Down
41 Capítulo 41
Notas iniciais
Espero que curtam...
Thanks pelos reviews. Beijos!
- Eu sabia que Catherine terminaria assim... – disse Nick andando de um lado para o outro. – Ela não come, não dorme e trabalha feito uma escrava!
- Ela tem comido até demais, Nick. E, até deu uma engordadinha nos últimos meses! – disse Hodges.
- Você está me chamando de gorda, Hodges? – disse ainda de olhos fechados, deitada no sofá de minha sala. Todos levaram um susto.
- Cath... Meu amor, como você está? O que aconteceu? – perguntou Gil carinhoso, sentando – se ao meu lado e acariciando meu rosto.
- Grissom, você a está sufocando. – disse Nick o puxando pelo braço.
- Deixa de besteira, Nick! – falou Greg rindo.
- Afinal, o que aconteceu comigo? – perguntei sentando – me no sofá e puxando Gil para o meu lado a fim de abraçá- lo.
- Você desmaiou... – disse Dr. Robbins levantando – se sem nenhuma expressão no rosto.
- Isso todo mundo viu. – se intrometeu Hodges revirando os olhos e recebendo ao mesmo tempo olhares assassinos de Greg, Nick, Gil e Al.
- Como ia dizendo antes de ser interrompido, você desmaiou porque sua pressão caiu drasticamente e pelo que pude observar, encontra – se em situação de anemia profunda. – disse Al, me aplicando em seguida Noripurum.
- Ai! Isso doeu! – disse fazendo careta.
- Isso vai subir seus hematócritos. – ele completou.
- Isso é para a senhorita aprender a se alimentar direito – falou Gil me dando um selinho.
- Sabe, Grissom, a culpa não é só dela. Você tem sua parcela de culpa – disse Al olhando para Gil com um sorriso no canto dos lábios. Todos os presentes deixaram transparecer a falta de entendimento, menos eu e Gil que sorrimos e imediatamente, acariciei minha barriga ainda sem nenhuma ondulação.
- Como assim? Eu mando que ela se alimente o dia todo e vivo tirando – a do trabalho. – Gil disse fingindo estar indignado.
- Sei que você faz tudo por ela e se preocupa com sua saúde e bem estar, mas, sabe Grissom... Não se faz um bebê sozinha – ele disse sorridente, porém forçando uma expressão séria.
- O quê? – exclamaram todos com olhares assustados.
- Sim, estou grávida! – falei com os olhos cheios d’água e em seguida segurando as mãos de Gil.
- Vocês já sabiam? – Nick nos perguntou.
- Sim, descobrimos na semana passada. – afirmei.
- Já dá para saber o sexo? – Greg perguntou animado, sorrindo e em seguida me dando um beijo no rosto. – Parabéns, mamãe!
- Bom, provavelmente sim, mas para isso terão que procurar um ginecologista e solicitar alguns exames. – interferiu Al.
- Vocês vão querer saber o sexo? – perguntou Nick. — Estou muito feliz por vocês dois. – completou também me beijando no rosto.
- Eu quero saber. – respondeu Gil sorrindo para minha barriga. – Eu tenho certeza que teremos outra menina. – falou abraçando – me .
- Eu te amo! – disse o beijando. – Mas acho que será um menino.
Todos sorriram...
- O quadro anêmico é preocupante e, peço prudência na hora de se alimentar, lembrando-se sempre de descansar bastante. Para tanto recomendo uma consulta a um nutricionista além do ginecologista e algumas vitaminas a fim de reverter esse quadro. – Al continuou com suas recomendações médicas. Agradecemos a ele e em seguida depois de nos cumprimentarem, todos saíram da sala, ficando somente Gil e eu. Peguei minhas coisas e fomos para casa.
–Marcarei para amanhã uma visita ao ginecologista e ao nutricionista recomendados por Al. Você deve comer coisas mais saudáveis a partir de agora, junto com as vitaminas que ele indicou. E você deveria se ausentar do trabalho por alguns dias até o seu quadro anêmico...
