Notas iniciais
Nesse capítulo teremos a reação de Lindsey ao saber que Gil é seu pai. Será que ela perdoará a mãe por ter mentido por tanto tempo?
Mais uma vez obrigada pelos comentários sempre tão carinhosos.

Pov — Grissom

Ao parar o carro em frente àcasa de Catherine, nós dois respiramos juntos. Um único suspiro saindo de dois corpos. No entanto, cada um enfrentava internamente seus próprios medos.

Desliguei o automóvel, retirei as chaves e abri a porta. Já ia fechá-la quando vi Catherine, no banco do carona,completamente inerte. Ela encarava o vidro à sua frente sem ao menos piscar. Sabia que ela estava com medo e não podia culpá-la. Fitei-a por alguns momentos. Não podia simplesmente apressá-la, pois tinha que entender o que se passava em sua mente. Pensei em me virar, com as costas apoiadas no automóvel, e esperar que ela colocasse seus pensamentos em ordem, mas não poderia ignorar a tristeza dela, não poderia ficar indiferente a ela. Aquele era um momento muito importante e precisávamos estar juntos, acima de tudo, esquecendo os problemas pessoais.

Entrei no carro novamente e me aproximou dela. Peguei sua mão, que estava repousada sobre sua própria perna, e a segurei entre minhas mãos com carinho. Ela, ao perceber o toque, se virou para mim, surpresa. Apenas sorri e ela continuou séria, imóvel.

- Vai dar tudo certo. – falei. Foi o suficiente para que ela franzisse a testa e abaixasse o rosto, permitindo que as lágrimas caíssem. Ela não conseguia mais ser, ou tentar parecer forte estando ali, prestes a mudar toda a sua vida.

- Não quero que ela fique triste,ou pior, que fique com raiva de nós. Não quero.

Apertei ainda mais sua mão e sorri para mim mesmo, vendo que a preocupação dela não era somente com a reação de Lindsey em relação a ela, mas em relação a mim também. Puxei-a para mais perto e a envolvi entre meus braços. Pude sentir o doce aroma de seu cabelo.- Você criou Lindsey como nenhuma mulher seria capaz de fazer. – dizia, sentindo as lágrimas dela sobre meu ombro, e seus soluços e a respiração pesada estremecer seu corpo. – Ela é incrivelmente madura e vai entender. Nada vai dar errado, fique tranqüila. Lindsey não pode te ver assim.

Ela levantou os olhos molhados e me fitou. Secou o rosto e sorriu. Peguei novamente a mão dela e dei um leve beijo.- Você é a mulher mais forte e mais chorona que eu já vi, sabia? – indaguei querendo descontrair um pouco.

Ela riu. – Vamos?

- Vamos.

Foi o caminho mais longo de todas as nossas vidas. Não conseguiríamos dizer quantas horas pareciam ter sido necessárias para chegarmos até o hall de entrada da casa.

Catherine abriu aporta e entramos. Lindsey veio correndo do quarto ao me ver ao lado da mãe.

- Tio Gil! – gritou e me abraçou.

- Olá, querida! –também a abracei forte, emocionado em pensar que logo não escutaria mais meu nome saindo de sua boca, mas sim a palavra pai, a palavra que mais sonhava em ouvir. – Eu estava com saudades de você.

- Eu também. – falou rindo e foi abraçar a mãe, após beijá-la no rosto. – O que querem falar comigo?

- Antes vamos jantar. – Catherine disse. — Vou para a cozinha preparar algo. Quando estiver pronto chamo vocês. – Sorriu.

A sensação de que estava falando aquilo para sua família me enchia de um sentimento inexplicavelmente bom. Ela saiu da sala. Encarei minha filha ao meu lado. Ela balançava as pernas nervosamente, num gesto muito parecido com o meu quando ficava nervoso. Encarei minha própria perna. Ri ao perceber que estava igual à dela. Ela mantinha os dedos na boca, roendo as unhas, sem esconder seu anseio.

Ia dizer algo quando ela se virou repentinamente na minha direção.

