Dragon Existence
6 Ryd
Haviam se passado dez dias desde que saí de Londres para procurar pistas sobre os acontecimentos recentes. A única coisa que encontrei foi um livro escrito em alguma língua que desconheço. Viajei para o Egito, acreditando que as runas contidas no livro pudessem ser parecidas com alguma runa egípcia. Somente o que eu sabia era que uma das gravuras do livro era parecido com minha pistola.
Passaram-se cerca de duas horas, até que o comissário de bordo avisou que estávamos chegando ao Egito. Viajar para o Egito sempre foi um sonho meu, pois sempre fui encantado pelas pirâmides, principalmente dos mistérios envolvendo suas construções. Pena que o que procurava não estava em uma delas.
Logo na saída do aeroporto já pude sentir o calor do local. Minha primeira escolha ruim do dia foi usar uma jaqueta para ir ao Egito. Notava que várias pessoas olhavam para mim, como se eu trouxesse algo ruim com a minha presença. Bem... Eles estavam corretos.
Estava me dirigindo à loja de um antigo "amigo" da minha família. Sua loja ficava no meio de um mercado, que mais parecia ser um esgoto. Entrei na loja, e logo fui atendido pelo mercador.
—Olá, o que deseja?
—Reconhece este símbolo?— Arregacei minhas mangas e mostrei a marca em meu antebraço.
O Mercador ficou pálido.
—Tenho assassinos logo atrás desta porta, tente algo e perde a cabeça.
—Não sou eu que estou errado... você é quem deve mais de Cem mil à minha família.
—Que pena que não vai ser você quem vai me fazer pagar tudo isso.
Ele bateu palmas e dois homens armados com rifles de assalto apareceram. Enquanto entravam na sala, tirei minha pistola do coldre e apontei para o meio dos dois.
—Abaixem as armas ou sofrerão.— Tentei ameaçá-los, sem sucesso.
Notei que os três seguravam o riso de deboche. Utilizei esse momento de descuido apertei o gatilho. Os dois homens voaram na parede por causa da pressão.
—Mas o que diabos você...?— Perguntou o mercador, perplexo.
—De fato, isso não é uma pistola normal, ela utiliza a pressão em volta do usuário para disparar. Isso que você acabou de ver foi uma demonstração do poder ancestral contido nesta arma. Mas isso foi só o começo, com você eu não terei a mesma pena.
Troquei o carregador da pistola, colocando um com projéteis falsos.
—Estes são projeteis normais. Diga-me onde os documentos estão ou eu estouro esta sua pequena cabeça.
—C-Claro. Estão na segunda gaveta da mesa.
—Muito obrigado. E caso você tente algo, eu tenho sua ficha inteira, contendo os dados de todos os seus informantes e assassinos. Imagino que eles não ficariam felizes se suas identidades e informações fossem parar nas mãos de alguém ruim...
Após encontrar o que queria, saí da loja levando comigo os documentos, três granadas, um rifle de precisão e um coldre para o mesmo.
Enquanto andava pela cidade de Cairo, realmente percebi que um cara andando com um rifle Enfield nas costas não era uma das coisas que aquele povo era acostumado de ver. Fui barrado pela polícia cinco vezes, por porte de armas, o que foi fácil de ser resolvido. Meu porte de armas internacional estava "correto", então ter dinheiro é algo bom às vezes.
Logo quando cheguei à margem do Rio, senti que algo dentro de mim não estava bem. Minha respiração ficou pesada e comecei a tremer. Parei para descansar por alguns segundos às margens do rio, por uns quinze segundos, antes de levar um golpe muito forte na cabeça. Não cheguei a desmaiar mas, quando recuperei meus sentidos, notei a pessoa que me acertou. Era um garoto. Quase da minha idade, imaginei, e que não aparentava muito capaz de ter tanta força.
—Mas o que diabos você está tentando fazer? Se quiser me derrubar, vai ter que usar um pouco mais do que isso...— Provoquei.
—Pode acreditar, isso não é nem um terço da minha força!
—Por que você fez isso?
—Você não me parece uma pessoa com quem eu simpatizaria.
—É... penso que se eu visse alguém que não gostasse na rua eu também chegaria voando e daria um soco na cara dele...
Essa última frase deve ter o irritado, pois ele tentou me acertar mais uma vez com um soco, do qual consegui me defender por pouco.
—Sabe... atacar um cara que tem um rifle à mostra não me parece uma boa idéia...
Poças d'água se formavam em volta dele enquanto ele tentava me acertar. Conforme ele me atacava, notei que a força e intensidade dos golpes diminuía conforme as poças aumentavam. Então cada poça criou vida, pareciam minhocas, chicoteando minhas pernas. Incrivelmente, a água parecia ter ficado "sólida".
Decidi parar de somente defender e começar a atacar. Saquei a pistola e atirei, errando-o por pouco. Atirei mais algumas vezes, mas não consegui acertar tiro nenhum, pois, quando eu atirava, a velocidade dele aumentava muito.
—Já estou ficando com sono!—Disse ele subindo em cima de uma prancha voadora (que por sinal aparentava estar pingando).
—Então é assim que você escapou de todos os meus tiros...
—Você é meio lerdo, não é? Eu só precisava ver onde você estava mirando. Esta prancha me deu a habilidade de controlar a água além de melhorar meus reflexos.
Enquanto ele se gabava, atirei, acertando seu braço. Estalos de ossos podiam ser ouvidos.
—Mas como? Você nem balas está usando!
—É a segunda vez que tenho que explicar isso hoje... Esta pistola utiliza pressão em vez de projéteis...
Meu resumo sobre o funcionamento da pistola deve ter sido, incrivelmente, tempo o bastante para a calcificação de seus ossos, pois já estava a me socar com o mesmo braço que eu havia acabado de lhe quebrar.
Então comecei a atirar nele incessantemente, enquanto ele facilmente desviava de todos os tiros. Notei que quando desviava, ele sempre ia para a direita, como se quisesse tirar o foco de algo me fazendo olhar para outro lado. Foi então que notei um pássaro machucado perto de onde estávamos. Parecia ter uma das asas quebradas. Corri até onde o animal estava e apontei a pistola para ele. Logo, o garoto começou a se desesperar. Minhas hipóteses estavam certas, ele queria de fato proteger aquele pássaro.
Alguns minutos depois, o garoto começou a correr até mim, em uma tentativa de liberar o animal. Aproveitei tal chance para atirar nele, mas desta vez pensando antecipadamente em seu movimento, acertando-o em cheio na cabeça e ele desmaiou.
Levei-o até um hotel e pedi para que o hospedassem lá, pois ele deveria ter algumas informações necessárias para mim. Uma hora depois, ele acordou assustado.
—Não vou fazer nada contra você, seu pássaro está sendo cuidado em uma clínica veterinária e...
—Ela!— Ele me interrompeu .
—Certo... Ela está sendo cuidada.
—O que você quer de mim?
—Informação. Contanto que coopere, isso só vai te ajudar. Mas primeiro, diga-me seu nome.
—Osuko Nagare.
—Imagino que tenha acontecido com você algo semelhante ao que me aconteceu...
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