Down Theater (Terminado)
11 Capítulo 11 - As asas da atuação
As asas da atuação
Uma estranha sensação pairou sobre o menino. Ricocheteou seus órgãos, gelando-os completamente, passou por seu cérebro, congelando-o. Era a estranha sensação de que tudo logo faria sentido, ou então nada mais faria.Como prever o destino, é algo que nenhum humano pode responder. Nem o garoto exposto ao um novo mundo aonde certas limitações desvaneceram, e novas e ainda mais profundas apareceram. Ele poderia lutar, ele poderia matar os seres dali, ele poderia atuar da melhor forma que tentasse, porém não sabia o que tudo isso significava. Ele não tem medo de morrer, só tem medo de morrer sem ter alcançado essas limitações. Descobrir a verdade sobre tudo isso.O Down Theater, o maior teatro de toda a região. O maior teatro destruído talvez do país. E o verdadeiro teatro, o maior de todo o mundo, tão grande que se estendia entre campos claros, florestas místicas, cidades destruídas, e até aonde o próximo ato os levar. Um teatro nunca foi tão grande assim. E apenas sete crianças, de todo o mundo, puderam experimentar essa peça. Mas o que os aguarda depois do cessar de cortinas? Bem vindos de novo, ao Down Theater.O mesmo, estava ali, do mesmo jeito de ontem; acabado, sujo, empoeirado, destruído; porém o portal já esperava as crianças lá embaixo, no palco de madeira ruída. O Ilustre diretor da peça também, um homem de meia idade, e agora com metade da barba feita, e a outra por fazer. Mors lembrou-se de sua conversa de ontem, foi a primeira vez que eles requereram alguma coisa de Scurra. Não por que não queriam, mas sim por medo. Todos tinham medo de Scurra, por isso depois dos atos, nem se atreviam a falar sobre o ocorrido, ou simplesmente perguntar o porquê ocorreu a Scurra. Agora era diferente, Mors foi até Scurra, mentiu para ele, e pediu também que este interviesse na peça, para auxiliá-lo. O que Mors havia se tornado? O mesmo se perguntava às vezes, ele mentiu fortemente para Alice, mentiu para Scurra, e pediu para Vincent ajudá-lo nessa mentira. Porém tudo isso não interessava, por que ele precisava chegar a seu objetivo maior: Descobrir a verdade. E ele não se importava, se aquela verdade o transformasse num mentiroso, ou que ele enlouquecesse, assim como Scurra. O Menino se juntou a seus outros companheiros de palco, e segundo depois partiram, para dentro do Mundo Atrás da Cortina. Era a terceira vez que entravam pelo portal, para descobrir o que os esperava, porém dessa vez, eles tinham um dia. E esse mesmo dia, deveria ser suficiente para que o terceiro ato seja completado com sucesso, e o mais importante, sem nenhuma morte. Mors caiu em uma superfície áspera e rochosa, o lugar transitava pouca luz, porém ainda era bem visível. O ar era muitíssimo úmido. Ele estava numa depressão, cercado por uma cadeia de montanhas pedregosas, formando um planalto em seu topo. O plano circular estava dentro dessa cadeia montanhosa. Porém metade do terreno era coberto por um gigantesco lago, aonde suas águas desciam por uma cachoeira, do planalto acima, a muitos, e muitos metros acima. Por isso, pouca a luz do sol que chegava ali. Mors também sentiu o cheiro do Mar, indicando que a costa estava completamente próxima, o que era bom. De acordo com Alice, o guardião-dragão e seus filhotes, encontravam-se numa caverna, em uma dessas cadeias montanhosas, próximo a um rio.O menino levantou-se, com sua roupa cheia de pequenas pedrinhas, os outros seis o aguardavam. — Que lugar exótico. – Disse Caius, balançando sua blusa de batalha. – Típico de um lugar que Scurra nos traria. — Onde estão nossos equipamentos? – perguntou Vincent. – O que será que Scurra nos deu, para voar? Dáhlia apareceu, voltando de uma árvore que se encontrava no pé das montanhas. — Cheque ao pé da árvore. – Disse a menina, um pouco mais fria do que de costume. – Porém duvido que algo lá seja estranho além, do que nós já conheçamos. — Nada diferente? – perguntou Mors, enquanto via Vincent e Amy indo vasculhar os equipamentos na árvore. Que por sinal, era a única ali. — Bem, tem uma coisa. – disse Dáhlia, sua voz sempre ficava fraca ao falar com Mors. – Umas espécies de selas, não sei dizer. — Cavalos?