Drag Racing

5 5.0 Intercooler


Sally Benton, Katie Jackson e Sofia Martinez

https://www.youtube.com/watch?v=AKv3qtPi5rA

— É, Howard, foi mais um dia de comemoração para a Marc-Sison. O programa de ontem bateu a audiência nacional. Foi uma das competições mais surpreendentes já vistas pelos técnicos da empresa.

— Sim, Lucy, e não só pela vitória estrondosa da marca, mas a atuação de Brian O'Conner arrancou olhares de todos os lados. Esse jovem piloto promete nos surpreender cada vez mais.

— Hoje irá rolar uma coletiva de imprensa com todos os integrantes da Marc. Vamos tentar descobrir mais sobre a vida pessoal de cada um deles.

Era a vez de Wyatt brigar com a própria camisa. A ideia de se abrir perante a imprensa nacional lhe era absurda e ridícula: jamais imaginou que tivesse que se expor tanto. Se algum ex-parceiro ou rival o identificasse na televisão, teria sérios problemas ao sair dali.

— Tá tudo bem, cara? — Brian quis saber aparecendo no camarim.

— Não tô afim de dar as caras na TV. Isso vai dar merda... tô falando...

— Calma! Escuta: vai dar tudo certo. Tem gente te protegendo pelo programa. E eu to aqui?

— E o que você pode fazer por mim? Me mandar pra cadeia pra que ninguém possa me prender?!

— Não, idiota...! Eu posso adiantar sua condicional. Fica tranquilo que não vou deixar eles te pegarem

— Não preciso de caridade... Ninguém nunca teve que cuidar de mim.

— Só tô protegendo meu time, Wyatt. Eu quero vencer essa merda.

Todos os doze competidores subiram na bancada acompanhados de Simon que estava ali como representante da equipe técnica:

— Boa noite a todos, sou Simon, representante da Marc-Sison. Só espero conseguir atender às dúvidas de todos aqui presentes.

— O que a Marc tá planejando pra depois da competição? — quis saber o primeiro jornalista, um rapaz novo com cara de estudante.

— Bom, esperamos alavancar a marca pelo mundo, aumentar o acesso do público geral aos produtos da marca. Convidamos concorrentes pra tentar erguer uma possível sociedade no futuro, ainda que estejamos competindo no presente.

— A ideia do programa foi depois da empresa quebrar financeiramente?

A pergunta incomodou o editor:

— Não exatamente. Já tínhamos essa ideia de tempos atrás, a atual situação da Marc só acelerou sua concretização.

— Vocês consideram a Teko-Hokyo a maior concorrente de vocês?

— Não mesmo — Simon riu — São apenas jovens empresários que acabaram de assumir e acham que entendem alguma coisa de gerir uma empresa automobilística. Eles precisam baixar um pouco toda aquela bola e abrir os olhos — ele ironizou com o último comentário. — Sem querer ofender, por favor.

— E quanto as outras marcas? Vocês vão continuar tentando eliminar a concorrência?

— Não sabemos ao certo como será o futuro das marcas... Mas se pudermos construir uma sociedade em grupo, talvez seja melhor para todos.

— Você quer dizer um "cartel"?

Simon fuzilou o jornalista com o olhar:

— São especulações demais... Mas afirmo que a vida pessoal de meus competidores é bem mais interessante do que isso.

— Wyatt Bone — um homem quis saber — Por que acha que as pessoas de casa torceriam pra que um ex-presidiário ganhe o torneio?

— O que disse?

— Quero saber o que o faz merecer essa vitória. Ninguém acredita que a Marc tenha colocado todo tipo de piloto no programa. É uma variedade imensa se contarmos que temos bandidos, policiais, pessoas da roça e até dependentes químicos nessa competição.

Simon pareceu cruzar os braços e se recostar na cadeira com um sorriso de satisfação no rosto:

— Quem depende de química aqui? — Franky não entendeu a colocação. Sally olhou de Simon para o entrevistador e franziu o cenho percebendo a jogada do editor.

— Achei que as perguntas fossem a respeito das nossas habilidades como pilotos — Brian interveio — Não vejo porque nossas vidas pessoais possam interessar aqui.

— Lei Bing — chamaram-na — É verdade que você tem sonegado impostos da sua propriedade no Texas e deve a hipoteca da sua fazenda há onze meses?

