Downfall
1 Capítulo único
Notas iniciais
Há um milhão de anos que estou escrevendo essa história, agora nas férias finalmente consegui terminar!
Agora vou deixá-los com a leitura, nos vemos lá embaixo! ;)
“Entregue tudo que há em você
Seja meu salvador
E eu serei a sua queda”
Em uma noite, ele sonhara com ela.
Havia sido a experiência mais confusa e desconcertante de todas, sonhar com alguém da forma como ele fizera. Ele não sonhava, mal chegava a dormir de fato mas, naquela noite, lá estava.
Lá estavam eles dois, de repente, no meio de um campo florido daqueles tão cheios de perfumes e cores, exatamente do jeito que Rin amava. E lá estava ela, completamente cheia de sorrisos, exatamente do jeito que ele...
...
E era um sentimento tão estúpido que o envolvia quando ela lhe sorria daquele jeito e, de alguma forma, era algo diferente do que ele conhecia na realidade. Era um universo distorcido. Muito distorcido. O olhar dela era mais íntimo, terno, e os contatos físicos eram definitivamente mais permissivos, o que era perceptível pela forma casual como ela lhe segurou a mão, os dedos vagarosamente acariciando os seus.
Em algum ponto de sua mente consciente, ele sabia que devia afastar aquele toque. Mas, no sonho, ele a permitiu. Mais do que isso, ele a puxou para si, rapidamente rearranjando suas posições de forma que a humana estivesse agora aninhada em seus braços, o rosto descansando em seu peito enquanto pétalas de flores os rodeavam.
Ele ergueu uma mão e a levou aos cabelos negros dela, em uma carícia suave, seus dedos descendo pela lateral do rosto feminino, trilhando pela pele até sorrateiramente deslizarem para baixo do queixo, erguendo-o para si. Ela ainda sorria como uma boba quando ele se inclinou para beijá-la, o braço extra a pressionando mais apertado. Os lábios de Rin eram a coisa mais deliciosa e devastadora, de alguma forma elevando as batidas cardíacas dele a níveis alarmantes e ele não sabia se devia ficar mais surpreso pela reação ou pelo fato de estar horrivelmente ciente que era ele mesmo imaginando que seria assim tão incrivelmente satisfatório.
Sim, o mais perturbador era saber que aquilo não era real, mas que em algum lugar de sua mente que ele se recusava a reconhecer, ele imaginava que seria assim que ele a beijaria. Maldição, em algum lugar de sua mente ele imaginava que a beijaria.
Quando o beijo terminou, as mãos do youkai ainda apertavam forte a cintura da humana e ela ainda lhe sorria com as flores coloridas nos cabelos, tão ridiculamente Rin.
Ele fechou os olhos, sentindo o cheiro dela e conscientemente surpreso por seu cérebro ser capaz de reproduzi-lo em sonho de forma tão fiel.
— Eu te amo, — disse ela, de forma tão natural, como se tivesse dito aquilo muitas vezes. As mãos delicadas alisavam seu rosto. — Sempre estaremos juntos, senhor Sesshomaru.
Ele recolheu uma das mãos dela do rosto e a segurou gentilmente na dele, antes de levá-la até os lábios e beijar-lhe os dedos. Finalmente, ele a olhou com firmeza e a voz respondeu com a convicção de quem não poderia querer outra coisa:
— Sempre.
Uma vez que havia despertado daquela mais perfeita representação de seu pior pesadelo, o primeiro impulso do daiyoukai foi ignorar completamente a existência daquele absurdo sonho. Era um pensamento muito perigoso que escapara das profundezas de sua mente para dar vida àquelas estúpidas fantasias, um pensamento que ele não se atrevia a encarar no mundo real.
Tão mais fácil fingir que nunca acontecera.
E o inferno sabia como ele havia tentado. A cada maldito dia, uma tentativa mais esforçada de não pensar nos devaneios proibidos toda vez que ele falava com ela. A cada maldito dia, um fracasso mais vergonhoso.
A mera existência de Rin o estava deixando a beira de perder o controle, cada gesto sutil dela o levava a imaginar de novo e de novo o que ela faria se ele apenas calasse de uma vez aqueles falatórios sem fim dela com os próprios lábios.
E então ele percebera inviabilidade de tentar ignorar o problema, precisava enfrentá-lo, precisava encará-lo de frente. Certo, então, de alguma forma, ele havia se apaixonado por aquela humana. Ele a desejava, ele a queria. De alguma forma, aconteceu. Ele se distraiu por um instante e o sentimento não desejado havia se entranhado por suas defesas e invadido sua fortaleza sem que percebesse.
Tudo bem, sem motivos para entrar em desespero.
Agora que percebia, devia ser fácil acabar com aquilo. Apenas não sentir. Quão difícil poderia ser controlar os seus próprios malditos sentimentos, descartar de si mesmo uma coisa específica a qual não tinha interesse em manter? Fácil como lavar a sujeira da pele.
Mas também não demorou para que o youkai percebesse que não seria bem assim. Estar ciente do problema apenas o agravava. Logo, a mulher humana era a única coisa em que conseguia pensar, a distância que tentava manter para preservar a si mesmo apenas o compelia a desejar ainda mais sua companhia. Não podia ficar longe dela, mas também não podia tê-la e tudo era tão conflitante.
Não conseguia eliminar o sentimento. Já havia perdido o gerenciamento de si mesmo.
Então chegara à conclusão final, mantendo a frieza de saber que era uma decisão necessária, a única forma de reverter aquele enorme equívoco.
Não conseguia eliminar o sentimento.
Precisava eliminar a fonte.
Sesshomaru levantou os olhos para receber a figura acanhada que adentrava seu quarto sob a luz fraca do luar. Não era de se admirar que ela parecesse tão pequena e encolhida, intimidada. Ninguém nunca era chamado à presença do mestre do castelo a essa hora a não ser que tivesse feito algo, no mínimo, repreensível.
Mas não era o caso dela. Pelo menos, não exatamente. A humana, no entanto, não sabia disso e seus olhos castanhos apenas o observavam com genuína curiosidade sobre o motivo por trás do chamado repentino.
Ela se curvou ao vê-lo, um pequeno sorriso se formando em seu rosto arredondado.
A visão daquele sorriso apenas servia como um reforço para a motivação do dai-youkai.
— Rin. Entre. — Ele disse em voz baixa, aparentemente tranquila, indiferente. Por dentro, no entanto, seus sentimentos pareciam borbulhar em uma crescente confusão a cada passo que ela dava para mais perto. Como se cada centímetro a menos entre eles o fizesse sentir o calor da proximidade de forma quase insuportável e, ao mesmo tempo, não parecia ser perto o suficiente.
Como era difícil estar na presença dela agora que ele sabia a devastação que era a influência dela sobre ele.
— Senhor Sesshomaru. — Ela respondeu, quando estavam frente a frente. — O senhor queria me ver?
— Sim. — Curto. Ríspido. Ele sinalizou a pequena mesa diante de si com o queixo. — Sente-se.
O nervosismo da humana pareceu se acentuar com a formalidade do anfitrião. Não que fosse algo incomum para ele, mas, dadas as circunstâncias, ele podia entender como ela se sentia. Mesmo assim, Rin sentou-se prontamente no assento de frente para ele, seus olhos atentos nunca perdendo o contato com o rosto dele.
