Notas iniciais
Um beijo no coração de todos que têm me apoiado, sendo através dos comentários, recomendações, recados nas redes sociais. Sem vocês nada disso seria possível. Obrigada por tudo!
Mas vamos a mais um capítulo...

POV – Grissom

Tentei ir atrás dela, mas desapareceu de repente no hall. Não poderia ter sido tão rápida. Com certeza havia entrado em algum lugar.

Voltei para minha sala e joguei – me no sofá onde ela estivera antes. As coisas não haviam saído como planejara ou desejava. As coisas poderiam piorar?

POV – Catherine

Caminhando lentamente, tentava segurar a vontade de chorar. Lembrava – me do que passara no trabalho há pouco, ainda não podia acreditar.

Não sabia o que era maior: a incredulidade de que tudo aquilo havia acontecido ou a sensação de tristeza por saber que Gil todo aquele tempo não havia me procurado. Ambos formavam um misto de decepção e confusão que fazia com que todo o meu ânimo desabasse.

Por que ele havia voltado? Onde estava Sara? Ele parecia amá- la sinceramente. Por que me olhou com tanto amor no reencontro? Por que dizer que queria me reconquistar? Não queria e não podia pensar mais naquilo.

Chegando em casa, estacionei o carro na garagem e subi para o quarto. Fechei a porta e me apoiei nela por alguns segundos. Minha mente estava exausta.

Corri para o banheiro e tomei um banho. Vesti qualquer coisa confortável e voltei para a sala, pedindo a Deus que Lou não aparecesse. Foi quando me lembrei que ele estava em um plantão. Agradeci aos céus por isso... Sentei – me no sofá com o olhar perdido. Desabei em um choro angustiado, preso em meu coração há anos. Queria gritar,acabar com aquela dor e não podia. Peguei uma almofada e a apertei contra o peito. Tentava controlar a angústia que tomava meu coração ao me lembrar de Gil naquela sala, naquela mesa. Me lembrei de quando ele me abandonou pela primeira vez...

Flahsback

Na manhã seguinte, depois de uma noite maravilhosa de amor,acabamos reatando, mas com a condição dele arranjar outro emprego, abandonar o laboratório, talvez se dedicando as suas palestras de entomologia.

E assim foi: ele começou a procurar trabalho em escolas nos arredores de Vegas, enquanto continuávamos com nosso trabalho no laboratório.

Vivemos dois meses fantásticos. Passávamos todo o nosso tempo de folga em casa, na cama, ele cozinhava ou eu (que sempre fui limitada em meus dotes culinários). Um dia comecei a me sentir mal com enjôos e um sono incontrolável. Me apavorei com a idéia de ter um filho. Quando a gravidez se confirmou, entrei em pânico. Como terum filho? Decidi não contar para ele. A decisão de abandonar o laboratório ainda o sensibilizava.

Uns dias depois, ao acordar, percebi que ele estava estranho. Mais calado e sério do que o de costume. Com o ar distante. Começou ai meu sofrimento...

Ele me disse que fora convidado para uma palestra em Los Angeles e que precisaria se ausentar por alguns dias. Eu concordei, sem pestanejar, afinal, era tudo o que eu queria: que ele encontrasse um novo emprego.

Me perguntou se eu poderia voltar para a casa da minha mãe para que pudesse fazer umas reformas no apartamento aproveitando nossa ausência e assim o fiz, contente com o fato de que teríamos um novo lar e já pensando na decoração do quarto do bebê. Fui para a casa da minha mãe e nunca foi segredo para ninguém que nunca nos demos bem. Assim que coloquei meus pés para dentro da casa ela me perguntou o porquê de estar de volta. Nossa relação sempre foi um tanto tumultuada pois não nos respeitávamos como mãe e filha.

Comecei a explicar a situação para ela, alegando que minha estadia ali seria provisória, somente até o apartamento ficar pronto e que assim que Gil retornasse de Los Angeles, iríamos nos casar.

Para que falei a palavra casamento? A primeira coisa que ela disse foi: “ Você, vai se casar? Você é uma vadia! (Isso, ela falou assim mesmo) – Você não vale o ar que respira. Vou alertar esse rapaz sobre você...”

Agora me diz, eu merecia isso? Precisava disso? Depois de anos sem depender financeiramente dela e sequer pedir nada... Fui embora possessa e não arranjei um tumulto maior porque não queria que os vizinhos chamassem a polícia. Como explicaria aos policiais que era uma técnica do laboratório criminal? Confesso que se pudesse, a teria matado naquele dia.

Estava atrasada para o trabalho e no meio do caminho me lembrei que havia esquecido as chaves do armário no apartamento de Gil. Quando destranco a porta, para minha surpresa, o vejo deitado no sofá, lendo um livro.Não sei para quem foi a surpresa maior.

Ingênua como era naquela época, fui logo pensando que ele havia perdido o vôo, mas quando me aproximei para abraça – lo ele me segurou pelos ombros e pelo seu olhar pude perceber que havia algo muito errado por ali.

Olhei em volta e não percebi nenhuma mala. Por instinto fui até o guarda roupas e notei que suas roupas estavam em ordem nas gavetas e cabides. Voltei para a sala onde o encontrei sentado no sofá com o mesmo olhar perdido da última manhã. Ao notar minha aproximação, ele me encarou com aqueles olhos azuis que tinham o dom de me enfeitiçarem e disse:

- Precisamos conversar.

- Sim, precisamos – eu disse, já temendo o pior.

Nesse momento senti meu estômago se contraindo e me lembrei do nosso filho que crescia em meu ventre. Ele me pediu que me sentasse ao seu lado e obedeci, até porque nesse momento, minhas pernas começaram a tremer. Ele começou dizendo...

