Notas iniciais
Aos novos leitores, sejam Bem Vindos! Após quatro anos de publicada essa história pela primeira vez, decidi fazer algumas alterações. Recomendo aos leitores de antes da atualização que releiam os 10 primeiros capítulos da história, pois houveram algumas mudanças significativas. Data da Mudança/Atualização: 28/02/2019

— Quem é você? — Kyuka pergunta a mulher que ainda continua em pé diante deles.

— Meu nome é Daniella. — Ela sorri de lado para eles, virando as costas em direção à saída do galpão.

— Aonde você vai? — Kyuka grita para Daniella que não para para ouvi-lo, nem sequer vira a cabeça na direção de sua voz.

— Por que não vem comigo e descobre?

Kyuka então segue a misteriosa mulher para fora do galpão acompanhado por Bradley e outros oito garotos atrás deles. Quando chegam do lado de fora se deparam com um helicóptero enorme com lugar para todos eles e ainda outros dois de sobra. Na porta do helicóptero está Daniella segurando uma taça de champagne que teria pego da bandeja de um mordomo que estaria segurando a bebida também na porta do helicóptero.

— Que bom que decidiram me acompanhar. — Ela levanta a perna e sobe no helicóptero, sentando-se em uma das cadeiras. — Subam.

— Kyuka. — Bradley segura o braço de Kyuka que já estava indo na direção do helicóptero. — Tem certeza? É melhor tomar cuidado.

— Ela disse que podia me ajudar a derrotar o Eron. — Kyuka fala baixo para Bradley.

— Mas você nem sabe se isso é verdade.

— Vamos descobrir então. — Kyuka solta seu braço da mão de Bradley e sobe no helicóptero.

— Bradley, você acha que é uma boa ideia? — Um dos garotos da gangue fala perto do ouvido de Bradley.

— Não. — Ele responde. — Mas é melhor irmos, não podemos deixar o Kyuka sozinho nessa. Até porque essa mulher vai se tornar um grave caso de assédio sexual.

— Vocês vem ou não?! — Grita Kyuka do helicóptero.

— Já estamos indo Kyuka! — Bradley corre com os outros e sobem rapidamente na aeronave.

— Estão todos prontos? — Daniella pergunta e ao recebrer a resposta em afirmativo assente ao piloto que fecha as portas e começa a levantar vôo.

— Então?! Aonde vai levar a gente? — Kyuka pergunta a Daniella que dá um último gole no seu champagne antes de responder.

— Como você é impaciente. — Ela deixa sua taça de lado, pegando outras duas limpas no lugar. — Quantos anos você tem?

— Vinte e dois.- Kyuka responde.

— E os outros?

— Vinte. — Afirma Bradley e as respostas dos outros variam entre 16 e 20 anos.

Ela pega mais taças e vai entreganndo aos garotos, enquanto serve mais uma garrafa de champagne a eles.

— Um brinde. — Ela levanta a taça para cima e volta a boca bebendo outro gole. — Podem beber, não se acanhem. Garotões que nem vocês não ficar bebados ou morrerem com uma tacinha de champagne.

Todos bebem um gole da bebida espumante, exceto Kyuka que joga a taça no chão, quebrando-a e derramando todo o champagne no carpete.

— Você não nos chamou aqui para beber champagne no seu helicóptero, não é mesmo?! — Kyuka grita para a mulher.

— Você tem ideia do quão caro esse champagne era?

— Diga logo! Como você pode me ajudar a derrotar Eron?!

— Já disse que você é impaciente. — Ela retruca. — É melhor ir se acalmando, quando chegarmos vocês vão ver. Não adianta dar escândalo aqui dentro.

Até que o helicóptero pousasse se fez um silêncio ensurdecedor. Ninguém, nem mesmo Daniella ou qualquer um dos rapazes soltou um único ruído. De todos, Kyuka era o que mais parecia estar em um completo estado de inércia, permanecia de olhos fechados, sentado numa posição ereta com as pernas curzadas, de modo que nem sua respiração era audível.

O estado de repouso é interrompido quando o helicóptero pousa no topo de uma serra. Quando todos descem, se deparam com um jatinho e uma equipe de bordo esperando-os em pé do outro lado do monte. Daniella então se posiciona na frente dos meninos.

