Down Theater (Terminado)
16 Capítulo 16 - Sobre palco algum
Notas iniciais
Desculpe-me a demora para postar.
SOBRE PALCO ALGUM
Alice esperou a longa conversa de Mors e do Senhor das Correntes. O saguão principal permanecia quieto e frio. O choro da menina de cabelos albinos, já havia cessado, mas o tumulto em seu coração continuava ardente. O que o pai estava conversando com Mors, seria mesmo uma conversa? Ou batalha? Ela não sabia dizer. Desde que se lembrava que estava naquele palácio flutuante. As vezes o pai se trancava em sua sala. Deixando-a pra fora. O pai era amoroso e cuidadoso. Mesmo que a menina pouco havia visto de seu rosto. Porém havia dias, que o homem se encontrava calado e se fechava e pensamentos constantes. Deixando ela um pouco de lado. O que um dia a fez, ir até a floresta perto dos campos verdes. Aonde viu Mors pela primeira vez. Depois que Alice contou o que vira, seu pai permaneceu trancado cada vez mais em sua sala. Era imprevisível o que seu pai pensava. Porém ela sabia, que ele já tinha premeditado isso, a chegada de pessoas que mudariam seus dias dentro daquele mundo, para matá-los ou salvá-los. Mesmo assim, Alice se apaixonou, pelo invasor. O estranho menino familiar que conhecera matando o segundo guardião. Um assassino, um mentiroso, um estranho. Um estranho cuja face se apaixonara, movida por algo que nunca sentiu antes. Algo que dizia que a familiaridade com aquele rosto, era mais do que ela mesmo lembrava. Um estranho sopro passou por seus cabelos brancos. Quando deu por si, seus pensamentos tinham acabado. E mais um invasor havia chegado no saguão principal do palácio. Uma menina um pouco mais alta que Alice, magra. Um rosto bonito e reto, tinha cabelos negros, que chegavam até depois dos ombros. Tinha um olhar adulto e sério. Um uniforme semelhante a qual Mors sempre usava. — Então é você! – disse a menina. – Então é você a bruxa que vêem tirando Mors de nós! Eu nunca a perdoarei! – gritou. Alice a analisou por um tempo. Ignorando-a depois. — Saía daqui garota. – disse Alice virando-se. – O Mors não está aqui mais. — Você... Você o matou?! — Tentei de fato. – admitiu Alice. – Mas o traidor é habilidoso. Dáhlia ficou enfurecida. — Você o tornou um traidor. Você enfeitiçou-o de algum modo, ele nunca nos trairia! Alice riu. — Enfeiticei? Você acha que eu sou algum tipo de feiticeira garota? – ela apontou a espada. – De longe parece mais esperta, saía daqui! Antes que eu me irrite. Alice deus as costas para menina. Um gatilho foi apertado, e um feixe cruzou uma mexa de seus cabelos, que se separou do resto e caiu. A luz atingiu a parede, causando um pequeno buraco. Alice voltou sua atenção a garota de cabelos pretos. Acima da cabeça da garota, havia um tipo de buraco negro, e dele flutuava um revolver. Uma bala foi recarregada sozinha, enquanto o braço de Dáhlia apontava contra Alice. — Não errarei a próxima. – disse ela. –Matarei você aqui mesmo. Não posso permitir que você seduza Mors, e o faça sair de nossa missão. Você não está nesse roteiro, então receio que terá que ser tirada da peça a força. — Peça, roteiro... Você fala igual ao Mors – ela empunhou sua espada. – Mors está tendo uma conversa com o guardião, não posso deixá-la interferir. E espero que sua ameaça de morte tenha sido uma brincadeira.Dáhlia atirou com seu revolver varias vezes até um pouco antes dos pés de Alice. Demonstrando a verdade de sua ameaça. — Onde ele e o guardião estão?! Diga-me e talvez te matarei rapidamente e sem dor. A paciência de Alice havia acabado. — Não sem quem você é garota. Mas não estou seduzindo ninguém, e não me importo se Mors traiu vocês ou não. Eu tenho assuntos a tratar com ele. E o guardião também. Então vire essa arma