- Cath, — meu coração parou uma batida – está tudo acabado entre nós. Não dá mais.

- Mas, por quê? O que eu fiz?

- Você não admite que eu faça uma coisa que gosto, que é o meu trabalho como supervisor do CSI. Amo minha carreira, minha equipe e não estou pronto para deixá — los.

- Eu gosto também – retruquei – Não tanto como você, mas...

- Então porque está me obrigando a deixá- los?

- Porque você sabe que pelas regras, não podemos nos relacionar uma vez que faço parte da sua equipe, numa posição inferior a sua. E se a única forma de ficarmos juntos é mudarmos de emprego, eu aceito.

- Mas eu não. Refleti muito nesses últimos dias e decidi que ainda não estou pronto.

- Mas, nesse caso, eu estou tentando te ajudar a viver melhor. Você terá mais tempo para fazer o que gosta que é dar suas palestras –insisti.

- Ora, você não entende mesmo! Não entende que eu gosto deviver assim.

- Mas esta maneira é errada. Eu faço isso por amor a você.

- Amor, para mim, é ajudar a pessoa a fazer o que a faz se sentir feliz. Se você vai contra o que quero, está me aborrecendo, me impedindo de atingir o que eu desejo.

- Que absurdo! Tudo voltado para o seu bem. Para mim isso é um ato egoísta seu, não voltado para mim, mas para você próprio.

- Acabou, Catherine! Escolho minha carreira. Encontre alguém menos egoísta que eu e seja feliz.

Eu estava debilitada e emocionalmente abalada por causa da gravidez. Não consegui dizem mais nada. Peguei minha bolsa e sai de lá sem rumo. Não tive forças para voltar ao trabalho. Fiquei perambulando pelas ruas de Las Vegas com suas palavras em minha mente e decidindo o que seria da minha vida e do meu filho.

Durante alguns dias, fui morar de favor na casa de uma amiga. Gil e eu nos encontrávamos no laboratório, mas mal nos cumprimentávamos. Estava grávida e não podia contar para ninguém.

Peguei pneumonia fiquei extremamente anêmica. O médico disse que se eu não me cuidasse, poderia perder a vida durante o parto. Me desesperei...

Nessa época não ganhava muito como técnica e com a doença gastei mais do que o planejado. Esqueci de comentar: me senti tão envergonhada com a gravidez que me afastei de todos. Com minha mãe não podia contar por causa das nossas brigas e diferenças e me vi perdida e com muito medo.

Consegui uma vaga num hotel medíocre na Strip e foi quando me reencontrei com Eddie...

Fim de Flashback

Escutei a campainha. Me levantei num sobressalto e abri a porta. Tremi ao dar de cara com Gil apoiado na parede, encarando – me. Tentei fechar a porta rapidamente, mas ele percebeu o que faria e me impediu. Empurrou a porta no sentido contrário,impedindo que a fechasse.

Tentei com todas as forças não permitir que ele entrasse,mas não consegui. Ele era obviamente mais forte que eu. Não me controlei e soltei a porta, caindo num choro sem força. Gil abriu a porta e entrou sem dizer nada.

- Você pode me escutar? – ele pediu parado na minha frente.

- Não! Eu quero que você saia daqui senão chamo a polícia –disse sem encará – lo. Me sentei no sofá.

- Não vou embora enquanto você não me ouvir.

- Ouvir o quê? – levantei, ficando cara a cara com ele – O quão covarde e canalha você foi me abandonando mais uma vez? É isso? Pois surpresa! Eu já sei! – gritava encarando – o duramente enquanto as lágrimas corriam livres pelo meu rosto.

- As coisas não são assim. Tem muito mais que você nãosabe...

_ E nem quero saber. – interrompi passando as costas dasmãos sobre meu rosto para secá- lo.

- Mas você tem que saber! – percebi que ele começava aperder a paciência. Me agarrou pelos ombros e me obrigou a me sentar no sofá,como havia feito em sua sala, horas antes. Sentou – se ao meu lado.

- Você vai ficar aqui e escutar o que eu tenho para falar. Se você quiser acreditar ou entender, aí é problema seu. Mas você tem que me ouvir...

- Você parece não ter idéia do quanto foi difícil para mim te ver partir e nos abandonar para ir atrás dela, não é?

- É isso que estou tentando dizer! Depois da morte do Warrick eu desabei. Não encontrava mais motivos para estar aqui. Por isso resolvi fugir. Achei que indo atrás de Sara, solucionaria meus problemas. Entenda, eu não poderia mais estar aqui...

- Mas você foi embora, me deixou sozinha. Tive que reestruturar a equipe. Você deixou claro com suas atitudes que estava nos trocando por ela...

- Lógico que não. Eu estava confuso, perdido. Acabei confundindo as coisas. Achei que fosse a única forma de sair dali, ou acabaria enlouquecendo. Me sentia culpado por tudo o que aconteceu com Warrick. Achei que indo atrás de Sara, tentando levar uma vida nova, fazendo coisas diferentes, conseguiria me livrar de tudo isso, mas não adiantou. Estava vivendo uma mentira. Lá não era meu lugar. Sentia sua falta...

Não disse nada. Abaixei a cabeça e continuei a chorar,tentando entender porque tudo aquilo estava acontecendo logo no momento em que começava a superar minhas dificuldades, refazendo minha vida...

Gil se aproximou e pegou minha mão. Levantei o olhar e o fitei. Ele me encarava com um pequeno sorriso que implorava perdão. Fechei os olhos e me lembrei de cada momento em que estivemos juntos. Daria tudo para revivê– los.

Sentindo o toque de suas mãos, estremeci. Os pêlos do meu corpo se eriçaram e meu coração bateu com mais intensidade. Não podia negar, meu corpo me entregava, ainda o amava e o desejava.