— Hunf — Brian riu pelo nariz — Isso é ridículo.

— Não te interessa, engomadinho! Cale tua fuça! — a cowgirl apontou para o estudante e Brian, que estava ao seu lado, a fez sentar-se de novo e se acalmar.

— Sally Benton, é verdade que você decidiu correr pra salvar o emprego do seu pai?

— Ah... Eh...

— Sally quis correr porque gosta — Brian respondeu em seu lugar — porque queria provar que não é só uma herdeira. Os Bensons tem um nome de peso nas pistas de corridas clandestinas. Kurt melhor do que ninguém prova isso.

A garota o fitou com perplexidade:

— Então é verdade que você e Sally estão tendo um caso? — a pergunta partiu de Lena, assistente de Simon. Alguns dos pilotos encararam o empresário intrigados pela presença da jovem secretária.

— Isso não é verdade — Brian logo desmentiu — Deve ser um engano.

— Não é o que estão dizendo fora das pistas. Dizem que vocês chegam a ter encontros particulares pelo hotel.

Jason e até Wyatt se esticaram na mesa para encarar o policial:

— Não é verdade... — ele repetiu começando a ficar nervoso.

— Peraí, rapaz... — Wyatt se pronunciou — E aquela ideia de "ajudar a garota pra ajudar o time"? Então era tudo desculpa pra comer ela???

— Claro que não, Wyatt! Você sabe disso!

— Olha como fala! — ralhou Sofia.

— Escuta O'Conner... — Jason esfriou sua voz — Você e Sally tão formando parceria, é isso?

— Deixa de ser bobo, Walker — Sofia tentou cortar a ideia — Você sabe que é tudo mentira.

— Nunca acreditei nesse papo de "pelo time" — Lewis comentou baixinho, mas todos puderam ouvir — Eles querem sair em vantagem...

— Escuta aqui! — Brian se levantou da cadeira, a voz alterada, e encarou os companheiros — Parem de dizer essas coisas porque é tudo mentira! Essa... jornalista maluca tá tentando botar fogo na lenha! Só querem inventar histórias ridículas pra dar ibope! Mas você não vai conseguir, garota. Se alguém tiver alguma outra pergunta que não seja sobre esse assunto, podemos dar continuidade a essa entrevista.

Mas era tarde: grande parte dos repórteres se ergueram das cadeiras, agitados e curiosos para saber mais daquele assunto polêmico. Wyatt decidiu não abrir a boca o resto da entrevista e Jason ficou jogando indiretas pra cima da dupla. Brian mantinha os olhos sérios e irritados em cima de cada jornalista que se pronunciava, e Sally parecia querer chorar pela situação toda, apesar de demonstrar profunda raiva pela cena. A garota se levantou da mesa e desceu a arquibancada para os bastidores. Brian a seguiu atrás da cortina:

— Sally! Sally! — ele a chamou — Espera.

— O que foi?

— Calma, só queria conversar. Não liga pra esses caras... Eles são um bando de babacas.

— Não, Brian! Não posso ignorar falarem de mim dessa forma. Meu nome representa tudo que meu pai tem... Não posso fazer nada que suje a marca!

— Mas você não está fazendo nada! Relaxa...

— Não... Olha... — e ela suspirou profundamente — É melhor a gente não se falar mais... Não podemos ser vistos juntos outra vez... Eu preciso...

— O que? Por causa de uma bobagem dessas?!

— Bobagem?! Acha isso bobagem?! Você não entende nada! Esquece! Nem vou discutir!

— Não, não entendo porque tanta frescura por causa de um boato.

— Frescura?! — a loira cruzou os braços e ergueu uma sobrancelha, a expressão de inconformada tomando conta de seus olhos — Esquece, Brian. Me deixa...

E a garota deus as costas para o policial que realmente se esforçava pra tentar entender aquilo.

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Dodge preto, 1970

Cancelada a entrevista, o grupo de pilotos retornou para o lobby do hotel:

— É tudo culpa sua, O'Conner — Wyatt apontou o dedo.

— Deixa de ser ridículo! Você sabe que não é verdade! Os caras queriam arrancar coisas de todo mundo!

— Isso é culpa do Simon — Sally informou. Todos se viraram para ela.

— Tá querendo se livrar da culpa, loirinha? — Wyatt era incisivo.

