Drabbles Aleatórias

1 Ó Insanidade


Há tantas maneiras de descrever-te, ó insanidade, sem te citar. Há, também, correntes que nos prendem, mas nunca houve ao menos uma que te amarrasse a qualquer juízo. Tamanha tu és e tens ainda plenitude – profundidade, se preferes – em formas, aromas ou olhares que germinaram num impulso meu. Impulso este que, mais de uma vez, não possuía forma, aroma ou tão pouco a discreta corrente de uma troca de olhar.

Verás que hoje estou à beira da sanidade, uma queda grande e feliz está a minha espera logo abaixo. Grande pela força da realidade à minha volta, prestes a ser abandonada. E feliz, pois serei eu um completo maluco beleza ao concluir o salto... Já vistes um louco entregar-se à loucura? Diga-me então se este louco é triste.

Não me tele-transportei para esse precipício e tão pouco voei até ele. Seria muito fácil, até para o mais aturdido dos homens, se deparar com esta vista pela manhã sem lembrar-se de como chegara ali. Não. Eu trilhei um longo e peculiar caminho até este desfecho. E tive ainda a presença alegre e contínua de minhas fobias e impulsos que, vez e outra, puseram-me em tais enrascadas que irás descobrir nestas páginas.

Notas finais
E então? Foi bom pra você?