Dragões Imperiais
9 Caça à aranha
Helena tinha marcado um lugar de encontro com Rebecca esta noite, ela já estava bem na frente dos pensamentos de muitos, parece que ela sabia que Alex iria lhes seguir e durante a tarde as duas tinham se encontrado, Helena falou para Rebecca lhe esperar na segunda esquina ao lado sudoeste do castelo da rainha, Rebecca não confiava que o acovardado Alex iria junto delas atrás do assassino, mas ela confiava nas palavras de Helena, ela sabia que a capitã não errava seus cálculos tão facilmente.
Os dois estavam passando na frente do castelo dourado, mesmo de noite, a luz da lua era refletida nas paredes do edifício, pintando as ruas que lhe contornavam com um brilho prateado e muito belo. Helena mesmo guiando o caminho, ficava cada segundo observando para ter certeza de que a aranha não iria atacar eles repentinamente, com sua observação ele conseguiu encontrar alguém em uma janela do castelo, uma pessoa que lhes observava andar. Aqueles olhos ponderadores e pacíficos, da cor azul, aquele longo cabelo loiro e jeito pomposo de se comportar, era a rainha, ela parecia usar algum tipo de pijama arroxeado, com ombreiras levemente transparentes, ela estava apoiada com os seios contra o batente inferior da janela e seus cotovelos eram o apoio de seu corpo que estava meio curvado para fora da janela.
— Ei “homem de mil mãos”, está vendo aquela mulher? – disse Forza apontando com um jogar de cabeça a direção em que ela estava, Alex olhou na direção e se deparou com uma deusa, uma mulher tão bonita como aquela só podia viver em um castelo, ele ficou meio incomodado, mas de longe parecia demonstrar interesse amoroso por ela.
— Quem é ela? Alguém que você conheça? – começou a perguntar Alex, ele parecia meio sem jeito de fazer aquelas perguntas.
— Se eu conheço, uns noventa e cinco por cento da cidade deve conhecer ela, acho que os únicos que nunca viram ela antes são pessoas que não enxergam ou novatos na cidade assim como você, os famosos caipiras, sei que você está pensando ter alguma chance com ela, você quer agradar ela, fazer a mulher mais feliz do mundo, isso é o que todos dizem – dizia Helena enquanto juntava suas mãos na sua frente de maneira mais irônica possível, em um gesto de fingir estar apaixonada, enquanto piscava seus olhos com uma cara de boba – eu não estou sendo irônica, a maioria das pessoas acha ela a mulher mais bela que existe, tanto homens quanto mulheres e quando lhe conhecem então, percebem que ela é mais doce ainda, sabe quem é ela, está mulher é a rainha dessa cidade, Clare Adriheto Rontear, o único membro vivo atualmente da família real – terminou Forza.
Alex estava se empolgando cada vez mais com as palavras da capitã, mas quando ela terminou dizendo que é a rainha, sua cara de bobo se esvaiu, sabia que não tinha chance.
— Eu acho que ela estava olhando para você esse tempo todo – disse Helena colocando sua mão perto da boca, fingindo que estava sussurrando.
Alex sabia que a ruiva estava tirando sarro dele o tempo todo e se irritou com isso, xingando Helena. Claro que ele foi conferir mesmo assim, a rainha olhava para o céu e logo depois adentrou seus aposentos, saindo de perto da janela.
Andaram até a esquina em que Helena tinha combinado de as duas se encontrarem, lá estava a menina de cabelos negros, Rebecca, ela não parecia tão preocupada com a chegada deles, talvez não tenha esperado tanto assim. Quando ela viu a capitã, se animou, ao ver Alex junto fez uma cara de tédio, Helena e Alex passaram por ela.
— Qual é a dessa cara de merda? Vamos logo, vamos ter uma longa noite hoje – disse Helena irritando a morena, Rebecca com raiva, bateu o pé com força no chão, sua bota fez um som alto e ao mesmo tempo fechado.
— Então quer dizer que você trouxe a isca...e ainda sem camisa – disse Rebecca se dirigindo à Alex com essa frase.
— Eu sei que você gostou de ver ele aqui, já que foi a primeira que tentou enfrentar o soldado de ouro quando Alex foi atacado, você não conseguiu se conter em deixar que alguém machucasse seu namoradinho – respondeu a capitã, ela então se virou para trás e observou o rosto vermelho de Rebecca, com certeza estava estressada, mas será que ela estava corada apenas por raiva ou tinha alguma pitada de vergonha por aquilo ter sido dito em voz alta.
— Eu gostar dele? Eu sou um soldado, tenho de manter meu posto e ajudar as pessoas dessa cidade, só isso – disse Rebecca.
Estavam quase chegando ao lugar, com toda certeza ambos os três sabiam da existência daquele lugar, era onde tinham ido no dia anterior em busca do assassino, aquele lugar era abandonado, sem luzes, edifícios altos, Helena sabia que iria encontrar o assassino por ali.
