Dragões Imperiais

5 Chegada na cidade de Tesouro


Notas iniciais
Mais um capítulo, espero que gostem, sua avaliação é muito bem vinda

“Em vinte anos na idade das pessoas, em vinte anos o homem de mil mãos vai chegar à cidade e a primeira a ser destruída será você se continuar por aqui”.

Os cavalos pararam na frente de um grande portão dourado, os quatro soldados estavam meio sonolentos, pois era bem cedo, o Sol tinha saído há menos de uma hora atrás e mesmo assim algo brilhava mais que o Sol, os murros da cidade eram feitos de ouro cintilante, os raios solares do amanhecer refletiam nos murros e criava o maior espelho já visto no mundo, a carroça teve que ficar parada ao lado de fora da cidade, ambos os cinco soldados trabalharam no descarregamento das cargas que ali estavam, Blem colocou as mãos sobre a testa e olhou de bem perto os murros da cidade, tinham vários retalhos e rachaduras, mas realmente os boatos eram verdadeiros, dava para observar seu reflexo de manhã e o jovem começou a se encarar no murro que tinha mais de vinte metros de altura e em comprimento ia até mais de onde a vista alcança, todavia o que os quatro estavam loucos para ver era a parte de dentro da cidade, ambos loucos de vontade de entrar logo e por causa disso eles descarregaram as caixas como máquinas.

— Acho até engraçado, sempre que trazemos caipiras na cidade suas caretas são as mais icônicas – disse a capitã se dirigindo aos guardas no portão.

Os dois guardas usavam armaduras bem pesadas, as quais tapavam praticamente seus corpos inteiros, deixando apenas olhos e um pouco do nariz amostra para o público, a armadura era acinzentada com formas arredondadas e um elmo em forma de tubo, no peito da armadura havia um grande símbolo em forma de olho, o mesmo que a capitã usava, com toda certeza era a marca registrada da cidade, eles se mantinham em sentido sem mover um músculo se quer e em suas mãos, grandes lanças também de metal com detalhes dourados, as quais eram longas o suficiente para serem posicionadas no chão e mesmo assim serem maior que os guardas.

— Capitã Helena Forza, a rainha espera por você ao meio dia no castelo, ela também preparou quatro audiências em nome dos soldados da terceira base isso nos horários recorrentes ao seu, por favor, não se atrase – disse um dos soldados, o que estava na esquerda do portão e o que parecia ser mais experiente no assunto.

— Nossa, eu não havia dito para ninguém que eram quatro soldados novos – disse indagada a ruiva colocando seus braços sobre a cintura.

— O reino está bem preparado e sabe muito bem quem são as pessoas que entram e saem da cidade – respondeu o guarda

No calmo ar que estava no lado de fora da cidade, as únicas coisas que eram possíveis de se ouvir eram vozes extremamente baixas das pessoas que estavam no lado de dentro da cidade e que estavam longe o suficiente para terem suas vozes baixas e palavras quase irreconhecíveis para os que estavam do lado de fora. Logo um barulho de um tipo de motor manual pode ser ouvido, com toda certeza eram as engrenagens sendo giradas por soldados para se abrir os portões da cidade, Forza fez um tipo de chamativo com a boca para que os quatro viessem junto dela, então Blem e Sara que estavam mais afobados com o muro e as aves correram para entrar em formação. Os portões foram abertos dentro de alguns segundos em forma de janela, quando o primeiro raio de luz saiu através do portão e eles puderam ver a cidade, se encantaram mais ainda, Alex chegava estar de boca aberta vislumbrado pelo que via do lado de dentro da cidade, ele seguia Forza como uma criança querendo ir ao parque de diversões, mas se sentia incomodado com algo, alguém o observava fixamente, olhou para o lado e pode ver alguém o observando de longe, era um homem de pele pálida, olhos amarelos e cabelos negros, bagunçados, fios caiam sobre seu rosto escondendo parte de suas sobrancelhas, ele observava Alex como uma fera observando sua presa, mas o que mais lhe chamava atenção era que estava parado no único lugar do lado de fora do murro que fazia sombra, parecia muito um vampiro tentando se esconder do Sol, sentado lá, quietamente, Alex olhou para o homem e o encarou por algum tempo, também viu sua aura mágica, como não houve reação ele continuou seguindo atrás de Forza.