para lá, e vá embora. Sua presença aqui é um grande incômodo. — Assuntos a tratar com Mors?! Esqueça você não vai roubá-lo de mim. Ele é meu ator, não seu, não adiante o quanto você atormente ele nos sonhos!Agora pude entender, pensou Alice, uma louca apaixonada. Nunca esperei uma rival... Primeiro me apaixono por um assassino, e depois ameaçada por uma menina louca. - Louca irritante. Pode vir com o que tem de melhor. Em poucos segundos Alice percebeu que não havia feito uma escolha sensata. O revolver não era o único armamento da menina. Metralhadoras, mais revolveres, escopetas, lança granadas e bombas, circulavam a menina de cabelos negros, e todas essas armas apontadas para Alice. Assim que Alice avançou com sua espada contra sua nova desafiante. Os tiro e explosões a perseguiram no saguão. Alice se protegeu, usando os pilares para se aproximar de Dáhlia. Porém, estes eram explodidos um a um, pela artilharia de uma Dáhlia doentia. Os barulhos de tiros e explosões haviam anunciado o fim das memórias de Scurra. A verdade que tanto incomodou Mors estava agora fresca em algumas imagens em sua cabeça. Mors não só descobriu o motivo de Scurra, como também descobriu sobre o Senhor das Correntes e Alice, e até o porquê da familiaridade entre eles dois. Descobrira também o porquê de ser cego. E tudo isso relacionado com o Down Theater. Como são incríveis as coincidências, ele havia pensando, em todas as estrelas, que se formavam um desenho na tela espacial do pai de Dáhlia. Formando frames de imagens. Enquanto o homem mascarando explicava-os um a um.
O mais importante, é que Mors tinha que deter Scurra o quanto antes. Mas agora teria ajuda de um guardião. O chão tremeu. Fazendo com que Mors quase desequilibrasse da pilha. — Parece que outra pessoa está dançando com a minha filha. – Disse o senhor das correntes, sem tempo de arrumar as estrelas. — São os outros. – disse Mors. – Eles não sabem da verdade, precisamos avisá-los, eles pensam que Alice é uma inimiga... Antes que suas palavras finais fossem ditas, o chão da sala em que estavam começou a rachar, fazendo correntes e algumas engrenagem caírem. Logo o chão desmoronou, e as pilhas começaram a cair. As estrelas foram deixadas de lado. Enquanto Mors e o pai de Alice caiam junto com as peças de ferro e metal. Correntes bateram uma nas outras. Engrenagens caiam cintilando. O impacto foi forte, fazendo com que todas as peças se espalhassem pelo salão, Mors caiu perto de um pilar estilhaçado, algumas correntes caíram em cima de si. Que demorou um pouco pra perceber o que havia acontecido. Atrás dele o senhor das correntes, tirava os entulhos que tinham caído em cima de si. O saguão estava destruído, assim como teto. Tudo aos pedaços. Mors avistou uma Dáhlia machucada, perto da porta. -Mo-Mors... – a menina de cabelos negros tentou dizer, vendo-o a alguns metros de entulhos há sua frente. Não havia sinal de Alice. Porém atrás de Dáhlia, pela porta de ferro meio aberta, figuras apareciam diante as escadarias. As figuras se mostraram Caius, Tommy, Rune, Amy e Vincent, todos armados com seus respectivos equipamentos. — O Guardião! – Gritou Caius. Assim Rune, foi rápida e disparou de seu arco uma flecha mirada na direção do guardião. Mors pegou uma engrenagem de meio metro, quebrada nas pontas, e a usou para como escudo. A flecha de Rune foi mais lenta, e caiu. Sem deixar ninguém ferido. — Mors! O que diabos você está fazendo?! – perguntou Caius. — Não ataquem! – disse o menino, se pondo na frente do pai de Alice. – A vida dos guardiões não está mais em nossas mãos! — Se não matarmos os guardiões, nossos desejos... – disse Rune ao lado de Caius. — Desejos?! Esqueça isso, vocês sabem que Scurra nunca cumprirá com o