— Bem, rapazes. Meu nome é Daniella Delonix. Faço parte da Lazward Hole. Uma instituição que funciona secretamente em todo o mundo com sedes presentes em seis dos oito continentes que existem, sem contar com Land Core, é claro. — Enquanto Daniella fala todos, sem exceção ficam perplexos diante de tamanha revelação. — Nossa organização funciona através de fundos privados e não contamos com participação ou apoio de nenhuma governo, embora alguns de nossos maiores colaboradores sejam também membros do alto escalão do Judiciário de algumas nações. Nosso objetivo?! Criar, treinar e monitorar o número máximo de Dragon Coaches que conseguirmos.

— E por que vocês fariam isso? — Bradley indaga desconfiado. — Por que ajudariam treinadores como nós?

— Acreditamos que cada Coach tem a capacidade de ser o melhor do mundo. Buscamos jovens justamente como o Kyuka que desejam ficar fortes para superar seus próprios desafios. — Ela vira então na direção de Kyuka e vai até ele, tocando em seu peito, fazendo-o corar. — Nós podemos te dar o poder para isso e em troca você representa a Lazward Hole em competições. Se não quiser competir, também não tem problema, você pode prestar serviços em missões ou trabalhar como um de nossos caça-talentos até que pague nossa dívida com você.

— Dívida? — Kyuka levanta o rosto, voltando a si. — Você disse que faria isso para me ajudar.

— Claro que é para te ajudar, mas nenhuma ajuda vem de graça, certo?!

— Certo! — Bradley afasta Daniella de Kyuka. — Você está certíssima. Você, que tem um helicóptero particular, um jato e vive com todo esse luxo, não iria ajudar alguém como o Kyuka só por compaixão. E pode ir tirando essa mãozinha daí, porque com o seu corpo, você pode ter quem você quiser. Além do mais, você apareceu assim, do nada, logo depois que o Kyuka foi derrotado pelo Eron. Ainda vem com toda essa conversa de organização secreta mundial, de quem quer ajudar, como se já soubesse de tudo. Isso é muito suspeito. Fala logo a verdade! QUEM É VOCÊ?

— Eu acabei de explicar, filhote. — Ela ri de lado. — Sorte do seu amigo ter um escudeiro tão atento. Só mais um pouco e seu amiguinho estaria nas minhas mãos. Não que você ter se dado conta de tudo isso agora vá mudar muita coisa. Vocês estão presos aqui em cima e não têm como sair. Então vou lhes fazer uma proposta. Kyuka, meu bem, se você me derrotar numa batalha, eu levo você e seus capangas de volta para a cidadezinha de onde vinheram. Mas se eu vencer, você vem comigo e eu te ajudo a derrotar Eron Tsagani. O que me diz?

— E-eu... — Kyuka treme cabisbaixo sem conseguir dar uma resposta.

— Kyuka... — Bradley sussura para o seu amigo, se posicionando na sua frente, olhando para Daniella. — Eu te digo: Aqui vai um aquecimento! Vamos galera!

Bradley chama Duda, montando nela, seguido dos outros oito garotos ali presentes, todos nos seus respectivos dragões em direção a Daniella.

— Huhuh. — Ela dá outro sorriso de lado. — Vamos lá, Dark!

Surge de trás dela um dragão do tipo fogo com as escamas de um vermelho escuro muito forte e vai em alta velocidade na direção de Bradley e dos outros.

— Vai lá, Dark. Bruma de Lava. — O dragão estica suas asas e lança fogo pela boca por todas as direções, voando em espiral, derrubando um por um todas as duplas.

— Aii... Que golpe potente. — Bradley tenta se levantar, mas é interceptado por Kyuka. — Kyuka, ela é muito forte, você não pode vencê-la!

— Não. — Kyuka responde. — Mas não vou deixar que vocês se machuquem. Sou seu líder, não vou permitir que ela faça mal a vocês. Isso tudo é culpa minha...

— Kyuka... — Bradley deixa cair uma ou duas lágrimas.

— Bradley! — Kyuka grita. — Nunca mais batalhe por mim, uma batalha que é minha, você entendeu?! E quanto a você, Daniella! Se quer tanto derrotar Eron por que não faz isso sozinha? Você tem força para isso! Não precisa de mim!

— Já disse que só quero te ajudar. — Ela responde, enquanto volta seu dragão à forma espiritual.