- interrompeu Rune, ao lado, de Caius. – Por que Scurra nos daria cavalos? — Não... – Mors pensou. – Ao menos que estes cavalos tenham asas. A Dúvida durou pouco. Algo vinha em direção deles pelo ar, entrando no vale circular, passando pela cocheira. E não era apenas um animal, e sim sete. Scurra, realmente tinha ouvido a necessidade deles. Um dos animais veio primeiro, enorme, do tamanho de um cavalo normal, porém repleto de pelos e penas, duas asas que abertas davam pelo menos quatro metros de diâmetro, de uma para a outra. Sua cabeça, era igual a de uma águia, porém com um enorme bico. e um grande rabo, parecido com a de um leão. Eles estavam diante de um legítimo Grifo, das histórias mitológicas. Mais uma prova, de qual mágico, o Down Theater poderia ser. Este grifo era o de Tommy, pois pousou perto do garoto, e mesmo quando o menino se distanciava do animal, com medo. A criatura, ia atrás do menino. Os outros chegaram logo atrás, pousando perto de seus respectivos donos.
O de Mors tinha uma pelagem amarronzada, quase negra, e o mesmo era maior que o Tommy, porém não maior do que o de Caius. — Devemos selá-los o quanto antes. – Exclamou Caius analisando seu animal. – E treinarmos nossas armas em cima deles, e voando. — Exato. – concordou Mors, seu animal tinha curvado a cabeça, pedindo por carinho. O menino atendeu, acariciando seu bico. – Eles são bem dóceis... – Os outros atores, resolveram então, imitar o garoto, e tocarem nos seus grifos. Menos Tommy, com medo do animal que o perseguia para lá e para cá. Mors voltou ao tom de seriedade. – Temos apenas um dia antes do terceiro ato, devemos ficar o quantos antes bons em montaria e vôo. Ou este poderá ser nosso ultimo momento de peça. — Mors tem razão! – Disse Caius. – Não deixaremos Mors levar crédito pelo ato igual antes. – O menino brincou. – Já fomos inúteis o suficiente nos dois primeiros atos. E assim se sucedeu, as crianças foram buscar suas respectivas celas. Mors foi até a árvore, procurar sua cela, e sua grande espada, para começar o treinamento. Lá estava Dáhlia, porém, a menina pouco ligou para a cela, pegou apenas seu armamento. Mors se intrigou. — Não usará o grifo? – perguntou o garoto. A menina corou, percebendo que estava sozinha embaixo da árvore, com o menino. -Não. – ela respondeu. – Quero dizer, eu usarei o grifo, porém não para lutar. — Como assim? – Mors perguntou. – Tem algo em mente? — Na verdade sim. – ela disse, saindo da arvore, Mors o acompanhou. – Eu aprendi uma técnica, Scurra me ajudou.Scurra ajudou-a? pensou. Scurra nunca ajudou ninguém no treinamento. Porém guardou as palavras para si. Enquanto a menina iniciava a demonstração de sua habilidade. a menina, jogou o braço direito para frente. Indicando uma posição. Então o chão perto dela tremeu. — Nossa... – Mors se surpreendeu, quando algumas pedrinhas foram levitadas. — Calma, ainda não é isso. – ela parecia se esforçar. O Chão tremeu mais forte, um estranho buraco negro, assim como o do portal, apareceu acima da cabeça da menina. E lentamente, saindo desse negro véu, um lança granada era invocado. — Incrível! – exclamou Mors. — Não é só isso — a menina jogou a mão para frente novamente. – e o tiro da arma acompanhou a direção em que a menina havia apontado. Sem ninguém para apertar seu gatilho. O tiro explodiu na montanha, próximo a cachoeira, aonde Vincent também estava voando. A explosão não o atingiu, porém o impacto e o susto o fez desequilibrar do grifo, fazendo