Se do lado de fora parecia mágico, por dentro então, era verdadeiramente mágico, uma cidade como aquela só era imaginada em sonhos, era como uma cidade de contos de fantasia, ruas cheias de caminhos de pedra, casas e barracas feitas de madeira enchiam as ruas de pessoas, eventos estavam ocorrendo em uma das ruas e isso aquilo chamou bastante atenção dos jovens, o diferencial era que os magos podiam sentir a magia vindo de todas as direções, mais de oitenta por cento de toda população do país tinha magia, ao usar a visão de leitura de auras a única coisa que se podia ver era uma grande mancha, como uma neblina, que cobria completamente a cidade, como eles não tinham notado isso antes do lado de fora, além disso as pessoas usavam a magia como se não fosse nada, usavam para o seu dia a dia e para encanto do próximo, no evento havia um homem em um palco, ele segurava uma bola de fogo no ar por meio de um metal, ele girava aquele metal fazendo desenhos de chamas no ar, jogou o bastão de metal no chão e com uma palma de mão as chamas que estavam no ar se uniram em nada menos que um dragão chinês, o dragão dançava no ar conforme os passos do homem.

— Olhem ao céu – disse Sara apontando com o dedo indicador.

Ambos olharam e viram diversos tipos de coisas voando no ar, haviam pessoas uniformizadas voando em formação, como se fossem aves migrando, mais ao lado um homem pedalava uma bicicleta, mas o mais incrível é que ele pedalava ela no ar, só com o poder de sua magia, bem próximos aos quatro soldados uma mulher assoprava bolhas de sabão ao ar, em um enxame elas voavam pelo ar encantando as crianças, entretanto o mais encantador era o que acontecia com elas dentro de alguns segundos, elas criavam olhos e boca, ganhavam vida e brincavam com as pessoas que passavam, um enxame vinha na direção deles, Richet abriu a palma da mão e uma das bolhas pousou, com uma carinha sorridente, a bolha começou a fazer um pequeno barulho que para muitos era a coisa mais fofa do mundo, ela olhou a bolha por alguns segundos e depois abanou a mão expulsando a criaturinha.

— Ei caipiras, estou vendo que estão gostando do lugar, temos tempo ainda até o meio dia, então se quiserem, podem andar por aí enquanto isso, eu encontro vocês antes do meio dia no castelo dourado – disse Forza.

Sim, o castelo dourado, bem mais a frente, algo era tão belo que parecia desenhado na paisagem, um castelo enorme, que chegava a tocar as nuvens com suas mais altas torres, eram composto por centenas de colunas em formato gótico e inteiramente feito de ouro. O castelo era uma das únicas coisas que podia ser visto dos lados de fora do muro da cidade. Os jovens se empolgaram com aquilo e então cada um tomou uma direção, Alex foi andando e se divertindo com as coisas que via pelas ruas, ele andava sem olhar para frente e então bateu de frente com alguém. A pessoa deu um grito e caiu no chão, Alex era mais forte e andava mais rápido que a pessoa e por isso quando se chocaram a pessoa que caiu.

— Me desculpe moça, eu estava meio distraído – disse Alex se desculpando de cabeça baixa.

Era uma mulher jovem, mas ao mesmo tempo madura, ela tinha os olhos acinzentados, com toda certeza ela tinha algum tipo de magia, seus olhos lhe entregavam até para as pessoas que não tem magia e que não conseguem ler auras mágicas, mas mesmo assim Alex pode sentir uma aura bem forte a ponto de lhe dar uma pequena dor, ela tinha longos cabelos loiros escuro, mas que estavam presos em um coque na parte de traz de sua cabeça, Alex olhou o corpo dela no chão captando todos esses detalhe e deles o que mais lhe fez ficar inquieto foi ela estar usando um avental da área de medicina, ela tinha derrubado um café que antes levava quando bateu de frente com Alex.

— Aqui, me deixe te ajudar – disse Alex estendendo a mão para ela. Quando ele ajudou ela a se levantar e os dois ficaram frente a frente foi que Alex pode ver as grandes manchas em seus olhos por causa da falta de dormir, realmente ela parecia alguém que trabalhava demais e estava com pressa.

— Você não é daqui não é mesmo? – perguntou a mulher enquanto se abaixava para pegar a sua xícara que estava no chão de pedras. Recebeu uma resposta de confirmação de Alex com um aceno de cabeça.

