Dragon Coaches
3 O Prazer É Todo Meu
Notas iniciais
— Então você veio da White Star, Eron. – Fala Kevin. – Puxa, eu ouvi dizer que lá é cheio de gente bem forte...
— É, são quase todos classe A. – Responde Eron. – Mas a maioria continua na guilda, são poucos que saem em busca de um título classe S, como eu, entende?!
— É verdade que sairam de lá Dragon Coaches que hoje são membros oficiais do judiciário e trabalham nas academias de Valastia?
— Sim. Eles são bem fortes.
— Imagino.. Mas e ai?!
— E aí... O quê?
— Você disse que ia me ajudar a ser um treinador bem forte, que nem você, lembra?!
— Ah, tá falando nisso. – Kevin assente, enquanto Eron se deita num gramado à beira de um córrego. – Sabe, Kevin, primeiro você precisa relaxar.
— Relaxar?!
— É. Vai, se deita.
— Assim?! – Pergunta Kevin, enquanto se deita também. – ...Nossa!!! Olha como o céu está lindo e cheio de estrelas!!!
— O céu é sempre lindo e cheio de estrelas. Um treinador que voa com seu dragão tem que saber disso. Você tem que relaxar, deixar a seu espírito se conectar com o do seu dragão, faça com que seus espíritos virem um só. Quando seus espíritos forem um só, vocês terão aprendido a ter confiança um no outro. A força física, habilidade no voo ou a potência dos golpes são coisas que vem com o tempo e o treino pesado de ambos.
— Mas numa batalha você não tem que ter força para vencer?! Quer dizer, nos testes para subir as classes, eles testam a força de uma dupla, não é verdade?!
— Não. Você está errado Kevin.
— O quê?! Errado??!
— Sim. Errado. Uma batalha de Dragon Coach não é definida pela força física da dupla. Você precisa gostar de batalhar e amar sua parceira. Uma batalha entre duas duplas é, na verdade, o confronto entre dois espíritos unificados. E o vencedor é aquele que mais quer vencer. É aquele que mais tem confiança no seu espírito e no da sua parceira, você precisa alimentar o seu espírito para poder vencer. Lembre-se que a Sophy usa essa força para lutar. Então o seu desejo de querer vencer irá alimentá-la. Num exame para subir de classe, eles testam sua força sim, mas a força do seu espírito, a força de confiança que um tem que ter no outro. Não esqueça isso, assim como o céu tem infinitas estrelas, sua vontade de vitória também deve ser infinita!
— UAU. Poxa, que legal.
— Pois é, ser treinador, batalhar, viver com um dragão. É para ser divertido, né?! Afinal essa marca que a gente tem não é só para dizer que você tem um dragão submisso a você. Ela mostra que você tem uma ligação de confiança e espírito entre alguém que é mais do que um membro de sua família. Sabe, é o seu dragão, sua parceira, Kevin. Quando vocês batalham, são um!
— NOSSA! – Fala um Kevin com brilho nos olhos. – E-Eron, você é DEMAIS!!!
— Não, eu sou apenas um treinador, um Dragon Coach!
E então eles deitam novamente sob o gramado, observando atentamente as estrelas. Passando uns trinta minutos em completo silêncio, um silêncio agradável e confortante. Até que...
— KEVIN MAPLE!!! AONDE VOCÊ ESTAVA POR TODO ESSE TEMPO?? ROLAR NA GRAMA É COISA PARA CACHORRO!!! – Fala uma garota, que deveria ser apenas um pouco mais nova que Eron.
— Ah, Mariana?! O-o que você está fazendo aqui?! – Pergunta Kevin.
— O que EU estou fazendo aqui?!! A pergunta não seria o que VOCÊ está fazendo aqui?! Sabia que já escureceu?! Você saiu de manhã para um torneio, deveria ter voltado antes de escurecer! Estão todos preocupados com você e...
— Quem é ela? – Pergunta Eron, deixando a garota falando sozinha.
Eron abre seus olhos sonolentos bem devagar para analisar a meina meio baixinha, com olhos cor de mel e cabelos castanhos escuros na altura no ombro, usando uma bolsinha pochete e óculos redondos e grandes.
"Ela parece uma coruja." Eron pensou para Meline.
— O nome dela é Mariana, é uma garota da minha guilda. – Responde Kevin.
— Ahh, entendi. Ah, é mesmo. Você ia voltar para sua guilda, né?!
— Pois é, mas aí, a gente acabou se distraindo. Hahaha. Eu deveria ser mais cuidadoso.
— Haha. É mesmo. Poxa, me desculpa, a culpa é minha por ter feito você sair por aí andando comigo. Você nem me conhece direito.
— Que nada, você é meu amigo, Eron. A Mariana adora dar chilique mesmo, não ligue muito para ela não.