o pobre garoto cair à mercê das águas do lago. — Cuidado! – ele gritou. – Vocês podiam ter me matado! – disse, enquanto nadava até a margem mais próxima, aonde seu grifo o esperava. Dáhlia e Mors riram um pouco. — Um ótimo tiro. – elogiou o garoto. — Obrigado. Eu acho... – ela pareceu envergonhada. – Porém a mira é defeituosa, principalmente quando invoco mais de uma arma. Mors compreendeu, aqueles véus, e aquela arma eram uma ligação do mundo atrás da cortina, até o camarim. Mors gostaria de ter uma habilidade daquela. Para poder relaxar um pouco fora da linha de frente. — Consegue invocar mais de uma? – ele perguntou. Dáhlia assentiu com a cabeça em afirmação. A menina fechou os olhos, se esforçando, e de seu lado direito outro véu apareceu, logo mais um entre o espaço dos dois outros. O direito, mostrou-se uma escopeta, e o outro um tipo gigantesco de bazuca. — Isso é realmente Incrível! – Disse Mors, tocando uma das armas. — Uhum — ela parecia orgulhosa. – olhe isso. Ela inclinou sua mão para cima, e então as armas seguiram, e dispararam para o céu, sem parar. Mors vislumbrou as explosões que Dáhlia causou acima de suas cabeças. Feixes de luz vermelhos, e explosões. — Desta vez sinto... – Mors brincou. – que o credito desse ato será seu! A menina retribuiu elogiou-o com um sorriso. Porém Mors teve que se retirar, as horas passaram rápido, e ele tinha que treinar com seu grifo. O menino deixou que Dáhlia se concentrasse melhor em seu treinamento, o que ele fez com razão, já que a presença dele perturbava a menina, não necessariamente de um modo ruim, porém o ingênuo menino não tinha idéia disso. Todos os outros já estavam no alto, com seus respectivos animais, gritando, e mais se divertindo do que treinando na realidade. Mas não seria problema, desde que voassem corretamente depois.O Grifo de penas escuras, pousou próximo a Mors, sem que o próprio pedisse. O menino colocou a cela no animal, que se abaixou para o mesmo subir. — Você é um animal inteligentíssimo. Mors subiu na criatura, apertando bem os cintos que o seguravam no animal. Em sua cela, havia também um tipo de espaço, feito sobre medida para sua gigantesca espada. Por um minuto ele pensou se o animal seria capaz de agüentar o seu peso, e o da montante, Eu agüento, pensou, então por que um grifo não agüentaria? Mors colocou sua espada, presa também á cela.Mors iria pegar a cela amarrada no bico do pássaro gigante, quando o mesmo voou antes disso. Seria possível? Se perguntou, Eles respondem à nossos pensamentos? Ele testou, planar. O animal assim o fez, planou com suas asas abertas, sobrevoando o lago, suas asas eram enormes. Desta vez Mors não só via, mas também voava. Suba, pensou, e o grifo subiu, indo de encontro a cachoeira, Suba. Os dois voaram para cima, num ângulo de noventa graus, com a água da cachoeira batendo em seu rosto, até o fim da montanha, vislumbrando o gigantesco sol, acima de suas cabeças. O animal subiu, até a altura das nuvens, Mors gritou. Ele nunca se sentiu tão bem em sua vida, ao não ser talvez, em seu sonho com Alice. Alice, Mors pensou, Você ainda nem apareceu... Será que não sabe aonde nos encontramos? O pensamento se desvaneceu, quando percebeu o quão alto estavam, atravessando as nuvens como um tiro. Vamos descer. O animal então caiu, com suas asas curvadas para trás, Mors segurou-se firme, enquanto o vento passava por si fortemente, seus cabelos agora não teimavam em ficar na direção dos olhos. Ele mergulhou o ar abaixo. O maior frio na barriga que sentiu. E então os dois caíram, já no lago. Aonde foram alegremente, recebidos por Palmas, de Rune e Caius em cima de suas montarias. — Bravo! – Brincou Rune. – Nem um pássaro normal voava com tanta rapidez.Mors se dirigiu a margem, com seu grifo, os dois pouco se importaram com a água. — Nunca me senti tão livre. – Disse