Dragon Ball UD
1 Um desejo sombrio
Ano 789 — Planeta Terra
A jornada de Goku e seus amigos foi, sem dúvida, uma das mais extraordinárias já vividas por qualquer guerreiro. Um caminho repleto de batalhas épicas, transformações divinas e inimigos que testaram os limites da esperança e da força. Dos primeiros passos como um garoto de rabo de macaco até se tornar o maior protetor do universo, Goku trilhou uma estrada marcada por coragem, superação e evolução constante.
Os últimos confrontos foram verdadeiramente colossais. Da temível ameaça de Moro, o mago que devorava planetas, até o trágico embate com Granolah, o sobrevivente de uma raça dizimada pelos saiyajins. Sem esquecer, é claro, do simbólico 28º Torneio de Artes Marciais — um novo começo, e talvez, um fim silencioso de uma era.
Goku enfrentou inimigos que poucos sequer ousariam encarar. Ascendeu pela primeira vez ao lendário estado de Super Saiyajin ao desafiar Freeza, o tirano galáctico. Alcançou a forma completa contra Cell, o bio-androide em busca da perfeição. Superou limites mais uma vez durante a luta contra Majin Buu, atingindo os níveis 2 e 3 da transformação saiyajin, mesmo quando tudo parecia perdido.
Mas sua jornada não parou por aí. Avançou ainda mais, rompendo as barreiras do possível. Despertou o poder de um Deus ao enfrentar o Destruidor Bills e, logo em seguida, revelou a nova e magnífica forma do Super Saiyajin Azul ao confrontar o renascido Freeza Dourado.
Envolveu-se no torneio entre universos, onde duelou com Hit, o assassino do Sexto Universo, num confronto onde o tempo se dobrava à vontade dos lutadores. Auxiliou Trunks do Futuro em sua luta desesperada contra Goku Black — uma versão distorcida de si mesmo, fria e impiedosa. E quando o multiverso esteve à beira da aniquilação no Torneio do Poder, Goku uniu forças com N°17 e até com seu antigo inimigo Freeza para derrubar Jiren — o mortal mais poderoso de todos os universos presentes.
Foi ali, naquele campo de batalha interdimensional, que Goku acessou seu poder mais transcendente: o Instinto Superior. Um estado que beira o divino, onde o corpo age por si só, sem hesitação ou pensamento — apenas puro instinto e precisão absoluta.
Mais adiante, enfrentou Broly, um saiyajin de coração puro como o seu, mas tomado por um poder instável e destrutivo. Goku não apenas sobreviveu à fúria de Broly, como estendeu-lhe a mão, reconhecendo ali um possível aliado... e talvez um amigo.
Juntou-se à Patrulha Galáctica para deter o ressurgimento do ameaçador mago Moro, cuja fome por energia ameaçava estrelas inteiras. Depois, encarou a dor do passado em um confronto marcado por legado e redenção, ao enfrentar Granolah e, em seguida, Gás — um inimigo que havia combatido seu próprio pai, Bardock, décadas antes.
Mas nem todo herói vence sempre.
No auge de tudo, Goku foi superado por um antigo rival, agora renascido em uma forma devastadora: Black Freeza. Uma nova e sombria ameaça pairava sobre o universo. A derrota, no entanto, não quebrou seu espírito. Como sempre, Goku via nos desafios a oportunidade de crescer — não para si, mas para proteger tudo o que amava.
E então, veio o 28º Torneio de Artes Marciais. Entre rostos novos e antigos, Goku se deparou com Uub — a reencarnação do outrora maligno Majin Buu. Um garoto humilde, de coração puro e grande potencial.
Goku, com o sorriso de quem já viu demais e ainda assim não perdeu a fé, reconheceu em Uub um novo início. Um novo legado. Com isso, decidiu treiná-lo pessoalmente, selando uma nova promessa para o futuro.
Os anos passaram rapidamente.
O som do silêncio era quebrado apenas pela respiração compassada de dois guerreiros. No coração da Sala do Tempo, Goku e Uub se encaravam, firmes, determinados. A atmosfera ao redor tremia, literalmente, diante da intensidade do ki que ambos emanavam.
A tensão era quase palpável.
— Uub, este é o Super Saiyajin. — disse Goku, enquanto seu cabelo dourado se erguia e a aura brilhante o envolvia com poder. — Mas você já sabe disso. Começarei por aqui.
— Não precisa pegar leve comigo, mestre. — respondeu Uub, firme, entrando em posição de combate. — Hoje... eu vou te vencer.
Goku esboçou um sorriso calmo, mas havia orgulho em seu olhar.
Num piscar de olhos, os dois desapareceram e reapareceram em pleno céu da dimensão. Uub avançou primeiro com um soco direto, mas Goku bloqueou com uma facilidade quase provocativa, contra-atacando com um chute certeiro no abdômen.
