Dracologia

14 P.O.V Falcon


Meu cotidiano vem sido cumprido rigorosamente com estudos, higiene e hobby de leitura, não necessariamente nessa ordem. Acordar de manhã com o frio da Irlanda, melhorou minhas intensas dores de cabeça, e meu humor. Dei ordens estritas de cobrir todo o chão com carpete de lã, para que meus pés não toquem o chão gélido e sinta desconforto. As poltronas chegaram com atraso, mas nada que mereça um escândalo, o que me fez sentir-me bem menos "chato". Sei que sou egocêntrico e tenho apego excessivo aos bens materiais, mas ninguém é perfeito e isso nada interfere nos meus valores pessoais e familiares, creio que seja isso o que importa. Depois do banho quente em banheira com emulsões para minhas artrites precoces, que vêm piorado a aparência das minhas mãos, mas nada que luvas de couro Prada não resolvam, e alguma medicina com células tronco. Depois do cabelo limpo, meus 15 minutos de relaxamento, eu posso sair escovar os dentes, preparar o cabelo e voltar para a cama para tomar meu café da manhã e ler o jornal mortal em paz, com o verde invadindo minha janela. A faculdade tem um aspecto medieval, aquelas visões celtas com pradarias lindas lar de fadas e gnomos inspira-me a realizar boas condutas. Depois do jornal, posso decidir entre falar com meu melhor amigo pelos e-mails ou assistir um pouco de televisão no canal de notícias. Depois tenho tempo de sobra para me relacionar com meus contatos até o momento de pegar minha pasta e dirigir-me até a aula, com calma. Chego 10 minutos adiantado e tenho tempo para rever a matéria do dia anterior e ler as partes que eu mesmo destaquei do livro. São bons hábitos diários que levam ao sucesso, sempre dizia minha mãe. Entre 15 minutos de cada aula, eu tomo café apenas uma vez, o resto das vezes tomo chá e como uma fruta, ou algo com menos calorias. Depois das 4 horas de estudos, eu volto para minha alcova e almoço em paz, estudo por mais 3 horas e faço leitura recreativa, depois ligo para aniversariantes da minha enorme família, o que deixaria minha mãe feliz, se fosse viva. Sempre quis que eu fosse próximo dos La Venice, e eu não sou burro de deixar de paparicá-los. Eu planejo passar minhas férias nos vinhedos de minha tia, que mora em Milão e depois iremos aos desfiles da Fashion Week, coisa que ela adora, e eu não fico para trás como crítico. Depois do meu tempo livre, há tempo para um brunch e depois pratico exercícios por duas ou três horas, praticamento correndo, escalando e depois frequento a academia da faculdade que está sempre cheia. Principalmente lotada de ignorantes que não limpam os próprios aparelhos e devem ficar cheirando suor por 5 ou 6 horas, enquanto seus cérebros têm o tamanho de ervilhas, pobres almas. Logo após o treino, eu posso jantar lá pelas sete da noite enquanto escuto músicas de gosto pessoal, como o bom e velho rock dos anos 60 que faria meu pai ter um ataque do coração. Em memória dele ouço Frank Sinatra todos os dias. Depois checo minhas redes sociais, e-mails, lista de afazeres para o dia seguinte e minhas consultas médicas periódicas, como nutricionista, endocrinologista, psicólogo e psicanalista. Também tenho vaidades como ir ao dentista e cabeleireiro, ou fazer compras. Logo depois, posso dormir.

Aos finais de semana, exploro a Irlanda com meu Porsche Boxster GTS, conhecendo restaurantes, pontos turísticos, galerias de arte, museus e hotéis com moças que marco pela semana, ou acho em casas noturnas. Uma para sábado, outra para o domingo com a maior discrição. Passo a noite em apenas 5 estrelas e elas saem antes que eu acorde, o que me deixa a vontade. Depois dirijo de volta a Wesport como se nada tivesse acontecido. Não uso drogas, ou bebo demais, possuo disciplina.