–Gil, eu não quero deixar de trabalhar. Não estou doente! – falei com uma certa irritação em minha voz. — Caminhei até a cama e me deitei de qualquer jeito. Respirei fundo. Estava me sentindo estranha depois que descobri que seria mãe novamente. Gil se sentou ao meu lado na cama e me olhou quando falou:
–Meu amor, o que houve? Você está estranha desde que descobriu sobre a gravidez. – acariciou meus cabelos, exigindo de forma bem sutil minha atenção. Suspirei pesadamente e o encarei.
–Não sei o que pensar de tudo isso. Eu nunca pensei em ser mãe novamente. Não me sinto preparada.
– Não se nasce preparado para algo como a maternidade, amor. Mesmo que você queira um filho e faça vários cursos, ainda assim só aprendemos quando... – me levantei com raiva. Ele se calou.
–Eu não sei,Gil. Eu estou tão confusa! Eu estou com medo, medo de não ser uma boa mãe. Medo de... – ele se levantou, segurando gentilmente o meu rosto entre as suas mãos.
- Eu estou com você. Eu vou cuidar de tudo. Não há por que temer nada. – falou com seriedade, tentando conter o pânico que parecia crescer a cada instante em mim. Os batimentos cardíacos acelerados e a respiração irregular foram se acalmando a medida que ele acariciava meu rosto. O abracei, aconchegando-me confortavelmente nos seus braços.– Está mais calma? – perguntou. Assenti. – Eu amo você. – ele confessou, me arrancando assim um sorriso e olhos lacrimejantes.
– Se me ama mesmo, então me beija. – pedi. Não precisei de mais uma palavra. Ele se inclinou em minha direção e tomou meus lábios com calma, para depois beijar – me com avidez, deixando claro o quanto estava faminto por mim. Correspondi perfeitamente aos meus anseios mais primitivos, tentando me despir com a mesma rapidez que eu o despia. Foi só quando estávamos completamente nus, deitados em nossa cama, que ele se lembrou do quão frágil me encontrava. Afastou-se, tirando suas mãos de mim.
– Melhor não. Você acaba de ter um desmaio. Não está bem. – Toquei em seu peito com os dedos, acariciando-o. – Assim você dificulta as coisas pra mim... – sua voz era apenas um sussurro.
–Basta fazermos com calma. Eu preciso disso. – disse no mesmo tom de voz empregado por ele.
–Tudo o que você quiser. – e voltou a me amar como eu merecia como eu desejava como sempre ocorreria enquanto existíssemos.
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Acordei com um raio de sol batendo no meu rosto. Não me lembrava de ter um sono assim tão leve, por isso a sensação de simplesmente ser arrancada dos meus sonhos tão facilmente era estranha. Mas não me importei. Me espreguicei, ainda de olhos fechados, me virando completamente na cama e, no processo, dando de cara com Gil. Ele vestia uma calça de moletom preta e uma camisa de malha azul. O que indicava que ele já estava acordado havia algum tempo, embora seus cabelos ainda estivessem um pouco úmidos do banho que não o vi tomar.
Ele me encarava de forma suave. Seus olhos estavam de um azul tão claro e translúcido aquela manhã que pareciam ser feitos de vidro.
- Dormiu bem? – Ele falou, ainda me encarando, a poucos centímetros de mim, com uma expressão de ansiedade.
- Muito bem! – respondi, ainda meio sonolenta, tentando deixar minha voz clara, embora ainda muito rouca. Ouvi-o sorrir ao meu lado, enquanto beijava meu rosto de um jeito amável.
- Fiquei tão preocupado com você quando recebi a notícia de que havia desmaiado… Não devia ter te deixado sozinha. – Ele falou, penteando para trás com os dedos os fios do meu cabelo, mas ainda assim consegui ver um pequeno traço de uma tristeza verdadeira por não estar junto de mim.
- Você ainda terá outras oportunidades de acompanhar muitos momentos como esse a partir de agora. Já é alguma coisa, não é? – falei revirando os olhos. Ele sorriu de uma forma um pouco maléfica, e por um momento tive medo do que se passava em sua cabeça.
