Notas iniciais
Voltei.
Nesse capítulo acompanharemos a primeira ultrassonografia do bebê e também um pouco da rotina do casal nos primeiros meses da gravidez.
Enjoy!

Me levantei e fui para a salinha ao lado, onde, atrás de um biombo, tirei toda roupa e vesti um avental cor de rosa. Sentei-me na maca e avisei que já estava pronta. O Dr. White, o ginecologista indicado pelo Dr. Shaw veio andando a passos rápidos, mas Gil não o seguia, o que me tranquilizou. Um exame ginecológico não é algo que se faça acompanhada.

- Sua pressão está normal, . – Disse ele, guardando o aparelho, finalizando os exames de rotina – Agora, se você desejar pode se vestir, porque vamos fazer o seu ultrassom na sala ao lado.

Depois de me vestir, fui acompanhada por uma auxiliar até a sala, onde médico e Gil já me aguardavam. Deitei-me na maca, desabotoei a calça e muito gel foi espalhado pela minha barriga. Olhei para Gil, e ele parecia um pouco perdido ali. Imaginei se todos os homens ficavam deste mesmo jeito.

- Ótimo, vamos começar o procedimento que todos estavam esperando! – Falou o senhor, ligando o aparelho e posicionando um objeto que se parecia com um microfone, em meu abdômen, ao mesmo tempo que apagava a luz. Agora a sala era apenas iluminada pela luz forte que vinha da máquina. De repente eu estava muito nervosa. Era o primeiro ultrassom que eu faria do bebê, e aquilo me conferiu um misto de ansiedade e medo. Medo de que algo desse errado, medo do desconhecido. E ansiedade porque em segundos eu veria a primeira imagem do meu filho.Virei minha cabeça ao máximo, para não perder nada que aparecesse na tela, e senti Gil se aproximando de mim. Agora ele carregava uma expressão de curiosidade no rosto. A tela tornou-se preta, e figuras brancas se formavam conforme o aparelho era movimentado pela minha pele, mas repentinamente as figuras ficaram estáticas e uma única imagem ocupou a tela.

- Impressionante como essas máquinas ficam cada vez melhores, não é? – Disse Dr. White, nos espiando por cima dos óculos finos. Eu esperava ver algo borrado, mas meus olhos encaravam uma imagem impressionantemente nítida de um minúsculo ser humano.

Observei o contorno da cabeça e o princípio de um rosto, os minúsculos bracinhos se moviam, assim como as pequenas mãos. Senti meus olhos se encherem de lágrimas, e senti os dedos de Gil enlaçarem os meus. O médico mexia um mouse pela tela, realizando medições, e nos mostrando detalhes que nos escapavam, pois não tínhamos olhos treinados pra ver os detalhes.

- O bebê já tem pouco mais de 8 centímetros, o que é o esperado.

- Nossa, é tão pequenininho. – Comentou Gil, surpreso, ainda encarando a figura no monitor.

- É, mas crescem muito rápido. Parece que foi ontem que vi o ultrassom do meu filho. Agora ele tem mais de dois metros de altura e joga baseball na faculdade. Por isso, aproveitem seu nenenzinho enquanto podem. – Disse o doutor, em tom brincalhão.

- Sei bem como é isso, — falei me lembrando de Lindsey. Estava olhando para Gil através da escuridão quando ouvi um barulho ritmado invadir a sala. Era com um som de um pequeno tambor, um pequeno coração. O coração do meu bebê. Eu podia jurar que nunca havia ouvido algo mais lindo.

- Oh meu deus! É o coração dele? Eu já havia me esquecido que já batia assim, tão forte. – Disse, levantando a cabeça e vendo um pequeno gráfico no aparelho indicando os batimentos.

- Somos fortes desde pequenos, apenas nos esquecemos disso. – Respondeu o médico, carinhoso.

Senti a mão de Gil se afrouxar sobre a minha, e percebi que ele também estava emocionado. Encontrei seu rosto no escuro e seus olhos encaravam o bebê com intensidade, brilhavam à luz do monitor. E senti que foi naquele momento que ele se tornou, de verdade, um pai. Naquele instante a realidade o havia atingido, e pelo jeito que ele me olhava, sabia que aquela coisinha menor do que um controle remoto o havia fisgado para sempre. Ele se inclinou em minha direção e beijou o meu nariz e minhas bochechas. Aquilo foi inesperado, mas maravilhoso, pois, pela primeira vez, senti que aquela era minha família. E não os trocaria por nada nesse mundo.