Mors, enquanto sua camisa pingava. — Acho que devemos treinar agora Mors. – Disse Caius. – Que tal uma luta em cima dos grifos. — Oh! – exclamou Mors. – Isso me parece um desafio.Vincent e Tommy apareceram atrás de Rune, montados também. Mesmo que Tommy mal conseguisse parar de tremer em cima do animal. — Vamos treinar juntos. – Disse Vincent. – Porém sem matar um aos outros. Rune interveio. — Pra ficar mais interessante. – A menina sorriu maliciosamente. – Com flechas de borrachas passando por suas cabeças. — Tem armas de borrachas? – perguntou Mors. — Sim. – Rune respondeu. – Caso contrario nos mataríamos com a sua lâmina gigante.Scurra preparou mesmo tudo, devo essa a ele. Os cinco se encontraram perto da árvore, aonde seus equipamentos de batalha foram substituídos por de treinamento. Até as invocações de Dáhlia mudaram, desta vez foram trocados por tiros de um tipo de borracha ainda mais fofa. Pois as normais, até naquela circunstância poderiam ser letais. A idéia é todos contra todos. Porém Dáhlia, seria apenas a atiradora. Mors pegou sua Montante de borracha, e subiu até uma altura considerável. Os outros fizeram o mesmo, em posições diferentes. E então com o sinal do primeiro tiro de Dáhlia eles avançaram. Mors foi até Caius, esperando derrubá-lo com um ataque rápido, porém o menino era muito rápido, e assim voou rapidamente para cima, deixando Mors. O menino não se intimidou, e partiu para o próximo alvo, enquanto o céu em sua cabeça se tornava laranja ao pôr do sol. Ele confrontou Rune, perseguindo-a perto das pedras. Uma flecha da garota passou entre sua cabeça, e outra atingiu a montanha, era claramente difícil mirar, ali. Enquanto a perseguia, a menina se dirigiu perto de Tommy, que voava pateticamente. tentando acertar Vincent com seu machado. Rune atirou três flechas, apenas primeira conseguiu acertar Tommy, que caiu miseravelmente na lagoa. Enquanto seu grifo ainda voava. Tommy... Pensou Mors, Temos que ter um cuidado especial com este, se não ele será o primeiro a morrer amanha.
Mors aproveitou que Rune havia voado mais lentamente para atingir Tommy, e deu uma estocada com sua espada de borracha, fazendo-a perder o controle do animal e caindo. Enquanto buscava um próximo alvo. Viu Vincent, tentando acertar Amy, com seus boomerangs de borracha. — Vamos lá Vice. – Ela caçoou. – Se esforce um pouco mais! A garota, atirou facas de borracha, que pegaram em cheio o peito de Vincent, que caiu com seu grifo para trás, tirando-o do jogo. Amy é a menor de todas as garotas, pensou, mas com facas, tenho que admitir, que nem eu se atreveria em entrar em seu caminho.Porém, estas eram apenas facas, de borracha, e Mors se dirigiu a ela. A menina percebeu, e no mesmo instante, se jogou com tudo para baixo, Mors seguiu com seu grifo. Quando desceu na mesma altura de Amy, a menina atirou várias facas, uma pego na água, a outra, Mors defendeu com a lâmina. Porém mais uma foi lançada, pegando no seu braço direito, fazendo que seu grifo virasse para a esquerda, no exato momento que uma das balas de Dáhlia passava. O Choque foi grande, e não Mors não teve o que fazer, ao não ser cair. O menino estava de novo na água, enquanto via Dáhlia sorrindo para ele. - Te peguei querido. – ela riu. O menino acenou envergonhado. Ele então se pôs a margem com seu grifo. E viu a luta entre Amy e Caius no ar. Amy era rápida demais, porém ela subestimou Caius, pensando que viria dele, apenas ataques frontais. Um terrível engano, o menino segurou sua lança, parou um instante no ar, e a jogou. A ponta de borracha, foi de encontro as costas da garotinha, Fazendo-a cair na água. Os outros jovens aplaudiram. Caius então foi até a margem. Estufou o peito e disse. — Como prêmio. –O menino de cabelos loiros sorriu. – Desejo liderar o ataque amanhã.
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