que ele disse. – disse Mors, com segurando a espada. Amy ajudava Dáhlia a se levantar dos escombros. Enquanto a mesma disse: — Mors, por favor, não se iluda por causa dessa menina. – disse Dáhlia. — Vocês não entendem! – disse Mors. – Agora eu sei de toda a verdade! O guardião é o pai da Alice... Ele conhece os verdadeiros motivos de Scurra e... — Alice, Alice, Alice – resmungou Dáhlia. – Desde que conheceu essa menina, você anda diferente! Como pode acreditar numa estranha desse mundo?! E nós, seus companheiros, acompanhemos você nessa luta até agora.Quando é que o jogo virou contra mim? Pensou Mors. Eles estão se iludindo pelas falsas promessas de Scurra. — Uma luta desnecessária! – Rebateu Mors. – Os guardiões não são inimigos. Scurra é! Diga a eles Caius! Você sempre desconfiou! Os atores se voltaram a Caius, esperando seu pronunciamento. O silencio tomou conta por alguns segundos do salão destruído. O senhor das correntes permanecia atrás de Mors imóvel. Caius então disse. — Não conseguem ver? – disse ele num tom amargo. – O Teatro enlouqueceu Mors. Ele nos traiu, não vêm? Desde que conheceu essa menina, ele parou de fazer parte de nosso grupo. E agora, virou-se contra nós. Um brilho vermelho, pareceu ser visto na íris de Caius. Mors percebeu, seus olhos estavam diferentes do que costumava a ser. Até ele, seu melhor amigo, tinha se virado contra Mors. Seria este o plano de Scurra? - Matem o guardião! – ordenou Caius virando sua lança contra Mors. – Matem também a cria, capture o Mors, ele não é mais nosso amigo!O Senhor das Correntes, segurou o ombro de Mors. — Minha filha, esta debaixo de algum escombro. E eu não o farei lutar contra seus amigos. O bobo da corte está hipnotizando-nos. – Disse o homem, tomando a frente de Mors. Sua mascara branca, brilhou enquanto falava. Seus olhos azuis se esvaneceram diante a sombra.– Acontece o que acontecer, mantenha minha filha a salvo. Impeça o esquema de Scurra. Salve essas crianças. E destrua o teatro! Eu confio em você Mors! Mors deu uma última olhada em seus antigos amigos. Amigos estes, que corriam entre os entulhos contra o pai de sua amada. Mors então assentiu com a cabeça. — Você é um ótimo garoto. – disse o homem mascarado. Mors então se virou, e começou a procurar pelos entulhos. Tirando correntes, e peças de metal, procurando um sinal de Alice. Nada encontrava além de mais ferro e entulho. Partiu para outra montanha de peças, tentou retirar uma grande engrenagem de quase um metro. Porém quando tentou, a mesma se quebrou sozinha. Atrás dela, mais engrenagens se encontraram. O barulho do aço, percorreu os ouvidos de Mors. Ele se virou para ver a batalha que começara. Senhor das correntes era um nome coerente para o pai de Alice. Assim que Tommy avançou contra ele, uma das correntes, saiu de um amontoado de metal, e agarrou o braço do menino, jogando-o para o lado. Tommy caiu alguns metros para a esquerda, batendo num pilar quebrado. Várias outras correntes, levitaram sozinhas circulando o guardião, como segundos membros. Caius correu na direção do homem mascarado, que com um movimento de mãos, uma de suas correntes tentou atingir Caius. O menino loiro defendeu-se com a lança, depois cortando a linha entrelaçada de metal. Outra corrente foi ao seu encontro, Caius abaixou-se e continuou correndo. A corrente passou por cima de sua cabeça, sem atingi-lo. Assim, que sua lança quase chegara perto do Homem, seu braço segurou a lâmina. A luva branca do Homem cortou-se. Caius fitou o homem, que segurava com uma só mão o ataque do menino, uma mão, feita de pequenas correntes. Porém, Caius gritou: — AGORA! DÁHLIA. Disparos foram ouvidos, Dáhlia estava a vários metros atrás, com sua artilharia flutuante acima