- Tire esse sorriso bobo do rosto. – ele debochou.

- Ele parece combinar bem com o seu sorriso bobo. – Respondi com desdém, arrancando risos de nós dois.

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Meu terceiro mês de gravidez estava começando e Gil se preocupava com absolutamente tudo. Mas sua atenção exagerada já começava a me dar mais dores de cabeça do que eu imaginava.

- O que está fazendo? – Ele falou, entrando pelo banheiro sem em momento algum pensar que talvez pudesse estar invadindo minha privacidade

.- Escovando os dentes? – Respondi, levantando até a altura de seus olhos a escova de dentes que segurava.

- Por que acordou tão cedo?

- Acordei no mesmo horário de sempre…

- Exatamente. Acho que você deveria começar a acordar mais tarde…Olhei-o, verdadeiramente confusa.

- Meu horário no trabalho não mudou…

- Ahm? Você não pode ir trabalhar! – Ele falou um pouco desesperado, como se eu tivesse acabado de anunciar que estava indo praticar voo livre.

- E por que não? — Mas era claro que eu já sabia a resposta. Era a resposta-padrão, motivo de tudo a partir do momento que ele soube da gravidez.

- Porque você está grávida!

- E…? – Provoquei.

- “E” que você não pode trabalhar grávida!

- Você lembra que eu já trabalhei grávida durante a gestação de Lindsey, não é?

- Contra minha vontade, não se esqueça disso... Pois mesmo não tendo ideia de que era o pai, tentei te afastar do trabalho de campo várias vezes, mas como você é uma teimosa incontrolável, não me ouviu e minha alternativa foi te dar casos menores.

- O que me irritou muito, a propósito. – revirei os olhos me lembrando dos casos estúpidos que ele me obrigava a investigar. — Agora me explique como é que eu posso correr algum risco preenchendo relatórios e organizando sua agenda?

- Você pode se estressar com Ecklie. — Bem, era óbvio que ele estava certo quanto a esse ponto. Mas eu não iria entrar na paranoia dele.

- Vou me manter o máximo possível longe dele. Vou ser mais flexível também.

- Você não vai! – Ele me cortou, já tomado pelo desespero.

- Eu vou! Para de mandar em mim!

- Não estou mandando! Estou pedindo! — Sua voz demonstrava um alto grau de estresse, o que seria muito engraçado se não fosse assustador.

- Gil, pelo amor de Deus. É só no final da gravidez que o trabalho deve ser interrompido. E se isso não for o suficiente pra você, saiba que eu jamais colocaria nosso filho em risco. — Ele parou, um pouco ofegante até, olhando de uma forma maníaca para minha barriga.

Chegamos atrasados no trabalho naquela manhã, por diversos motivos. Primeiro, ele insistiu para que eu levasse dois casacos, alegando que o tempo ainda estava muito frio, mesmo quando nos aproximávamos da primavera. Segundo, porque me fez tomar um café-da-manhã redobrado dizendo que minhas energias deveriam estar a postos para o dia de trabalho. Terceiro, porque ficou insistindo em me fazer prometer, por todos os deuses do universo, que eu tomaria cuidado.

Quando finalmente me deixou no estacionamento do laboratório – porque, mesmo tendo que ir a um encontro com o prefeito no mesmo horário em que entrávamos no trabalho, Gil se recusou a me deixar ir dirigindo -, ele parecia ainda mais temeroso.

- Ainda acho que você devia ficar em casa hoje. — ele murmurou, parado na porta do carro com uma cara de preocupado. Ele ainda acha que eu devo ficar em casa hoje, amanhã, depois de amanhã...

- Gil, não estou morta. Só grávida. Posso trabalhar. — Falei bufando. Ele apertou mais minha cintura.

- Se você cansar, vai embora não é?

- Vou. — Falei.

- Ok.- Mas vai embora mesmo. — ele falou. — Qualquer coisa que acontecer com você, que você sentir, me avisa e te levo para casa. — Revirei os olhos.

- Ok Gil.

- Promete?

