Draco Malfoy era Amarelo - em revisão -
1 Sobre você.
Notas iniciais
Eu progredi
Escrevi uma canção para você
Suspirou, sentindo uma dor insuportável atrás dos olhos. Seu nariz estava vermelho, e ela sabia disso sem mesmo ter que se virar para o espelho atrás de si. A cabeça latejava e os membros doíam, mas ela não deixou, em um único momento, mesmo que sem perceber, as pernas fracas e pálidas pararem de se balançar repetidamente para frente e para trás. Suspirou, sentindo uma dor insuportável atrás dos olhos. Seu nariz estava vermelho, e ela sabia disso sem mesmo ter que se virar para o espelho atrás de si.
Perdera os amigos. Harry, Ron e todos os outros se foram há muito tempo.
A música tocou na rádio, e com toda a sua força, a letra, excruciantemente triste e doída havia lhe atingido.
Ele morrera há alguns anos, ela não lembrava quantos.
Também não lembrava o nome.
Mas de uma coisa ela se lembrava com exatidão:
Os olhos.
Você sabe?
Você sabe que eu te amo tanto
E ele não sabia. Não o bastante, porém.
Ela fora tão estúpida! Egoísta e fútil!
Hermione amara aquele garoto, o de olhos cinza, meio pálido e magro, desde os seus onze anos.
Aos cento e dez, não reclamava tanto da vida, como um dia imaginou que seria.
Sobrevivera a três grandes guerras, teve seu coração destroçado várias vezes e, sabe-se lá como, estava viva.
Acreditava em Deus.
Ela poderia sentir, mesmo naquele momento de profunda dor e tristeza e olhos ardendo e ombros doendo e uma dor incessante no peito, algo onipresente e onisciente ali. Poderia esticar a mão e tocá-lo... Ou não.
Há muito tempo perdera alguns movimentos de certas partes do corpo.
O cabelo branco e crespo não parecia tão indomável quanto antes; Pelo contrário, caía a cada pequeno movimento que a senhora tentava fazer.
E ela cantou junto.
E chorou.
E você sabe
Por você eu daria todo o meu sangue
Mas aquilo não era sobre Hermione... G... Alguma coisa.
Era sobre ele, e somente ele que a fazia sofrer assim.
Seus olhos, de um azul bonito e melancólico, quase cinzas, eram a única coisa da qual a anciã podia se lembrar.
E ela o amara tanto, tanto, tanto, e o perdeu.
Ele morreu quando tinha apenas dezesseis anos.
Com certa dificuldade, apoiou as duas mãos esqueléticas no rosto magro e ossudo e tentou interromper as lágrimas horrorosas que insistiam em cair.
Ela quis desligar a porra do rádio, mas precisava antes girar a maldita cadeira de rodas em que se encontrava.
Olhe as estrelas
Veja como elas brilham para você
E para tudo que você faz
E, Deus, ela só queria que pudesse ser feliz novamente.
Queria abraçar todo mundo de quem sentia falta há tanto tempo, queria ter dito mais aos amigos que os amava e queria ter prestado mais atenção nas aulas, em Hogwarts.
Tudo isso há mais de oitenta anos atrás.
Passou... E não havia mais nada que ela pudesse fazer para voltar atrás.
O coração palpitou e a respiração foi interrompida por um instante.
Por puro instinto, as pequeninas mãos, trêmulas, procuraram sua varinha, perdida havia muito.
Uma lágrima rolou enquanto vagarosamente dirigia seu olhar à Lua Cheia, brilhante no céu escuro londrino.
Hermione Granger, ela percebeu, levemente feliz por ter lembrado de seu sobrenome, só pensou em mais uma coisa antes de morrer, antes de os vizinhos perceberem, uma semana depois, que as luzes da cozinha não eram mais acesas, e que o velho cheiro de cigarro não estava mais lá.
O nome dele era Draco.
Draco Malfoy.
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