Down
3 Capítulo 3(Flashback)
Notas iniciais
Era verão. Uma noite muito quente em Vegas. Quente demais até para quem está acostumado a viver em um deserto.Chegava no trabalho, sempre no mesmo horário vindo de casa depois de ter passado o dia na cama tentando me recuperar da noite anterior.Sempre admirei meu trabalho, visto por muitos como uma forma fácil de se ganhar dinheiro, mas nunca pensei dessa maneira. É um trabalho honesto como outro qualquer. As pessoas me respeitavam, apesar de sempre aparecer um engraçadinho. Sou sempre protegida pelos seguranças e se algum mais afoito tenta passar dos limites é gentilmente convidado a se retirar do local.Trabalho como stripper, tiro a roupa enquanto danço por dinheiro e sou muito bem paga para isso.Não escolhi esse trabalho, ele me escolheu. Não há muitas opções nessa cidade para garotas como eu que não completaram seus estudos.Aliás, único arrependimento que tenho.
Com o resto convivo bem. Não me arrependo de ter fugido de casa aos 16 anos para acompanhar Bruce e sua banda de rock. Minha mãe disse que me arrependeria, mas não me impediu uma vez que ela mesma havia feito algo parecido anos antes, mas desta vez para se tornar uma corista em cassinos da costa oeste americana.Acabei sendo abandonada e traída em Seatle e já que sempre fui orgulhosa demais para voltar para casa e admitir para minha mãe que ela tinha razão, vim para Vegas tentar a sorte como tantos outros.
Sempre fui bonita e atraente, chamava atenção por onde andassee um dia após assistir a um show acompanhada por amigos, resolvi que ganharia a vida como stripper. Prometi que jamais me prostituiria, mas usaria meus atributos físicos que a vida me havia concedido.
E foi numa dessas noites, quando chegava para mais uma noite de trabalho, que o vi pela primeira vez.
Estava de pé no estacionamento do cassino, encostado em seu carro. Seu olhar estava distante, parecia meio deslocado, pronto para sair correndo dali assim que tivesse uma oportunidade.Desci do carro e o barulho de minha porta de fechando chamou sua atenção. Nossos olhares secruzaram e senti um calafrio percorrer todo o meu corpo. Aqueles olhos azuis me fascinaram e durante muito tempo, foram os meus primeiros e últimos pensamentos todos os dias.Não nos falamos, apenos nos cumprimentamos com um aceno de cabeças, mas enquanto caminhava em direção a entrada do cassino, senti seus olhos presos em mim.E é assim que nossa história tem início..
- “Atrasada, como sempre!” — Ted bufou ao me ver entrando.- -“Desculpe pela demora, querido! “ disse, me aproximando e lhe dando um beijo no rosto.
_ “Ok! – ele disse meio emburrado – Sorte que com esse tempo abafado lá fora, as pessoas preferem passar mais tempo ao ar livre e com isso,chegam mais tarde para assistirem aos shows. Vá se arrumar!”
Me dirigi ao meu camarim.Por algum motivo que não saberia explicar, estava mais motivada essa noite. Um desejo incontrolável de subir ao palco e fazer o melhor show da minha vida.Não parava de pensar no rapaz de sorriso tímido e olhar penetrante que havia encontrado no estacionamento. Me perguntava a todo hora se ele teria ficado para o show? Stephanie percebendo minha agitação veio até mim enquanto me maquiava:
- “Cath, o que está acontecendo? Você não pára quieta um minuto, o olhar distante. Nunca te vi demorar tanto para escolher um figurino para a apresentação... Tem alguém especial na platéia?”
Sorri meio sem jeito, mas não sabia mentir para ela e mesmo se tentasse, não conseguiria, Stephanie me conhecia mais do que eu mesma.
- Conheci um rapaz no estacionamento – disse – Já aconteceu de você olhar para alguém e sentir como se aquela pessoa te pertencesse mesmo sem nunca terem se visto ou falado?
Ela me olhou meio assustada e balançou a cabeça negativamente.
_ Pois, bem, aconteceu comigo. Não sei quem ele é, nem mesmo seu nome, mas senti que é o homem da minha vida e estou me preparando para ele –sorri, ao dizer isso.
_Cath, não vá se machucar novamente – foram suas palavras seguidas de um longo abraço. Era a forma dela me dizer que não concordava com minha atitude, mas me apoiava em tudo...E apoiou. Começou indo até o bar onde ele estava sentado. O apontei para ela. Ela se aproximou e foi puxando conversa. Nesse momento, voltei para o camarim para terminar minha produção.Vinte minutos depois ela retorna com um cartão nas mãos e com uma expressão de vitoriosa no rosto. Praticamente arranquei o cartão de suas mãos e fui logo procurando o nome do “homem da minha vida.”_ Gilbert Arthur Grissom(Laboratório de Criminalística de Las Vegas) – Supervisor –555-0897.