- Sim.

- Fala que promete.

- Prometo. — Murmurei abrindo um sorriso e ele me roubou um beijo demorado.

- Vamos almoçar juntos. — ele falou por fim, mas não soltou minha cintura.

- Gil, tenho que ir...

- Eu também.

- Então me solta.

- Não quero. — fez um biquinho. Ele ficava tão lindo fazendo biquinho com essa cara de sono. Ouvi o celular dele gritar por atenção no bolso. Ele respirou fundo.

- Vá, ou do contrário vai se atrasar para o encontro com o prefeito Godman. – dei um beijo nele e fui andando antes que me convencesse a voltar para casa.

- Vou te ligar algumas vezes durante o dia, ok?

- Contanto que “algumas vezes” seja um número normal… – Provoquei.

- Por favor, me atenda. Senão eu largo tudo e venho até aqui ver por que você não atendeu. — Eu prometi que o faria, mas minha intuição me dizia que aquilo não seria o suficiente. — CUIDE DO NOSSO FILHO! — Ele gritou, atraindo atenção de algumas pessoas no estacionamento e eu ri.

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Tem sido assim desde que retornei ao trabalho após passar duas semanas em casa de repouso forçado. Gil e eu aproveitamos muito essa folga que Ecklie nos deu. Sim, ele também pediu licença de quinze dias no trabalho com a desculpa de que não poderia ficar em casa sozinha...

Comemoramos três meses do nosso bebê. Com muitos queijos e... Suco de uva!

'Não Catherine, nada de vinhos' Hmpf!

Agora eu já estou com três meses e uma semana.Gil ficou dez vezes mais superprotetor depois que ficamos resfriados aquele dia na piscina.

Ah, qual é, um espirro de nada e ele achou que eu já estava parindo nosso filho.

Hmpf, bobo superprotetor.

Enfim...Minha barriga já estava maiorzinha como eu imaginava.

Era o máximo vê — lo babando para ela quando eu estava deitada. Ou quando ele deitava no meu colo e ficava horas e horas falando.. Com a minha barriga.

Juro que chorei só de imaginar minha barriga com os oito, nove meses. Todos vão pensar que eu engoli uma melancia! Também chorei quando perdi duas calças jeans preferidas. Foi triste. Quase tão triste como quando eu tive que comprar sutiã. UM número a mais!

Gil vivia dizendo que estava bom, que por ele tudo bem. É claro que por ele tudo bem...Mas droga! Estava me sentindo um elefante! Sem contar que TUDO era uma desculpa para Lindsey me arrastar para as compras. Mesmo antes de nascer, esse bebê tinha mais roupas que uma loja de departamento infantil...Se bem que depois que eu descobri uma loja de lingeries perfeita, minhas seduções para cima do Gil renderam mais.

POV — Grissom

"A gestante pode estar passando por incômodos físicos ou emocionais, encare esta fase com a maior naturalidade possível... Blábláblá"


Foram duas semanas sensacionais. Fora os desejos idiotas, as crises existenciais e os choros compulsivos por finais felizes de filmes, tudo foi ótimo.

Foi um pouco difícil, admito. Catherine e Lindsey foram fazer compras durante TRÊS dias SEGUIDOS!J á tava começando a achar que iam criar raízes lá...É, foi difícil.

"GIIIILLLL!" — Catherine gritava e eu ia para o quarto. Lá estava ela, com uma lingerie diferente da do dia passado. Talvez mostrasse mais pele.

Perigosamente voluptuosa. Será que ela tinha noção do quanto aquilo tudo me animava? Era... Provocante demais para minha pobre alma. Mas ainda bem que só eu via isso.

"Olha esse sutiã!" — Eu olhava. Sem nenhum problema. — "Estou parecendo uma vaca prenha leiteira!"

Depois de meia hora contradizendo tudo que ela falava, vinha outra fase depressiva:

"Gil, você não acha que eu estou parecendo mesmo uma vaca, não é?" — Ela choramingava.

"Gil, você ainda acha que eu sou uma mulher desejável? Não minta pra mim!"

"Gil, você ainda quer casar comigo?"

"GIL! É sério! Eu estou mesmo me sentindo um animal. Olha esses seios! Parece que eu sou capaz de alimentar a América inteira!"

"Gil. Para de olhar pros meus seios!"

"Gil, olha pros meus seios. Estão horríveis, não é?"

"Gil, quero sorvete de baunilha."

"Gil, eu engordei tanto assim? Já é a segunda calça!"

"Mas eu quero essa calça!"

"Gil, pede pra sua mãe fazer aquela torta de morangos para mim?"

"Gil... Você me ama, não é?"

"Gil, leia essa revista!"

"Gil, compra um vestido igual a esse da revista para mim?"

"Gil, essa mulher engordou TRINTA QUILOS durante a gestação. Não, o fato dela ter casos de obesidade na família não significa nada!"

"Gil, aluga Cartas para Julieta para mim?"

"Gil, faça pipoca pra mim?"

"Gil. Eu estou gorda feito essa mulher aqui?"

"GIL! OLHA SÓ ESSA MULHER! Parece que ela vai ter dez filhos de uma vez só!"

"Gil, quando eu tiver com uma barriga de oito meses, vou ficar assim! Você ainda vai me amar?"

"Gil, você ainda pode desistir do nosso casamento. Você é livre para escolher outra mulher mais bonita e não-grávida!"

"Gil, é sério mesmo? Não se sinta preso a mim"

"Ok Gil, tudo bem. Vou fingir que acredito que você ainda me quer..."

"Gil, eu ronco de noite?"

"Gil, me dá um beijo?"

"Hmmmm. Me beija de novo?

"Gil... Hihihi... Hihihi. Não morde meu pescoço, senão eu... Hihihi... Vamos para o chuveiro?" — Ok, essa última reclamação foi boa. Eu gostei.

Gil pra lá, Gil pra cá...Mas foi bom. Eu gosto de mimar Catherine. Então, depois de pedidos, seduções,banhos e muitos beijos, Catherine relaxou.

Ela ficou mais calma nas últimas semanas. Até comemorarmos três meses da gravidez. Ela enlouqueceu quando disse que ela não ia tomar vinho.Também enlouqueceu três dias antes de voltarmos para o trabalho. Só porque eu tentei convencê-la de que era melhor que ela ficasse em casa, deitadinha, cuidado do nosso bebê. Mas do jeito que é teimosa, tudo que eu consegui foi um 'Prometo voltar pra casa mais cedo'.

Mulher teimosa. E ela também pirou quando eu disse que não ia acontecer mais nenhum banho de piscina. Fiquei resfriado e depois de cinco horas ela começou uma sessão de espirros crônicos. Dai a joguei na cama, a cobri com dez cobertores, a forcei a tomar uns chás que minha mãe me ensinou e ela melhorou depois de dois dias. Depois me arrastou duas vezes pra piscina. É, ela tem o dom de me dominar...Por sorte não ficamos resfriados. Porque fomos direto para o chuveiro e...Enfim, não teve mais resfriados.

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Àquela altura, eu estava completamente transformada, e me transformava continuamente, dia após dia. Não era apenas pela aparência que se podia dizer isso: Embora minha barriga simplesmente houvesse resolvido crescer de uma vez só, compensando os três meses de disfarce, era também no meu humor que a gravidez se manifestava.

Se no início as mudanças bruscas de comportamento deixavam tanto Gil quanto a mim mesma um pouco confusos, agora elas pareciam nos pegar completamente de surpresa. Cheguei a ter medo de estar desenvolvendo algum tipo de bipolaridade, já que, às vezes, era uma questão de segundos para que meu humor mudasse radicalmente, com direito à lágrimas e berros. Mas o dr. Shaw nos certificou de que aquilo era normal.

Aparentemente, Gil estava começando a ter um pouco de medo de mim. Claro que grande parte das vezes, quando brigávamos (sempre por motivos idiotas, porque meu humor resolvia entrar em crise) ele não respondia o que responderia normalmente só porque tinha medo que, insistindo na discussão, meu nervosismo atingisse níveis perigosos para a gravidez. Mas em alguns momentos eu realmente o notava um pouco tenso, sendo excessivamente gentil e manso. E mesmo que isso só me enervasse mais, ele parecia decidido a bancar o tipo de namorado “tudo-que-você-quiser,amor”.

Ameacei-o de morte algumas vezes, saquei minha arma para ele outras duas, e talvez porque eu parecesse sincera, em determinado momento ele passou a me sufocar menos. Me senti vitoriosa apenas até o momento em que seu pequeno afastamento trouxe uma sensação completamente absurda de abandono. Depois de muito drama, nós dois conseguimos balancear as oscilações que meu humor sofria, e então ele sabia quando era a hora de se afastar e quando era a hora de grudar em mim.

- Querida? – Ele gritou assim que ouvi a porta da sala ser batida.

- Quarto! – Gritei de volta, ainda me encarando no espelho enorme do closet apenas de calcinha e sutiã, exatamente o que estivera fazendo durante os últimos trinta minutos. Ele entrou já com o casaco na mão, tirando os sapatos e parecendo cansado. Não me mexi, ainda encarando o espelho. Esperei que ele se pronunciasse parado ali atrás de mim, também encarando o nosso reflexo.

- Tudo bem? – Ele perguntou, me olhando como quem olha uma granada prestes a explodir. Assenti com a cabeça, lutando contra o biquinho pré-choro que começava a se formar no meu rosto. Ele obviamente percebeu que não estava tudo bem, e por isso se aproximou, beijando meu pescoço de leve enquanto jogava despreocupadamente seu casaco em algum canto, envolvendo seus braços em mim logo em seguida.

- Tem certeza? –insistiu, brincando com a ponta do seu nariz carinhosamente no meu ombro, mas ainda me olhando pelo reflexo com o máximo de cautela.O choro veio até minha garganta e voltou. Meu queixo tremeu e meu biquinho se transformou em uma careta.

- Estou… horrível. – Consegui falar, tentando não tremer a voz. Ele suspirou contra meu pescoço.

- Me diga exatamente qual parte em você está horrível. Porque eu não consigo ver…

- Todas as partes. — A lágrima que brotou em um dos meus olhos caiu.

- Amor… – Ele começou, com sua voz suave e calma, que demonstrava toda a paciência de um monge budista – Você não consegue ficar feia.

- Eu estou gorda… E deformada…

- Você não está deformada. Mas se o nosso filho está aí dentro, sua pele e seus músculos precisam se esticar. — Como de costume, ele espalmou suas mãos na minha barriga, não enorme, mas evidentemente desenvolvida.

- Você não negou que eu estou gorda. – Comecei, sentindo uma tristeza idiota.

- Você não está gorda. – Ele falou, beijando delicadamente minha orelha – Está linda.

- Não estou linda. Estou enorme. Pareço uma vaca leiteira. – Debochei do aumento do meu busto e ele riu.

- Isso não aconteceu agora. Seus peitos estão maiores há muito tempo. Eu já tinha notado antes de saber da gravidez.

- Se tinha notado, por que não me falou? Eu não fazia ideia… – Comecei, querendo desviar um pouco a conversa apenas para tentar me sentir menos deprimida.

- Tenho certeza que se falasse você pensaria que eu tinha te chamado de gorda. — Olhei outra vez para meu próprio reflexo, lembrando do assunto original.

- Mas eu estou gorda… – Choraminguei, fazendo outra vez o biquinho. E ele insistia em ser perfeito durante todo o tempo, me dando toda a atenção e carinho quando eu queria, e me dando espaço quando eu parecia prestes a mordê-lo. Dr. Shaw havia me alertado que, em alguns casos, o mau humor e a irritação da mãe na gravidez poderia afetar o relacionamento entre o casal, fazendo com que o pai também se tornasse mais impaciente durante esse período. Mas ainda que eu tivesse medo que isso viesse a acontecer, o humor de Gil não parecia se abalar com nada, fosse pela minha constante mudança de humor, pelo excesso de trabalho ou pelo stress de seu divórcio com Sara, que se daria dali a três semanas. Eu, por outro lado, não conseguia saber como conter tantos sentimentos – tanto opostos quanto complementares – dentro de mim, todos lutando por espaço de uma vez. Não era incomum me sentir ansiosa, preocupada, aflita, explosivamente feliz e completamente emotiva, tudo ao mesmo tempo. Por isso, era nele que eu buscava meu próprio equilíbrio, já que tudo que ele parecia sentir era uma plena felicidade e uma paz inabalável.

Notas finais
Por enquanto é isso.
Espero que curtam e comentem. Beijos!