–Dagda! — Dagda é a bela moça que atrai meus olhos sempre para o ponto leste da sala de aula, com os mais belos olhos que já vi. Posso ter olhos turquesas vindo de uma família subaquática, mas Dagda tem olhos que parecem de vidro de tão claros. Tem cabelos castanho claros e um sorriso de sentir uma facada no coração de tão cativante. Apesar de ser caipira, tem bons modos e uma voz muito doce, e é dedicada aos estudos, além de sempre ter um livro em mãos, diferentes a cada semana. Ela atrai olhares pelos corredores, mas soube que já tem namorado, um tal de Sean. Tem a família estruturada e é de classe média. Se veste como uma mulher madura com seus vestidos abaixo dos joelhos, mas leves como lençóis que me dão vontade de agarrá-la em qualquer lugar e despi-la. Retraio meus instintos de uma forma tão violenta que sinto os nós dos dedos começarem a formigar e enrijecer, além da minha visão focada e mais escura. Sinto-me um animal em sua presença, uma besta domesticada.

–Sim... Falcon, não é? — ela tinha uma coroa de flores pequenas e amarelas no cabelo, o vestido leve, e um cardigan rendado, com sapatilhas.

–Falcon Aqua La Venice. — eu sei o que pensam e falam de mim, mas ela não reage como os outros. Não revira os olhos, não bufa, está sempre disposta a me tratar com educação e bom humor, uma mulher completa digna de ser uma princesa.

–Dagda Falls. — ela ri deliciosamente, e eu não consigo evitar de sorrir d canto e começar a sentir meu corpo aquecer igual a um motor com vários cavalos.

–Estava pensando se não deseja me acompanhar no meu café matinal.

Ela sorri levemente e eu vejo sua colega de quarto surgir por trás, uma loira de olhos azuis, claramente rica mas não mais atraente que a bela Falls, ao meu ver. A acompanhante se chama Branca, e eu a convido também por cortesia, e as duas aceitam. O café foi agradável, Dagda fala calmamente com pausas curtas e uma doçura que só pode ser atribuída a ela ou as flores. Sua amiga, por outro lado, fala demais e praticamente não há pausas. Fala sobre futilidades e sempre arranja um jeito de falar sobre seu noivo, seu noivado, sua família ou seus hábitos. Ou seja, apenas fala sobre si mesma. Não fala de política com Dagda fala, não fala de cultura como Dagda fala, nem fala de economia como nem Dagda fala, descobri que ela não gosta de números. Descobri que ela assiste as notícias, mas não lê jornal. Acompanha a maioria das coisas pelo celular com aplicativos de fontes diferentes, e lê muito romance. Obras clássicas como Jane Austen mas não lê sociologia ou filosofia como eu leio. Ela ama poemas e eu odeio-os de uma profundidade que só ficou rasa por causa dela. Agora forço-me a ler pequenos trechos todas as manhãs. Para minha surpresa, ela gosta de punk rock e coisas violentas. Eu sempre perco o tesão quando uma menina falava isso, mas sobre ela, surtia um tesão de mistério e desconhecido. Branca por sua vez, não lia nada e escutava pop. Notei que as duas se davam incrivelmente bem sendo incrivelmente distantes de intelecto. No fundo, eram duas garotas. E notei que Dagda iria para onde Branca fosse, e Branca sendo fútil do jeito que é, lhes comentei sobre as férias de primavera, e disse que iria a Milão assistir os desfiles, e daí surtiu uma coincidência. Dagda não gostava de moda, para meu espanto, mas ela iria por causa da amiga, o que seria uma ótima desculpa para nos hospedarmos no mesmo hotel e tomar algumas taças de champagne.

–A conversa foi ótima, mas temos que assistir a aula! — a mademoiselle disse.

Nós três nos encaminhamos pelo caminho de pedras repletos de verde, e passamos por um grandalhão que me era suspeito, e ele sorriu em minha direção, e quando olhei, as meninas retribuíram o sorriso. Era o maldito Shrek e agora eu era obrigado a suportá-lo se quisesse levar Dagda até minha cama, ótimo. Aquele arranha-céu parecia estar em todo o lugar, mas que... Respirei.

Após ser convidado para sentar-me perto delas, ficamos todos em silêncio com exceção de Branca que mandava áudios pelo celular e que eu só não lhe ordenei guardar pois era amiga de Dagda. Inúmeros desafios para chegar até aquela pessoa só me fazia querer mais e eu me amaldiçoei. Se não a conseguisse, não seria mais eu.