- Quer ver fotos? – perguntou, e, ao me ver concordar com a cabeça, saltou do sofá e correu para o quarto. Alguns segundos depois apareceu na porta, somente com a cabeça para fora. – Vem cá. – Acenava em tom mandão, enquanto ria. Obediente, me levantei e a segui.

Olhei para o quarto em volta ao entrar. Era um quarto com paredes creme, a cama era de madeira rústica feita à mão com detalhes perfeitos. Tinha dois criados-mudo da mesma madeira e com os mesmos detalhes da cama. Uma escrivaninha e uma estante cheias de livros de vários títulos e dois sofás brancos. Possuía uma suíte e janelas queficavam de frente para o jardim.Encarei a penteadeira onde havia inúmeros porta- retrato e me aproximei para analisar as fotos. A maioria delas tinha Lindsey. Outras, também tinham Vartann e Catherine e Catherine e Eddie. Em algumas fotografias, Catherine estava sozinha, em outras, Lindsey. Havia também algumas de Lindsey e os avós. Em geral todas passavam um ar muito familiar.

- Tio Gil, vem cá! – exclamou ao chamar minha atenção e bater no colchão ao seu lado. Me sentei ao ver um enorme álbum nas mãos dela, onde, na capa, tinha o seu nome. – Esse é o meu álbum que mamãe montou com todos os momentos mais importantes.

Logo na primeira foto, arregalei os olhos, encantado. Era Catherine com uma gigantesca barriga. Ela apenas acariciava a barriga, encarando-a, enquanto o vento balançava seus cabelos, que ali estavam na altura dos ombros. Ela estava belíssima no vestido azul. Lindsey virou novamente a página, onde estava a primeira foto dela, ainda recém-nascida com os olhos fechados. Ela riu, achando engraçada sua imagem de bebê.

A cada foto que via, sentia uma fagulha de emoção preencher minha alma. Ali vi todos os momentos em que deveria ter estado com minha filha, mas não estivera. O primeiro dentinho, o primeiro passo, a primeira palavra, o primeiro dia da escola, as festas, suas apresentações no balé, sua formatura na high school. Ver aquelas fotos me trazia uma breve sensação de conhecimento e participação daqueles momentos, mas ao mesmo tempo em que aquele vazio de curiosidade estava sendo preenchido, um enorme sentimento de remorso e angústia me invadia. Não havia estado lá. Jamais estivera em nenhum momento importante da vida dela. Senti meus olhos lacrimejarem, mas passei a mão rapidamente por eles. Não poderia chorar na frente dela.

- Você me dá uma foto sua?– pedi. – Pra quando estivermos longe e eu sentir saudades. – Ela riu e pegou um outro álbum pequeno, este com fotos suas mais recentes. Folheou, folheou e folheou até que viu a foto que procurava. Pegou-a e me entregou.

- Adoro essa foto e é a mais recente também. – dizia orgulhosa. – Mamãe tirou nas últimas férias.

Encarei a fotografia. Lindsey estava num jardim, com muitas flores ao redor. Ela sorria e fazia diversas poses, como uma modelo, depois parecia rir de si mesma. — Obrigado. – agradeci, e pus a foto no bolso interno do meu casaco. – Você é muito especial, querida. Não há nenhuma garota como você.

Ela parecia não saber o que dizer, sorrindo ligeiramente envergonhada. Apenas me agarrou com força em um abraço apertado. Apoiei a cabeça sobre a dela e correspondi ao abraço.

- Eu amo muito você, tio Gil.

Quando nos afastamos do abraço,nos deparamos com Catherine na porta, observando a cena com os olhos vermelhos. Ela se recompôs da emoção e se aproximou.- Vamos jantar? – perguntou e sorriu. Tudo estava dando certo até aquele momento.

Se não fosse por Lindsey, que contava sobre todas as suas "aventuras" no campus, o jantar teria sido tão silencioso quanto um velório. Enquanto ela tagarelava sobre qualquer coisa, Catherine e eu nos mantínhamos tão rígidos quanto duas pedras. Estávamos tensos. Às vezes nossos olhares se cruzavam, mas logo um ou outro se apressava em desviar. Catherine apenas se manifestou quando se levantou e foi pegar a sobremesa.

