Drag Racing

2 2.0 Ponto de ruptura


Notas iniciais
O sobrenome dos irmãos Benton muda para Benson diversas vezes. Não reparem, estou indecisa. Hehe https://www.youtube.com/watch?v=ySjXFjLTagQ (As músicas dos capítulos são apenas sugestões, meras inspirações. Sintam-se a vontade para escolherem sua própria playlist)

Jason Walker

Foi dada a largada e todos os veículos dispararam e derraparam erguendo a poeira da pista de terra e deixando todos os espectadores sem visualização alguma do que acontecera naqueles primeiros segundos.

Logo na primeira tentativa, meia dúzia de carros chocou-se quando um deles se jogou contra a lataria do adversário mais a frente. Os veículos pouco atrás desviaram e seguiram os demais que iam mais a frente da batida. Alguns pilotos se preocupavam em jogar os oponentes para fora da pista, batendo, esbarrando, empurrando e cercando; duplas e trios trabalhavam para cercar veículos inimigos e derrubá-los de forma bruta.

Logo a frente, Jason Walker e Kurt Benton disputavam uma velha rinha antiga, enquanto Brian tentava comunicação com sua equipe, de forma a estabelecer uma estratégia em meio a toda aquela bagunça.

— O'Conner para time, alguém tá com problemas?

— Só o Benton — respondeu Jason rindo – Já tô quase acabando com ele!

— Imbecil, Jason! Esqueceu tudo que ouviu na reunião: Somos um time! Temos que proteger uns aos outros!

— Não tô fazendo nada demais!

— Pode deixar que se ele sair da linha acabo com ele — a voz fria de Wyatt surgiu na comunicação.

— Certo, avisem caso alguém precise de ajuda — Brian alertou — O pessoal lá atrás está meio doido, estão batendo em todo mundo.

— É porque o objetivo deles é muito mais eliminar competidores do que propriamente ganhar essa corrida. — Sally explicou — Eles não jogam pelos pontos acumulativos, eles preferem se garantir nas finais.

— Então vamos provar que estão errados — e o policial trocou a marcha, pisando fundo no acelerador e sentindo o carro começar a gritar pela próxima marcha enquanto seu adversário logo a frente ficava cada vez mais próximo.

Ray Carter passava por dificuldades pouco atrás de Brian e pouco a frente de Sally enquanto via dois veículos parceiros tentarem fechar seu carro. Aproximavam-se cada um de um lado da pista, a poeira cobrindo sua visão a frente e atrás. Sentia-se encurralado sem saber se logo a frente teria algum obstáculo.

— Ah...gente? Acho que eu estou com problemas mesmo.

— Eu te vi antes de sumir na nuvem de poeira — avisou Sofia Martinez — Lei e eu vamos nos aproximar e tentar tirá-los de cima de você.

— O que se passa que Sofia Martinez está para trás?! — brincou Jason.

— Cala a boca, Jason! — gritou Brian — Obrigado Sofia, vou segurar a fila atrás de mim até Ray se soltar. Me avisem pra liberar o caminho.

— Ok.

Brian reduziu a velocidade e bloqueou a passagem dos que tentavam ultrapassá-lo. Sofia e Lei Bing aproximaram-se dos carros que cercavam Ray e bateram em suas traseiras, cada uma em um carro diferente.

— Vadia!!! — um dos pilotos colocou a cabeça pra fora e xingou Sofia. Esta jogou o carro de lado, obrigando o sujeito a recolher o corpo rapidamente e retomar a direção. O piloto sentiu a pancada na lateral esquerda e observou um amasso na lataria pressionar sua perna. — Droga... ela vai destruir o carro.

Sem outra solução, o sujeito reduziu a velocidade do carro obrigando o companheiro a fazer o mesmo. Ambos foram ficando para trás enquanto Sofia e Lei emparelhavam com Ray Carter:

— Valeu mesmo, gente...!

— Disponha — a latina sorriu. O trio acelerou e prosseguiram para alcançar os próximos oponentes.