— Deixa de ser burro! — a loira gritou e o grandalhão pareceu surpreso — Ele armou tudo isso pra desviar a atenção da Marc-Sison... Estão percebendo a grande bagunça que tá na empresa e queriam cair em cima dessa notícia. Simon fez a polêmica passar pra cima da gente e todo mundo caiu direitinho no plano.

— Deviam ter ficado calados — Sofia resmungou.

— Você diz isso porque não apontaram pra tua cara jogando seu passado na frente de todo mundo! — Wyatt reclamou.

— Mas iam fazer! Eles querem pegar todo mundo... E vocês estão dando brecha.

— Olha — Brian ergueu os braços, irritado — É melhor cada um ir pro seu lado. Desse jeito não dá pra conversar... Outra vez a gente tá se separando e isso só traz vantagem pras outras equipes.

— Katie e eu ainda estamos dentro do plano — Sofia deixou claro — Vamos proteger uma a outra na corrida de amanhã.

— Obrigado — o policial suspirou.

— Tsc... Babacas — Jason passou pelo grupo e subiu no elevador, ignorando a todos.

— Porra! — Brian pressionou a cabeça com as mãos, tentando não explodir na frente de todos.

— Calma, ainda dá pra consertar isso... — Sofia tentou acalmá-lo.

— Não. Esquece.

E foi a vez do policial dar as costas e sair do hotel.

Wyatt passou a tarde toda em seu quarto do hotel: virou cerca de meia dúzia de garrafas de cerveja; suava ao pensar na ideia de toda a imprensa divulgar sua vida pessoal. Começava a se arrepender de tudo aquilo... mas a vontade de se ver livre era mais forte. No entanto, a história com o Brian e a Sally... Bom, ele sabia que era mentira. Ainda que o companheiro de equipe fosse policial, o ex-detento conhecia um pouco de pessoas, o suficiente pra encarar os olhos azuis do branquelo e saber que ele dizia a verdade. Brian era mais uma vítima daqueles produtores malucos.

Mas não podia dar o braço a torcer. Não estava ali pra fazer amigos: era cada um por si. Sempre se virara sozinho desde a infância e sabia que era melhor assim, sem fazer amizades, sem se apegar à ninguém. Até porque isso poderia atrapalhar no futuro, quando Wyatt precisasse deixar um companheiro pra traz.

Lewis caminhava pelas ruas do centro, as mãos enfiadas nas jeans, a blusa de moletom suja e um pouco rasgada, o capuz cobrindo sua cabeça raspada. Lembrava-se do irmão e tentava não imaginar o que estaria passando naquele inferno na terra que chamam de cadeia. Iria tirá-lo de lá... a lembrança de sua mãe na infância, protegendo-o de seu pai... Era a única coisa que lembrava dela, mas essa memória lhe dava a entender que mães passam esse tipo de sensação: de proteção. Bem, era o que ele queria ser para o irmão, se isso fosse necessário: uma mãe. Até porque pais são sujeitos esquisitos que abandonam suas famílias.

— Ah! Eu fui roubada!

— Peguem aquele cara!

Lewis foi despertado de seu devaneio a tempo de ver um sujeito também encapuzado correr pela avenida com uma bolsa na mão. Corria desesperado por entre os carros e passava pela direção do piloto. Mais por reflexo, Lewis correu atrás do ladrão e perseguiu o alvo por cerca de 200 metros, entre pessoas que gritavam assustadas, carros que buzinavam e a adrenalina que lhe obrigava a correr.

— Vai embora, desgraçado! — o bandido gritava — Me deixa em paz!

Lewis apertou o passo e se jogou em cima do sujeito, derrubando-o de costas para o chão. O piloto virou o bandido de barriga pra cima e montado em seu corpo, começou a desferir socos violentos na face e tronco do ladrão. Sangue jorrou por entre os nós de seus dedos e foi somente o grito de uma moça, um grito de pavor, que fez o agressor perceber o que fazia.

— Não precisava de tudo isso... — um senhor comentou vendo o bandido meio dormente e Lewis ofegar meio surpreso com a cena. Este se levantou e olhou ao redor, as pessoas encarando-o com temor. Mas espera: ele estava ali pra capturar um criminoso... Não pra ser encarado como um.

— Larga ele, filho... — um policial apareceu no meio do aglomerado de pessoas e encarou Lewis com paciência. — Pode deixar que eu assumo agora.