- Oba! Mousse de chocolate! – Lindsey exclamou, batendo palmas, quando a mãe pôs a bandeja sobre a mesa e se sentou.

Quando terminamos de comer, não deixei de elogiar o jantar. Catherine agradeceu sem nem ao menos me olhar.

- Vocês não vão falar logo o que querem comigo, não? – Lindsey se apressou em falar, ficando impaciente.

- Bem, eu só vou tirar a mesa e vamos para a sala. – Catherine falou, começando a pegar os pratos. – Lindsey,me ajude que vamos mais rápido.

- Ah mamãe... pede para o tio Gil. Eu já volto. – Ela falou e deu as costas, indo em direção ao quarto.

- Lindsey! Volte aqui! – ela ordenou séria, mas Lindsey já havia entrado no quarto.

- Deixe-a. Deve estar cansada.

- Só fez isso porque você está aqui. – afirmou e voltou a recolher a louça. – Pode esperar no sofá que eu já vou.

- Eu te ajudo. – falei e antes que ela pudesse contestar comecei a pegar os copos. – É rápido. Não se preocupe, não vou quebrar nada. – terminei rindo. Ela também riu e foi para a cozinha, seguida por mim. Limpamos e arrumamos tudo rapidamente. O único problema foi ter que nos esbarrarmos tantas vezes, enquanto fechávamos as portas dos armários. Ao terminarmos, fomos para a sala e vimos Lindsey, sentada no sofá. Catherine pediu que me sentasse no sofá, ao lado de nossa filha enquanto ela se sentava na mesinha na frente dela. Respirou fundo e me encarou. Nos encaramos por alguns segundos. Um buscando no outro as palavras certas para começar.

Lindsey, – ela começou ao se aproximar mais da filha e fitá-la profundamente nos olhos. – há muita coisa que você precisa saber sobre seu pai. Coisas que eu havia prometido contar no momento certo. – Suspirou novamente, como se dizer aquelas palavras exigisse um imenso esforço.

Lindsey permaneceu encarando a mãe e depois, procurando algum esclarecimento, virou-se para mim, mas, com um olhar, pedi que ela prestasse atenção. Obediente, a menina voltou o olhar para a mãe à sua frente.

– Menti para você durante todo esse tempo. Não espero que me perdoe, mas que me entenda. Eddie não era seu pai.– Ela terminou fungando, sentindo seus olhos lacrimejarem.

Lindsey jogou o corpo para trás, recostando-se no assento do sofá. Um enorme sorriso se abriu em seu rosto. Eu, que mal conseguia me conter sentado ao lado dela, estalava os dedos das mãos e balançava as pernas nervosamente.

- Isso eu já sabia. Impossívelque ela fosse meu pai. – ela disse calmamente. — Descobri há um ano atrás,durante um teste de sangue que fizemos na aula de biologia. Sou tipo A+, sendo que você é O+ e Eddie também. Então conclui, ou era adotada, ou ele não era meu pai. Mas sou muito parecida com você, por isso decidi abandonar a hipótese da adoção, sobrou à segunda, Eddie não era meu pai. Então quem seria? Não tive coragem de te confrontar e decidi investigar seu passado. Sei que vai ficar brava comigo, mas mexi em suas coisas e achei aquela sua caixa onde guardacoisas de seu passado. Encontrei fotos suas com o tio Gil, daí fui juntando as coisas e conclui que ele poderia ser meu pai. Mas faltava a comprovação do tipo sanguíneo dele. Um dia fui até o laboratório e consegui entrar em seu computador e achei as fichas dos funcionários. Acessei a de Gil e vi que seu sangue era AB+. Combinação perfeita. Mas como existem alguns casos raros em se tratando de tipagem sanguínea, achei que deveria continuar investigando. E desde então, esperava o momento certo para confirmar com você. Até que um dia ele foi me visitar no campus e ali tive certeza de que ele era meu pai, pela forma carinhosa como me olhou. – terminou com os olhos lacrimejando. – Ele é mesmo meu pai, mamãe? – perguntou, quase numa súplica.

