Notas iniciais
Inspirada em Drácula
Ambientada nos anos 80

Boa leitura!

O ar quente da noite carregava raios que iluminavam o céu da pequena cidade litorânea de Brighton. A tempestade de verão, que ganhava forma, assustava os moradores que ouviam atentos o rádio alertando fortes ondas em alto mar. Lúcia Bramble, a médica clínico geral recém formada, ouvia o rádio junto a outros funcionários na cantina do hospital, aproveitando o intervalo de meia hora do seu plantão noturno.

Com o jaleco pendurado no encosto da cadeira, Lúcia bebia um gole de café sentindo a quietude do hospital, mesmo com a tempestade próxima. Ela sabia que ninguém seria louco de andar pelas ruas com o tempo tão feio,a uma hora da madrugada preparada para enfrentar o tédio da longa noite, com um livro grande de instrumentação cirúrgica no colo, ela começava a folhear as primeiras páginas, quando a correria na recepção começou.

Duas enfermeiras, socorreram o jovem casal que cambaleava pela porta. Um garoto de aproximadamente vinte anos, carregava a namorada nos braços, o casaco de couro que ele usava estava rasgado em tiras, cobertas por sangue que escorria do pescoço. A menina possui marcas profundas nos braços e ferimentos enormes de cada lado do pescoço, o vestido lilás florido ensopado de sangue.

Uma corrida para salvar os jovens começou, o garoto que lutava bravamente para se manter em pé desabou derrubando a menina que acabara de morrer. Colocando um em cada maca, Lúcia junto da equipe corria sentindo o sangue quente do garoto escorrer entre seus dedos enquanto ela pressionava o ferimento profundo no pescoço, limpando o local rapidamente na sala de cirurgia, uma das enfermeiras coloca a bolsa de sangue O- , enquanto Lúcia sutura o grande ferimento, observando a pressão do jovem cair junto com os batimentos cada vez mais fracos.

— Doutora. — A mulher de cabelos negros continuava costurando a pele do garoto quando a enfermeira chamou-lhe a atenção. — Ele parou!

Lúcia começou as manobras de massagem cardíacas, percebendo que não existia resposta. A morena tentou por mais alguns instantes até ver a enfermeira olhar o relógio pronta para informar a hora da morte.

Olhando de perto, Lúcia não podia acreditar que aquele garoto havia chegado no hospital carregando outra pessoa, seu estado de saúde era terrível. O abdômen marcado de arranhões profundos, e aquela mordida grotesca no pescoço. Ele parecia pertencer a uma gangue de motoqueiros, um garoto que certamente atrai problemas, mas que coisa poderia fazer tamanho estrago em um corpo.

— Hora da morte? — O suspiro de desapontamento acompanhou um rosto sério, ela não gostava de perder pacientes, mas às vezes era inevitável.

O uniforme manchado de sangue, gotas de sangue espalharam sobre a pele bronzeada da mulher, olhando no relógio de pulso, ela viu que era uma e quarenta da noite. A noite ainda levaria muito tempo para acabar, e voltando a "calmaria" outra vez, o hospital ficou silencioso, com apenas cochichos em alguns grupos de funcionários. Saindo da sala de cirurgia, Lúcia segue silenciosa para o vestiário, retirando as roupas sujas. Esfregando a pele com brutalidade, ela tentava esconder a culpa que sentia por ver mais alguém morrer em suas mãos, Lúcia sabia que em sua profissão não se podia salvar a todos, mas a culpa ainda existia. Pensando no estado que o garoto a olhou antes do seu último suspiro, como os olhos dele refletiam um brilho vermelho, enquanto ele se debatia pela falta de sangue no corpo. Lúcia fechava os olhos tentando afastar a culpa, sentindo ainda em suas mãos o calor do sangue do garoto. Com outras roupas, a médica vai para a sala do necrotério olhar mais uma vez o corpo sem sangue da dupla.

A tempestade que vinha do mar balançava as árvores no jardim do hospital. Relâmpagos estouraram no céu junto com a chuva pesada, os corredores do hospital naquela hora era silencioso e frio. Lúcia Bramble começou a averiguar por si só o que poderia ter matado os dois. A curiosidade lhe consumia a cabeça, e sozinha na sala com os dois cadáveres, a doutora calça as luvas de látex, e puxa o lençol que cobria o corpo da menina, observando a pele já sem cor. O silêncio esmagador que se fazia na sala do subsolo, criava uma atmosfera fria de tristeza, Lúcia ao afastar os cabelos dourados do cadáver coloca a mão no pescoço ferido da garota olhando o buraco do tamanho de um dedo mindinho.

O vento da tempestade assobiava atrás das paredes, enquanto isso Lúcia anotava tudo o que percebeu no prontuário de óbito. Focada no que estava fazendo, ela demorou a perceber a névoa que enchia a sala de uma hora para outra, mas um sussurro assustador arrepio a pele da doutora a fazendo congelar de medo.



Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.