A aula que se seguia era de História aplicada aos Dragões e eu tomava nota de tudo, fazendo perguntas, sugestões e iniciando debates com o professor enquanto a maioria tinha as cabeças abaixadas. Aparentemente, apenas eu, Dagda e o Shrek estávamos realmente prestando atenção. O tal Harris senta bem atrás de mim e o homem que divide o dormitório com ele estava acordado, mas focado em algo bem distante da aula. Consumi-me de raiva pois sabia exatamente para quem estava olhando, e senti minha musculatura ter uma descarga de adrenalina, mas me contive, sentado em uma carteira tomando notas sobre as pinturas francesas, citações bíblicas, versos da época dos vikings e hierarquia nas diferentes mitologias.

–Na mitologia Asteca, e em várias culturas mesoamericanas a figura que é representada na forma de um dragão é Quetzalcóatl. Ele pode ser indicado por alguns pesquisadores como a principal deidade do panteão centro-mexicano pré-colombiano. Seu nome significa "serpente emplumada", como muitos dragões são descritos em várias culturas, serpentes, lagartos e uma fusão de animais escamosos. Sobre seu nome, há uma curiosidade que lhes vou dar a oportunidade de adivinhar. Alguém se arrisca?

Eu logo me pus a falar:

–O quetzal-resplandecente por vezes chamada de "serpente de penas" é uma ave, típica da América Central. O quetzal-resplandecente é uma ave de modo de vida solitário, procurando frutos ou insectos nas árvores da floresta. O macho possuí rectrizes extraordinárias que o ajudam a atrair a fêmea.

–Obrigado, Falcon, você acertou de novo.

Ao olhar para a Srta. Falls, ela estava olhando para a vida fora da janela, e creio que não tenha ouvido uma só palavra sobre meu ensaio de ornitologia.

–Continuando, aqui poderão ver no slide o pássaro sobre qual Falcon disse. Quetzalcoatl representa as energias telúricas que ascendem, daí a sua representação como uma serpente emplumada. Neste sentido, representa a vida, a abundância da vegetação, o alimento físico e espiritual para o povo que a cultua ou o indivíduo que tenta uma ascese espiritual. Há mais para saber sobre seu culto, sua origem e literatura, e assim deixo esse trabalho para vocês para a próxima aula, me restando assim mais tempo para comentar outras personalidades. Passe para os colegas de classe de vocês, sim?

O professor continuou a falar, e eu me senti tentado a manter um olho na moça, e o outro no maldito homem que ainda não havia dormido e a fitava diretamente sem a menor cerimônia ou compostura.

–Sr. Falcon?

–O quê? — eu havia ficado absorto por poucos segundos.

–Preste atenção na aula e responda minha pergunta.

Aquilo moeu meus ossos e eu mantive minha classe perante aquela humilhação claramente descabida.

–Pode repetir a pergunta, monsieur?

–Srta. Falls? — o professor dirigiu-se a ela.

–Tiamat, certo? Tiamat vivia no caos primordial que existia antes da criação do mundo. Ela se misturou com Apsu, a personificação da água doce, e a primeira geração dos deuses nasceu. Um desses deuses, Enki, matou Apsu.Tiamat queria vingar Apsu, destruindo os deuses. Ela reuniu um exército de monstros, incluindo 11 dragões.Os deuses mais velhos estavam tão aterrorizados quando viram Tiamat, e seu exército, que aceitaram a ofertado deus Marduk, o mais jovem. Ele se ofereceu para matar Tiamat, na condição de sua supremacia ser reconhecida. Marduk matou Tiamat na batalha e usou seu corpo para fazer o universo. Ele usou o sangue deKingu, líder do exército de Tiamat e seu segundo marido, para formar a humanidade.

–Sim, jovem, mas qual a origem desse mito? — o professor retirou seus óculos.

–Babilônica. -ela responde, e o professor sorriu, dando-lhe os parabéns. Fiquei impressionado e contente pela minha escolha. Logo eu teria o que mais queria e talvez ela permanecesse por mais de um final de semana. Talvez não seja tão ruim acordar do lado de outra pessoa, desde que essa pessoa fosse ela. Ela leria o jornal comigo, assistira aos noticiários, correríamos pela floresta e depois faríamos sexo o resto do dia. Sim, ela seria a companheira perfeita.

Mais alguns minutos de monólogos educativos e ele lançava perguntas sem parar sobre Jörmungandr, Drachenstein, Icedrakes e Zu. Aulas de história são unânimes na opinião dos jovens em serem insuportáveis. Deixam tudo massante e cansativo, e os 15 minutos após aquela aula foram mais que merecido para aqueles que se mantiveram de olhos abertos. Menos de 5% dos alunos.