— Garoto, você já se encontrou com o assassino, temos que discutir isso agora para que você não se confunda, Rebecca te explicou antes que cada tipo de mago tem uma espécie de aura mágica e eu irei te dizer qual o tipo de aura desse assassino...ele usa uma aura animal, tanto por velocidade como meios furtivos de locomoção, além de que ele já se entregou, teias para ataque, andar por lugares altos, eu estava quase matando a charada, só precisava de uma ajuda, eu então fui atrás dos corpos, o corpo de Albert em específico tinha uma ferida que era causada apenas por um tipo de animal, tudo se resumiu, uma aranha, uma aranha brincando conosco como se fossemos moscas, o assassino não é apenas provindo de uma magia extremamente poderosa, como ele é mais inteligente que todos nós, ele conseguiu enganar todo o reino, passar despercebido por todos em busca apenas de você. Sim, você se encontrou com ele, por erro seu você não conseguiu ver a aura dessa pessoa, mas ela já se encontrou com você, uma pessoa que você não tenha olhado para a aura dela, por achar que essa pessoa nem de longe parecia um mago, mas na verdade ela estava apenas te enganando todo momento, então senhor mil mãos, quem você deixou de olhar a aura, quem se interessou em se aproximar de você? – disse Forza abrindo os olhos do loiro para a verdade.
Alex arregalou seus olhos e logo depois seus olhos se tornaram cruéis, ele sabia quem era o assassino, ele poderia ter lhe matado, mas não tentou fazer isso por que não queria chamar a atenção de ninguém, um nome e um rosto veio em sua cabeça, Fergus, esse era o nome do assassino, Alex se lembrou de ter sido chamado pelo homem que se assemelhava com um morador de rua, um homem de muito pouco que não faria mal para uma mosca, mas isso era apenas enganação, era um teatro para que ninguém desconfiasse dele.
— Você já sabe quem é ele não é mesmo – afirmou Forza.
Alex confirmou com a cabeça, trazendo confiança para a capitã de que ele não seria pego desprevenido por ter pena, caso encontrasse com o assassino.
— Muito bem, mesmo que Alex saiba da localização do assassino, mesmo assim esse lugar é enorme e como estamos o procurando, eu tenho certeza que ele não vai se revelar tão facilmente, Alex, você segue por ali, vem comigo Rebecca, eu irei te designar em outra direção – tomou as ordens a capitã Helena Forza.
Alex seguiu em frente, primeiro entrando em uma casa velha, com paredes de madeira, deixando Helena e Rebecca para trás, as duas ficaram paradas no mesmo lugar, enquanto o loiro adentrava a primeira casa na qual queria procurar.
— Mas senhora, estamos em campo inimigo, com toda certeza é uma armadilha, se nos separarmos apenas morreremos, precisa mandar o Alex voltar, AGORA! – disse Rebecca sabendo que ele iria morrer se fosse sozinho.
— Fique quieta Rebecca, eu sei que o lugar está cheio de armadilhas e eu sei do perigo de nos separarmos, mas o alvo do assassino é o Alex e não nós duas, ele não vai aparecer tão facilmente se o Alex não estiver sozinho e fácil de abater, como você disse mais cedo, ele é a isca, o assassino está de olho em nós o tempo inteiro, pegue um caminho diferente do meu, mas fique atenta para ajudar o Alex quando o assassino der as caras – disse a capitã, ambas então se separaram em direções opostas.
Já na segunda construção, Alex adentrou em um enorme galpão de madeira, o lugar estava realmente bem escuro, mas tinha certa iluminação vinda de uma janela com quatro grandes vidraças logo acima da porta que iluminava consideravelmente o chão do lugar, andava bem lentamente, cada passo seu projetava um ranger de madeira como em filmes de terror em que as coisas sempre ficam rangendo ou por serem velhas, ele começou a olhar envolta e mover as coisas, procurando por alguém que se escondia nas sombras, mas nem ali ele encontrou alguma coisa, quando já estava desistindo de olhar ali dentro ele ouviu um forte barulho vindo na direção de suas costas, cerrou o punho e uma espada foi invocada na fusão de partículas em sua mão, gerou uma espada prateada, de lâmina dupla, ele apontou a espada na direção do ruído com medo, mas a única coisa que saiu dali foram dois ratos correndo juntos. Ele deu um grande suspiro de alivio, estava mais tranquilo e com a tranquilidade veio o desespero, uma viga de metal foi jogada em sua direção, Alex firmou os joelhos e com um golpe giratório cortou a viga ao meio, sabia que o assassino estava logo acima dele.
