Dragões: os guardiões da terra (livro 1)
8 Família
Eu adorei ver Esmeralda engolindo aquele desgraçado! Foi muito... animador! Me fez relembrar do que um dragão é capaz! Eu decidi então ensinar Draco a nada mais nada menos que caçar.
A ideia animou Draco. Parecia que ele era meio sádico. Ficou muito animado.
Achei que não era tão difícil assim ensinar um dragão a caçar. Está no sangue deles serem caçadores magníficos e silenciosos. Então fomos para o único lugar onde havia animais para ele caçar que eu conhecia: O pântano.
Não fazia muito tempo que eu fora lá para mostrar Joe para Draco, então não me preocupei em levar carne. Draco pareceu gostar de Joe, mas não ficava muito perto dele. Preferia ficar perto de mim. Ouvi até Draco dar uma rosnada quando Joe deu um passo em direção dele no dia em que eu o mostrei. Portanto, estava meio receoso em levar Draco para lá novamente. Não queria uma briga entre Draco e Joe. Amo os dois. E sei que Joe não teria chance.
"Draco, meu filho, por favor, não faça nenhuma besteira com Joe."
Draco olhou para mim ao meu lado, indo para o pântano. "Oque? Pai... você acha que eu vou matar ele? Não! Eu não vou! Prometo!"
"Obrigado filho!"
Draco riu e continuou andando. "O que eu vou caçar?"
"O que você quiser!"
"Que animais tem no pântano?"
"Bem... crocodilos, cobras, peixes... Eu não sei muito bem."
"Acho que cobra deve ser bom! Vou tentar caçar uma."
Chegando na minha trilha Draco já começou a farejar o ar. "Pai... Estou farejando algo!"
"Mas já?! Está bem, está bem. Siga o cheiro, mas fique muuito quieto! Localize e ataque."
Draco fareja o ar mais uma vez e começa a andar para o meio do pântano, fora das trilhas.
Eu estava tenso. Tinha medo de algo pegar Draco de surpresa. Mesmo sendo um dragão, ele não é invulnerável. Até mesmo a minha espada pode matá-lo sem problemas. Minha tensão aumentou ainda mais quando eu ouvi carne sendo arrancada do corpo. Era um barulho que lembrava papel sendo rasgado. Mas isso logo passou ao eu ver Draco vindo em minha direção arrastando um crocodilo. Eu sabia que não era o Joe porque esse era diferente dele.
“Muito bem filho! Parabéns mesmo!”
“Obrigado pai!” Ele diz quando larga o crocodilo nos meus pés. “Vamos comê-lo?”
“Claro! Odeio matar só por matar. Você pode acender uma fogueira para mim?”
Draco assentiu para mim e foi e pegar madeira. Eu sentei ao lado do crocodilo e peguei meu canivete. O crocodilo sangrava um pouco pelos buracos de onde Draco o mordeu.
Eu afiava o meu canivete todos os dias, para alguma emergência, então eu consegui tirar as escamas do crocodilo e cortar a carne. Deixei preparado para poder cozinhar assim que Draco chegasse.
Meu pai sempre me ensinou a sobreviver na floresta, pois ele era do exército. Ele me ensinou a caçar, tirar a pele e cozinhar vários animais. Um dia ele me levou até a Amazônia, no Brasil. Ficamos na selva, totalmente sozinhos, por uma semana. Eu amei! Sei de muitas ervas medicinais ou venenosas. Acho que isso pode me ajudar...
Não demorou muito para Draco chegar carregando algumas madeiras nas costas. Ele colocou no chão, todas juntos, e acendeu.
“Obrigado filho! Agora vamos cozinhar.” Eu sabia que se eu colocasse pedras grandes no fogo eu poderia fritar cozinhar a carne. Tinha algumas ervas que podiam servir como tempero. Eu levei uma panela na minha mochila também, pois iria levar Draco para caçar, então...
“Pai. Por que você está esquentando as pedras e não a carne?”
“Você vai ver filho! Toma.” Eu entrego a panela para ele. “Pega água para mim. Água limpa em!”
“Volto em alguns minutos!” Draco decola rápido.