de sua cabeça. As balas e feixes foram de encontro ao Senhor das Correntes. Antes disso uma de suas correntes agarrou a barriga de Caius, puxando-o para trás e tacando-o metros paro o lado. Bem a tempo de a primeira granada atingir o ombro do homem. Seu ombro explodiu, sua roupa foi rasgada nesse mesmo lugar, mostrando-lhes que ali, também era feito de ferro. Alguns estilhaços caíram no chão, porém outras pequenas correntes que formavam seu corpo substituíram as quebradas. Um tiro acertou a perna do pai de Alice, também, sem poucos efeitos. Dáhlia continuava atirando contra, porém a maioria das correntes que circulavam o homem, protegeram-no, usando o metal como escudo. Enquanto algumas explosões destruíram algumas de suas correntes, e rapidamente, mais saiam do entulho. O Boomerang de Vincent quase surpreendeu o homem mascarado. Porém o mesmo desviou, fazendo a arma de o garoto bater contra um pilar. Destruindo-o. Uma corrente que estava perto de Vincent, se moveu sozinha, batendo nas pernas de Vincent violentamente, fazendo o garoto ser jogado para cima. Assim que caiu, outra corrente jogou-o para o lado. As explosões de Dáhlia continuavam contra suas correntes. Amy apareceu quase sem ser notada, a menina golpeou o peito do homem, pegando de raspão. Porém sangue saiu daquele local. O senhor das correntes não era então, feito inteiramente delas, ainda restava um pedaço humano. Uma corrente então tirou as adagas de Amy de sua mão, jogado-as. Depois a mesma golpeou a garota, que frágil,como sempre foi, caiu metros para a esquerda Mors continuaria ali secando a batalha, se com seus ouvidos aguçados não tivesse ouvindo um ruído. O menino, se dirigiu, tirando entulhos de sua frente, procurando o lugar do som. — Pai! – algo chamou baixo de uma engrenagem de quase três metros de diâmetro. Mors correu até o local, quase tropeçando em outra corrente. O menino empurrou a pesada construção de metal. Que não se moveu muito. -Pai! – a voz de Alice buscava ajuda. — Sou eu, vou tirá-la daí. – disse Mors para reconfortá-la. Com todo seu peso, Mors se atirou contra o grande pedaço de cobre. O mesmo foi para o lado. Fazendo o menino cair. Levantando rapidamente, Mors conseguiu ver uma parte das pernas de Alice. Mors retirava os entulhos de cima da garota, bem mais facilmente agora, sem o grande objeto atrapalhando-o. Viu ela, a linda menina de cabelos brancos e armadura igualmente branca. A garota estava machucada, com vários arranhões pelas partes visíveis do corpo.
Ali mesmo ele abraçou-a. — Estou aqui, você está salva. – disse ele a apertando com força. Feliz por tê-la encontrado. — Mors... você... – ela fitou o menino, com um sorriso meigo estampado em seu rosto machucado. Seu sorriso, virou desespero. Mors virou-se, tentando encontrar o pai da garota. Enquanto o Senhor das correntes, distraído pelos ataques frontais de Dáhlia. Um garoto loiro, empunhando sua lança correu em direção a suas costas. — CAIUS, NÃO! – gritou Mors. Porém inutilmente. O menino não deu ouvido, e avançou sua lança contra a parte do Senhor das Correntes, que não era feita de metal, o peito. Assim que o homem deu-se conta do ataque, a lâmina de Caius já havia atravessado seu peitoral, sangue escorreu diante sua roupa, e sobre a própria lança. “PAI!” gritava continuamente Alice em seus braços. O homem mascarado virou-se para Mors, com a lança fincada no peito. A voz suave do homem se preparou para dizer uma última frase. — Impeça-o. – pediu o homem, enquanto o brilho de seus olhos azuis sumia. – Impeça-o, ele não é um homem mal... Só precisa... Lembrar-se de seu passado. Suas últimas palavras se foram. E sua máscara branca sem expressão caiu.
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