A troca de golpes se intensificou.
Uub se sentia pressionado, sufocado pela velocidade de seu mestre. No entanto, a cada movimento, seu corpo aprendia, se adaptava. Golpes que antes falhavam, agora estavam começando a tocar. Ainda que leves, cada acerto era um avanço.
Determinando sua estratégia, Uub recuou e disparou uma sequência de rajadas de ki. As explosões ecoaram, fazendo a própria dimensão estremecer. A poeira da destruição cobriu tudo por alguns segundos.
Do meio da fumaça... Goku surgiu. Intacto.
Seus cabelos estavam mais espetados, cercados de eletricidade. Ele havia ascendido ao Super Saiyajin 2.
— Vamos ver como se sai contra isso — disse Goku, já reunindo energia nas mãos em forma de concha.
Uub pousou. Seus olhos estavam cheios de fogo. Sem hesitar, replicou o gesto.
— Ka...me...ha...me... — ambos entoavam em uníssono, os olhos fixos um no outro. — HA!!!
As ondas colossais colidiram com um impacto ensurdecedor. Uub cerrou os dentes, forçando cada gota de energia. Goku, sorrindo, elevou seu ki — e num instante, seu cabelo se alongou e seu semblante se tornou mais feroz. O Super Saiyajin 3 estava ali.
O ataque de Goku dominava.
— É só isso, Uub?! Vamos lá! Mostre do que é capaz, ou vai perder! — gritou o mestre, pressionando ainda mais.
— K-Kaio-Ken! — berrou Uub, seu corpo sendo envolvido por uma aura flamejante vermelha. Seu poder dobrou em segundos.
O embate de energias alcançou seu clímax — e então explodiu. Uma onda de energia devastadora varreu a Sala do Tempo, mas, antes que a fumaça se dissipasse, os dois já estavam trocando golpes novamente, como se a explosão fosse apenas um prelúdio.
Do lado de fora, no Templo Sagrado, Dende e Sr. Popo observavam, alarmados.
— Isso é... impossível. A Sala do Tempo está tremendo! — disse Dende, tentando manter o equilíbrio.
— Eles vão acabar destruindo tudo lá dentro... — murmurou Popo, já visivelmente preocupado.
Dentro da dimensão, Goku continuava sorrindo, mas sua expressão revelava algo mais: respeito. Uub já não era mais um simples garoto — era um guerreiro.
A cada golpe trocado, Uub se aproximava do verdadeiro poder que Kid Buu possuíra. Sua energia bruta, agora moldada por disciplina e treino, estava à beira do despertar completo.
E então, Goku parou no ar. O sorriso deu lugar à concentração.
— Uub... vou liberar meu poder total agora.
Para surpresa do jovem, Goku voltou à sua forma base.
— Pode vir, mestre! Eu vou dar tudo de mim! — gritou Uub, sua aura vibrando com fervor.
Mas o silêncio caiu. Os olhos de Goku tornaram-se prateados. Seu cabelo ficou branco como a luz mais pura. A aura ao seu redor queimava como fogo divino — suave, mas letal. O Instinto Superior havia despertado.
Uub sentiu um calafrio na espinha.
Respirou fundo. Reuniu cada partícula de energia que restava.
— Kaio-Ken x10! — berrou, o solo sob seus pés se partindo com a força do ki.
Em um piscar de olhos, Uub estava diante de Goku, desferindo uma sequência de socos, chutes, cotoveladas, joelhadas... Mas seu mestre, calmo como uma brisa, desviava de tudo com movimentos quase invisíveis.
Era como lutar contra o vento.
E então, veio a dor. Um golpe seco no abdômen. Uub voou para trás, arfando. Antes que pudesse recuperar-se, Goku apareceu atrás dele e o lançou ao chão com um chute violento.
Uub se ergueu no ar, mesmo ferido. Gritou e disparou uma chuva de ki, desesperado. Mas Goku caminhava entre as explosões, inabalável, como se a energia mal o tocasse.
Com um movimento súbito, Goku apareceu diante de Uub e desferiu um soco direto no rosto, lançando-o em queda livre. Uub girou no ar, reuniu energia nas mãos e a usou para se lançar novamente para cima.
Goku desceu como um raio.
Ambos fecharam os punhos.
Ambos gritaram.
E então, colidiram.
O impacto foi tão absurdo que rompeu a estrutura da dimensão da Sala do Tempo. O tecido do espaço distorceu. Uma explosão tão poderosa se formou que ultrapassou as barreiras daquela realidade.
Do lado de fora, o Templo de Kami-Sama explodiu de dentro para fora, como uma estrela implodindo em luz. Dende e Sr. Popo foram arremessados para longe.
— NÃO! — gritou Dende, aterrorizado. — A Sala do Tempo... ela colapsou!