Nenhum outro servo o encararia de cabeça erguida como ela fazia, mas ele sabia que o gesto não era de desafio ou insubordinação. Era apenas conforto, afeto. Ela lhe sorriu mais uma vez, à vontade novamente, como se não houvesse acabado de entrar, sozinha e desarmada, na toca do mais temido youkai daquelas bandas.
— Precisamos discutir um assunto. — Ele deu início à conversa, ganhando a total atenção da moça. Em tempo, se corrigiu. — Na verdade, é apenas um comunicado.
— Algo errado?
A expressão no rosto dela deslizou para preocupação, o lábio inferior se apertando entre os dentes. A visão pareceu enturvecer tudo ao redor dele por um instante, antes que pudesse recuperar o foco e voltar ao assunto, sua convicção ainda mais fortalecida a cada um daqueles pequenos e tentadores gestos que ela tão inocentemente fazia.
Era quase demais para suportar.
Ele decidiu ser direto:
— Seu comportamento não me agrada, Rin. — Esclareceu e, mais uma vez, seu subconsciente lhe implorou para corrigir aquela frase. Ah, como agradava, tudo nela o agradava. Mas ele se recusou. Era exatamente esse todo o problema. — Eu pretendo colocar um fim nisso.
Rin agora sentou-se ereta, a boca se abrindo em ligeira surpresa. A cabeça dela se abaixou, como se olhasse a si mesma e tentasse enxergar de que tipo de comportamento ele estava falando.
— Eu... Eu não entendo, senhor Sesshomaru. — Ela confessou, nervosismo tingindo sua voz. — O que eu fiz? Eu não-
Ela pausou, engasgando com as próprias palavras quando uma grande e pálida mão capturou a sua casualmente sobre o tampo da mesa. Os dois encararam as mãos unidas como se fosse um inseto de 2 metros de altura e, logo, os olhos dela voltaram para os dele, muito mais confusos do que antes.
— Você é sempre assim. Tão disposta a agradar. — Sesshomaru comentou. Em essência, um elogio, mas da forma que ele falava não parecia assim. Era ácido, repulsivo. Era tudo o que ele mais amava nela e ele detestava isso. — Mas é claro, porque você é tão insuportavelmente leal...
— O senhor.... Não quer que seus seguidores sejam leais? — A humana questionou em voz baixa, a mão ainda parecendo queimar sob a dele, mas ela se recusava a recolhê-la e ele também.
Sesshomaru fechou os olhos em uma expressão pensativa, tentando organizar o raciocínio por cima daquele tom doce da voz dela. Lealdade era algo valoroso, decerto. Mas, vindo dela, da forma como ela fazia, tão devota e absoluta, tão incondicional... Era como um veneno que se alastrava por suas veias, intoxicando cada parte de seu ser até que ele se visse incapaz de revidar. Paralisado, sem poder tomar qualquer atitude. Seria tão mais fácil odiá-la se ela não fosse tão... Amável.
E seria tão mais fácil livrar-se dela se apenas conseguisse odiá-la por um momento que fosse. Por quaisquer motivos que fossem. Com certeza estes não lhe faltavam. Era uma humana, uma humana por si só já era motivo mais do que o bastante, então por que... Já havia odiado outros por muito menos e era sempre tão simples, mas não quando se tratava dela. Ela era simplesmente perfeita.
Por que a mantinha ali até agora? Por que a permitia destruir cada peça da armadura que ele passara a vida construindo? Por que permitia que ela adentrasse sua fortaleza quando bem entendesse?
Não mais. Isso tinha que acabar. Antes que ele chegasse longe demais.
Mas é claro que Rin não lhe facilitaria. E estava tudo bem. Sesshomaru não estava acostumado a lutas fáceis, de qualquer maneira. Ele não queria que fosse fácil.
Aquilo tinha que ser difícil. Tinha que doer.
Senão, que valor teria?
— Eu te disse para sentar tão longe assim? — Ele questionou, de repente, pegando-a de surpresa. Com um simples gesto, ele indicou o assento imediatamente ao seu lado.
Rin o encarou por menos de um segundo, a cabeça tombando para o lado. Então, em silêncio, ela se levantou e deu a volta na mesa, graciosamente ocupando a almofada ao lado do inu.
Tão obediente. Ele queria rosnar para ela. Como ousava obedecê-lo tão despreocupadamente, tão inundada de confiança, apenas para deixá-lo mais fixado em cada aspecto daquela personalidade cativante? Era enfurecedor.
Em vez disso, apenas deixou o silêncio no quarto guiar seus ouvidos até aquele som tão aconchegante que preenchia o ambiente agora.
— Eu te dou um sermão e você continua tranquila, o coração nem sequer acelera. Mas agora, sim. — Ele acusou, ouvindo as batidas frenéticas com atenção e sentindo-as aumentarem ainda mais com suas palavras. — Mas não é medo. Você se excita por estar tão perto de mim.
Rin o encarou com olhos arregalados com aquela verdade derramada tão descuidadamente assim. Ele não se importava mais com o que estava dizendo ou como ela reagiria. Não importava mais. Logo ele acabaria com tudo, de qualquer forma.
Ela abriu a boca para contradizê-lo, mas ele foi mais rápido em silenciá-la.
— Eu sei disso. Porque você não é a única a sentir-se assim.
O silêncio no cômodo é ainda mais prolongado e constrangedor enquanto ela não consegue pensar em nada mais para dizer. O rosto da humana está tomado de vermelho e tudo o que Sesshomaru consegue pensar por um instante é em como deveria ser quente sob a língua dele se a tocasse agora.
E, novamente, lá ia ele.
Controle-se. Você tem um objetivo a cumprir.
— Rin. — Ele chamou, o nome dançando por seus lábios a ponto de fazer cócegas. Adorava dizê-lo, adorava como ela reagia. Como era ridículo. — Eu decidi que devo matá-la.
Rin arfou, o coração finalmente batendo rápido pelos motivos certos. Ela o encarou, boquiaberta.
— Senhor Sesshomaru... — As palavras eram banhadas em choque, pegas completamente de surpresa. — O que...
Ele sabia que seria assim. Anos de proteção absoluta, de preocupação, de dedicação genuína ao bem-estar dela, para agora, do nada, dizer a ela que ele mesmo pretendia acabar com sua vida. Até ele havia ficado surpreso por algum tempo por sequer considerar a possibilidade, mas a cada um dos enervantes sorrisos dela, a cada um daqueles olhares cheios de entrega e adoração, a cada vez que o som do nome dele soava através daquela voz doce dela de forma tão absolutamente atiçante, ele sabia mais e mais que era a única saída.
Ele se via preso nos delírios dela e, como qualquer animal selvagem enjaulado, seu primeiro impulso seria destruir tudo ao redor para se libertar, por mais que fosse ferir a si mesmo no processo. Era a única forma de cortar a fonte de todos os problemas.
Ela o estava ganhando, avassaladoramente desconstruindo cada característica cuidadosa de sua própria essência através daqueles simples atos. Não podia permitir isso. A cada ano que aquela menina crescia ao seu lado, mais absoluto se tornava seu reinado sobre o coração do youkai. E não era algo que ele pretendia perder para ela. Ele mataria qualquer um que tentasse conquistar-lhe, de qualquer forma que fosse.
