu em seu campo de visão. Usava um vestido branco, de seda. Delicado e feminino, igual à Emily. Logo depois veio Alysson. A velha Alysson. Charles parou e se recostou em uma estátua de pedra que segurava uma harpa e observou com olhos atentos as reações da Alysson que estava ao seu lado.
- Não... – disse Aly ao seu lado. – Não sou eu.
- Coloque um jeans na garota ali, camisetas pólo, ou seja lá qual for a sua favorita, um desses seus coturnos, uma pele pálida e doentia, escureça o cabelo dela...
- Ah, por favor, Charles – Alysson respirou fundo e cerrou os punhos. Então se aproximou de seu antigo “eu”.
- Essa não sou eu agora – sussurrou ela.
- Mas foi você. Quem você era. – respondeu Charles.
Alysson ergueu os olhos. Ela não mais capaz de chorar, mas seu pudesse... estaria desabando nesse momento. Inclinando a cabeça Aly avançou. E o seu velho “eu” continuou tagarelando como se Charles e Alysson não estivessem ali.
-... Princesas, Dragões, Lobos gigantes... Emily! – a menina Alysson girou com o vestido turquesa dançando ao seu redor e ela riu deliciosamente: — Existem!
- Jolie é realmente uma pessoa terrível – disse Emily com um sorriso doce – Dragões! Ah, por favor! Não me venha dizer que feiticeiros...
- Existem? – uma voz grossa e deliciosa ressoou. Alysson menina, Alysson vampira e Emily ergueram os olhos. Charles estava ali. Ah, não. O velho Charles. O bobo apaixonado. Sem poderes. Ainda. Alysson humana o encarou e então corou e fingiu que ele não tinha falado com nenhuma das duas. Baixou os olhos e os cabelos – que eram mais claros na época – caíram do coque e se espalharam pelo rosto.
- Você também não estava nada mal na época – disse Aly, sorrindo má.
- Eu odiava quando você fazia isso – murmurou Charles – Quando escondia seu rosto de mim.
- Eu tinha vergonha – protestou ela.
- E hoje não tem mais, Aly? – ele a olhou de cima, ao lado dela, os ombros se tocando. Alysson desviou os olhos. Ele riu baixinho.
- Lembra da sua tia? – perguntou Charles enquanto o outro Charles cantava galantemente a velha Alysson.
- Lembro – ela assentiu – Ashes. Jolie Ashes.
- Bem... Pelo que sei... ela teve descendentes.
- E...? – Alysson franziu os lábios. A lembrança começou a se desfazer. Charles, Emily e Alysson viraram fumaça e então o chão, as flores, as árvores, a estátua. E eles estavam dentro de um buraco negro. O Charles e a Aly dos dias de agora.
- E... Pelo que andei descobrindo os Ashes evoluíram. Casaram-se, tiveram filhos. – explicou Charles.
- Não estou entendendo – falou Aly o olhando diretamente nos olhos – O que está tentando...?
Charles ergueu um dedo, um pedido de paciência. Ela franziu a testa.
- Hoje os Ashes se chamam Madson. E pelo que fiquei sabendo você tem uma nova parente, por sua família humana, chamada Jolie Madson.
- Quer que eu visite minha... “Parente” distante? Pra quê?
- Não “pra quê”, Aly, mas sim, “por que”. Diga-me... Qual a Primeira Regra Suprema do Círculo Perfeito?
- Espécies diferentes não se reproduzem. – ela ditou; alto e claro.
- Exatamente – ele concordou – Vampiros se reproduzem com vampiros, feiticeiros com feiticeiros e lobisomens com lobisomens.
- Mas Charles...
Ele a fitou nos olhos.
- Jolie Madson, sua parente perdida em distantes graus, é uma infratora.
- O quê? Como assim? – Alysson piscou confusa. – O namorado dela é de outra espécie? É isso?
Charles suspirou pesadamente.
- Aly... ela não é pertencente a nenhuma raça.
- Mas... eu... Ela é humana?
- Não, não é humana – Charles a olhou bem dentro do castanho chocolate de seus olhos e disse – Jolie Madson, carrega seu sangue, de forma distante e pouca, mas carrega. E ela... ela é meio feiticeiro, meio vampira.
- Como é? – Alysson piscou furiosamente e Charles começou a se desfazer lentamente em sua frente.
- Acorde Alysson – disse ele – e eu lhe explicarei o que sei. Sua “prima” é uma Renegada. Uma Proibida. Ela não devia nascer. Ah, sim. Isto tem a ver com sua Marca e também com o Círculo Perfeito. Estamos perto de chegar a algum lugar.
- Maldição – Alysson ergueu os olhos e Charles piscou uma vez para ela... então desapareceu. Sumiu. Como fumaça.
Alysson abriu os olhos. Sentia algo rugindo dentro do peito.
Maldição de família.
Maldição.
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