–Você saca bastante de História! — Harris estava falando com Dagda e eu quis enforcá-lo. Apenas eu me dirigia primeiro quanto a ela e conhecimento e isso estava socialmente estipulado com a clareza de diamantes polidos. O que ele estava pensando?

–Posso te ajudar, Harris. — ela sorriu e as pétalas da coroa agora caíam sobre seu cabelo e aquilo dava luz a suas feições, e mais imaginações pervertidas a mim.

Os dois estavam combinando de estudar juntos na clareira e eu permaneci calado, pois seria meu horário dedicado a minha saúde física, e eu não o atrapalharia nem pela mais bela das moças da UUO. Mas isso estaria disposto a mudar logo.

O resto da semana se seguiu no mesmo ânimo da aula de história e no sábado eu pude fugir para a a província de Munster e tirar fotografias do Castelo de Blarney, uma verdadeira pérola da arquitetura irlandesa. E ficaria ainda mais lindo sob minhas lentes. Logo após eu comi em uma delicatessen e provei da culinária local, que por sinal, é maravilhosa. Tomava os doces acompanhado de chá quando vi duas figuras familiares e infelizmente, nenhuma das duas tinha flores no cabelo ou vestidos leves. Um era o titã de olhos verdes, o sorridente do Harris e o outro era o toxicômano de olhos azuis, Jaden Smith.

Eu obviamente os segui. Mas tive que comprar um chapéu para disfarçar a beleza chamativa de minhas madeixas vermelhas, meus olhos turquesas e toda a minha altura e porte real. Não que um chapéu consiga esconder isso tudo, mas os olhos e o cabelo foram disfarçados com sucesso.

Os dois patetas estavam bem longe de Wesport, e não se dirigiram até a capital e certamente não foram ver o esplêndido castelo. E pareciam fugir, mas chamavam atenção demais com aquele ogro de capuz. Então seguiram andando pelo meio do mato na direção do Lago de Blarney, e eu notei que se os seguisse, seria pego. Eles eram os únicos a se aventurarem naquele lugar. Decidi esperar por alguns minutos até perdê-los de vista e adentrei no mato. O Lago estava rodeado de pessoas e havia uma floresta vasta cobrindo tudo, e todos olhavam para a água, e havia dinheiro correndo de mãos em mãos, e homens gritando números e fazendo propagandas de nomes. Foi quando uma criatura enorme passou perto da margem e a água ficou turva de terra, os homens urraram com diferentes emoções. Alguns minutos depois, outro monstro pulou e houve gritos de vitória e correria, eu sabia que monstros eram aqueles, que gente era aquela e o que aqueles dois estavam fazendo ali. E então, meu chapéu foi arrancado com uma brutalidade anormal:

–Quem é esse aqui? — era um homem barbudo e com dentes de ouro, que estava com desconfianças sobre mim, obviamente.

–Um apostador, quero 600 euros no ganhador. — eu tentei disfarçar mas claramente não estava por dentro dos nomes bregas dos Cavaleiros e seus dragões.

O velhote pegou o dinheiro que eu tirei da carteira e resmungou qualquer coisa. Os homens de má aparência notaram nas minhas roupas e penteado, e eu continuei procurando saber onde os dois patifes estavam e que peças seriam naquele complicado cenário. Jaden certamente seria um dos Cavaleiros, mas qualquer coisa contra Harris já era um ponto para mim e um a menos para ele na corrida por Dagda, se é que ele estaria interessado nela.

–Cara! — e senti um puxão pelo cotovelo. Fui jogado no meio das árvores, afastado por algumas moitas da competição.

Era Jaden e Harris estava com as mãos nos bolsos do casaco.

–Você pode não sair vivo daqui, sabia? — Jaden disse aquilo e depois cuspiu porcamente no chão. — Saia daqui logo, se não quiser ser roubado, aqui não é seu lugar Falcon.

–Mas é o seu, não é? É um Cavaleiro, Jaden? Você e esse seu monstro de estimação? Você monta nele?

Jaden riu da piada mas logo ficou sério, diante do risco enorme de ser preso e expulso da faculdade, e seu amigo sofreria a mesma pena por simplesmente acompanhá-lo.

–Escute aqui, Falcon. Eu o ajudo a sair vivo daqui e você não conta nada a ninguém.

–Não preciso de você para sair intacto de lugar nenhum, seu escroto! Eu sou Falcon Aqua La Venice.

E saí de cena, deixando os dois provavelmente chorando depois da notícia que seriam intimidados pela polícia e pela reitoria do Campus e nunca solicitados pela bela...

Foi quando levei um soco na barriga,

Perdi um dente,

Perdi sangue,

A carteira,

Os culhões.

Ainda com a visão turva, pude ver a jaqueta negra de Jaden e o colosso trocarem socos e chutes com a bandidagem. Jaden me puxou pelo ombro, e gritou para que eu ficasse de pé e tentasse correr, e foi assim que entre lama, suor e sangue, nós três tentávamos sair dali o mais rápido possível.

–Onde está seu carro, Falcon? — eu nem conseguia mais distinguir de quem era a voz, e foi quando senti meus bolsos serem revirados até as perguntas cessarem.

Quando acordei, estava em um Hospital e os dois estavam estirados um em cada poltrona do meu lado:

–Droga..! — a minha cabeça doía e eu sentia o sangue na boca ainda.

–Está se sentindo melhor? — um belo par de olhos verdes me fitava de frente, agora, e eu não pude deixar de sorrir. Quando me dei conta que os olhos eram de Harris, não pude evitar de ficar ruborizado e xingar baixinho.

–Sim, obrigado. Por me salvarem, também.

–Não agradeça ainda. — o par de olhos azuis agora também estavam na minha frente e sangrava na testa, sua cicatriz havia reaberto. — Posso quebrar sua mandíbula se não concordar em não dizer nada a ninguém. Nem a reitoria nem a polícia.

–Eu escreveria. — olhei-o furioso, e o ódio tornou-se tão sólido que quase pude ver uma fumaça negra se formar entre nós dois.

–Ei! — Harris chamou minha atenção. — Você nem viu nada demais, nada de provas concretas, e nós ainda salvamos a sua vida, podemos deixar assim? Somos colegas de classe.

Eu queria rir das bochechas vermelhas dele e do pólen amarelo que caía nos cachos castanhos me lembrando a moça, o que era ridículo. Assenti que não diria nada em gratidão, e tinham a minha palavra desde que me dissessem o que os dois faziam lá.

–Eu não corro mais. — o valentão cuspiu na lixeira. Na tampa da lixeira. Eca.

–Eu pedi para ver como era, nem na faculdade vemos os dragões tão de perto, e achei tão irado quando ele dominou aquele Draco Ignis, lembra? Na aula da Gargouille.

Eu pedi educadamente que se retirassem e agradeci mais uma vez.

Na segunda-feira, eu já tinha ido ao dentista, já tinha uma prótese e já tinha repensado mil vezes o que havia acontecido. Agora via os dois com outros olhos e via-os passar pelos corredores. Jaden e uma garota de olhos azuis que mais parecia sua irmã, que por sua vez, andava com uma garota de cabelos brancos. E a mesma de olhos azuis era próxima de um cara de cabelos azuis, e todos pareciam mais próximos a cada dia. Parecia que eles haviam passado o fim de semana juntos, e agora os intervalos eram repletos de risadas.

Eu parecia cada vez mais isolado, e Dagda também não parecia se entrosar, apenas reagia com sua amiga Branca. Os grupos estavam se formando e tudo parecia um convite para que eu a chamasse para sair para tomar meu querido chá. Mas antes, teria de dar um chá de sumiço em seu namorado, Sean.

Notas finais
Olá queridos leitores (parece que eu tô falando com uma multidão, coitada) Esse é meu primeiro contato com vocês pois não posto notas iniciais ou finais, e vou aproveitar esse momento para perguntar coisas sobre vocês, como a idade e o que vêm fazendo com a vida, pode ser? Vocês sempre deixam sua opinião e hoje gostaria que focassem nos defeitos e me dessem sugestões para a evolução da história, críticas construtivas são sempre muito bem vindas! Também queria comunicá-los que estamos em 3º lugar na primeira página do Google! Isso é muito legal, sempre busquei minha fic pelo nome e isso nunca aconteceu, (estar na primeira página) não sei se é pelo nome diferente mas queria dividir isso com vocês. Beijos, Tia Cafira