Olhando para mim, abriu um pequeno sorriso, mas logo em seguida sacudiu a cabeça, como se o que estava pensando fosse absurdamente inacreditável. Não poderia imaginar o pânico que aquele olhar desconfiado causara em mim.

Catherine se aproximou ainda mais dela e a encarou profundamente, com um leve sorriso e olhar animador, apesar das lágrimas, feliz em saber que a filha já sabia de tudo. Fez que sim com a cabeça e Lindsey novamente me encarou, agora com a expressão séria, incrédula. Olhou novamente para a mãe, querendo que ela falasse mais diretamente a verdade.

Abaixei a cabeça e cruzei as mãos, implorando mentalmente para que tudo desse certo. Sentia-me como se estivesse na beira de um precipício, prestes a cair, e nada poderia me segurar. Tinha medo de abrir os olhos e encarar minha filha.

- Meu amor, – Catherine começou, passando a mão pelos olhos molhados, a voz sendo sufocada pela ânsia de chorar. – Gil Grissom é o seu pai. – terminou, levando a mão à boca, sem controlar o choro. Agora sim tudo estava feito.- Ele voltou para Vegas. Acabamos nos reencontrando e eu contei para ele que nós tínhamos uma filha linda. E ele ficou muito feliz. – Por mais que ela tentasse sorrir, as lágrimas teimavam em cair pelo seu rosto. Mal acreditava que estavámos conseguindo contar tudo aquilo.

Pov — Catherine

Por mais que tentasse sorrir,as lágrimas teimavam em cair pelo meu rosto. Mal acreditava que estavámos conseguindo contar tudo aquilo.Terminei de falar e escondi o rosto entre as mãos tentando ao máximo conter o choro. Já não havia mais volta. Olhei para Lindsey que mantinha um enorme sorriso em seu rosto e nos encarava.

Gil, que antes tentava se manter seguro de si, não sabia o que fazer. Vi que suas mãos, de tão trêmulas,pareciam ter vida própria. Me aproximei de Lindsey, peguei suas mãos e acariciei seu rosto com carinho: — Filha, temos muito que te explicar. Sabemos que é difícil e...

- Por que vocês não se casaram?– perguntou direta. Senti meu coração querer subir pela garganta. Tinha que dizer algo, mas como contar a ela que fui abandonada grávida e me casei com o primeiro cara que apareceu para me vingar e por puro desespero?

Foi então que Gil tomou a palavra:- Querida, sua mãe e eu nos conhecemos há muito tempo atrás e namoramos. Mas, infelizmente a gente acabou se separando e cada um tomou um rumo na vida. Com o passar do tempo tomamos decisões precipitadas que foram se tornando cada vez mais difíceis de serem consertadas.

- Mas porque você nunca me assumiu como filha? – abaixou a cabeça. Lágrimas se formando nos seus olhos e cada uma delas parecia uma espada cravada no meu coração, que não suportava vê– la chorar.

- Eu não sabia que você era minha filha. Jamais soube que Catherine esperava um filho meu. Só descobri quando retornei a Vegas, alguns meses atrás. Quando ela me falou de você fiquei tão feliz! Não só por ter uma filha, mas por ser você. Sabe que sempre tive um carinho especial por você...

- Esperamos o momento certo para te contar, amor. – acrescentei. Lindsey permaneceu quieta,refletindo sobre o que acabara de ouvir. Para mim e Gil foram momentos angustiantes. Não sabíamos o que se passava em sua mente. Abaixei ligeiramente a cabeça,me sentindo culpada por tudo aquilo, afinal, não contei a ele da gravidez quando nos separamos e ainda deixei que ela pensasse por todo esse tempo que outro homem era seu pai... Pedia a Deus que tudo desse certo.Gil tentava disfarçar a aflição que o consumia.