Até mesmo ela.
Sua doce e insubstituível Rin.
— Por quê? — Ela perguntou, a voz quebrando no final e o som era a coisa mais dolorosa para os ouvidos do inu. Mas, novamente, ele queria que houvesse dor. Isso nunca deveria ser fácil para ele, nunca.
— Não está me ouvindo, Rin? Ou estou sendo sutil demais para você? — Ele provocou, aproveitando da proximidade entre os dois para olhá-la de frente, deixando os rostos mais próximos do que ousaria se não soubesse que o momento final estava logo ali. — Vou te dizer com clareza, então. Apenas porque você merece saber o motivo.
Ele sabia que doeria, que matá-la seria como matar parte dele mesmo. Mas havia se convencido de que estava tudo bem, pois era também a parte que ele mais desprezava. A parte compassiva, a parte fraca.
Ele não podia ser aquele homem, o homem que estava tão desesperadamente apaixonado por ela. E como poderia não ser, enquanto ela simplesmente existisse? Enquanto ela simplesmente respirasse?
Rin esperou com silenciosa apreensão pela resposta, ele podia sentir o cheiro do nervosismo dela se acentuar. Então, calmamente, levou uma mão aos cabelos dela em uma carícia lenta, com o intuito de acalmá-la.
E por que ainda ficou surpreso ao vê-la derreter-se ao toque? Os olhos, antes preocupados, se fecharam para absorver a sensação reconfortante. Ela não tinha jeito mesmo. E ele, também não.
Eram casos perdidos, os dois.
— Eu cometi um deslize, — admitiu, para a própria humilhação. — Eu pensei que um erro tão tolo estivesse abaixo de mim, nunca considerei como um risco real. Mas agora eu vejo como meu afeto por você acabou chegando a esse ponto.
Os olhos castanhos estavam abertos de novo, as sobrancelhas erguidas. E ah, lá estava aquele tom escarlate subindo pelas bochechas dela em um hipnotizante dégradé. Não podia resistir à urgência de acompanhar o avanço da coloração pela pele dela com os dedos.
— Senhor Sesshomaru... — Ela sussurrou o nome dele e tudo no que ele conseguia pensar era em como soava certo na voz dela. — Eu... Não entendo...
Se atreveria a dizer? Que se danasse, em breve não mais importaria.
— Tem certeza de que não entende? Pois algo me diz que entende muito bem, talvez até melhor do que eu. Afinal, não são os humanos os mais suscetíveis a essa forma de afeto que pateticamente chamam de amor? E agora que estamos aqui, creio que chegamos a um ponto sem retorno. — Confessou em voz baixa, as palavras mais vulneráveis que já havia pronunciado. Podia notar a ameaça de um sorriso começando a aparecer nos cantos dos lábios dela, o brilho em seus olhos emergindo com facilidade. Apressou-se para corrigir aquele engano de reações. Ela não via que aquilo que compartilhava não era boas notícias? — Nem se atreva a me olhar assim. Você não tem nada pelo que ficar feliz.
De nada adiantou o aviso, o sorriso se abriu de qualquer forma, com a claridade de um sol de meio-dia. Ela balançou a cabeça em negativa, recusando as últimas palavras dele.
— O senhor não compreende o que significa para mim ouvir isso? — Ela perguntou, aquele brilho nos olhos ameaçando transbordar em umidade. Sesshomaru nunca a vira tão absurdamente feliz antes, era a coisa mais encantadora. — Senhor, eu-
As mãos dela se ergueram em um impulso para tocá-lo no rosto, mas o dai-youkai rapidamente rebateu o toque, rejeitando-a. Não conseguia aceitar que ela pudesse ficar tão animada com a maior tragédia que já havia se instalado entre eles até então.
— Você é que não compreende! — Discordou ele, elevando o tom de voz. — Já esqueceu do que eu acabei de dizer? Você acha que eu passei séculos desenvolvendo meus objetivos, minhas convicções, apenas para que você aparecesse e os mudasse por completo? Eu não cederei a esse sentimento repulsivo. E é exatamente por isso que vou eliminá-la, esta noite.
Aquilo conseguiu calar a humana, que finalmente permitiu que sua postura murchasse diante dos esclarecimentos. Rin ficou em silêncio, pensativa, por tanto tempo que Sesshomaru quase não a reconhecia mais.
Ela respirou fundo então, reunindo o fôlego, antes de olhá-lo de volta nos olhos.
— Me desculpe. — Pediu, com a mais absoluta sinceridade. — Eu entendo. Mas é claro, o senhor jamais... É claro...
O raciocínio dela pareceu se perder de novo, as últimas palavras morrendo em murmúrios desconexos até que, por fim, ela concluiu:
— Está bem.
Dessa vez foi ele quem ficou sem palavras, sem conseguir entender o conceito do que ela havia dito. Ela percebeu a reação confusa e completou:
— Está bem, eu entendo. Eu o conheço tão bem, é claro que eu entendo. — Disse ela, em um tom emocionado e amargurado. Mas a amargura não era dirigida a ele, a voz dela era cheia de auto reprovação. — É culpa minha, eu me deixei levar. Eu quis me manter próxima, mais próxima do que deveria, e acabei causando tudo isso. Mas nunca foi a minha intenção mudá-lo, de forma alguma. Eu sempre amei tudo o que o senhor é. É a perfeição. Se eu tentasse consertar um único fio do seu cabelo, eu o estaria arruinando.
O odor salgado preenchia o quarto, mas a humana ainda não havia derramado lágrimas. Ela falava com certeza e resignação. Estava aceitando, de bom grado, a condenação de seu senhor. Mais do que isso, ela enxergava o dano que havia causado e não apenas aceitava a punição, como concordava com a necessidade dela. Ela queria preservá-lo, por saber como seu afeto havia danificado toda a estrutura dele. E era aquela própria estrutura o que ela tanto amava.
Ela não queria arruiná-lo. Não queria destruir o que amava.
Se seus sentimentos por ele fariam tal coisa, então Rin abriria mão de tudo sem pensar duas vezes.
Sesshomaru a encarava, com a face perfeitamente em branco. Não sabia o que pensar. Por que o incomodava tanto que ela sempre falasse exatamente o que ele esperava ouvir? Que ela sempre concordasse, sempre acatasse?
Talvez fosse porque também era a estrutura dela que ele amava, que ele adorava. Não achava que podia ficar um dia sem aquilo, sem ela.
Não, obviamente ele podia. Mas até os céus sabiam que não queria.
E ele ficava furioso de perceber como ela conseguia abalá-lo tão completamente apenas por ser ela mesma e lembrá-lo a cada maldito instante como ele sentiria falta de cada centímetro da personalidade dela.
Tinha que deixá-la ir, mas, definitivamente, não era o que ele queria.
— Eu esgotei minhas alternativas, pensei em formas de me livrar disso sem precisar envolvê-la. — Sesshomaru disse, tentando atenuar a gravidade do que estava prestes a fazer, deixando claro que não havia sido sua primeira opção. — Eu poderia apenas mandá-la embora, nunca mais cruzar o seu caminho de novo. Mas não existe lugar nesse mundo onde eu não fosse dar um jeito de encontrá-la e trazê-la de volta. Não, eu preciso te tirar completamente do meu alcance.