- Ah, não se preocupe. Eu vou estar muito presente. — No exato momento que minha resposta seria dada, o celular dele tocou no criado mudo ao seu lado. Ambos olhamos para o telefone, mas nenhum dos dois se mexeu.
- Não vai atender? – Perguntei, quando me dei conta de que ele parecia um pouco longe daquela dimensão.
- Você acha que é necessário? –me perguntou, com uma cara descontente.
- Pode ser algo importante. Alguém do laboratório querendo falar com você. — Ele soltou um comentário de descontentamento e se afastou de mim com relutância, rolando na cama para alcançar o aparelho que ainda tocava a mesma música irritante.
- Ah, claro… – Ouvi-o dizer logo depois de identificar a quem pertencia a chamada. Quando ele voltou a se deitar ao meu lado, destravou o aparelho e atendeu a ligação, sem, entretanto, posicioná-lo próximo ao ouvido. — Você está no viva voz, mãe. — Era Betty. Talvez seu instinto materno a tivesse avisado que aquela era uma boa hora para ligar e se inteirar da vida do filho.
- Gil… – Ouvi-a dizer, e sua voz parecia estranhamente controlada. Como se ela estivesse se forçando a não gritar – Lindsey me ligou…
- Eu estranharia se aquela fofoqueirazinha não tivesse ligado. – Ele rebateu de bom humor, encarando debilmente o celular, assim como eu.
- É verdade? – A voz chorosa de Betty soou outra vez.
*Nota importante: A mãe de Grissom não é deficiente auditiva nessa fic.
Ele me encarou, como se me pedisse para prosseguir. Ponderei por um momento se deveria ser eu a dar a notícia a ela, mas como ele parecia animado com a ideia, fiz sua vontade.
- Oi Betty… – Comecei, apenas para informá-la de que eu também estava ali – Bem… Sim… É verdade. — Houve alguns segundos de silêncio, até que um grito histérico chegou aos nossos ouvidos através da ligação, fazendo com que ele distanciasse o aparelho e apertasse um botão – provavelmente cancelando o viva voz -, calando imediatamente a euforia da mãe do outro lado da linha. Ele colocou o celular próximo ao seu ouvido, agora mantendo a conversa apenas entre os dois. Sorria de uma forma tão feliz que, por mais que eu não soubesse o que eles estivessem falando, senti vontade de sorrir também. Ainda assim, pude captar partes do diálogo apenas analisando as respostas que ele dava. Coisas como “há quanto tempo”, “quando vocês souberam” e “como Catherine está” com certeza foram perguntadas. Gil parecia radiante em contar detalhadamente para a mãe a novidade, e a cada resposta seu sorriso se alargava ainda mais, o que automaticamente fazia com que meu coração perdesse algumas batidas e minha respiração saísse em suspiros apaixonados. Vez ou outra ele olhava para mim, com um olhar de preocupação um pouco exagerado e esquisito. Nessas horas, tudo que eu fazia era sorrir para ele, apenas com a intenção de dizê-lo, sem interromper sua ligação, que estava tudo bem. Foi quando, depois de muito tempo, fiz menção de me levantar, que ele pareceu mais apreensivo.
- Até mais, um beijo. — E assim, sem mais nem menos, desligou, vindo ao meu encontro e se pondo de pé à minha frente. Encarei-o um pouco surpresa, imaginando Betty naquele exato momento ainda olhando para o telefone com um ar de “que porcaria foi essa?”.
- O que foi aquilo? – Perguntei, ainda sentada.
- O quê?
- Você acabou de desligar na cara da sua mãe.
- Não fiz isso. Me despedi. Só tive que fazer rápido antes que você se levantasse sozinha. — Continuei encarando-o como quem encara uma aberração.
- E se eu me levantasse sozinha…? – Perguntei, de forma pausada.
- Você está grávida! – Ele respondeu de forma simples, como se aquele argumento finalizasse a discussão, sem chances para mais debates. Fiquei em silêncio, ainda o encarando.
- Gil?
- Sim?
