Down To Earth

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Os capítulos são narrados pela Maria Joaquina. Se tiver algum erro de ortografia me desculpem.

Sabe o que mais chato nisso tudo? Ter que se mudar com meu irmão para a cidade, deixar tudo aqui no interior, e isso tudo é culpa minha e do Paulo, nós somos um peso para os nossos pais é isso, eles não querem que a gente fique com eles para não ter mas despesas na casa e por isso estão nos mandando para a cidade. Eu as vezes penso, será que não tem outra opção não? Eu e o Paulo poderíamos os ajudar a plantar café, cuidar do gado e entre outras coisas, mas sempre que pedíamos a gente recebia a mesma resposta "Vocês estão muito novos para isso, vão brincar", será que é difícil de entender que eu já vou fazer treze anos e o Paulo tem treze? Eu fui tirada dos meus devaneios pelo meu irmão me gritando, parei na porta do quarto e suspirei, então é isso, adeus vida no interior e lá vamos para a vida na cidade, eu estava com raiva dos meus pais e não iria me despedir deles, entrei direto naquele carro e minutos depois Paulo entrou se sentando atrás de mim.

- Então pré adolescentes, vocês vão gostar dessa nova vida. — Renata disse, ela era a nossa tia de consideração. Quase nunca a víamos, acho que da última vez que eu e meu irmão a vimos foi com cinco anos ou quatro, só lembro que ela tinha um filho a qual eu nunca me dei bem, vivíamos brigando todo santo dia. E as horas passavam e passavam, eu estava quase dormindo no colo do Paulo, porém o carro parou em frente a uma casa enorme, nós tínhamos entrado em um condomínio gigante. — Nós chegamos, vocês podem ficar a vontade. Maria Joaquina seu quarto é ao lado do Daniel, e Paulo seu quarto é ao lado do banheiro, todos pertinhos um do outro. E além dessas roupas suas, no roupeiro de seus quartos há coisas novas.

- Obrigada tia. — Respondemos. Nós tiramos as nossas malas do carro e entramos em casa, no sofá estava um homem, se eu não me engano aquele era o tio Fernando, e sim era ele. Ajeitei as malas no chão e fui correndo até ele lhe dar um abraço, ele retribuiu me rodando no ar, em seguida fez a mesma coisa com Paulo.

- Nossa, como vocês cresceram, estão lindos. — Disse. Ele nos ajudou a levar nossas coisas pro quarto, aquela casa era enorme, não tinha noção de quantos cômodos ela teria. Em todos os quartos havia banheiro, e do lado do quarto de Paulo tinha um banheiro para as visitas. Peguei cinco ou seis peças de roupas que estavam boas e coloquei no roupeiro, coloquei as outras dentro de uma sacola e deixei em cima da cama, fiz o mesmo com os sapatos, desci as escadas e abri a porta, caminhei até a lixeira e joguei as sacolas lá, em seguida voltei para dentro. — Maria Joaquina, você e o Paulo tomem um banho porque nós vamos almoçar hoje fora. O Daniel daqui a pouco chega da escola e vai se trocar.

Assenti, eu só espero que o Daniel esteja legal porque eu não suporto ele desde pequeno, e vice versa. Subi as escadas e dei o recado ao meu irmão, em seguida voltei para o meu quarto, fechei a porta e andei até o roupeiro, não dava para acreditar que eu tinha tanta roupa assim, peguei roupas intimas e coloquei em cima da cama, abri uma gaveta a qual tinha várias blusas de marca, peguei uma que tinha o rosto da Barbie estampado com algumas tachas na manga, um short branco, meia e um tênis rosa da coleção daquela atriz a.. Larissa Manoela, muitos dizem que eu me pareço com ela, não só no jeito de se vestir mas na aparência, eu apenas ignoro isso. Caminhei até até o banheiro e me despi, fiz minhas higienes e em seguida me banhei, após terminar enrolei na toalha e saí, chequei se a porta do quarto estava fechada e troquei de roupa, penteei meus cabelos que estavam molhados e arrumei a franja.

- O que vocês estão conversando? — Perguntei ao abrir a porta, ali no corredor estava Daniel e Paulo batendo um papo, ele ia responder algo porém assim que me olhou ergueu uma sobrancelha e mordeu o lábio. — Eu não acredito que vocês estavam falando de mim, eu vou é descer que ganho mas com isso.

- A culpa não é minha se você virou uma gatinha. — Daniel disse. Parei no meio da escada, olhei para trás e mostrei o dedo para ele, fomos para a sala e ali estava Fernando e Renata, tio Nando pegou a chave do carro e assim fomos em direção ao carro. Eu fui na janela do lado direito, Daniel no meio e Paulo na outra janela.

- Então Maria Joaquina, você gostou da suas roupas novas? Eu acertei o número do seu calçado, é trinta e três né? — Renata perguntou.

- Eu adorei tia, acertou sim. — Sorri e encarei o tênis, aquilo era mas pra um sneakers mas não tem problema.

- Eita pezinho pequeno, não só o pé. Os dedos da mão, a altura, a mão.. — Daniel irritou. Levantei o braço para bater em sua nuca porem ele segurou meu braço. — Eu sei que você me ama.

- Eu acho que amo, amo te bater. — Respondi. Paulo não falava nada, apenas ria, desde pequeno ele foi o único que se deu bem com Daniel e eu odiava isso. — Tia, a gente vai estudar aonde?

- Na escola do Daniel. — Fernando respondeu. Ergui uma sobrancelha e bufei, depois dessa resposta eu fiquei quieta. Eu sei que nós nos mudamos para cá hoje, mas ter que aguentar o Daniel todos os dias era insuportável. Eu lembro que toda vez que víamos ele, quase nunca mas em fim, minha mãe sempre dizia que a gente pode brigar muito mas nós se amamos como amigos, não tem como amar essa criatura como amigo, tem como odiar, isso sim.

O carro parou, nós havíamos chegado, eu pulei do carro assim que ele estacionou e esperei Daniel sair, em seguida Paulo. Entramos nós três na frente dos dois adultos como se a gente estivesse mandando naquele local, porém não estávamos, no final da pizzaria havia uma mesa vazia que daria para nós cinco, meu irmão sentou no meio, eu sentei do seu lado direito e Daniel do esquerdo. Renata e Fernando foram pedir algo para o garçom e foram até nós uns minutos depois. Essa pizza está demorando muito, já se passaram meia hora e eu estou com fome, sabe o que é estar com fome? Nem tomei café da manhã direito, minha barriga está rocando e eu não suporto essa situação, um garçom havia trazidos os copos e uma garrafa de refrigerante e uns cinco minutos depois a pizza chegou.

- Finalmente. — Eu, Paulo e Daniel dissemos juntos. Nos servimos e começamos a comer, a pizza era de quatro queijos e estava simplesmente magnifica.

- Depois que a gente sair da pizzaria, sabe aonde que eu vou deixar vocês irem? — Renata perguntou. Nos entreolhamos e fizemos um gesto negativo com a cabeça. — Eu sei que vocês tem juízo, e por isso vou deixar ambos irem no shopping sozinhos.

Eu nunca fui em um shopping, muito menos Paulo. Daniel com toda a certeza deve ter ido oque? Umas quadrilhões de vezes, mas uma coisa estava latejando em minha cabeça, era uma hipótese não sei, será que meus pais venderam eu e o Paulo para os pais de Daniel, ou que a gente veio parar aqui por causa que eles queriam nos dar uma vida melhor, ou o pior de todos.. será que eles queriam livrar da gente para não gastar muito no interior?