E então não importaria mais o quanto ele a amava. Se Rin simplesmente não existisse, não poderia tê-la, não importando o quanto a quisesse, por mais que fosse fazer de tudo para tê-la de volta. Não poderia, seria impossível. Era um plano perfeito para uma situação extrema, como um viciado em saquê que só poderá se manter sóbrio se toda a bebida for jogada fora.
Rin o olhou com um nível de doçura que devia ser proibido, como a mais perigosa magia negra. Ela desafiou todos os conceitos de sanidade que o youkai conhecia quando, mais uma vez, ele a pegou sorrindo para ele.
— Ser forçada a viver uma vida longe do senhor seria a pior tortura à qual poderia me submeter. — Ela admitiu. — E, por mais estranho que pareça, fico feliz por saber que meus sentimentos foram retribuídos no fim das contas, por mais que vá me custar caro. Obrigada, senhor Sesshomaru, por ter compartilhado isso comigo.
— Você não tem nada pelo que me agradecer.
Qual parte do informe de que ele estava prestes a tirar-lhe a vida aquela tola humana ainda não havia entendido?
— Se não fosse pelo senhor, eu já estaria morta há muitos anos, sem mal ter vivido. O que eu havia vivido, foi apenas miséria e sofrimento, foi uma morte cheia de arrependimentos. — Novamente, ela arriscou erguer uma mão na direção dele. Dessa vez, Sesshomaru permaneceu perfeitamente estático, deixando que as pontas delicadas dos dedos dela traçassem gentilmente sua mandíbula. — Dessa vez, não haverá arrependimento algum. Eu pude amá-lo e ser amada em retorno. Não foi algo desejável de se nutrir então o senhor teve que colocar um fim em tudo. Eu entendo perfeitamente. E fico feliz mesmo assim.
O que maldições era aquela mulher? Por que ela precisava ser tão terrivelmente complacente, como se fosse simplesmente incapaz de enxergar qualquer erro nas ações dele? Havia alguma forma de danificar o afeto que ela tinha por ele? Havia algo que ele pudesse fazer para que aquela humana o reprovasse?
Ela era tão inocente, tão boa. Eliminar algo assim do mundo, de repente, parecia um pecado muito maior do que ele se julgava capaz de cometer.
Mas ele era Sesshomaru, ele sempre superaria suas barreiras. Faria o que fosse preciso, por mais impossível que parecesse a cada palavra que ela dizia.
— Está pronta, então? — Perguntou ele, com frieza, descartando para algum canto de sua mente a doçura das palavras dela. Teria todo o tempo do mundo para remoê-las depois.
Ela sentava tão perto dele, os olhos brilhantes na escuridão, a única luz no quarto. A garota sorriu timidamente, Sesshomaru quase conseguia sentir o açúcar do qual o gesto vinha coberto.
— Se estiver tudo bem, eu gostaria de fazer um último pedido. — Disse Rin, as bochechas queimando em vermelho, denunciando o caminho por onde as ideias dela poderiam estar indo. Ou talvez fosse apenas uma projeção de por onde as ideias dele estavam indo. Não sabia mais dizer, era como se a mente dos dois trabalhasse em uníssono.
— O que quiser. — Concedeu, disposto a dar-lhe tudo o que ela merecia. Um pequeno pagamento pela abominação que estava prestes a cometer em nome de sua nobreza, era o mínimo.
Rin fechou os olhos em genuína alegria, o sorriso se expandindo quando ela impulsivamente enterrou o rosto envergonhado no peito dele. A respiração do youkai parou com o contato.
— Deuses, eu não o mereço. — Ela lamentou, cheia de ressentimento consigo mesma. Ele não compreendia como não era ele a quem ela ressentia. Era ele quem não a merecia e, já que não podia tê-la, pretendia destruí-la para provar seu ponto. Só assim teria um motivo genuíno para voltar à escuridão de sua alma novamente, de onde nunca deveria ter saído.
— Algo peculiar de se dizer àquele que pretende dar um fim à sua vida.
E ela riu, erguendo a cabeça para olhar a face dele. Estava tão perto, ele podia sentir o calor da pele dela pairando pelos lábios.
— O senhor me deu a melhor vida. E, agora mesmo, acabou de concordar em realizar meu maior sonho.
A voz dela era preguiçosa enquanto ela falava, como se pretendesse distraí-lo para que não percebesse que, a cada sílaba pronunciada, ela estava mais e mais perto. Os olhos dela estavam se fechando, os lábios entreabertos, a respiração quente acariciando sua boca. O traidor coração do youkai pulsava insistentemente e Rin também podia sentir quando gentilmente apoiou uma mão sobre seu peito para se estabilizar no novo ângulo. Os lábios dela apenas rasparam os dele, antes de Sesshomaru recuar com um impulso pelo gesto não familiar.
Ela abriu os olhos, levemente confusa com a rejeição repentina. Não era como se ela não tivesse fornecido a ele tempo mais do que suficiente para protestar antes.
— Senhor?
Ele inspirou profundamente, tomando de volta o controle da situação. Descansou uma mão à base das costas dela, um sinal de que o recuo inicial havia sido não intencional, apenas um reflexo por tê-la tão perto de si. Perto o suficiente para que pudesse fazer o que ele jamais achou que faria um dia. Ele nem achava que era capaz de tanta ternura sem que a quebrasse antes do planejado, não tinha sido feito para isso. Mas agora ali estava e, por todos os céus, não havia nada que ele podia querer mais naquele momento.
— É a primeira vez que me permito esse tipo de interação. — Explicou, o tom de voz cuidadosamente calculado de forma a não permitir que aquela confissão fosse percebida como algo de que ele se envergonhava. Simplesmente sempre se considerara superior a toda aquela baboseira.
Rin arfou, olhos arregalados em surpresa.
— O senhor não está falando sério!
Ele elevou uma sobrancelha, sem entender por que ela parecia tão chocada com a revelação. Afinal de contas, ele era um guerreiro, não um mulherengo. Ela o conhecia melhor do que isso.
— Eu pareço o tipo de homem que perde tempo com essas coisas?
— Bem... n-não. — A humana respondeu, após pensar brevemente sobre o assunto. — A surpresa é mais por imaginar que ninguém nunca desfrutou de um beijo seu antes.
Ele quase podia rir da ingenuidade dela, e a forma envergonhada como ela gaguejava o fazia desejar mais do que desesperadamente que as próximas palavras dela fossem só murmúrios nos lábios dele.
— Hm. Parece que isso está prestes a mudar.
E dessa vez era ele quem selava a distância restante entre eles, a mão nas costas dela permitindo que guiasse o corpo dela para pressioná-lo contra o dele, sentindo-a por todos os lados antes de finalmente provar o sabor indescritível que ela tinha. Era algo tão bobo e, ainda assim, ia além de tudo que ele já havia imaginado. Não, sonho algum poderia jamais replicar aquela sensação. Não chegava nem perto.
