Notas iniciais
Prólogo.

13 de Setembro, 1996

A lua de sangue estava em seu ápice, fazia três milênios desde que ela durou mais do que uma hora e essa noite era mais do que especial. As pessoas andavam alvoraçadas pela rua, ninguém sabia ao certo, mas todos conseguiam sentir algo diferente pelo ar. O barulho alto do sapato de salto alto ecoava pelo hospital enquanto a pequena mulher andava elegantemente pelos corredores, um pequeno sorriso estava em seu rosto, ninguém ousou impedi-la de passar, ninguém sabia ao certo o motivo, poderia ser devido aos dois grandes homens com posturas rígidas e feições intimidadoras que a seguiam, podia ser pelo estranho brilho nos olhos dela, pela maneira como ela andava ou simplesmente pela natureza. Afinal, os humanos não se aproximam deles a menos que eles queiram.

A mulher finalmente parou em frente a uma grande sala, a parede era de vidro o que possibilitava que os três vissem tudo dentro do local. Havia vários berços ali, mas apenas quatro estavam ocupados. A luz da sala era bem suave, diferente das luzes dos corredores, que no momento estavam todas apagadas. Ali dentro havia uma enfermeira, a mulher com aparência jovem colocou um dos bebês de volta ao berço e então parou olhando para as três figuras do outro lado do vidro. Ela engoliu em seco e precisou respirar fundo duas vezes antes de ir abrir a porta.

Os três entraram sem dizer nada, a pequena vampira de cabelos curtos abaixou o capuz que cobria sua cabeça e olhou em volta.

—Ela está... Está no último berço. –disse a enfermeira com a voz vacilando.

A mulher então sorriu e andou até onde a enfermeira havia apontado. No pequeno berço havia uma linda criança, já com alguns fios de cabelo emoldurando sua cabeça, a pele clara e os lábios pequenos e rosados. Ela estava envolvida por uma manta vermelha escura com um nome bordado em dourado. Isabella.

Alice pegou a criança no colo com cuidado e um dos homens se aproximou olhando para o bebê que não parecia se incomodar em estar nos braços da desconhecida. A mulher havia tomado cuidado em colocar roupas quentes e luvas para que sua pele fria não incomodasse a criança.

—E então Alice? É ela? –perguntou o homem com a voz baixa.

Ela não respondeu, apenas continuou fitando a criança com um sorriso em seus lábios. Ela colocou a criança deitada em seu peito de modo que pode levantar um pouco a blusa do bebê e ver a marca na cintura da mesma, bem ali estava à imagem da meia lua, com uma cor bem clara que quase não dava para se notar.

O homem olhou para a marca e então para Alice, um sorriso apareceu em seu rosto e a mulher colocou o bebê de volta em seu berço.

—Eu disse que era ela. – a enfermeira se pronunciou. –Agora ele poupará minha vida, certo? Eu fiz tudo o que ele mandou! Liguei para vocês assim que a criança nasceu e não tirei meus olhos dela em nenhum momento!

—E como é a saúde dela? –Alice perguntou ainda olhando para o bebê. A vampira não se importava com o medo que exalava da enfermeira, e tampouco com os problemas que ela tinha com seu irmão.

—Perfeita. –respondeu a enfermeira. –Fizemos todos os exames nela para termos certeza.

—Você está com os documentos e as informações que solicitamos? –Alice perguntou.

A enfermeira não respondeu, apenas andou até ela com um envelope amarelado em mãos. O homem que estava ao lado de Alice a parou antes que a enfermeira chegasse perto da vampira e pegou o envelope guardando dentro de seu casaco.

—Muito bem, e quando ela irá para casa? –perguntou Alice.

—Amanhã de noite, como você solicitou. –a enfermeira disse, sua voz transmitia medo.

Alice assentiu e acariciou com cuidado o rosto da criança. O bebê então acordou e olhou para a mulher mostrando seus lindos e profundos olhos castanhos. E, ao contrário do que a enfermeira havia pensado, a criança não chorou, ela apenas observou a mulher como se, de alguma forma, a reconhecesse.

—Olá Isabella. –disse Alice com a voz baixa para não a assustar. –Não faz ideia do quanto esperamos por você.

O bebê segurou o dedo da mulher ainda a olhando, Alice sorriu feliz com o ato.

—Eu juro lhe proteger com a minha vida e ser leal á ti como sou ao meu rei. –pronunciou a vampira.

Os dois homens na sala repetiram as palavras de Alice e então os três se retiraram da sala. A vampira colocou seus óculos para disfarçar os olhos vermelhos e vestiu o capuz novamente. Eles saíram do hospital em silencio, lá fora uma grande tempestade se aproximava, os raios iluminavam os céus enquanto os trovões assustavam algumas pessoas que andavam pela rua com pressa. As três figuras pararam em frente ao carro preto que esperava e Alice se virou para os homens que faziam sua segurança. Ela achava desnecessário, mas seu irmão insistia e ordens eram ordens.

—Félix, quero que fique aqui. Preciso de alguém de confiança para comandar a segurança do hospital, fique de olho em tudo e nos ligue se notar algo estranho. –ordenou Alice. –Estarei observando tudo.

—Sim, princesa. – respondeu Félix fazendo uma reverencia.

A vampira entrou no carro e o outro homem rodeou entrando na porta da frente. Ela tirou o capuz e os óculos novamente e analisou com cuidado o homem sentado ao seu lado. As vestes escuras, o cabelo acobreado estava levemente desorganizado, seus olhos estavam verdes escuros, mas podiam se tornar negros com um avermelhado ao fundo com rapidez e facilidade, sua mandíbula estava travada devido a sua inquietação.

Ele esperava em silencio enquanto a vampira lhe entregava o envelope amarelado com todas as informações sobre a criança e seus pais. Ele olhou para o documento por alguns segundos, mas não leu, Alice sabia que ele faria isso quando estivesse sozinho. Ela conhecia seu irmão como ninguém.

—E então? –ele perguntou.

Alice sorriu.

—Isabella está de volta.