Dos escombros e da poeira cósmica, uma silhueta surgiu.
Goku. Suas roupas estavam rasgadas, seu corpo suado e marcado. Nos braços, ele carregava Uub — inconsciente, mas respirando.
— Senhor Goku! Uub! — gritou Dende, correndo até eles.
Com um toque, Dende curou o jovem guerreiro, restaurando suas energias. Uub abriu os olhos devagar, confuso, mas com um brilho diferente. Um brilho de quem cruzou um novo limite.
— Vocês destruíram tudo... de novo. — resmungou Sr. Popo, olhando para as ruínas do templo, soltando um suspiro resignado.
Goku olhou para o céu. E então, para Uub.
— Você está pronto. — disse, com orgulho. — Agora sim... você é meu verdadeiro sucessor.
Uub sorriu, apesar da dor. Porque ali, naquele instante, ele havia deixado de ser apenas um discípulo.
— Obrigado... Senhor Goku. — o jovem agradeceu.
Capital do Oeste — Corporação Cápsula
O sol da tarde atravessava os enormes vidros do arranha-céu, banhando o escritório de Trunks com uma luz dourada. Mas, para ele, não havia tempo para admirar a paisagem. A mesa estava tomada por papéis, contratos e relatórios que pareciam se multiplicar a cada minuto.
Trunks, agora um jovem adulto e diretor da Corporação Cápsula, se via atolado de responsabilidades desde que sua mãe, Bulma, finalmente se aposentara — ou, como ela dizia, “decidiu tirar férias permanentes”.
De repente, a porta foi aberta com força. Três figuras familiares adentraram com cara de poucos amigos e braços carregados.
— Mais uma entrega especial da montanha de trabalho infinito. — resmungou Pilaf, quase tropeçando sob o peso de documentos.
— Assinado, carimbado e tudo seu, chefe. — completou Shu, depositando a pilha de pastas na mesa.
Os dois saíram rapidamente, como se fugissem de uma bomba-relógio. Só Mai ficou, ainda segurando mais alguns papéis.
Trunks passou a mão pelos cabelos e suspirou fundo, largando o corpo contra a cadeira.
— Eles agem como se fosse culpa minha tudo isso aparecer... — murmurou.
— Talvez seja. — respondeu Mai, sorrindo ao fechar a porta com calma atrás de si. — Você que resolveu virar o novo presidente workaholic.
— Não tive muita escolha... — ele se levantou, andando até a janela. Seus olhos pousaram na paisagem da cidade, mas sua mente estava em outro lugar. — Tem dias em que eu só queria largar tudo, sair voando por aí e esquecer que planilhas existem.
Mai o observou por um momento, depois caminhou até ele.
— E se eu dissesse que posso te ajudar a fugir um pouco? — disse suavemente, ficando ao seu lado.
Trunks desviou o olhar da janela para ela. Os olhos de Mai sempre tinham aquele brilho sereno, mesmo quando o mundo parecia desmoronar.
— Me ajudar? Você sabe que vão dizer que estou abusando da minha autoridade se te virem fazendo meu trabalho.
— Deixa falarem. — Mai segurou sua mão, entrelaçando os dedos com carinho. — Sou sua namorada. E além disso, eu quero que a gente tenha um encontro decente hoje, não um café às pressas no refeitório.
Trunks sorriu, relaxando um pouco. Só Mai conseguia arrancar isso dele em dias como aquele.
— Você sabe como me convencer, né? — ele se virou completamente para ela, ainda segurando sua mão. — Sério, Mai, sem você... acho que eu já teria surtado aqui dentro.
— E eu ainda estarei aqui quando você surtar. Só me avisa antes pra eu trazer chá. — brincou ela, antes de se aproximar e lhe dar um beijo leve nos lábios. — Agora vamos acabar logo com isso. Quanto antes terminarmos, antes posso te sequestrar pra um jantar.
— Dessa parte eu gosto. — Trunks disse, já indo em direção à mesa.
Eles começaram a organizar os papéis juntos, dividindo tarefas, sorrisos e trocando olhares cúmplices a cada nova pilha resolvida.
Do lado de fora, no corredor, Pilaf e Shu ainda espiavam de longe, encostados na parede com cara de derrota.
— Ela não vai sair tão cedo... — murmurou Shu, ajeitando o chapéu.
— Tsc. Abandonou a equipe. Se perdeu pro amor. — Pilaf cruzou os braços, suspirando. — Vamos embora, Shu. O coração dela agora é do chefão.
Os dois foram embora cabisbaixos, enquanto lá dentro, Trunks e Mai continuavam seu trabalho lado a lado, como parceiros — na vida e no caos corporativo.
No vácuo entre os universos...