Ele a puxou com mais afinco, forçando a garota a apoiar-se sobre os joelhos e desajeitadamente se arrastar até o colo dele, até que estivesse praticamente caindo sobre ele. Os braços dela envolveram-lhe o pescoço, o ângulo da cabeça dela se ajustava a uma inclinação ainda mais perfeita, algo que ele não imaginava que seria possível.
Era tão peculiar. Não era o sabor inebriante da língua dela que o fazia clamar por mais, como havia sido no sonho. Na verdade, não tinha gosto algum, se fosse ser honesto. Era outra coisa, outra coisa intangível e absolutamente perturbadora, que brotava da conexão entre eles e percorria pela coluna dele, que deixava os pelos de seu corpo de pé, que fazia suas mãos coçarem para tocá-la nos lugares mais inapropriados. O que infernos podia ser aquilo?
No fim, eles se separaram. Bem, ele não chamaria bem de separar. As testas descansavam uma na outra, os olhares conectados, trocando palavras silenciosas que não falavam nada que não fosse sentimentos escondidos que apenas se atreviam a aparecer naquele momento fluido. A garota suspirou, os lábios tremendo por um instante antes de se dobrarem em mais um daqueles lindos sorrisos dela.
Era mesmo fisicamente impossível que ela pudesse derretê-lo por completo ali mesmo? Sesshomaru não tinha mais certeza de nada.
— O senhor pensaria que sou louca se eu dissesse que esse é definitivamente o melhor dia da minha vida? — Ela perguntou em uma voz baixa, estupidamente feliz.
Sim, era loucura, já que aquele seria o último dia da vida dela e ela sabia disso. Ela sabia que seria morta pelas mãos do homem que ela amava e confiava. Algo premeditado, calculado, completamente proposital e egoísta. E era loucura, porque ele sabia que estava prestes a perder algo de valor incalculável, inimaginável, e, ainda assim...
— Pensaria. — Sesshomaru respondeu, gentilmente alisando uma mecha do cabelo dela, recolhendo-a para atrás da orelha dela. — Se eu não conseguisse me identificar perfeitamente.
E Rin riu, uma risada deliciosa, que fazia alguma coisa na barriga dele reagir de formas estranhas. Claramente, não havia tido o suficiente ainda.
— Então, seu último desejo abrangia apenas isso? — Ele perguntou, suas garras desenhando linhas suaves sobre a bochecha delicada dela. — Se for o caso, eu ficaria bastante decepcionado com a sua falta de ambição.
Rin riu de novo, um riso mais nervoso, distraidamente acariciando o tecido do haori dele, os olhos cor de avelã o olharam com tanto calor que podiam ter aberto buracos na pele dele.
— Ah, não. Longe de mim querer decepcioná-lo.
Sesshomaru observou a mão dela deslizar errantemente por suas roupas, o cheiro dela mudando em uma escala de grandeza que ele considerava impossível. O que eles pensavam que estavam fazendo? Não era exatamente o que ele tinha em mente quando a chamara ali, mas não conseguiu evitar fazer a pergunta que ele sabia que seria a perdição deles dois. Não conseguia se importar.
— O que você quer, Rin?
— Senhor Sesshomaru... — Ela começou em tímida hesitação, levantando o olhar até ele, sua expressão mudando drasticamente para uma ousadia que ele desconhecia nas feições pueris dela. — Espero que isso seja ambicioso o suficiente para o senhor. Eu quero tudo.
E ela estava no chão, Sesshomaru prendendo o corpo frágil sob o dele, garantindo que ela não teria chance de escapar dali enquanto ele apressadamente arrancava o próprio haori para longe do tronco, atirando-o em algum canto. A humana levou um instante para absorver o que ele estava fazendo, mas foi só o que bastou para que logo ela estivesse copiando as ações dele, as mãos desesperadamente tentando livrá-la do quimono leve que ela vestia.
— Eu devia ter pensado nisso desde o começo. — Sesshomaru disse, uma mão se estendendo para os ombros dela, procurando garantir que não fosse restar mais um centímetro sequer de tecido por cima da pele luminosa dela. — Será um ótimo jeito de provar para mim mesmo que isso tudo não significa nada para mim, afinal.
Sim, ele poderia ter, de uma vez por todas, tudo o que essa humana tem a oferecer, uma forma de aquietar a necessidade inexplicável que ele tinha por ela, tão inexplicável que só podia ser mera curiosidade. Se a saciasse, certamente veria que não era nada demais, que não havia necessidade nenhuma de todo aquele alarde.
Com certeza, deitar-se com uma humana seria a experiência mais decepcionante da vida dele. Seria o suficiente para minar todos aqueles sentimentos incômodos, de forma tão simples. Com sorte, ele nunca mais a veria da mesma forma depois disso. Bastava olhar bem para ela, afinal. Era só uma humana.
Sim, olhe só para ela, essa criatura...
Absolutamente fascinante.
— Sim, — Rin concordou com a ideia dele, ofegante com a própria respiração acelerada, as mãos ansiosas e desinibidas alcançando o abdômen dele. E o toque era fogo. Ele rosnou, rispidamente tirando os braços dela do caminho para que pudesse inclinar-se completamente sobre ela. — É uma ótima ideia de experimento.
Ele bufou, ironizando a entrega dela. Tão disposta a se candidatar daquela forma a se tornar um mero experimento, apenas para ajudá-lo a solucionar toda aquela confusão de sentimentos dentro dele. Tão prestativa.
— Será que existe alguma coisa que você não estaria disposta a fazer pela minha vontade?
E ela riu, ainda mais irônica. Os dedos dela se embolavam nos cabelos longos dele, corriam pelas costas dele, em tantas atividades simultâneas de exploração que ele mal conseguia acompanhar.
— Ah, perdão, senhor Sesshomaru. — Ela disse, mas ele mal estava ouvindo as desculpas dela com o foco tão requisitado por outras urgências. — Mas, dessa vez, não estou fazendo isso em seu benefício. Isso é pela minha vontade, completamente.
Ha, então ele vivera para ver o dia em que sua Rin se permitiria ser um pouco egoísta. E como ele podia ser tão completamente obcecado com as atitudes doces e inocentes dela e, ao mesmo tempo, sentir-se tão completamente atraído quando ela se comportava de forma exatamente oposta? Estava realmente condenado a adorar qualquer coisa que aquela humana decidisse fazer?
Pensando dessa forma, eles não eram nada diferentes, afinal.
Ele afundou o rosto no pescoço dela, mal conseguindo se incomodar em tirar os cabelos negros do caminho antes de finalmente provar o calor da pele dela, onde o fluxo do sangue por baixo era mais intenso. Ela gemeu quando ele a lambeu e Sesshomaru começou a se perguntar se aquele era mesmo um bom plano, afinal. Algo entre as pernas dele se ergueu em rigidez absoluta com aquele som.
E, tarde demais, ele percebeu que tê-la seria, na verdade, provavelmente a melhor coisa que ele faria na vida. Que ele nunca mais conseguiria vê-la da mesma forma, realmente, mas sim de forma ainda mais intensa, ainda mais errada. Ele percebeu seu erro ao apostar naquele estúpido experimento enquanto a humana envolvia as pernas ao redor da cintura dele, pressionando-o contra ela da melhor forma que podia com sua força limitada.