— Tudo que eu quero é me tornar mais forte! Se eu for com você, vou ficar mais forte, certo?! — Kyuka fala com convicção. Daniella assente. — Então me leve com você, por favor. Mas também deixe eles de volta no galpão.

— Pode deixar. — Ela faz um sinal para que os funcionários ajudem Bradley e os outros a se levantarem, conduzindo-os de volta para o helicóptero.

— Bradley, eu vou fazer parte da Lazward Hole, então você é o chefe agora, entendeu?!

— N-não! Não entendi! — Bradley tenta se soltar, mas é segurado pelos comissários. — Kyuka! Você disse que ia ser nosso líder, volta aqui!

— Vamos?! — Daniella conduz Kyuka, que vira as costas para Bradley e os outros.

[Sete anos atrás]

— Você tem que ser mais forte. — Fala Kyuka.

— Eu não consigo! Sempre perco! — Diz um Bradley aos prantos.

— De onde você é, moleque?! Onde estão seus pais?

— De lugar nenhum! Eles já morreram, eu fui criado por um vizinho, mas ele sempre me batia por isso eu fugi!

— E achou esse dragão por aí?

— A Duda me ajudou a sobreviver nesses últimos dois anos! Você não tem o direito de machucá-la!

— Entendi. — Kyuka estende a mão a Bradley. — Levanta!

— Obrigado. E-espera! Aonde você vai?

— Vem comigo.

— Para onde?

— Eu moro num galpão abandonado fora da cidade. Meus pais também morreram. Venha. Vou te dar abrigo e te ensinar a ser mais forte.

— E por quanto tempo vou poder ficar?

— Pelo tempo que você quiser.

— Você não quer que eu vá embora? Então vou te seguir para todo lugar e vou te servir e você vai ser meu líder!

— Tá, tanto faz.

— Legal! — Bradley sorri. — Me chamo Bradley, como é seu nome?

— Kyuka. Kyuka Takagi. — Kyuka também sorri. — Agora ande mais rápido, eu estou com fome.

— Sim, senhor Kyuka!

— Kyuka! Você disse que ia ser nosso líder, volta aqui! — Bradley grita novamente.

— Adeus, Bradley. — Kyuka sussurra para si mesmo.

— KYUKA!!!

***

— Não acredito que vocês me deixaram lá! Esperando vocês por uma hora! — Mariana bufa.

— Ah, Mari! — Eron suspira. — A gente já entendeu.

— É, desculpa. — Kevin suspira também. — Não vai mais acontecer. A gente só se esqueceu.

— Esqueceu?! Então vocês admitem que tenham esquecido de mim! Que absurdo! Eu não sou um objeto que possa ser esquecido assim de uma hora para a outra! Aliás o que vocês estavam fazendo?

— Eu desafiei o Eron para uma batalha. — Kevin fala já bocejando.

— É mesmo? E como foi? — Pergunta Mariana.

— O Kevin se saiu muito bem! — Diz Eron. — Ele quase me derrotou.

— Não brinca?! — Mariana fica perplexa.

— Foi. — Eron assente.

— Se não fosse por eu não ter uma jogada especial teria vencido. — Afirma Kevin.

— É verdade. Você não tem uma jogada especial, não é Kevin?!

— Pois é. Eron, você me ajuda a criar uma?

— Não se preocupe com isso, Kevin. — Diz Eron. — Sua jogada especial vai vir quando você mais precisar dela. Agora, boa noite... nahm... nham... RONC! RONC!

— Me impressiona como o Eron dorme rápido. — Fala Mariana.

— É verdade. — Afirma Kevin rindo. — Que bom que meus pais deixaram eu dormir aqui com vocês hoje.

— Pois é.

***

De volta ao galpão abandonado na perifeira da cidade.

— Bradley, o que vamos fazer agora sem o Kyuka?! — Pergunta um dos garotos.

— Eu não sei. — Afirma Bradley. — Eu só queria saber quem era aquela mulher e para onde ela levou o Kyuka.

— Fato é que não podemos fazer nada, afinal nós perdemos. — Diz um outro. — E agora o líder é você Bradley.

— Nosso líder sempre será o Kyuka. — Fala Bradley. — Vamos continuar a fazer o que sempre fizemos. E vamos esperar até que o Kyuka volte e procure a gente.

— Bem, nesse caso, logo vai amanhecer. Nós vamos com os outros para a fronteira da cidade, vai ter um torneio daqui a duas semanas e já tem novos Coaches chegando. Vamos ver se conseguimos alguns pontos, quer vir, Bradley?!