Na vastidão silenciosa entre as realidades, onde nem tempo nem espaço seguem regras comuns, uma nave colossal avançava como um presságio sombrio. Seu casco negro refletia a luz distorcida das estrelas distantes. Era uma visão que fazia até os deuses estremecerem.
As comportas se abriram lentamente, soltando um vapor frio. E dele, emergiu uma figura conhecida e temida: Freeza, o Imperador do Universo 7.
O tirano pisou no solo metálico de sua nave. Já não era o mesmo vilão impulsivo de antes — uma década se passara desde que voltará a vida durante o Torneio do Poder. Desde então, ele havia reconstruído seu império... e seu poder como era originalmente.
Mas o que estava prestes a acontecer não era apenas um ato de vingança.
— Tudo isso... — ele murmurou, observando as gigantescas Super Esferas do Dragão diante de si — ...foi apenas o começo.
Ao seu lado, uma figura misteriosa surgia das trevas. Seus olhos brilhavam com malícia e sabedoria. Ela portava um cajado semelhante ao dos anjos e usava um manto com detalhes azul-escuros. Um sorriso frio adornava seu rosto.
— Então, senhorita anjo... — Freeza disse, virando-se ligeiramente. — Tem certeza de que isso funcionará?
— Absoluta. — respondeu ela, a voz suave ecoando de forma antinatural pelo vácuo. — Seu desejo quebrará o equilíbrio divino e semeará o caos. Enquanto os universos lutam por ordem... reuniremos aqueles dispostos a derrubar Zen’Oh.
Freeza sorriu. Não era arrogância — era confiança pura. Tudo estava finalmente ao seu alcance.
Ele estendeu os braços e, em voz firme, recitou as palavras proibidas no idioma angelical:
— Arabare ro Zarama, kamigami no ryū yo, ware wa omae o shōkan suru!
(Acorde, Zarama, dragão dos deuses. Eu o convoco!)
O espaço ao redor se rasgou. Uma luz dourada explodiu entre as esferas gigantes, e do centro surgiu ele — o lendário Zarama, o Dragão Supremo. Seu corpo era maior que galáxias inteiras, e sua presença curvou o tecido da realidade. Sua mera respiração fazia estrelas ao longe estremecerem.
Por todos os 12 universos, seres divinos e mortais ergueram os olhos, sentindo uma mudança indescritível.
Na Terra, Goku parou de comer abruptamente. O vento cessou. Seu instinto o alertava: algo muito errado havia acontecido.
De volta ao vazio, Freeza flutuava diante da criatura cósmica, os olhos brilhando de ambição.
— Zarama, kamigami no ryū yo, watashi wa negau... sonzai suru jūni no uchū no hakaishin-tachi o subete keshisatte kure!
(Zarama, dragão dos deuses... meu desejo é: apague da existência todos os Deuses da Destruição dos doze universos!)
Zarama não respondeu. Seus olhos apenas brilharam como duas supernovas silenciosas.
E então... o universo tremeu.
Planeta do Deus da Destruição – Universo 7
O cheiro do ramen ainda pairava no ar. Bills saboreava a tigela com entusiasmo incomum, enquanto Cheelai observava com desconfiança a forma educada com que ele comia.
Whis, à distância, mantinha os olhos fechados, meditando enquanto flutuava sobre uma flor celestial.
Mas então, tudo parou.
As nuvens congelaram.
A energia fluiu de forma estranha... errada.
Bills deixou os hashis caírem. A tigela caiu no chão com um "clac!", partindo-se em pedaços.
— Whis... — sua voz falhou. — Eu... não estou me sentindo bem...
Ele cambaleou.
O que aconteceu em seguida foi surreal. O corpo de Bills começou a se desintegrar em partículas douradas e translúcidas, como poeira cósmica levada pelo vento.
Seus olhos encontraram os de Whis. Sem raiva. Sem medo. Apenas compreensão.
— Whis... diga ao Vegeta e ao Goku que me tragam de volta. — murmurou, com um sorriso irônico, antes de desaparecer completamente.
Whis fechou os olhos. Silêncio.
Cheelai gritou.
Brolly ficou paralisado, sem saber o que fazer.
Whis, então, falou com frieza celestial:
— Como pode sorrir num momento desses?
Em todos os cantos do multiverso, os Deuses da Destruição ruíram. Cada um, em seu planeta, diante de seus respectivos anjos, sumiu como se nunca tivesse existido. Suas essências, suas almas — apagadas sem um único grito.
E no vácuo entre os universos, Freeza assistia à conclusão de seu desejo. Um novo reinado começava.
— Zarama, desejo concedido. — falou a voz do dragão, antes de desaparecer na escuridão estelar.
Freeza flutuou até o anjo misterioso.
— E agora?
Ela sorriu.
— Agora... começamos o verdadeiro jogo. A queda de Zen’Oh!
Fale com o autor