— Ah, então tá.
— EI! Vocês pretendem mesmo me deixar falando sozinha, é isso?!! – Fala uma Mariana irritada.
— Opa, foi mal, Mariene. – Fala Eron.
— Meu nome é MARIANA! – Responde ela.
— Poxa, Mariana, desculpa. Eu não queria ter deixado o pessoal da guilda preocupado, nem ter feito você ter vindo até aqui só para me procurar. – Diz Kevin. – Me desculpa.
— Tudo bem. – Suspira Mariana. – Mas é melhor voltarmos agora. – Kevin assente, enquanto Eron fica encarando Mariana. – E-Err. E você quem é?
— Eu?! O Meu nome é Eron. Prazer em te conhecer.
— Ah, o prazer é todo meu. Eu me chamo...
— Mariane. Eu sei, o Kevin já falou!
— É MARIANA. M-A-R-I-A-N-A! Mariana. Entendeu?!
— Sim. Entendi Marinana.
— Augh. É sério?! Você é burro assim mesmo?!
— Não, só estou te zoando, Mariana. É que você fica muito fofa quando está irritada. – Provoca Eron, deixando a pobre Mariana vermelha que nem tomate.
— E-Err... E-Eu não q-queria. Hã... – Gagueja a garota.
— Eron, você é mesmo hilário. – Caçoa Kevin numa alta gargalhada. – Sabe, já está bem tarde. Por que você não fica lá na guilda com a gente? Pelo menos até amanhecer?! Tem uma estalagem nos fundos e geralmente recebemos viajantes!
— Hum. Pode ser. Vamos lá! – Responde Eron.
— Legal. – Kevin já começa a se animar.
— Quer dizer, se a senhorita Mariana não for explodir de vergonha. Porque tá cada vez mais vermelha. – Provoca ainda mais Eron.
— Escuta aqui, seu merda. Acho bom você não me provocar, se não eu vou... – Mariana olha para os dois, que estão encarando-a, esperando sua resposta. – E-Eu vou... Que saco! Vamos logo.
— Ela é muito divertida. – Sorri Eron.
— Sim. É a Mariana, você se acostuma. – Concorda Kevin.
Eles vão caminhando pela cidade em direção a guilda. Enquanto isso, em outro lugar mais afastado do centro.
— Então você perde e volta correndo para casa como um filhotinho assustado?! É ISSO, Bradley?!
Num galpão afastado na periferia menos nobre da cidade, Bradley tem encarar seu líder.
— N-Não é isso, Kyuka. O cara era realmente forte. Apesar do dragão dele não parecer acho que era um tipo água e... – Bradley tenta dar uma boa desculpa.
— Está dizendo que além de ter perdido, você ainda perdeu para um tipo que tem vantagem?!! – Kyuka encara Bradley.
— Não entenda dessa forma. Veja, ele era tão forte que conseguiu vencer a Duda mesmo com a desvantagem e...
— VOCÊ É QUE É MUITO FRACO!
— Kyuka, o cara era um classe A. Acho que deveria estar viajando pelo país. Uma pessoa assim é, realmente, forte. Você sabe disso. Afinal você também é um classe A viajante.
— E daí?! – Kyuka fala como se estivesse tirando sarro de Bradley. – Você também é um classe A, não é, Bradley?!
— S-Sim, mas...
— Mas nada. Você também deixou a sua guilda e é um classe A! Arranje um jeito de derrotar esse tal de Merom ou sei lá qual é o nome.
— Mas Kyuka, eu deixei minha guilda depois que conheci você. Você me tornou um classe A! O cara é forte, se você e a Takuna lutassem contra ele, ele não teria chance!
— Como você ousa fazer uma insinuação dessas?! DERROTE ESSE COACH MISTERIOSO! Faça o que tiver que fazer e pronto! É uma ordem.
— S-Sim senhor.
— O que está esperando? – De trás de Kyuka aparece um dragão com enormes asas e com um só rugido libera uma incrível ventania, derrubando Duda e Bradley no chão. – É PARA IR AGORA!!!
Kyuka era um garoto alto com cabelos bem escuros e longos, os fios lisos estavam presos com uma liga verde. Forjando um sobre tudo por cima da camiseta bem colada no corpo, que mostra o bom físico. Tanto ele, quanto sua dragão permaneciam na penumbra da luz encarando Bradley.
— Ahh. Sim, senhor Kyuka. Vamos Duda. – Bradley monta em Duda e sai voando.
— Eron Tsagani, é?! – Fala Kyuka com a dragão. – Finalmente vai acontecer algo divertido por aqui, não acha Tak?!
— Sim, mestre. – A dragão assente.
— Será um prazer conhecê-lo, Eron Tsagani.