- Do que eu te chamo agora,então? – ela indagou com um pequeno sorriso.

Ao escutar a pergunta, levanteia cabeça rapidamente. Lágrimas emocionadas começaram a cair. Gil não soube o que dizer. Com um sorriso e um brilho nos olhos úmidos disse:

- Do que você quiser, minha princesa. Desde que saiba que eu te amo muito – falou emocionado.

- Eu também te amo muito, pai. Ela sorriu e se jogou entre os braços dele, que a abraçou com os olhos fechados.

Vendo a cena, cai num pranto mais intenso, mas feliz. Lindsey tinha aceitado e tudo estava bem. Meus temores haviam sido em vão e enfrentá – los valera à pena.

Olhei para Gil que ao abrir os olhos me encarou e disse: “Tudo deu certo”. – Apenas concordei com a cabeça,passando as costas das mãos no rosto para secar as lágrimas. Achei melhor deixá- los a sós por um instante. Aquele era um momento especialmente deles e tinham esse direito.

Me levantei em silêncio e fui para o quarto. Antes de sair dei mais uma olhada nos dois, ainda abraçados. Pareciam um só. Por mais que já tivessem se abraçado antes, aquele carinho era totalmente diferente. Agora sim sabiam o que realmente os ligava de forma tão intensa. Sorri sem que eles me vissem e sai em direção ao quarto.

Apoiei as costas na porta e soltei um longo suspiro. De súbito senti meu corpo enfraquecer e minha visão escurecer. Uma sensação estranha começou a percorrer meu corpo. Não conseguindo me conter, desabei em um choro desesperado de uma angústia que vinha se acumulando há anos. Fui caindo no chão, não conseguindo manter o controle do corpo. Me debrucei na cama, onde cruzei os braços e apoiei o rosto. Sozinha,pude desaguar todas as emoções vividas ali. Meus receios e medos, alegrias,dúvidas, tudo parecia me invadir em um único segundo. Minha filha estava com o pai na sala de minha casa. Um pai que, até meses atrás estava distante e agora aparecera, mudando completamente o rumo de minha vida e de meus sentimentos. Os dois estavam juntos e felizes e eu ali no chão do quarto, sem entender o porquê daquela imensa tristeza.

De repente senti uma mão em meu ombro. Levantei o rosto assustada e encontrei o olhar confuso de Gil que se sentou ao meu lado.

- O que houve? Por que está chorando assim? – perguntou muito inquieto, vendo meus olhos inchados e vermelhos.

Apenas o encarei soluçando e voltei a deitar a cabeça sobre os braços na cama, chorando ainda mais. Ele preocupado, chegou mais perto e levantou meu rosto para que o fitasse.- Fala para mim. O que houve?

- Eu... eu não sei. – comecei,mal conseguindo falar com o choro incessante, sem conseguir encará- lo.- Foi tudo tão rápido... Está tudo tão... Eu não sei... – terminei baixando a cabeça.

Ele me fitou, provavelmente tentando entender o que estava acontecendo comigo. Como não conseguiu, me abraçou e tentava me reconfortar sem palavras. Me enlaçou em seus braços, como uma criança.Tocada com o gesto, correspondi com o mesmo ardor ao abraço com a cabeça enfiada em seu peito. Calor era tudo o que eu precisava. Acariciou meus cabelos. Talvez assustado por me ver tão fragilizada.

- Tudo vai ficar bem, pequena. Tudo acabou bem. Não há motivos para ficar assim.

- Eu senti tanto medo. – falei com a voz abafada, sem mostrar nenhuma intenção de querer soltá – lo.

- Mas não há motivos, não é? Lindsey foi preparar um lanche especial para nós. Ela está feliz. – falou tentando mostrar certa animação para poder me animar, mas não surtiu efeito. Começou a ficar agoniado:- Ei, Catherine. – tentou me erguer para poder ver meu rosto, mas não permiti o segurando firmemente. – Quer que eu pegue um pouco de água para você? Qualquer coisa que...