— Você está bem? — o senhor anterior quis saber, fitando o corredor de forma intrigada. Lewis apenas concordou com a cabeça, a respiração ainda acelerada, os dedos sujos de sangue. Olhou ao redor meio atordoado, o sol se pondo na avenida e os feixes de luz lhe cegando em algumas direções. Saiu do meio da multidão e andou apressado de volta para o hotel: nada entendera.

Ele era isso? Um sujeito misterioso, violento, instável e perigoso para os companheiros de time? Seria capaz de ganhar um campeonato só pra libertar um bandido nocivo à sociedade? Seria ele melhor do que o irmão para estar solto em seu lugar? Que raios de mundo maluco é esse?

Brian entrou num bar mais ou menos movimentado. Era um pouco mais local e achou que talvez pudesse esfriar a cabeça por lá:

— Uma cerveja, por favor — pediu ao barman.

Na televisão atrás de si, vozes e nomes conhecidos lhe chamaram a atenção:

— Não vamos dizer mais nada! — Sally se afastava das câmeras.

— E quanto ao nome da empresa?! Como acham que as vendas vão se manter com toda essa polêmica em volta de vocês?!

— A entrevista está cancelada— Simon erguia as mãos pedindo que parassem as perguntas.

— Tsc... — Brian revirou os olhos e se voltou para o balcão, pegando a cerveja e virando a garrafa.

— Ei, você é Brian O’Conner — o barman ergueu uma sobrancelha — Cara, é um prazer te conhecer... Vi sua corrida de ontem. Foi sensacional.

— Valeu... — ele apenas respondeu.

— Não, sério! A equipe de vocês é a que está se saindo melhor. Apostei uma grana boa em vocês... Espero que garantam meu aluguel.

Brian riu. Uma mulher sentada logo ao lado ouviu a conversa e decidiu se aproximar:

— Isso é verdade? — ela perguntou surpreendendo o policial.

— O que?

— Você é o grande piloto da Marc-Sison?

— Ah, não — ele riu meio aborrecido — Esse título ainda pertence ao Jeff Portnoy, o rostinho bonito da marca.

— Mas não é dele que todo mundo tá falando.

— Não me interessa... Não vim aqui pra ficar famoso.

— Mas você está.

— Não acho que seja assim...

— Então por que eu estaria aqui falando com você? — a mulher o fitou de forma significativa, o olhar tentando dizer mil e uma coisas. Brian a encarou surpreso e então sorriu um pouco sem graça. — Sou Megan White.

— Brian O’Conner, e não... Não estou famoso. Aconteceu uma coisa legal comigo e as pessoas gostaram. Amanhã vai ter outra competição e eles esquecem a de ontem.

— Tá, pode até ser. Mas, e isso? Você esquece? — a mulher o puxou pela camisa e o beijou com fervor. Brian sentiu-se um pouco confuso com o que acontecera e sentindo dúvida sobre o que fazia acabou por empurrar a desconhecida.

— Ah... Me desculpa por isso — ele tentava encontrar uma explicação praquilo — Mas eu não posso fazer isso.

— Então é tudo verdade o que disseram na entrevista? Que você e aquela patricinha tão ficando?

— O que?

— Você disse que era mentira. Parecia dizer a verdade.

— Espera... Eu...

— Então acho que me enganei... — Megan riu do engano que cometera e com as mãos nos quadris, encarou o policial, meio desapontada — Bom, de qualquer jeito... Caso ainda esteja interessado me liga... Esse é meu número — e ela mesma depositou um pedaço de papel no bolso da jeans do rapaz. — Boa sorte na competição.

— Valeu — ele ainda sentia-se confuso com a própria atitude e tentou disfarçar o nervosismo coçando a cabeça — Eu te ligo — disse por fim. A mulher o fitou uma última vez, analisando seu perfil de baixo pra cima e sorriu, dando as costas e saindo do bar.

— Você deve ter dezenas de garotas na competição pra recusar uma dessas...

Brian apenas riu do comentário.

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— Sally! Sally! — ele chamava pela loira assim que avistou a garota caminhando pelo lobby do hotel.

— Eu disse pra você ficar longe de... — ela exclamou, mas calou-se em seguida, assim que percebeu que o dono da voz era, na verdade, Jeff — Ah, é você.

— Estava esperando quem? O’Conner?

— Não, eu só... Esquece. O que faz aqui?