***
Enquanto um adversário um tanto “obscuro” se prepara para um possível ataque a Eron, ele finalmente chega, acompanhado de seus mais novos amigos, à Red Sky.
— Seja Bem Vindo, Eron. – Fala Kevin. – Essa é a nossa guilda, a Red Sky...
— Puxa, então essa é a guilda de vocês dois?! – Fala Eron, observando os poucos membros, que ainda estavam presentes na guilda àquela hora da noite. – Muito maneira.
— Bem, isso aqui é mais movimentado durante o dia. – Diz um homem de uns 40 anos se aproximando deles. – Seja Bem Vindo. Qual seu nome?
— Eron. Muito prazer senhor...
— Almeida. – Responde o homem. – Kevin, sua mãe já ligou. Está preocupada com você. Pediu para que nós mandassemos você ir para casa assim que aparecesse, ou seja, agora.
— Ah, sim. É mesmo. Eu não avisei a mamãe que eu voltaria tarde para casa. Obrigado, senhor Almeida. – Fala Kevin, já indo embora. – Thau, galera. Até amanhã!
— Até. – Respondem todos em coro.
— Mariana, eu já vou subir para dormir. Você fecha tudo quando subir, querida?! – Pergunta o Almeida.
— Sim, não se preocupe. Ah, e pai. O Eron pode passar a noite aqui? – Questiona Mariana. — Ele é da White Star.
— Claro. Fique à vontade, senhor Eron.
— Obrigado. – Responde Eron.
— Certo. Boa noite, crianças. – Com isso, o Almeida se vira e desaparece subindo as escadas localizadas no fundo do salão principal da guilda.
— Ele é o seu pai, Mari?! – Pergunta Eron.
— Sim. E-Ei, quem disse que podia me chamar por um apelido?!
— Ninguém. Aliás... Você tá fazendo de novo!
— D-De novo?
— Vermelha.
— Mas que droga. P-Pare de ficar notando isso.
— Tudo bem. Desculpa. Ei, o seu pai é o mestre da guilda?
— Bem, eu não diria “mestre”. Diria responsável.
— Por quê? Ele não é um Dragon Coach?!
— Não é que ele não seja um Dragon Coach, ele só não tem um dragão.
— Não tem um dragão?!
— Isso não importa. Mas Eron, você tem um dragão, né?! Posso vê-la?
— Hã. Claro. Meline, venha até aqui. – Com essas palavras, Meline volta a sua forma física, cumprimentando Mariana. – Mari, essa é a Meline.
— Muito prazer, dragão do Eron!
— Quem é você? – Pergunta Meline, num tom de hostilidade nem um pouco amigável.
— Err... Mariana.
— Eron, o que estamos fazendo aqui?
— Calma aí, Meline. Vamos passar a noite aqui hoje, tudo bem?!
— Que seja. Mas não vá se entregando nos braços de qualquer uma assim tão fácil! É melhor dormir comigo hoje à noite. Para sua segurança. – Meline encara Mariana.
— Me entregar nos braços de alguém? Segurança? Meline, acorda! Só vamos passar a noite aqui.
— Ei. Eu ainda estou aqui! – Mari se impõe na conversa. – Desse jeito, vocês estão começando a me ofender. Principalmente, essa dragão mau humorada.
— Mau humorada?! Eu?! Quem está ficando ofendida, agora, SOU EU! Quem você pensa que é?!
— Ei, ei, ei. Podem ir parando por aqui! – Eron interfere na discursão antes que fosse tarde demais. – O que é isso, meninas?! Já vão começar a brigar antes mesmo de se conhecerem?! Meline, estou falando com você.
— Humpf. – Meline grunhe.
— Ok. Que tal começarmos de novo, hein?! Meu nome é Mariana. Eu conheci o Eron recentemente e o convidei para passar a noite aqui, na guilda que faço parte.
— Eu sou Meline. Dragão do Eron.
— Bom, muito bom, meninas. – Comemora, cautelosamente, Eron.
— Bem, tem um alojamento lá nos fundos para dragões. Não é muito chique, mas é confortável. Se você quiser. Pode passar a noite lá com o Eron, já que pensa que vou ataca-lo durante a noite.
— Certo. Eron, o que acha de passar a noite lá? – Meline se vira a Eron.
— Por mim, tudo bem. Mari, aonde fica esse alojamento?
— É por aqui. Venham. – A menina guia eles até a parte de trás da guilda, de onde já se vê o alojamento. – Aliás, Meline. Que tipo de dragão você é? Não parece ser de nenhum dos quatro báscos.
— É porque não sou!
— Desculpe a Meline, Mari. Ela deve está estressada.
— Sei...
— Bom, mas respondendo a sua pergunta, a Meline é um dragão elementar.
— Um dragão elementar?! Aquele tipo raro de Land Core??! – Mariana fica surpresa.