Olhando para cima ele conseguiu ver quatro pontos brancos olhando em sua direção, eram ambos os olhos da aranha, a fera que estava logo acima dele fez um barulho como se estivesse rangendo seus dentes, um barulho baixo mas mesmo assim incômodo, vindas do teto, começaram a descer patas peludas em extrema velocidade, oito patas bateram no chão, quase esmagando Alex na descida, que se não tivesse se jogado para trás teria o acertado, era uma aranha enorme, Helena tinha deduzido quatro metro de altura, esse era praticamente o tamanho da aranha, mas como aranhas são animais que tem seu corpo achatado, para os lados a aranha era gigante, era uma aranha cinzenta e peluda, lembrava muito o estilo de uma caranguejeira, mas em sua cabeça, ela tinha uma cabeça de esqueleto humano, com quatro olhos e uma fileira de dentes serrilhados, esses sujos de algo que parecia ser sangue. A aranha pareceu tomar fôlego e abriu a boca, soltando um rugido devastador, forte o suficiente para abalar a construção e destruir todos os vidros próximos, Alex empunhou sua espada para atacar a aranha, mas algo estava errado, ele sentia seu corpo fraquejar cada vez mais.
— Não, isso não pode estar acontecendo, eu irei vingar meus amigos, isso é por você Blem – disse Alex tentando ficar de pé, ele já estava usando sua espada como bengala, sua força estava se esvaindo e sua cabeça queimando de dor. A aura da aranha era muito forte, era tão forte quanto a aura de Helena, isso estava deixando Alex mal a ponto de não conseguir lutar.
— Blem, você diz Albert Blem, como foi ótimo ouvir ele gritar por ajuda, eu fiz ele sofrer mais do que os outros apenas por ser seu melhor amigo, ele gritou por muitas pessoas, gritou por ajuda incontáveis vezes, chamou por você, mas eu vejo que mesmo se você estivesse lá não conseguiria ajudar ele, você está fraquejando apenas com a minha presença, que patético, e pensar que estava com medo de você – disse a aranha.
— Eu pensava que você era alguém legal Fergus, eu confiei em você, acho que sempre que um mago olha a aura de outro é por que considera ele uma ameaça, você fingiu conhecer a doutora, fingiu ser uma pessoa pobre apenas para que o público não olhasse essa sua aura de aranha, agora eu sei como é uma aura de alguém com poderes de animais, não se preocupe capitã, eu não irei vacilar novamente – dizia Alex enquanto se erguia com ajuda da espada, o efeito da dor já estava passando, mas mesmo assim ele ainda estava muito fraco. A aura de Fergus lembrava a silhueta de uma aranha, além de ela ter aquele imenso crânio e os quatro olhos na aura, lembrava muito sua forma transformada.
— Sim, eu estudei as pessoas dessa cidade por muito tempo, depois que já conhecia fontes influentes da cidade como Normam, Diane, Samantha, Eric e Li Ju, comecei a me adaptar, me revelar para as pessoas, inventei o nome Fergus, sabe o mais incrível, era que todos caíam nas minhas garras como coitados, as pessoas tinham dó de um senhor, por isso não observavam a minha aura mágica, essa cidade é apenas uma caixa de abelhas, todos estão presos em minhas teias prontos para perderem suas vidas, mas isso não me importa mais, depois que eu tirar sua vida minha missão terá acabado – disse a aranha.
— Você se considera tão forte, mesmo assim não conseguiu matar um menino de vinte anos – disse Alex, essas palavras irritaram muito a aranha que soltou outro rugido estridente.
— ALEX! – gritou Helena que abriu a porta do galpão com força, fazendo com que a porta batesse na parede e tremesse. Forza e Rebecca estavam ali, ambas prontas para ajudar Alex. Elas foram andando na direção de Alex bem devagar, enquanto encaravam a aranha que não estava nada feliz – você pode gritar mais baixo não senhor assassino, você revelou sua posição duas vezes e me deu dor de ouvido.
— Helena Forza, você está me irritando desde a primeira vez que eu identifiquei o meu alvo, todas as duas vezes que eu fui atrás do homem de mil mãos você estava no meu caminho, primeiro bem debaixo do nariz da rainha eu o ataquei e você estava lá, você pegou minha teia e a queimou, na segunda vez eu te segui e você me levou até o alvo, mas você o libertou e o tirou da minha vista novamente e agora que eu estou com ele nas minhas mãos você aparece novamente tentando me atrapalhar, eu irei matar o homem de mil mãos, não importa o que você tente fazer! – dizia a aranha que terminou com um grito, logo antes de uma investida contra Alex, a aranha abriu sua boca cheia de dentes para engolir o loiro.
Quando estava menos de um metro de alcançar Alex com seus dentes uma explosão de chamas apareceu na frente do garoto, Helena entrou na frente de Alex e pisando com força contra o chão ela criou um pilar de chamas logo em sua frente, a aranha, que teve metade de seu rosto queimado instantaneamente começou a gritar pela dor que sentia. Os olhos de Helena estavam pegando fogo, as chamas saiam para fora de seus olhos, deslizando sobre seu rosto, Alex que já tinha se acostumado com sua aura sentiu outra dor de cabeça, sua aura mágica parecia esquentar cada vez mais como uma chama, desta vez até mesmo Rebecca se contorceu de dor pela aura da capitã.
— Foi forte demais para você inseto, espero que não, pois você vai sentir o poder do inferno – disse a capitã cerrando seus punhos.
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