— Vim saber dele. Quero ouvir da sua própria boca se é verdade ou não que vocês estão saindo.

— Que? Argh — ela revirou os olhos irritada pela repetição de assunto — E se for?! O que te interessa?!

— Nossa, calma... só queria saber mesmo.

— Hunf... Desculpa, Jeff. É que essa história toda tá me deixando super estressada... Eu não quero mais falar disso.

— Tudo bem. Ah, posso te pagar um drink? — ele mudou a expressão ao notar o olhar fuzilador da loira — Um suco de maracujá! — Jeff ergueu as mãos em sinal de paz — Pra ajudar a relaxar.

Sally não conseguiu deixar de rir e acabou cedendo. Seguiram para as piscinas do hotel e sentaram num quiosque sombreado, o modelo pedindo as bebidas e a loira observando o cenário tropical à sua frente:

— Desculpa te encher com isso, sério mesmo.

— Não, tá tudo bem.

— Eu só fiquei preocupado por causa do seu pai.

— O que tem ele?

— Você sabe... Ele ficou meio pirado quando ouviu a entrevista. Não estava nos planos dele ver a filha, representante de sua própria empresa, envolvida com um policialzinho de bairro que só entende de caipiras traficantes e trombadinhas locais. Estamos falando de uma competição que envolve as maiores marcas de carros do país. A Marc está em jogo com esse programa... e o romance de vocês, bem... Ontem o doutor Hilbert fez uma visita pra ele.

— Hunf... — Sally revirou os olhos — Não pode ser... Mas ele está bem?

— Sim, está sim! Por sorte eu cheguei a tempo de vê-lo passando mal e chamei o médico.

— Ah, Jeff... Obrigada mesmo.

— Não precisa me agradecer. Só te aconselharia a não comentar isso com ele, sabe...? Ele me pediu que não te contasse nada.

Sally riu:

— É bem a cara dele... Mas pode deixar que não comento nada. No fim ele pode ficar tranquilo que esse lance do Brian e eu é pura especulação. Acho até que foi o Simon que inventou pra gerar ibope. Espero que as pessoas não tenham caído nessa.

— Eu também... — ele bebeu o suco pra disfarçar o comentário. Sally o encarou surpresa. — Quero dizer... eu me preocupo com você. Não quero ver ninguém inventando bobagens sobre você, Sally... — ele tocou o rosto da loira com os dedos e passou a acariciar sua face — Você é legal demais pra passar por esse tipo de coisa.

— Eu agradeço a preocupação, Jeff... Mas posso me cuidar sozinha — e afastou a mão do modelo para longe de seu rosto. Eu vou me deitar um pouco... A gente se vê amanhã.

Jeff suspirou resignado e revirou os olhos, terminando de beber seu suco:

— Garota difícil...

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Brian voltou para o hotel sentindo-se bem mais leve. Começava a achar toda aquela bobagem de entrevista uma grande perda de tempo. Iria conversar melhor com Sally: não podia deixar que um bando de repórteres famintos por polêmicas impedisse que ele se aproximasse da garota.

— Boa tarde — ele foi até a recepção — Você viu Sally Benson por aqui?

— Acho que ela acabou de ir para as piscinas.

— Ah, valeu!

Iria falar com ela e quem sabe tentar alguma coisa. Talvez fosse realmente cedo: acabaram de se conhecer. Mas a forma como se sentia perto dela já era motivo suficiente pra apostar todas as suas fichas. Desceu a pequena escada do hall e franziu o cenho para o sol forte: as piscinas estavam cheias, pessoas se divertindo, modelos desfilando seus trajes mínimos.

Brian caminhou por entre as piscinas procurando qualquer cabelereira loira que avistasse. E encontrou: Sally estava num dos quiosques. Conversava com alguém.

— Merda... Jeff... — o piloto cuspiu o nome do modelo sentindo repugnância pela sua presença. Sally sorria para ele. Mas que merda... A raiva subiu em seu peito: como ela podia?! Logo esse cara insuportável?! E a última cena o fez desistir de tudo: Jeff acariciou o rosto da loira e ela não fez nada contra isso. — Imbecis... Os dois...

Brian deu meia volta ignorando a cena e bufando pelo nariz. Enfiou a mão nos bolsos e retirou um pedaço de papel com um número anotado:

— Imbecis... Os dois...

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