- Não comece com suas esquisitices.
-Não estou sendo esquisito! Tenho que cuidar de você. — Ainda encarando-o, achei melhor não dar corda àquela discussão. Cedo ou tarde ele veria que estava exagerando, então aceitei sua ajuda – mesmo desnecessária – e me levantei da cama, caminhando até o banheiro para fazer minha higiene matinal.
Foi preciso convencê-lo de que não havia necessidade de todo aquele cuidado quando ele se mostrou relutante em sair do banheiro. Tentei explicar, da maneira mais educada possível, que eu queria fazer xixi e tomar banho sem que ele ficasse como um maníaco psicopata no canto me assistindo.
- Então deixe a porta encostada. — Consenti, já rindo daquele absurdo, porque era muito engraçado vê-lo me tratando como uma bomba-relógio. Quando fui para a cozinha, me deparei com uma mesa cheia das mais diversas comidas, o que, segundo ele, era para “suprir qualquer vontade que eu pudesse vir a ter”. Tentei dizer que aquilo era demais, provavelmente podendo ser servido para cinco pessoas, mas ele não pareceu me ouvir.
- Faltam algumas frutas, mas talvez hoje mesmo eu vá comprar… – Ele começou, um pouco distraído enquanto tentava equilibrar tudo aquilo em cima da bancada da cozinha.
- Querido?
- Oi, meu bem? – Ele disse, se virando para mim como se o que eu estivesse prestes a dizer fosse a coisa mais importante do mundo.
- Não precisa comprar mais nada. Eu não vou conseguir comer nem um décimo disso tudo.
- Como não? Você está grávida! — Então, aquele era o seu mais novo argumento para qualquer assunto que estivesse em pauta.
- Querido – repeti, com toda a paciência e o amor que eu sentia por ele , — o bebê está no meu útero. Não no meu estômago.
- Mas grávidas sentem muita fome…
- Ainda não estou nessa fase. Eventualmente vou vir a me sentir dessa forma, mas por enquanto…
- Bom – ele me interrompeu -, então tenho que me preocupar pelo menos com a variedade. Digamos, por exemplo, que você resolva sentir desejo de comer… Arroz com abacate. — Encarei-o sem saber direito como agir, mas fazendo uma força sobre-humana para não gargalhar.
- Gilbert – disse seu nome, tentando fazer com que ele entendesse que sua atitude estava atingindo um grau de exagero quase preocupante – eu nunca comi abacate na minha vida. Não sei nem o gosto disso.
- Bom, nós temos que tratar todas as possibilidades, não é? – Ele disse calmamente, me fazendo sentar na cadeira que segurava e se sentando ao meu lado, mais próximo a mim do que o normal.
- Você sabe que tratar todas as possibilidades é impossível, não é? – Perguntei, começando a realmente me preocupar com o que ele dizia.
- Eu sei, amor. Mas sei que tem coisas que eu posso fazer, e vou fazer tudo que estiver ao meu alcance. – Ele disse distraidamente, puxando gentilmente para cima meu casaco e espalmando a mão ali – Você está se sentindo bem hoje?
- Sim.- Nenhum enjoo? — Até agora nada, graças a Deus.
- Certo. – Ele completou, ainda encarando sua mão na minha barriga. Ficou em silêncio por algum tempo, e depois voltou a falar – Precisamos ir a um obstetra.
- Poderia procurar o que cuidou de mim durante a gestação de Lindsey, mas ele não se encontra mais em Vegas. Vou ficar com o que Al recomendou. O que você acha?
- Acho ótimo. Vou ligar para ele marcando o horário.
Esperei que ele retirasse a mão dali e fosse se servir de seu próprio café da manhã, mas Gil parecia estranhamente congelado naquela posição, seus dedos ainda grudados na pele da minha barriga.
- Não vai comer nada? – Perguntei, tentando trazê-lo de volta.
- Já comi. Enquanto você estava dormindo. – Ele respondeu, me encarando rapidamente e, depois, voltando a olhar para o meu umbigo.