Eu comecei a colher algumas das ervas e separar. A fogueira estava fazendo bastante fumaça, estava com medo de alguém pensar que era um incêndio ou alguma coisa assim, mas acho que não vai acontecer porque as copas das árvores estavam dispersando a fumaça e ela ficava quase invisível.
Como Draco disse, não demorou quase nada. Ele voltou e pousou ao lado da fogueira com a panela na boca cheia de água. Ele deixa a panela no chão. “Pronto!”
Eu jogo as ervas dentro da panela. “Obrigado de novo filho! Desculpa por fazer você fazer tantas coisas.”
“Ah pai! Que isso!” Ele fala sorrindo para mim.
Eu tinha tanta sorte por ter ele, pensei. Deixei as pedras esquentando mais uns minutos então quebrei um galho grosso de uma árvore e peguei as pedras e coloquei dentro da água. A água começou a borbulhar instantaneamente assim que eu coloquei a primeira pedra fervente.
“Ahhhh... Entendiii!!!”
“Entendeu né? Assim a carne fica ainda mais macia.” Então eu coloco várias fatias de carne na panela.
A carne de crocodilo parece muito com a de um peixe, mas é bem mais saborosa. O cheiro da carne e das ervas logo fluía para o ar, e eu via Draco farejando o ar com os olhos fechados e sorrindo.
Eu me deitei no chão enquanto esperava a carne ficar pronta. Draco ouviu eu me deitar e logo deitou ao meu lado também.
Ele olhou para mim meio sem jeito e perguntou. “Como era seu pai, pai?”
Eu olho para ele estranhando a pergunta repentina, mas sorriu e respondo. “Ele era do exército. Ele foi para o Iraque junto ao exército dos Estados Unidos da América à vários anos. Lá ele conheceu várias pessoas. Aprendeu a sobreviver na selva na América do Sul, no deserto no Egito. Ele ensinou muita coisa para mim. Tudo que sei sobre sobreviver foi ele que me ensinou. Quer ver uma coisa! Eu adoro isso, olha!”
Como eu gostava de ir para a selva, eu carregava uma bússola, mas nem sempre ela poderia estar funcionando. Então meu pai me ensinou a fazer uma bússola com um pedacinho de ferro que flutue na água e água. Assim, eu tinha um monte de pedacinhos de arame na minha mochila.
Eu peguei um deles, cavei um pequeno buraco no chão, e coloquei um pouco de água do meu cantil. “Você sabe o que é bússola?”
“É aquele reloginho que mostra as direções, né?”
“Sim! Ele funciona assim: a ponta vermelha tem que mostrar sempre o norte.” Eu pego a minha bússola do chão e mostro para Draco. “Se não estiver apontando para o norte ela está quebrada ou tem imã por perto. Olha.” Eu giro e a bússola segue o meu movimento, sempre apontando para o norte. “Não importa para onde você esteva olhando, ela TEM que mostrar o norte. É a mesma coisa aqui ó.” Coloca a minha bússola no chão novamente e olho para a poça. “O norte da bússola é 0 polo MAGNÉTICO. Ele atrai a agulha da bússola, pois ela é um pouco imantada. Agora, se eu imantar este pedaço de arame e colocar na água, ele vai andar para o norte.”
“Como é que você vai imantar ele não tendo nenhum imã aqui?”
“Assim.” Eu começo a esfregar o arame no meu cabelo.
“Por que o cabelo imanta o arame?”
“Não faço ideia. Só sei que dá certo!”
Então depois eu coloco na água e espero um pouco para deixar as ondas pararem. Quando elas param o arame começa a se mover para a posição que a bússola estava apontando: o norte.
“Nossa! Parece mágica!”
“Verdade! Meu pai me dizia que era mágica. Hahaha!”
Nesse momento Draco começou a farejar o ar freneticamente. “Pai... Que cheiro é esse? Eu... nunca senti esse cheiro antes e... Grrr... está vindo pra cá!” Ele começa a rosnar olhando para o meio do mato, com os musculosos tensos, pronto para atacar.
Eu logo desembainhei a minha espada e fiquei logo atrás de Draco. “Como é o cheiro?”
“São dois! Um parece com o seu cheiro...”