Ah, sim, ela ia destruí-lo. E agora era tarde demais para que ele pudesse impedi-la. Estava perdido nos abraços dela, sabia que jamais encontraria o caminho de volta. E, se já estava condenado, de qualquer maneira...
Que se dane.
Ele voltou a beijá-la com ardência, e aqueles sons que ela fazia deviam ser censurados por qualquer que fosse a entidade que decidia o quão irresistível uma pessoa poderia ser, se é que existia tal entidade. Faminto, ele tratou de procurar mais carne para devorar, deixando os lábios avermelhados dela para trás e começando uma nova trilha de marcações ao longo da linha central do pescoço dela e além, até que tivesse encontrado mais um ponto que a fazia gritar quando o tocava com a língua, distribuindo gratuitamente beijos molhados pelos seios expostos para sua total apreciação.
Sesshomaru precisou se segurar para não tampar a boca dela com uma mão e fazê-la, por tudo que era mais sagrado, parar com aquele barulho antes que ele perdesse o que quer que ainda lhe restasse de sanidade. Mas ele não o fez, pelo contrário, apenas procurou incitar ainda mais aquelas reações enlouquecedoras, levando as garras até as coxas dela que ainda o pressionavam nos quadris.
As mãos dela o agarraram na nuca, a princípio tentando puxá-lo para ela e, quando percebeu que não ia conseguir, usando-o como apoio para que pudesse se erguer até ele. E, quando obteve o alcance que queria, a humana o beijou pelo rosto, os lábios se arrastando pelas bochechas dele, pelo queixo, a respiração quente exasperada soprando contra a pele dele. Por fim, ela alcançou sua orelha e o beijou ali também.
E então, Sesshomaru a estava empurrando de volta contra o chão, apenas com o mínimo de cuidado para que ela não batesse a cabeça com força. E, antes que ela pudesse reagir, ele estava lutando com a restrição que o restante dos próprios trajes se tornara, tratando de desamarrar os nós corretos e libertar o que pulsava por baixo dos tecidos.
Ele tomara um tempo ínfimo para olhá-la, ali, confinada entre os braços dele, encurralada como uma frágil presa. Não podia dizer que estava surpreso pelo olhar confiante que ela lhe dirigia, mas ainda ficava um pouco decepcionado. Ele era realmente incapaz de deixá-la assustada?
Bem, ainda teria toda a noite para descobrir.
— Lembre-se de que você pediu por isso. — Ele avisou, como um último recurso para que ela pudesse desistir e se salvar. Ou, na verdade, para que ele pudesse se salvar.
Mas Rin apenas riu, os quadris se erguendo contra ele de forma sugestiva, ao mesmo tempo em que uma das mãos o acariciava a lateral do rosto de forma tão, tão terna.
Essa garota...
— O senhor me ouviu reclamando?
Ah, então agora ela estava debochando dele. Ela podia se arrepender disso.
O daiyoukai a segurou com mais firmeza e, sem mais delongas, enterrou-se nela com o que pretendia que fosse um movimento abrupto e decidido, mas que, no último segundo, se tornara um suave e lento cumprimento entre os dois, gradual e cuidadoso, ao menor sinal de desconforto no rosto dela. Rin o abraçou, o rosto se escondendo no peito dele. Entretanto, se a umidade absurda que ele sentia pingar dela não fosse indicativo o suficiente, ele podia saber que a humana não tinha maiores dificuldades pelo gemido rouco dela que se prolongava infinitamente a cada novo centímetro inserido.
O youkai precisou segurar o impulso de acompanhá-la. Ela era simplesmente tão quente e confortável e ele não pode fazer nada além de abaixar o rosto contra os cabelos dela e fechar os olhos, como se qualquer interferência visual, olfativa ou auditiva do mundo externo, do mundo que não fosse o corpo dela envolvendo o dele, fosse arruinar completamente o universo de sensações inesperadas no qual ele estava imerso naquele momento.
Uma vez que ele se julgou mentalmente estável para prosseguir, Sesshomaru arriscou um movimento oscilatório e imediatamente pausou de novo. Se aquela humana podia realmente fazê-lo sentir algo naquelas proporções surreais, então definitivamente precisava livrar-se dela. Não havia outra alternativa viável, não havia uma forma sustentável onde ele fosse conseguir mantê-la ao seu lado e não precisasse estar dentro dela daquela forma ao longo de todo o dia, todos os dias.
Irritado com o lembrete do porquê eles estavam ali em primeiro lugar, o daiyoukai finalmente se moveu com toda a estamina que se permitia usar, derramando suas frustrações na forma voraz com a qual ele a tomava. Sabia o que ela estava fazendo, agarrando-se a ele com tudo o que tinha, tentando aproveitar o máximo da experiência com ele enquanto ainda podia. E ele faria o mesmo, antes de se certificar que aquele erro nunca mais fosse se repetir, por mais que fosse tudo pelo o que ele ansiasse.
Rin voltara à sinfonia daqueles sons maravilhosos e, quando ele finalmente se afastara para olhá-la de cima, a humana, obviamente, lhe sorria como uma tola. O sorriso tão ridículo que nem cabia no rosto dela. E, ao pensar que aquela noite seria a última vez que ele a veria sorrir, ele pode apenas rosnar em resposta. Queria arrancar aquela expressão enervante da cara dela.
— Você quer parar com esses malditos sorrisos? Eles são insuportáveis.
E ela ignorou o pedido por completo, as mãos alisando as costas dele até a base, acompanhando o balanço dos movimentos repetitivos que a faziam escorregar gradualmente para longe dele no chão liso de madeira apenas para ser puxada de volta por braços fortes em sua cintura.
— Desculpe, mas o senhor vai ter que me faze- Ah! — Ela gritou, quando ele investiu com força contra ela. Os movimentos seguintes tiveram crescente intensidade, até o ponto onde a voz dela saía em descontrole, as palavras distorcidas pelo prazer, as unhas se enterrando na pele dele com vigor. — Sessssh-ugh
— Agora não sei dizer o que é mais insuportável. — Admitiu ele, em conflito. — Os sorrisos, ou esse jeito obsceno que você está gritando meu nome.
A humana apenas balançou a cabeça em negativa, exasperada, como se não conseguisse pensar em nada que pudesse responder. Mas Sesshomaru sabia que havia vencido, já que a expressão no rosto dela não era mais o alegre sorriso de alguém que havia acabado de ter o maior sonho realizado, e sim uma expressão muito, muito mais perturbadora, de uma mulher perdidamente afogada em desejo.
Ele não conseguia suportar aquilo. Ela era simplesmente uma armadilha feita sob medida para ele, impossível de se escapar. Mas ele escaparia, nem que fosse a última coisa que fizesse. Ia fazê-la dele e depois descartá-la. E ela podia odiá-lo do mundo dos mortos por isso, ele não ligava. Ele mesmo se odiaria por isso dia após dia, tinha certeza.
Mas, em seu peito, a perspectiva o espetava como a ponta de uma espada a cada vez que pensava nela. E a cada espetada, ele apenas se certificava de investir contra o corpo da responsável por tudo aquilo com mais e mais afinco.