— É, esse mesmo.
— Pensei que fosse só uma lenda. Então como vocês se conheceram?
— Foi lá em Land Core. Eu era bem novinho, aí...
— VOCÊ É DE LAND CORE, ERON??
— Sou.
— Sério?! E como é lá?? Tem muitos dragões? Como é o ecossistema?
— Calma! Sabe, eu vim para esse continente, quando ainda era bebê.
— Ah, entendi. Mas então, como você sabe como conheceu a Meline?
— Histórias de parentes. Sabe como é que é, né?!
— Sei. – Eles encerram a conversa com a chegada ao alojamento. – Chegamos.
— Hmm. Legal, gostei daqui. – Eron se joga numa cama. – Confortável...
— Até que não é um local tão ruim. – Afirma Meline.
— Hm, Eron. Eu li em livros sobre dragões que os tipo elementar são capazes de dominar todos os elementos. A Meline é capaz disso?
— Mas é claro que sou. Garota burra.
— Meline. Eu já disse para se acalmar. – Eron dá uma bronca em Meline, que vira a cara, fazendo pouco caso. – Ai, ai. O que eu faço com você, hein Meline? Sabe, Mari... Sim, nós vamos conseguir dominar todos os elementos, mas não vai ser assim tão fácil.
— Como assim? Um dragão elementar já não nasce dominando todos os elementos? – Questiona Mariana.
— Bem, não. É como dizer que um bebê dragão do tipo fogo, por exemplo, já nasce sabendo dominar ataques fortes de fogo. É preciso treino para a dominância de seu elemento. Com Meline não é diferente. Entende, Mari?!
— Acho que sim.
— Nós começamos dominando elemento por elemento. A começar pelo ar, seguido da água, terra e fogo até os elementos mais difíceis como gelo e o trovão (ou raio). – Explica Eron.
— E já estou perto de acabar, por isso, garotinha burra, não me provoque! – Meline ameaça Mariana.
— M-Mas o Eron disse que vocês ainda irão dominar todos os elementos...
— Mas só falta um. Por isso não me provoque!
— Meline, deixe de contar mentiras para os outros. Mari, ainda faltam três, mas já estamos na metade do caminho. – Eron ameniza a conversa.
— Então vocês já dominaram o ar, a água e a terra?
— Exatamente.
— Humpf, até que você não é tão burra assim!
— Meline...
— Tudo bem, Eron. Já me acostumei com ela.
— Então tá. Ei, Mariana. Já que você faz parte de uma guilda e é uma coach também, que tipo de dragão você tem?
— Hã... Bem, eu não tenho nenhum dragão não. Eu meio que gosto mais de cuidar deles, afinal tem tanta gente que só se preocupa em treinar e batalhar que acaba se esquecendo da saúde do dragão, né?!
— É.
— Sabe, Eron, cuidar de um dragão é igual a cuidar de uma pessoa. Precisa dar banho, escovar, cortar as unhas e levar a um veterinário, de vez em quando, para uma análise. E por falar nisso, Eron, você me deixa analisar a Meline?
— Analisar, como assim? – Pergunta Eron.
— Ah, fazer um check-up, sabe?!
— Como assim um check-up, você pensa que sou o que, hein?! – Meline volta a ficar irritada.
— Ah, não se preocupe, eu faço curso técnico em medicina dragônica, não vou te machurar, vou cortar suas unhas, limpa suas escamas, verificar e limpar suas asas. Tudo para que você possa se sair melhor nas batalhas. E claro, ver se você não está doente ou algo do tipo. – Explica a garota.
— Bom, nesse caso, acho que tudo bem. – Meline se deita, deixando Mariana se aproximar dela.
A garota retira algumas ferramentas veterinárias da pequena maleta e passa a polir as escamas da dragão, cortando e afiando, cuidadosamente, suas garras, mesmo como seus espinhos e chifres.
“Puxa, A Mariana é muito atenciosa com os dragões. Ela está certa. Ser um treinador não é só treinar e batalhar, é preciso cuidar do dragão também. Ver como ele está de saúde e o ajudar a fazer a higiene... Coisa que eu acho que nunca fiz com a Meline. Agora entendi o que ela quis dizer quando falou que ela não tinha o dragão, não é preciso ter um dragão para ser um treinador, basta amar os dragões como a Mari faz. É, ela é uma verdadeira Dragon Coach.” Pensa Eron.
— Olha só, Eron. – Fala Mariana. – Depois que eu comecei a passar essa esponja na Meline, ela acabou adormecendo. Hahaha, acho que o mau humor dela era só sono mesmo... Hehehe... Eron?! – Ela vira na direção dele.
— Meeeline... Vaaai Meeeline! Aght, Nós vamos venceeer, Meeeline...
— DORMIU TAMBÉM?!!
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