Jill estava em desvantagem com seu carro equipado para ruas de asfalto; sentia o peso das rodas pouco práticas, mas o tamanho diminuto de seu carro ainda lhe proporcionava vantagem em meio ao aglomerado de carros naquela primeira competição. Eram pilotos demais num bolo desforme e confuso:

— Isso aqui tá uma droga! — a baixinha reclamou no comunicador.

A voz de Sally apareceu novamente:

— Jill, talvez eles não te deem muita importância agora. Estão preocupados demais em acabar uns com os outros...! Usa isso a seu favor: aproveita pra ultrapassar todo mundo por qualquer brecha que caiba seu carro... Eles irão se autodestruir sozinhos!

— Entendi! — animou-se a baixinha percebendo a vantagem que tinha naquele momento.

— Como você tem essas ideias? — quis saber Brian.

— Eu penso melhor do que piloto — a loira explicou com certo desânimo.

(mais voltas)

Seu carro ultrapassou mais um adversário: seu caminho estava vazio pela quinta posição. Olhando a tela de seu GPS conseguiu identificar Kurt e Jason brigando pela segunda posição com outros três pilotos, o carro de Brian em terceiro estando para ser alcançado por dois veículos da quarta posição. Atrás dela já estavam Sofia, Lei e Ray se aproximando em uma velocidade média constante.

Pela sétima posição vinham Wyatt e Lewis em uma disputa violenta com outros quatro carros que acabavam de fazer um adversário capotar feio pela terra. Mais atrás Katie Jackson tinha dificuldade de se livrar de dois oponentes que, assim como os demais, tentavam jogá-la para fora da pista.

— Wyatt! Lewis! — ela chamou pelos companheiros — Diminuam um pouco e ajudem a Katie. Tão cercando ela e vão tentar derrubá-la!

— Entendi... — o ex-detento respondeu de forma rápida e diminuiu a velocidade. Ao seu lado, Lewis parecia pensar seis vezes se realmente obedeceria àquele pedido.

Wyatt notou que o "amigo" queria recusar e então jogou seu próprio carro contra a lateral do rapaz:

— Porra, Duran! Depois você mete o carro na porra que quiser! A mina precisa de ajuda, viado!

— Filho da mãe... — Lewis apenas resmungou e afastou o carro para então diminuir a velocidade e aguardar Katie com a dupla de carros em cima de si. Wyatt e Lewis se posicionaram na frente dos carros e deixaram a ruiva passar pelo meio; os pilotos que antes a prensavam foram bloqueados pelas traseiras do Dodge e do C10.

— Filhos da puta! Estão bloqueando a gente!

— Continua empurrando! Vamos passar por cima!

— Não dá! A traseira deles é reforçada! Se batermos é a gente quem se fode!

— Então recua! Merda... Vamos esperar o pessoal alcançar a gente e tentar pegar essa vadia depois...

— Falow...

— Aê... — comemorou Wyatt, mais tranquilo e sorrindo de canto para o retrovisor. Lewis acelerou o C6 e deixou os dois parceiros pra trás. — Imbecil...

— Obrigada... — Katie sorriu ainda trêmula — achei que fosse capotar.

— Tá tranquilo...

Sally suspirou de alívio ao ver Katie e Wyatt seguirem com tranquilidade, Lewis poucos metros à frente. Ray, Sofia e Lei logo atrás de si. A loira fez a curva com calma e passou pela linha de chegada: embarcavam para a última volta.

— Franky tá muito pra trás — alertou Brian — Não vai dar pra mandar ninguém até ele...

— Eu tô suave... — o hippie se pronunciou, a calma em sua voz deixando a todos abismados.

— Tá tudo bem aí? — quis saber Sally.

— Tranquilo...

— Não Franky... Não está...! — a loira se preocupou ao conseguir analisar a tela do GPS e ver que em volta do piloto aglomeravam-se cerca de uma dúzia de carros, todos nas últimas posições, chocando-se uns contra os outros em uma desordenada disputa — Franky! Você precisa sair daí! Agora!!!

— Pódeixar... — com toda a calma, o sujeito acelerou saindo do círculo de carros pela diagonal. Ganhou alguns metros fora do amontoado. A rixa era tão confusa no meio do grupo que se quer notaram o Chevy logo a frente. Dois carros já haviam capotado e um deles começou a pegar fogo. Bombeiros aproximaram-se do veículo e conseguiram salvar o piloto quase inconsciente.

Sally tentava manter sua posição de quinto com calma e paciência, evitando alcançar o aglomerado a sua frente e ser alcançada pelos de trás. Sabia que Wyatt estava se segurando também para não ultrapassá-la, mas Lewis não iria garantir isso. Percebia que sua equipe, com exceção de Franky, ocupava todas as faixas de classificação. E sabia que precisava usar isso a favor do time.

— Pessoal, é o seguinte: estamos muito desformes e precisamos garantir uma boa posição pra todo mundo. Franky não tá podendo sair de lá, então vamos ganhar por ele também.

— O que tá querendo dizer? — Wyatt questionou parecendo preocupado.

— Que eu tenho um plano.

Houve silêncio na linha até Brian cortá-lo:

— Pode falar. Tô ouvindo.

Sally explicou tudo como deveriam prosseguir. Houve apoiou de quase todos, mas Kurt e Jason gritaram desaprovando:

— Vocês podem fazer o que quiserem nas próximas corridas! Mas só vão conseguir partir pra próxima se o time estiver invicto! Então façam o que eu digo!

— Vamos por em prática agora — alertou Brian — Faltam 1200 metros... Tem que ser agora!

No escritório, Simon franzinha o cenho tentando entender o que seus corredores estavam armando. Percebeu a ideia assim que observou o carro de Brian diminuir a velocidade enquanto o trio Ray, Sofia e Jill aceleravam. Lewis chegou ao trio e emparelhou, aguardando a aproximação de Katie, Wyatt e Jill. Franky ainda estava preso no aglomerado, mas já tinha pelo menos saído do meio das colisões.

— Sally... sua... gênio!

— Tem que ser agora, Brian! — a loira gritou.

— Entendi! Jason, Kurt! É agora! Faltam 800 metros!

— Ah, cara... É sério isso mesmo? — reclamou Jason.

— Agora!!! — Brian gritou no comunicador. Kurt e Jason abriram os carros em asa delta, colidindo com os adversários laterais e fazendo ambos baterem contra as paredes de pedra dos morros. Frearam e aguardaram a chegada dos carros de Brian e Sally que emparelharam cada um de um lado. Diminuíram a velocidade e Ray, Sofia, Lewis e Lei preencheram as extremidades, cada par para um lado. Wyatt, Katie e Jill aceleraram com voracidade e ultrapassaram adversários a frente, deixando-os para trás e alcançando o gigante grupo retilíneo que seguia para os últimos 500 metros.

A fileira de carros seguiu em uma perfeita linha, o grupo de onze carros em paralelo na larga pista do deserto de Las Vegas. A poeira cobria o grupo e só conseguiam se avistar individualmente pelas janelas escuras.

— Pessoal, 300 metros! — avisou Sally — Mantenham a velocidade! Estamos em primeiro... Vamos garantir o Franky!

— 12 segundos! — alertou Brian — Não saiam da posição!

Quatro segundos para alcançarem a linha, o carro de Kurt ganhou velocidade e ultrapassou a linha do grupo, passando em primeiro e deixando o time com o segundo lugar.

Pararam os carros em uma parábola. Sally desceu de seu carro e aguardou Franky passar em sétimo pela linha:

— Pôh... passei em último — o hippie reclamou saindo do Chevy e coçando a cabeça.

— Não, Franky – corrigiu a loira – Você foi o último a ficar vivo.

Todos encararam o cenário da corrida onde cerca de um terço dos carros estavam destruídos, em chamas, muitos pilotos feridos e dois mortos.

— Puta....... — Wyatt passou a mão pela cabeça raspada e sentiu remorso pelos outros competidores. Ele se virou para Sally meio intrigado — Como você sabia que a gente podia fazer esse tipo de coisa?

— Eu li o contrato — ela respondeu. Os que estavam em volta riram ao se lembrarem da relação íntima de Wyatt com o contrato do programa.

Jason saiu do Dodger batendo a porta já amassada. Caminhou a passos largos até Kurt, os braços abertos e os lábios crispados:

— Porra, Kurt!!! Era pra todo mundo passar igual!

— Eu jamais faria isso...

— Filho da...

— Calma, pessoal... — Brian tentou acalmá-los aparecendo para segurar Jason — O importante é que tá todo mundo bem.

— A gente combinou!!! Agora esse viado saiu na frente!!!

— Foi sacanagem mesmo, Kurt – Sally se aproximou da briga, braços cruzados, encarando o irmão.

— O que você queria que eu fizesse?! Você me conhece! Sabia que eu não ia fazer uma merda daquela...

— Desse jeito não dá. O time precisa saber que podemos confiar uns nos outros! Não dá pra ficar na dúvida! Você tem que decidir se vai colaborar ou não...

— Mas que droga! Eu só passei um pouco... também não é pra todo mundo encher assim! Que bobagem...

— Bobagem o caramba. – Wyatt entrou na briga, sua altura elevada contrastando com os demais companheiros – Agora você passa na frente, depois vai dar as costas quando alguém bater. Qualé, branquelo? E se for VOCÊ que precisar de ajuda? A gente faz o que? Entende?!

— Aprendeu isso na prisão? – Jason questionou com um sorriso de deboche. Wyatt não pensou duas vezes e acertou um forte soco no nariz do piloto. Este caiu de bunda no chão, segurando o nariz que sangrava violentamente.

— Wyatt!!! – Brian empurrou o ex-presidiário enquanto Sofia e Jill ajudavam Jason a se levantar. – Será que dá pra vocês se comportarem como gente uma vez na vida?!!!

— Não é porque tú é polícia que pode dizer o que eu devo ou não fazer, meirmão! – o grandalhão apontou o dedo no rosto do policial.

— Não tô te mandando fazer nada, Bone. Só pedindo que colabore assim como todo mundo.

Wyatt ainda encarou Brian nos olhos até mudar de ideia e sair andando:

— Você podia ficar calado ao menos uma vez – Sofia ralhou com o rapaz que ainda sangrava.

— Você viu! Esse cara é maluco!

— E você um baka! – foi a vez de Jill. Jason encarou a japonesa tentando entender o xingamento, mas desistiu e limpou a mão na calça.

— Leva ele pra enfermaria – orientou Sally – O pessoal tá esperando nas garagens.

Sofia saiu acompanhando Jason com as mãos envolvendo suas costas de forma amigável, Jill ia ao lado, proferindo xingamentos e exclamações em japonês. Wyatt ia mais a frente, ignorando repórteres e entrando no salão reservado.

— Ah... Cê tá bem? — Brian perguntou a Sally enquanto a acompanhava para fora da pista.

— É, tô sim...

— Eh... Foi muito legal o que você fez. No fim, ajudou todo mundo a vencer.

— Eu não teria conseguido organizar tudo se não fosse por você. Tem uma ótima voz de líder.

— Hu — Brian riu — Hunf... Esse pessoal vai precisar de uns puxões de orelha. Estamos muito soltos ainda. O time precisa de organização.

— Concordo. Uma reunião hoje à noite e decidiremos tudo.

— Acho uma boa.

Lei Bing, Franky, Katie e Lewis vinham logo atrás: o hippie e as duas moças comentando a cena final da disputa e Lewis, como sempre, mãos enfiadas na moletom e silêncio sepulcral. Chegaram até a garagem, onde Simon aguardava com toda a equipe. Entrevistas ainda não eram permitidas, mas o borbulhar de repórteres ecoava do lado de fora do salão:

— Vocês foram sensacionais... admito. Não esperávamos conseguir metade do que aconteceu hoje. O programa obteve 9 pontos de ibope e estamos no primeiro “episódio”. Talvez seja cedo para contar isso, mas... Já adiantando: tem um pessoal querendo fazer camiseta de vocês!

— Ahn, nêssa eu gôs-ei! — Jason exclamou, a voz anasalada pelo nariz ferido.

— Então é bom consertar essa cara se quiser tirar foto.

Todos riram, inclusive Jason, e até Wyatt deixou escapar um sorriso e uma virada de olhos:

— Podem ir para seus quartos no hotel. À noite teremos uma pequena comemoração.

— Ah — Brian tomou a palavra — Sally e eu queremos todos no meu quarto depois da festa.

— Que isso, O’Conner? — Jason riu — Festinhas particulares já tão cedo?!

— É uma reunião, Walker! — o policial se irritou — É pra todos estarem sóbrios.

— Impossível — Wyatt comentou e deu as costas ao grupo.

Dogde preto, 1970

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O terraço do hotel estava repleto de empresários, pessoas autorizadas da imprensa, modelos propaganda de marcas e os competidores do programa. Após a primeira disputa que era mais eliminatória do que classificatória, restaram quatro equipes, 38 pilotos.

— Então agora só temos na competição a equipe representante da Marc-Sison com doze integrantes, 9 competidores da Teko-Hokyo, oito da Forza-Crew e nove da Darius-TKZ. Agora mudamos as formas de competição para circuitos e mapas alternativos. As equipes vão trabalhar seus pilotos para diferentes corridas, cada um em sua especialidade. Nossa intenção é proporcionar ao público a maior diversidade de em termos de show televisivo.

Simon explicava o programa para repórteres interessados nas novidades. Alguns bebiam e conversavam sem muito interesse com o que acontecia a volta. No bar, Wyatt pedia wiskys aos montes:

— Melhor ir com calma — Brian se aproximou e sentou num banco ao lado.

— Qual é... De novo? Vai ficar na minha cola assim?

— Escuta Wyatt, não tô aqui trabalhando! Acredite! Tô pouco me fodendo pra o que você faz ou deixa de fazer. Mas enquanto estivermos nessa, somos uma equipe. Todo mundo aqui quer ganhar alguma coisa, então melhor todo mundo colaborar.

— Se eu aceitar, promete parar de me encher o saco?

Brian encarou o grandão, tentando entender o que ele dizia... Ao perceber o jeito torto do ex-detento de fazer amizade, o policial sorriu e ergueu seu copo:

— É — Brian riu e brindaram o acordo. Jason se aproximou, um band-aid ultrapassado pelo nariz roxo, um dos olhos fundo e manchado pela pancada.

— E aí...? — comentou virando um drinque.

— Que milagre é esse que não tá lá no meio pegando “gatinhas”? — Wyatt quis saber.

Jason apontou o nariz:

— Hoje não vai dar — os dois riram. Jason viu Kurt conversar com Katie num canto do terraço e sentiu uma pontada de raiva. Não achava justo que o “filhinho de papai” ainda fosse se dar bem depois da mancada que dera mais cedo. — Imbecil...

Sofia e Lei Bing entraram no salão, a primeira num vestido curto e chamativo na cor verde e a segunda num traje ao estilo country, os cabelos negros em tranças. Conversavam em discrição a respeito de alguém que o grupo de rapazes não conseguiu descobrir.

— Duas coisas me preocupam na nossa equipe — Brian virou uma dose logo em seguida.

— O que? — Wyatt começou a se interessar pelo que o rapaz tinha a dizer.

— Ninguém tem intimidade, ninguém se conhece. Não vai demorar pra formar panelinha. Ninguém quer se ajudar.

— Não foi o que mostraram hoje cedo.

— Mas foi nossa primeira corrida. Tenho medo de que cada um coloque seu objetivo particular acima do grupo. Ninguém vai conseguir nada desse jeito.

— E o que pretende fazer?

— A reunião de hoje vai servir pra tentar impedir isso. Só precisamos esperar a Sally chegar.

— E onde ela tá?

— Ali, oh... — Jason apontou com o copo e soltou um sorriso malicioso na direção da garota que apareceu no salão com uma expressão de nervosismo. Seu corpo pequeno e curvilíneo estava em um vestido roxo púrpura curtinho, colado e tomara que caia. Seus cabelos dourados caíam em ondas até o quadril.

Brian demorou longos segundos observando a garota, sua fala cortada ao meio, seus olhos azuis sem se quer piscar e nem Wyatt nem Jason deixaram de reparar:

— Seca a baba que tá sujando sua camisa, O’Conner... — brincou Jason.

— Ah? Ah, cala a boca! — e Brian deu as costas, se virando no banco de frente para o balcão. Wyatt riu e entornou mais uma dose.

— Filha, vem cá! — Charles Benton chamou para que Sally se aproximasse. O empresário conversava com um grupo de patrocinadores, sendo um dos presentes Jeff Portnoy, piloto propaganda da Marc-Sison — Você já conhece o Jeff. Ele está assistindo ao programa.

— É mesmo? — Sally sorriu.

— É, e te achei incrível como competidora. Aquela ideia de emparelhar os carros, foi sua, né?

— Sim... — ela riu sem jeito.

— Jamais teria pensado nisso. Foi genial. Você garantiu a classificação do time inteiro e foi uma atitude simples. Muito perspicaz.

— Jeff vai competir no encerramento da temporada. Assim que tivermos uma equipe vencedora, ele vai representar a marca na França numa corrida aberta ao público.

— Olha só, que demais! Espero que ganhe por todos nós...! — a loira brincou.

— Ganhando por você pra mim já está bom.

Jeff sorriu e tomou um gole de seu whisky, aproveitando para observar Sally ficar vermelha, totalmente envergonhada. Brian observou a cena do balcão, Jason rindo ao seu lado e Wyatt erguendo uma sobrancelha para o policial:

— Já tem lobo marcando território — brincou Jason.

— Vai ficar aí parado? — Wyatt estranhou — Não é assim que a gente faz na minha terra. Quando vemos uma fêmea que vai propiciar uma boa ninhada, nós fazemos o cerco e capturamos.

— E onde você mora? Nas cavernas? — Jason torceu o nariz para a metáfora do parceiro.

— Tô falando sério, senhor policial — Wyatt ergueu Brian pela camisa, obrigando-o a se levantar e o empurrou em direção à roda de empresários — Vai a caça, garoto!

Brian chegou aos tropeços perto do grupo que parou a conversa, todos surpresos com a chegada repentina do rapaz:

— Brian? — Charles questionou a presença do piloto — Quer alguma coisa?

— Eh, não senhor. Só queria conhecer o... “grande divulgador da Marc-Sison”, Jeff Portnoy. É um prazer conhece-lo — e estendeu a mão.

— O prazer é meu — Jeff ignorou a mão do recém-chegado e continuou a entornar o copo de whisky. Brian ficou sem graça pela atitude do modelo e decidiu apertar a mão do homem ao lado, Kirk Portnoy, pai de Jeff e sócio de Charles Benson.

— Também é um imenso prazer, senhor Portnoy. É uma honra competir em nome do senhor.

Jeff riu do comentário de Brian e este apenas o encarou incomodado pelo comportamento. Os demais pareceram ignorar a cena: Charles continuava a sorrir orgulhoso da reunião e Kirk sorria de forma tímida, os óculos lhe cobrindo os olhos pequenos devido a idade:

— Soube que é policial, senhor O’Conner.

— É, sou sim.

— Então a honra é toda minha. Você é um dos protagonistas nesse jogo. Contamos com o senhor para tornar tudo isso o verdadeiro sucesso que objetivamos.

— É...? — Brian secou as mãos nas calças jeans, começava a sentir nervosismo por estar naquele grupo.

— Nosso maior objetivo com o programa não é ganhar ibope ou alavancar a imagem da nossa marca. O que queremos de verdade é transformar as corridas de rua em um esporte legal.

— É claro — completou Jeff, soltando o copo numa mesa de vidro — se fosse pela imagem da marca, eles já têm a mim. Por isso só foi preciso encontrar um policialzinho de esquina que tivesse coragem suficiente pra encarar um racha de verdade. Não é, papai?

Jeff deu um tapinha no ombro de Brian e saiu da roda, indo conversar com outro grupo de pilotos também de marcas famosas:

— Ah, Brian... — Sally finalmente se pronunciou — Vamos ali comigo. Preciso beber alguma coisa.

— Tá, claro.

A garota levou Brian até o bar e pediu uma água tônica:

— Hunf, obrigado por me tirar de lá... Estava meio nervoso perto de tanta gente... famosa.

— Você quis dizer perto de gente chata, né?

— Não, seu pai é um cara legal.

— Tô falando do Jeff — ela riu. — Eu detesto esse cara.

— É sério? Você também não gosta dele?

— Claro que não! Eu não o suporto! Ele é muito... metido. Sempre foi. Desde criança.

— Vocês se conhecem há tanto tempo assim?

— Desde que nossos pais se tornaram sócios. Mas nunca gostei dele.

— Ah, mas... vocês já...?

— O que? Ah, não! Nunca! Deus me livre...

— Sério?

— Claro! Ele bem que me enche o saco. Na verdade ele aceita qualquer garota que tenha dinheiro, fama ou que tome banho. — Brian riu — Eu jamais ficaria com alguém assim como ele.

— E que tipo de cara é o seu? — Brian perguntou se apoiando no balcão e encarando Sally que estava de costas no mármore, observando a festa. Ela parou de sorrir e franziu o cenho, tentando pensar numa resposta.

— Um cara decente. — foi tudo que ela respondeu, voltando a beber sua água, enquanto Brian encarava seu rosto de lado, tentando decifrar seus pensamentos.

— Aí pessoal! — Jason gritou do outro lado da sala, um copo caindo de suas mãos e se espatifando no chão — Essa festa tá uma bosta! Ray! Será que dá pra por um som de verdade?! Cadê as super modelos que me prometeram?! Isso tá uma droga!

— Hora de alguém nanar... — Ray comentou se aproximando do rapaz.

— É mesmo — Brian largou o copo no balcão e correu até Jason, sendo ajudado por Ray Carter a carrega-lo até o quarto do embriagado. O trio sumiu por entre os corredores do hotel. As demais garotas do grupo cercaram Sally para puxar conversa.

— Ele não muda nunca — Lei comentou observando Jason sair arrastado pelos amigos.

— Depois daquele papo todo de “time unido” eu só consigo pensar numa coisa — Sofia iniciou sua tese no meio da roda feminina — Antes de tudo nós meninas temos que nos unir. Porque com um time desses, só a gente pra salvar.

Todas riram:

— Ah, o Brian é bonitinho. — Jill comentou rindo — Eu pegaria numa boa.

— Desiste baixinha — Lei Bing riu — Já tem gente na fila.

— O que?

— A loira aqui tá de olho nele.

— O que?! — Sally se assustou com o comentário — O que tá dizendo?

— Ora, todo mundo já percebeu que vocês estão se pegando.

— O que?! — ela tornou a questionar.

— Eles não estão juntos — Sofia consertou a especulação — Mas estão querendo.

— Do que estão falando?! — Sally se aborreceu — Isso não tem nada a ver!

— Você pode dirigir bem, loira, mas mente mal pra cacete — Lei riu e virou uma dose de vodca.

Poucos minutos depois, Brian e Ray voltaram para o salão um pouco cansados:

— Sally, pode vir aqui — Brian a chamou. As garotas sorriram em volta dela enquanto a loira se aproximava do rapaz sentindo suas pernas tremerem.

— Sim?

— O Jason tá mal mesmo, a gente vai ficar de olho nele. Melhor a gente deixar a reunião pra amanhã.

— Tudo bem.

— Beleza então.

— Certo.

— Boa noite... — Brian acenou para o grupo de garotas, fitou Sally uma última vez e saiu com Ray Carter e Wyatt Bone, os dois companheiros segurando sorrisos cúmplices no rosto. Assim que o trio de rapazes desapareceu mais uma vez, o grupo de garotas explodiu num ruído de risadas e gemidos.

— Gente, para! — Sally pedia sentindo seu rosto esquentar. — Ah, como vocês são bobas.

Do outro lado do salão, Jeff observou a cena toda com uma expressão de aborrecimento visivelmente estampada no rosto. Sentiu seu ego ser cutucado, o ego de quem está acostumado a sempre ter todas as atenções voltadas para si.

Mais ao canto do salão, Simon colocava as mãos na cintura e olhava de um grupo para o outro, chamando sua assistente para ouvir sua ideia:

— Percebeu, Lena? Tem romance rolando no ar... E isso sempre dá audiência!

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