Ah, ele adorava o som que ela fazia. Sempre gostara da voz dela, enquanto os anos maturavam o subtom, concedendo-lhe um calor que aumentava consideravelmente sempre que ela falava com ele. Era como luz solar, e ele não podia fazer nada além de escutá-la, não importando o quão insignificante fosse o assunto que ela decidisse levantar.
Mas agora, ele nunca havia sequer imaginado que alguém podia soar daquele jeito e isso apenas o impulsionava ainda mais, incentivando-a a gritar mais, mais alto, ele queria ouvir tudo do que ela era capaz. Ele queria as inofensivas unhas dela cavando por sua pele, tão forte que quase podia sentir a leve dor alcançando seus nervos e amplificando seus sentidos. Ele queria o gosto do sal brotando pela superfície da pele dela, os calafrios correndo pelos braços quando tocava a língua no ombro dela. Mas, mais desesperadamente do que tudo, ele queria que ela-
E Rin tremeu violentamente sob ele, a cabeça se inclinando para trás, a boca se abrindo para permitir a passagem de um prolongado gemido. Sedento, Sesshomaru a tomou os lábios, tendo que impedir que grunhidos constrangedores escapassem pela própria garganta enquanto a sentia contrair repetidamente ao redor dele, tão impossivelmente apertado que ele não pode fazer nada além de segui-la fielmente pela onda de prazer absoluto que derrubava a eles dois em perfeita sincronia.
O daiyoukai descansou o rosto na clavícula da humana, sua respiração pesada acompanhando a dela. Depois de toda aquela resistência das últimas semanas, ali estavam eles, completamente entregues, todas as cartas na mesa, sem mais nada a esconder. Era uma sensação estranhamente confortável e pacífica. Mas Sesshomaru sabia que não podia durar. Ele tinha um plano horrível em sua mente horrível e não merecia um segundo de paz por aquilo. Não merecia o êxtase absoluto que acabara de experimentar ali nos braços dela. Aquilo havia sido um pedido de Rin, o prazer e o júbilo eram somente dela e ele não tinha direito de tomar parte alguma para si, não quando pretendia fazer o que pretendia fazer.
Todo o objetivo do que ele estava fazendo ali era justamente com o propósito de anular a influência angelical que ela tinha sobre ele, para que ele pudesse voltar a ser o monstro que sempre fora, o que ele se orgulhava de ser. E monstros não mereciam alegrias como aquela, toda vez que um monstro se deparava com algo relativamente próximo disso, ele destruía. Para Sesshomaru, não seria diferente.
Cuidadosamente, ele se levantou, ouvindo um suave protesto quando rompeu finalmente a conexão entre os dois corpos. Tomando-a nos braços, levou-a até o canto do quarto e a colocou sentada sobre seu futon e, antes que pudesse se afastar, a humana estava agarrada a ele de novo, o corpo nu umedecido se colando ao dele. Gananciosamente, ela o beijou mais uma vez, mas não era nada como os beijos de desespero e luxúria que haviam dividido ao longo de noite. Ela o beijou com lentidão e com uma carga tão pesada de sentimentos que o daiyoukai se pôs de joelhos, colocando-se no nível dela para que pudesse abraçá-la com mais conforto.
Como se estivesse fazendo um grande esforço, ela finalmente recuou, tendo que empurrar o peito dele como se não fosse conseguir parar se não o afastasse à força. Respirando pausadamente, ela o olhava com aqueles grandes olhos amendoados. Sesshomaru esperou, perfeitamente parado, enquanto ela fazia menção de mover-se na direção dele mais uma vez, apenas para voltar ao lugar imediatamente. Ela durou apenas dois segundos naquela indecisão, antes de finalmente atirar-se a ele de novo, voltando a beijá-lo com entrega.
— Desculpe. — Ela sussurrou da próxima vez em que o liberou de seus lábios, embora continuasse próxima o suficiente para que pudessem sentir as respirações um do outro. — Só mais uma vez, eu prometo.
E então o beijara de novo. E, por um instante, o youkai não lembrava mais do porque ela precisava prometer que aquele seria o último beijo, como se pudesse ficar ali com ela para todo o sempre. Mas seu coração acelerado funcionava como um constante lembrete, um lembrete das reações que ela provocava nele e que simplesmente não deviam existir.
Com um último selar de lábios então, um que tinha o amargo gosto da despedida, Sesshomaru levara uma mão aos cabelos sedosos dela, correndo os dedos entre os fios com imensa delicadeza até que, por fim, sua mão alcançou a base da nuca dela e, com um arranjo tão gradual que ela mal percebera, logo os seus dedos se fechavam levemente ao redor do pescoço dela.
Sesshomaru procurou guardar o sentimentalismo, enterrando nas profundezas da escuridão de seu ser tudo aquilo que pudesse ficar no caminho de seu plano. Não iria mentir, havia sido uma excelente noite, melhor do que qualquer coisa que pudesse ter imaginado. Não iria mentir que provavelmente a amava mais ainda agora do que antes de tudo aquilo.
Não iria mentir. Não iria mudar nada.
A seriedade em seu rosto voltou à frieza habitual de um predador indiferente e insensível. Era uma posição confortável para ele, sempre havia sido bom em bancar o vilão, cometer um ato de violência era uma segunda natureza, fácil como respirar. Um assassinato perfeito, executado pelo assassino perfeito. Afinal, era o que ele devia ser desde sempre, nunca um salvador, nunca um protetor. Era a hora de voltar às suas raízes.
Era a hora.
— Está pronta? — Perguntou ele, alisando o rosto dela com a mão livre em uma tentativa de aliviar a expressão de surpresa dela.
Rin apenas assentiu, endireitando a postura e olhando-o nos olhos.
E como ele podia sustentar aquele olhar? Sentia a força em seu pulso ser drenada por completo, como se uma estranha dormência tomasse conta de seus dedos.
A humana percebeu a hesitação e, argh, lá estava ela lhe sorrindo de novo. Estava prestes a matá-la, estava por um triz, e ela tinha a audácia de sorrir.
— Está tudo bem, senhor Sesshomaru. — Garantiu Rin, confiante. — Estou pronta.
E ele também estava. Tinha que estar. Eles dois não podiam durar, simplesmente era como as coisas deviam ser. Precisou lutar bravamente com os pensamentos que teimavam em inundar sua mente, que teimavam em pintar um belo quadro de como seria um futuro com ela se ele desistisse de uma vez por todas daquela ideia. Mas ele sabia que era apenas isso, teimosia.
Um futuro como esse seria repleto de sofrimento e humilhação. E ele não podia deixá-la interferir no que era mais crucial do que qualquer outra coisa, aquilo que fora seu mais absoluto objetivo por toda a vida. O poder, a ascensão, o domínio. Não podia desistir agora que estava tão perto, agora que tinha a Bakusaiga e um poder que superava aquele de seu pai. Estivera tão cego antes ao pensar que aquela única humana valia mais do que tudo isso, mas aquilo foi antes de ele perceber realmente o quanto de si mesmo precisaria deixar para trás se quisesse tê-la.
Não podia querer tê-la.
As garras se apertaram, aumentando a pressão sobre a pele macia. Podia sentir o ar travando na garganta dela enquanto ela tentava tomar fôlego. Sabia que só precisava de um pouco mais e aquilo estaria acabado. Ela era tão frágil, tão terrivelmente fácil de matar. Ou, pelo menos, deveria ser, em teoria.