- Não! – rapidamente o interrompi com a voz mais clara. – Eu só preciso ficar aqui assim com você por mais um minuto. Apenas um minuto. – pedi não me importando com mais nada. Sentia uma tranqüilidade se apoderar de mim. Uma calma que o corpo dele parecia exalar sobre mim. Só queria continuar ali e sentir aquela emoção por completo.

Ele sorriu e me acomodou em seus braços apoiando a cabeça sobre a minha.- Claro. – concordou, de olhos fechados, ainda sorrindo – O tempo que precisar, minha pequena...

Ficamos ali sem nos falarmos aproveitando a oportunidade que tínhamos para esquecer o mundo e nos refugiarmos em no corpo do outro. Ali, éramos somente nós dois e nada mais. E permanecemos abraçados por um tempo que parecia infinito e ao mesmo tempo veloz. Até que senti a presença de alguém na porta do quarto.

Olhamos para a porta e vimos Lindsey com um sorriso maroto nos fitando. Ficamos surpresos e nos afastamos,nos levantando em seguida.

- Me desculpem... Eu só vim avisar que o lanche está pronto. – falava sorrindo, parecendo feliz com a cena.– Mas não se preocupem, podem ficar à vontade. – terminou saindo rapidamente. Liberando um sorriso alegre, fechou a porta.

- Gil, — comecei encarando – o.– Perdoe – me, eu... eu...

- Tudo bem – sorriu e eu fiz o mesmo, um pouco constrangida. _ Mas fiquei realmente preocupado.

- Acho que estava com muito coisa guardada no peito. Só precisava chorar um pouco.

- E você realmente o fez. –falou rindo, brincando. Ri e dei um leve tapa em seu braço sem encará- lo.

- Me tornei uma chorona. De qualquer forma, muito obrigada. – levantei o olhar e o fitei veemente, mas séria. – Muito obrigada, de verdade.

- Catherine, você me deu uma filha maravilhosa e a oportunidade do dia de hoje. Sou eu quem tem que te agradecer.

Ia dizer algo mas hesitei. Não poderia deixar que a emoção do momento me fizesse dizer coisas que arrependeria mais tarde, como admitir que para mim havia sido maravilhoso ficar ali com ele e quefaria qualquer coisa para que o tempo voltasse e pudesse reviver tudo novamente.

- O que é? – ele perguntou curioso em saber o que eu ia dizer – Pode falar.

- Não é nada demais – afirmei com um pequeno sorriso. – Vamos lanchar? Ele concordou com a cabeça e fomos para a sala de jantar, onde Lindsey nos esperava, já comendo seu lanche. Quando nos viu, abriu um imenso sorriso.

- Prove, pai! – falou entregando a ele um prato com um pedaço de sanduíche preparado por ela. –S anduíche ao forno, minha especialidade!

- Está bem. – concordou e mordeu um pedaço enquanto fazia cara de que estava saboroso.Depois fomos para a sala de estar e nos sentamos no sofá. Conversamos sobre a infância e adolescência de Lindsey. Na verdade, ela falava a maior parte do tempo sobre suas travessuras e aventuras. Gil a escutava com atenção. Me limitava a fazer comentários e a observar os dois.

Depois, pela curiosidade dela que sonhava atravessar o oceano e conhecer a Europa, ele contou como era o lugar onde havia morado antes. Tentávamos disfarçar um certo constrangimento em falar sobre aquilo já que havia sido na época em que ele foi atrás de Sara e passou um tempo com ela por lá. E entre uma conversa e outra, já ficava tarde.

- Bem, acho que agora tenho que ir. – falou se levantando e meio desanimado após ver as horas.

- Está bem. – concordei, sem realmente querer que ele fosse embora.- Nossa, o tempo voou.

- Preciso ir dormir, amanhã vou me encontrar com meus amigos bem cedo. Tchau, pai. – ela falou, em seguida dando um beijo em seu rosto.

- Tchau, filha. – ele falou com emoção na voz.

- Vou para meu quarto. – disse me dando um beijo e saindo em seguida.

- Deve estar cansada. – disse rindo e me voltei para ele. – