Doze dias.
1 Capítulo 1 - A morte ganha data.
Notas iniciais
Hoje faz exatamente 12 dias em que passei por maus bocados em meu quarto, descobri que a minha saúde é tão debilitada quanto a minha mente, não queria começar falando o quanto estou podre por dentro mas creio que algumas pessoas tenham essa mesma identificação.
Estou no 12° dia e recuperada posso dizer que eu pensei na morte, claro que exagero, pelo simples fato de querer chamar a atenção.
Chamar a atenção sempre soa encantador para mim pelo simples sentido da atração magnética acordar de um sono profundo.
Aconteceu!
Após um tempo de espera em um banco gelado no hospital público da minha cidade eu recebo a noticia.
- Bom Ísis, sinto lhe dizer mas você morrerá dentro de 30 dias ou menos!
Antes de associar a noticia com a realidade eu ainda estava pensando o quanto o banco era frio e que havia esquecido o casaco em cima do sofá mas o médico continuava.
- Eu sei que os exames rotineiros transpareciam más noticias.
Pensei; Claro que são más eu vou morrer, mas nada me assustava tanto quanto aquela tremedeira repentina.
Ele continuou:
-Mas infelizmente esse hospital não fornece para nós a base suficiente de exames concretos para sua doença degenerativa.
Eu disse:
- Ela é degenerativa! Oh é por isso que não consigo mais ir ao banheiro!
E ri até porque eu percebi o quanto o doutor olhava com pena da pobre Ísis que em menos de um Janeiro estaria morta.
Em diante de tantas explicações sobre minha doença e os cuidados necessários para o resto de oxigênio que teria eu simplesmente não entendia, logo não me assustava e continuei a viver como se não houvesse tragédia daqui seus 30 ouros, digo 30 dias que denominei sem certeza.
Pedi ao meu irmão Marcos para que me jogasse as chaves, perdi as minhas ao sair por volta das oito horas da manhã antes de receber a suave noticia do meu descanso.
- OIS!
Disse no plural para todos os membros da família que ali sorriam unidos na sala, vovô Ivo junto com minha amada e venerada vovó Suzana estavam no sofá de dois lugares agarradinho para se livrar do frio que a chuva trouxera, eles me responderam com um belo sorriso, daqueles que são duplos porque os olhos também sorriem.
Meus pais conversavam e não repararam minha cara de paisagem, deram um oi breve e vazio, daqueles que a rotina nos engole.
Entrei no corredor cheio de fotos do colégio, até porque não tive registro da infância, não sabia onde ia, me perdi mas logo me recuperei, apenas usei o banheiro, entrei no meu quarto e pensei o que esses doze dias me trouxeram, não culpo os sintomas mas dessa vez eles me culpam.
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