Ele tentou visualizar, pensando que talvez pudesse ajudá-lo a prosseguir. Aplicando mais pressão, bloqueando completamente a passagem de ar até que ela perdesse a consciência. Fechando os olhos, ela engasga por um momento e então... Os olhos não tornam a abrir.
Ele pausa, afrouxando o aperto e a garota desmorona em seu peito. Sua própria respiração acelera, o coração batendo desesperadamente rápido. Ela não estava respirando, não estava se mexendo...
— Rin... — Ele chama, gentilmente balançando o corpo inanimado. O corpo que havia possuído apenas momentos atrás, que antes era tão receptivo, tão quente. Agora ela estava parada, fria. Ele a sacode com mais força.
— Rin!
Nada. Honestamente, qual era o problema dele? O que ele esperava que fosse acontecer? Caso não lembrasse, era assim que as pessoas morriam, afinal. Era esse o trato, como as coisas funcionavam. Ainda assim, pensar que não mais veria aqueles olhos brilhantes de novo, o sorriso...
O que foi que ele fez?
Se erguesse a cabeça, sabia que poderia ver seu reflexo no espelho logo em frente. Ele veria um monstro desolado com a vítima assassinada nos braços. Ele veria, pela primeira vez, a expressão de pesar no próprio rosto e não se reconheceria naquela figura lamentável. Ele não se atrevia a olhar.
— Senhor Sesshomaru?
Rin chamou e, só então, ele percebeu que sua visão estava desfocada, assim como sua mente, tendo afundado no terror de suas dúvidas. Ela o olhava, preocupada e confusa. Piscando, viu que nada havia mudado na cena, ela ainda estava de frente para ele, ainda respirando, embora ele ainda tivesse a mão ao redor do pescoço dela. Imediatamente, ele recuou, como se a pele dela o tivesse eletrocutado.
Realmente havia perdido a cabeça por um instante?
A humana se surpreendeu com o recuo, sem entender o que havia acontecido. Gentilmente, ela procurou reconfortá-lo.
— Não estava doendo. — Afirmou, colocando uma mão sobre a dele e aplicando suaves e tranquilizadoras carícias. Era impressão sua ou a mão dela começava a tremer? — Eu sei que o senhor jamais me machucaria.
Aquelas palavras. Aquelas malditas palavras acabaram com ele.
Maldição, como ele poderia machucá-la?
Teimosamente, ele a beijou outra vez. Um beijo leve, extremamente breve. Quando ele abriu os olhos para a humana novamente, a imagem do rosto dela havia mudado drasticamente.
Os olhos castanhos estavam inundados em umidade, os lábios tremiam incessantemente até que ela foi obrigada a olhar para o chão para esconder a expressão desesperadora em sua face. Não adiantou, pois o corpo inteiro começara a tremer também e, apesar de ela estar completamente nua e exposta, Sesshomaru sabia que não era a friagem da noite que a incomodava.
Ele a puxou para si, abraçando-a apertado e deixando que ela se esvaísse em lágrimas o quanto quisesse, apenas observando a fachada dela desmoronar bem na sua frente. Era claro que ela havia tentado com todas as forças até ali manter-se firme e apoiá-lo em sua decisão, sem se acovardar ou discutir. Era mais claro ainda como, no fundo, a humana havia estado apavorada todo aquele tempo.
O orgulho do daiyoukai encolhia a cada lágrima que escorria pelo rosto dela. Aquela humana havia entregado tudo a ele, mais do que uma criatura como ele merecia. Ele era um matador, um ser insensível e egoísta. Como podia esperar um dia ser digno de receber o amor daquela doce mulher?
— Desculpe... — Rin sussurrou contra seu peito, tentando recuperar a compostura.
— Quieta. — Sesshomaru comandou, rispidamente. A frustração mal tinha espaço para ser contida dentro dele. E, finalmente, o sentimento não era direcionado à ela. Rin havia tentado, ela havia se entregado e corajosamente aceitado sua decisão. Era ele quem não conseguiu cumprir com aquele simples objetivo.
E, para começo de conversa, era ele quem havia estupidamente se apaixonado por ela.
Ele a amava. A amava o suficiente para ter o estado emocional inabalável completamente abalado. Ainda assim, acreditara que, no âmbito físico, ainda era fisicamente capaz de matar aquela outra criatura, mesmo que isso fosse destruí-lo emocionalmente. Mas não, nem isso... Nem mesmo isso! E, agora, como ela poderia perdoá-lo por ter sequer tentado?
Ele usou uma mão para afastar a franja do rosto, deixando escapar um longo fôlego enquanto encarava, impotente, a humana que chorava à sua frente.
Balançando a cabeça em resignação, Sesshomaru a puxou para si e a envolveu em seus braços novamente, uma mão aninhando o topo da cabeça dela em um gesto reconfortante. Mas o reconforto maior era para ele mesmo, quando se permitia relaxar e deixar de lado todo aquele plano fracassado. Tinha Rin ali, segura, em seus braços. Nada poderia feri-la ali, nem mesmo ele próprio. Era uma enorme sensação de alívio aceitar aquela realidade, como se tivesse sido feito apenas para protegê-la e não pudesse estar mais satisfeito de voltar à posição que lhe fora designada. Um assassino e um salvador, juntos no mesmo corpo. Ele podia trabalhar com isso.
Apenas uma pequena parte de sua mente se preocupava com as consequências daquele fiasco, que seria a materialização de tudo aquilo que ele queria evitar. Bem, aquilo seria assunto para outro dia.
A humana finalmente se acalmara no abraço, carinhosamente pressionando o rosto no peito dele enquanto as lágrimas secavam gradualmente. Ele sentia o corpo dela amolecer contra o seu, a exaustão de todos aqueles eventos atingindo-a, por fim.
Ele podia tê-la deitado no futon, mas, em vez disso, apenas ajustou sua posição em seu colo para uma mais horizontal, mais confortável. Ela o olhou com leve confusão com o reajuste, mas ele apenas a manteve ali, puxando um dos lençóis para cobrir o corpo desnudo dela.
O último olhar que ela lhe lançou deixava bem claro que já o havia perdoado por toda aquela confusão.
E Sesshomaru sabia que talvez fosse se arrepender de não ter dado prosseguimento ao planejado naquela noite. Mas, sabia mais ainda que o arrependimento seria incalculavelmente mais cruel se tivesse, de fato, prosseguido até o fim.
Ela poderia vir a ser sua queda, sua ruína.
Mas, naquela noite e em todas as outras que viessem...
Ele se recusava a ser a dela.
Notas finais
Queria também deixar uma mensagem pra quem por acaso também me acompanha em Unintended. Eu fiquei de escrever alguns capítulos extras lá e realmente escrevi, o problema é que eu acho que estou indo longe demais com minhas ideias e no fim das contas estou considerando fazer logo uma sequência, por isso estou hesitando em postar, já que ainda não decidi o que vou fazer. De qualquer forma, uma hora eu resolvo, só pra deixá-los cientes rs
Além disso tenho outros dois projetos em andamento aqui, então nós nos veremos de novo em breve.
Mais uma vez obrigada por lerem (se leram, rs).
Beijos!
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