- Certo… – Falei mais para mim mesma, temendo que ele estivesse começando a desenvolver um certo autismo. Me servi como pude de suco de laranja e torradas com geleia de morango. Ele permanecia imóvel, apenas observando o que eu comia e em que quantidade. Me perguntei se ele estava ciente de sua mão fazendo carinho na minha barriga, e se acreditava que o bebê ali dentro podia senti-lo. Ele parecia uma criança. Uma criança boba e feliz por causa de outra criança. Quando o informei de que já estava satisfeita e me levantei para ir lavar a louça – algo que eu até gostava de fazer – ele me expulsou da cozinha, e eu tive a certeza de que ele só não o fez a base de pontapés porque seu filho estava na minha barriga.
- O que você quer fazer agora? – Ele perguntou, me levando para a sala.
- Eu queria lavar a louça. – Respondi a contragosto.
- Certo. Isso é por minha conta. Mais alguma ideia?
- Que tal irmos trabalhar? – o provoquei.
- Você está de folga hoje e já avisei ao Ecklie que chegarei mais tarde.
De repente, reparei que ele estava perto demais. E a proximidade dele ainda provocava em mim tremores involuntários. Talvez nunca deixasse de provocar. Subitamente, senti uma vontade incontrolável de beijá-lo, mas mais rápido que a minha vontade foi o toque no celular dele. Outra vez.
- Droga! – Ele falou, olhando no visor e identificando de quem era a chamada – Oi, Al. — Dessa vez eu não ouvi a conversa. Simplesmente deixei que eles conversassem, me encostando em seu corpo e deitando a cabeça em seu ombro. Fiquei ali por um bom tempo, me permitindo apenas sentir o perfume das roupas dele e seu corpo se mexendo delicadamente com cada palavra que ele pronunciava.- Ah, sim, obrigado! Vou ver… Mas ele está lá hoje? – Ele ficou em silêncio por algum momento, esperando a resposta – Ok, vou tentar. Obrigado, Al. Observei-o desligar e acessar sua agenda do celular.
- Que foi? – Perguntei, querendo me inteirar do assunto.
- Você está bem disposta hoje? – Ele se aproximou da minha orelha e falou contra meus cabelos, enquanto conectava o aparelho à internet.
- Uhum… – Respondi, me esfregando nele como um gato.
- Então nós vamos ao obstetra. — Ah, sim. O médico.- Vou tentar ligar pra ele e pedir pra te encaixar em algum horário disponível. Assenti com a cabeça, me agarrando nele e ficando por ali.
- Você vem comigo? – Perguntei.
Ele se virou para mim e me olhou como se eu tivesse acabado de perguntar algo tão óbvio que sequer merecia ser respondido.
- É claro que eu vou com você. — Outra vez vi um certo ar maníaco em seus olhos, mas relaxei ao constatar que sua surpresa provavelmente se dava só porque ele havia achado a pergunta estúpida mesmo. Esperei que ele fizesse a ligação, e se por um lado torcia para que o obstetra não atendesse pacientes que não haviam agendado uma consulta com antecedência – só porque minha preguiça era monstruosa -, por outro queria já estar em seu consultório recebendo todas as informações que eu deveria saber. Pois, apesar de já ter tido outra gestação, sempre ouvi pessoas dizendo que nunca é a mesma coisa, e afinal, já não era nenhuma garotinha...
Depois de alguns minutos usando sua voz mais melodiosa e carente, ele conseguiu fazer com que a secretária do outro lado da linha nos pusesse no lugar da primeira paciente do dia que havia cancelado sua consulta.
- Mas eu não fiz nada! – Ele falou, quando o repreendi.
- Fez sim. Usou sua voz sexy pra convencer a secretária. Ela provavelmente vai ter sonhos eróticos com você essa noite.
- Mas ela nem me viu. – Ele sorriu – Além do mais, todas as minhas vozes são sexy. Não posso fazer nada.
- Bom… Você usou o seu tom mais sexy… – falei só por falar, e comecei a me perguntar o que diabos estava acontecendo comigo. Desde quando eu havia me tornado tão carente e grudenta daquela forma? Mas estava tudo bem, porque ele parecia não se importar. Abraçou minha cintura de forma suave, me trazendo até o meio de suas pernas, e uma das mãos voltou para seu mais novo lugar preferido no meu corpo.
- Quando será que começa a crescer? – Ele perguntou, alisando minha barriga por debaixo do casaco.
- Depende, com Lindsey foi por volta do 4º mês. Consegui esconder bem a gravidez, inclusive de você, se lembra?
- Sim, me lembro. – ele disse com a voz triste – Queria ter acompanhado sua gravidez naquela época também.
- Me perdoe, por favor. – disse me sentindo envergonhada de tudo que fiz no passado.
- Está mais que perdoada. Teremos uma segunda chance e dessa vez será diferente. – disse me dando um beijo no alto de minha cabeça em seguida. Ficamos em silêncio por algum tempo. Me permiti prestar atenção unicamente em seus toques, porque meu corpo parecia estranhamente mais sensível a eles.
- Está com medo? – Ele falou ao pé do meu ouvido outra vez, com uma de suas vozes sexy.
- Medo de quê especificamente? – Perguntei curiosa.
- Não sei. Algumas mulheres têm medo da gravidez… Se eu fosse você, estaria em pânico agora.
- Por quê?
- Porque… – Ele parou, tentando achar as palavras certas – Tem uma coisinha crescendo dentro de você! — Ri com o fato de Gil ter chamado o próprio filho de “coisinha”.
- E daí? – Perguntei – Espero mesmo que ele cresça bastante. Só espero também que você não desenvolva algum tipo de aversão à minha forma desproporcional. Ele fez uma careta.
- Até parece que consigo ter algum tipo de aversão a você. Principalmente agora que tem algo meu aí dentro. – Ele falou, fazendo círculos na minha barriga com o indicador. Sorri abobalhada simplesmente por ouvi-lo dizer aquilo.
- Bom – comecei, voltando ao assunto original -, eu tenho alguns medos. Principalmente na hora do parto. Tem mulheres que morrem…
- Ei! – Ele me interrompeu, beliscando a pele da minha cintura com força, e embora eu soubesse que a força aplicada ali havia sido sem querer, o objetivo do ato certamente era me reprimir – Não fala essas coisas!
- Mas às vezes isso acont…
- Mas não vai acontecer! Quer ficar quietinha? — Ele estava agitado. Eu poderia até dizer assustado.
- Ok… – Consenti, não querendo mais provocá-lo e estragar aquele momento.
Me apertou com mais força contra seu corpo, e pude senti-lo tremer um pouco. Cheguei à conclusão de que ele devia estar pensando na possibilidade que eu havia trazido para a conversa. Me estiquei para trás e alcancei sua boca. O beijei de forma delicada, talvez pedindo desculpas por ter começado um assunto tão inapropriado e o feito se sentir mal. Minhas mãos, como sempre, migraram para sua nuca, e desejei profundamente que aquilo fosse o suficiente para levar para longe aqueles pensamentos. Surpreendentemente, aquele ato pareceu surtir efeito mais rápido em mim do que nele. Esqueci do mundo à minha volta por algum momento, aprofundando o beijo sem querer e fazendo com que meu corpo começasse a arder lentamente no processo. Exatamente quando eu me preparava para tocá-lo de formas mais interessantes, ele quebrou nossa ligação, me fitando nos olhos com carinho.
- Temos que nos arrumar. Sua consulta é daqui a uma hora. — E dizendo isso, simplesmente deu um beijo na minha testa, me colocou sentada outra vez no sofá e se levantou, indo para o quarto. Fiquei ali, me sentindo um pouco abandonada, mas contive a vontade de chorar. Será que ele poderia estar realmente irritado comigo? Eu não havia feito nada de propósito, ele precisava entender isso. Mas não parecia sequer razoável. Ele não tinha motivos para simplesmente mudar aquele clima de uma hora para outra.
Então, foi ali que Gil começou a ser estranho. Pelo menos quanto a esse assunto.
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