Senti aquele pequeno pedaço de papel queimar em minhas mãos.“ Laboratório de Criminalística de Las Vegas”. Meu coração errou uma batida. Seria possível, meu Deus?Não acredito em coincidências. Era o destino conspirando em meu favor.
Sempre fui fascinada por histórias policiais. Agatha Christie era minha escritora preferida. Passava horas no meu quarto devorando seus livros. Adorava solucionar os casos e modéstia a parte, sempre fui boa nisso.Quando fui apresentada a Jimmy Taddero, detetive de homicídios do LVPD, me identiquei imediatamente. Passávamos um bom tempo conversando sobre os casos que ele investigava. Jimmy sempre me dava detalhes e eu sempre dava palpites a respeito, a maioria deles, corretos.No dia seguinte quando retornava a boate, me contava que o crime havia sido esclarecido e que meus palpites estavam corretos.E agora, o homem por quem me apaixonei a primeira vista tem a mesma profissão dos meus sonhos...
Subi no palco nervosamente. Tentei me concentrar, mas meu solhos a todo momento buscavam o de Gil.Percebi que ele fazia o mesmo, apesar de aparentar ser bastante tímido.
Confesso que exagerei em algumas performances tentando chamar ainda mais sua atenção e acho que deu certo. Muitas vezes o via olhando para mim com os olhos arregalados e um certo desejo.Ao final da apresentação me dirigi ao camarim como decostume e comecei a me preparar para ir embora. Antes de sair, dei uma última volta pela boate na esperança de encontrá – lo, mas foi em vão.Ao chegar na garagem, me deparei com Gil impaciente encostado em seu carro. Estaria esperando por mim? Observei – o por um momento, estava deslumbrante. Tinha que admitir que ele era lindo.
Era impressão minha ou ele estava me encarando? Não sabia oque me incomodava mais, se era o fato de estar sendo vigiada ou se era a formaque ele me olhava. Me sentia nua diante daquele olhar e só o fato de pensar nisso me causava arrepios.E desde quando sentia arrepios ao ser olhada por um homem? Tomei coragem e fui conversar com ele:
- Olá! Prazer em conhecê – lo, Gilbert! – o cumprimentei com um beijo no rosto, como se fôssemos velhos amigos.
_ Olá... eh... – ele pareceu meio surpreso pelo fato de saber seu nome.- Catherine!- Olá, Catherine, tudo bem com você?
- Tudo bem, a noite está linda, não é?
- Claro – ele tentava ser simpático, mas percebi que era do tipo que ficava monossilábico com quem não conhecia. Nesse momento, Laura se aproximou de nós.
- Laura, deixa eu te apresentar, este é Gilbert. Gilbert,está é minha amiga Laura.
- É um prazer, Gilbert! – estendeu a mão e deu seu mais lindo sorriso.
- Ah, sim... Mas pode me chamar de Gil. O prazer é meu – Ele disse nervoso, olhando para mim e ao mesmo tempo apertando a mão de Laura. Ela segurou por um tempo desnessário.
- Bom, vocês me dão licença, preciso ir pra casa – Laura piscou para mim e saiu de fininho.
- Então, Gil, se divertiu?
- Claro!
- Foi o que imaginei – disse, me lembrando da maneira como ele me encarava enquanto dançava. – O que você faz? Acho que nunca o vi por aqui.
- Oh, claro que não. Sou investigador criminal. Não costumo freqüentar esses lugares, a não ser no ofício do meu trabalho. Até porque trabalho à noite. Hoje, excepcionalmente, estava de folga e resolvi acompanhar um amigo.
- Ah, investigador criminal? Deve ser um trabalho interessante...
- É, sim. Mas, e você? Vem sempre aqui?
- É, tenho que cumprir com minhas obrigações.
- Você dança muito bem.
- O quê?
- É que achei você atraente e interessante.
-É, eu... – não sabia o que falar.
- Me desculpe, quando estou nervoso sou direto demais.
- Tudo bem, é que eu... – parei de falar ao perceber o olhar dele que praticamente me despia com os olhos e então o encarei com um sorriso mais malicioso.
- Isso te incomoda, Catherine?
- Não, eu... – não conseguia disfarçar o nervosismo.
- Bom, eu vou aproveitar um pouco minha noite de folga, se você quiser me acompanhar...Ele sorriu mais uma vez indo em direção ao seu carro me deixando atônita.
Não sabia se estava ficando louca ou o que estava acontecendo, mas senti uma vontade louca de segui – lo e ver no que podia dar. Respirei fundo e fui atrás dele.Chegando ao lado do carro me senti sendo prensada contra a porta. Gil me agarrou pela cintura e me arrastou para um canto escuro que havia ali, onde não poderíamos sermos vistos. Podia sentir seu cheiro, sua respiração próxima aos meus lábios.Tentei me desvencilhar de seu corpo e ia reclamar alguma coisa quando ele me calou com um beijo.
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