— Não. Eu vou passar o dia aqui amanhã. Acho que preciso ficar um pouco sozinho.

— Então ok. Se precisar, é só chamar. Tchau.

— Valeu galera.

Bradley se deita perto de Duda que estava descansando sobre um cobertor.

— Duda... Para onde você acha que levaram o Kyuka? — Indaga Bradley.

— Eu não sei. É melhor você descansar um pouco. — Afirma a dragão.

— Verdade, amanhã vamos treinar um pouco.

Bradley cai no sono. No outro dia ele está do lado de fora do galpão fazendo alguns exercícios aeróbicos com Duda.

— Olha só, mas você não descansa mesmo, hein?! — Fala ma voz por trás de Bradley.

— Quem está ai? — Ele se vira. — Você?!

— Como vai?! — Bradley se depara com Daniella montada em seu dragão atrás dele.

— Como você tem coragem de vir até aqui depois do que você fez?

— Mas eu não fiz nada. Kyuka que quis vir comigo, não se lembra?! Afinal eu desafiei vocês para uma batalha e vocês perderam.

— Mentira! Uma batalha impossível de se ganhar não é uma batalha! Você sabia que nunca te venceriamos. E mesmo assim levou o Kyuka embora! Para onde você levou ele?

— Calma, garotão. Eu não vim aqui para brigar. O Kyuka está bem, não se preocupe, em breve ele voltará. Mas por enquanto, que tal eu te fazer uma proposta?

— Vai perder seu tempo. Não negocio com gente da sua laia.

— Eu aposto que você vai sim. — Daniella pega a mochila que estava nas suas costas e tira dela uma maleta, dando para Bradley. — Isto é um novo aparelho de última geração para os dragões do tipo terra. É um protetor de asas e um leme para a cauda. Aumentam a velocidade e a agilidade do dragão do jeito que o treinador quiser usar.

— E para que é isso?

— É a prova de que minha proposta é válida.

— E qual é a sua proposta?

— Já mudou de ideia?

— Fale logo antes que eu mude de novo.

— Você pode usar esse equipamento para desafiar Eron Tsagani. Se você derrotá-lo, eu trago o Kyuka de volta no mesmo dia e as dívidas dele conosco serão quitadas.

— Por que é que você quer tanto assim derrotar o Eron? O que você tem com ele?

— Digamos que sou uma espécie de conhecida dele.

— O que você quer dizer com isso?

— Eu disse o que quis dizer e quis dizer o que eu disse. Agora tenho que ir, adeus.

— Espere! Quem diabos é você?

— Você vai descobrir. — Daniella pisca e sorri para Bradley antes de levantar vôo. — No momento certo.

— Tsc. Eron Tsagani... Acho que a pergunta mais prudente no momento é quem seria você...

***

Na fronteira da cidade, passos correndo são interceptados.

— Ora, ora. O que temos aqui... — Um dos capangas do Kyuka barra a passagem de uma pessoa encapuzada.

— Eu não quero confusão. Só quero entrar na cidade. — O viajante responde.

— Quem é você? Tire o capuz!

O rapaz assente para um outro que chega por trás do viajante e retira seu capuz, revelando uma jovem de não mais do que 21 anos, muito bonita. Com cabelos curtos encaracolados e castanhos claros que combinam bem com a pele morena em contraste com os olhos azuis.

— Eu vou repetir só mais uma vez. Saiam do meu caminho! — Afirma a garota.

— Huhuh. O que te faz pensar que vamos deixar você passar assim, sem mais, nem menos? É uma treinadora, não é?! Então para começar nos der todos os seus pontos.

— Humpf. Vai sonhando. Ame, venha me ajudar. — A menina ri de lado, materializando um dragão em sua frente.

— Um dragão do tipo água, é?! Isso não vai adiantar de nada. Estamos em maior número, você não vai passar sem nos dar nada em troca!

— Quer ver? — Ela provoca. — Mas talvez, vocês possam me ajudar. Eu vim até aqui para desafiar Eron Tsagani, vocês sabem onde posso encontrá-lo?

Notas finais
Obrigada por concluir o oitavo capítulo de Dragon Coaches! O conteúdo pode ser gratuito, mas o esforço é real! Comente nas histórias dos autores.