Ela começou a limpar seu avental dando pequenas palminhas contra o tecido branco, mas mesmo assim na parte da bunda iria ficar uma grande mancha de terra.

— Perguntei isso, mesmo já tendo certeza, nunca vi o seu rosto por aqui antes e só por falar, é um rosto bem bonito, ainda mais andando que nem uma criança boba, com certeza você não é daqui – disse a loira.

— Eu vim aqui por mando do exército, estou acompanhado da capitã Forza, vim fazer uma audiência com a rainha para me juntar ao seu exército, mas na verdade não é isso que eu quero, eu tenho um objetivo e quero segui-lo – respondeu Alex confiante de suas palavras.

— A rainha certo.....sabe......não há muitos pessoas que correm atrás de seus objetivos e sonhos, ainda mais nessa cidade, por fora você vê algo lindo, mas a cidade ainda é desequilibrada com diversos emocionais que já ocorreram e ainda ocorrem... – dizia a mulher quando foi interrompida por Alex.

— Você diz a guerra de vinte anos atrás? – perguntou Alex.

— Pode ser um exemplo, mas sabe, eu prefiro não entrar muito nesse assunto. Nossa conversa está bem agradável, mas tenho de ir, sabe como é, a única e maior cidade desse país e como eu trabalho na área de medicina eu não posso ficar parada muito tempo, ainda mais quando você é um médico que trata de doenças e ferimentos mágicos, vou pegar outro café, estou há mais de trinta horas sem dormir – disse a mulher, sendo que a última parte da frase ela falou bocejando.

A mulher que se apresentou médica tomou seu caminho, ela não queria correr, mas também estava com pressa, então andava bem rápido, da mesma forma de que quando trombou de frente com Alex. O jovem também tomou seu rumo quando foi chamado de jovem por alguém que queria chamar sua atenção. A pessoa que lhe chamava era um idoso barbudo que estava sentado em uma calçada de concreto, na frente de uma loja com as portas fechadas, Alex se aproximou ao ver onde o homem o chamava.

— Então você é amigo da doutora Diane? – perguntou o senhor, sua voz era calma e tranquila.

Alex não respondeu, na verdade nem ele sabia se era amigo da mulher ou não, se ele a encontrasse mais vezes, aquilo poderia ser sim o começo de uma amizade.

— Me desculpe, eu venho lhe chamando, fazendo perguntas, pareço um policial, eu tenho cara de policial, eu sou Fergus – disse o senhor que logo depois fez um gesto de arma com as mãos, na verdade nem de longe ele parecia um policial, era um velho barbudo, ambos cabelo e barba brancos, suas roupas eram apenas trapos velhos e rasgados, ele estava também descalço, certamente era um morador de rua, seu antebraço estava completamente enfaixado, parecia cobrir algum tipo de ferida.

— Eu sou Alex – respondeu o jovem e os dois apertaram as mãos como sempre as pessoas fazem quando se conhecem.

O morador de rua fez um gesto com arma, um gesto cordial ao seu lado, como se quisesse que Alex se sentasse junto dele, o loiro se sentou por já estar andando por bastante tempo e ter alguém pra conversar é sempre muito bom, ainda mais que Fergus falou da doutora e ele queria saber mais sobre ela e sobre o que ela havia falado.

— Como você conhece a doutora senhor Fergus? – perguntou Alex.

— Ó, a doutora, ela sempre passa por aqui nesse horário, mesmo que eu não tenha um relógio eu consigo saber que são nove horas por esse ser o horário livre que ela tem no período da manhã, viramos amigos desde que ela vem me entregar alimento três vezes por semana e mesmo que ela não fique para conversar, só de ver ela se esforçar para dar um belo sorriso no meio daquele rosto cansado já me faz bem feliz durante o dia – disse Fergus

Alex se inclinou para trás, apoiando suas mãos no piso e olhando para cima, pensando em que aconteceria daqui para frente.

— E você, veio para cidade em pouco tempo não é mesmo, essa cidade anda cada vez mais estranha – disse Fergus alisando sua barba.

— Sim, tempo, tempo é algo que eu tenho bastante no momento, por isso estou dando uma volta pela cidade, bastante tempo – acabou a conversa Alex.

“Mais duas mortes foram contabilizadas, o exército real está louco atrás do causador de tantos assassinatos, no momento os maiores suspeitos são magos que tenham chego em pouco tempo na Tesouro”