Eu logo pensei em um caçador perseguindo algum bicho, mas Draco havia falado que nunca sentiu um cheiro igual aquele. Não era do pântano. Pensei então que podia ser que algum animal do zoológico havia fugido e uma pessoa estava procurando, mas achei improvável, pois o pântano era bem longe do zoológico e também o zoológico não mandaria apenas uma pessoa para interceptar esse animal. Eu estava confuso, até que Draco falou.
“E o outro... parece... com o...”
Nesse mesmo instante a cabeça de outro dragão surge entre as folhas.
“...MEU!” Draco termina a frase, olhando fixamente para o outro dragão bem na sua frente.
O dragão tinha uma coloração avermelhada, meio acinzentada. Seus chifres eram muito parecidos com os de Draco, porém eram azuis, o que puxava a atenção de qualquer um. Ele parecia ter o mesmo tamanho que Draco.
Ele inclinou a cabeça olhando para Draco. “Sabia que tinha sentido um cheiro diferente.” Diz ele.
Nesse momento eu soube que era outro macho, pois sua voz era de macho.
Eu olho para ele e então escuto uma voz atrás dele.
“EI! Hadaliel! Não corra para longe de mim desse jeito e...” A voz dizia, mas calou assim que apareceu.
Era outro menino! Aparentava ser da minha idade, porém um pouco maior. Seus cabelos eram castanhos e olhos pretos. Eu vi que uma linha passava por seu peito na diagonal, não sabia o que era aquilo até ver o arco que ele tinha nas costas. Possuía também uma aljava de flechas nas costas, na frente do arco.
Eu olhei para ele ainda com a espada erguida. Ele olhou para mim e para Draco. “Wow! Calma aí! Sou outro escolhido!” Ele levanta as mãos. “Não vou machucar vocês! Nem sabia que vocês estavam aqui! Eu sou de Yellow Rock, perto daqui. Vocês dois são de Sidney?”
Eu olho para ele novamente e embainho minha espada novamente. “Sim! Yellow Rock? Não me admira vocês estarem aqui no pântano. É bem perto. Prazer. Meu nome é Willian, e este aqui é Draco!” Estendo a minha mão para ele.
Ele aperta e diz. “O prazer é meu! Eu sou Thomas, e esse é meu filho querido, Hadaliel.”
“Belo nome!” Eu digo.
“É angelical!” Responde Hadaliel. Ele fareja o ar. “O que é esse cheiro?”
“Ahhh!” Draco olha para trás. “Nós caçamos um crocodilo para comer. Estamos cozinhando a carne. Querem comer com a gente?”
“Podemos pai?” Hadaliel olha para Thomas.
“Mas que falta de educação Hadaliel! Não foi assim que eu te eduquei!”
“Não seja assim Thomas! Tem bastante carne para todos! Venham! Hadaliel vai gostar de carne de crocodilo.”
Hadaliel olha para Thomas com um olhar de “por favor”.
“Está bem!”
“Oba! Obrigado pai!” Hadalieu corre para o lado da panela e olha lá dentro. “Uau! Esse cheiro... parece tão bom!”
“Olhem. Só tomem cuidado com uma erva em especial. Se vocês mastigarem ela... Meu Deus. Ela é muito venenosa, e o hospital mais próximo é bem longe daqui. Mas não se preocupem muito, eu vou tirar todas antes de servir.”
“Se ela é venenosa assim, por que colocou ela aí?” Pergunta Thomas, se sentando no chão.
“Ela dá um gosto excelente na carne.”
Eu vi que Draco se deu bem com Hadaliel. Os dois começaram a correr por aí, como se estivessem brincando de pega-pega. Haha. Era bom ver uma companhia para Draco. Ele era apenas uma criança. Merecia brincar bastante.
“Então... você tem uma espada?” Pergunta Thomas apontando para a bainha ao meu lado.
“Foi minha guardiã que deu. Esmeralda.”
“Esmeralda?! Não acredito nisso! O meu guardião me deu esse arco com essa aljava encantada de flechas...”
“Encantada?” Interrompo.
“As flechas nunca acabam. A menos que a aljava quebre em pedacinhos. Enfim... o meu guardião, Scarux, me disse que é casado com uma dragonessa que se chamava Esmeralda.”
Eu arregalei os olhos ao ouvir aquilo. Olhei para Draco brincando com Hadaliel. “Isso significa que...”
Thomas olha para eles também. “...Eles dois são irmãos!”
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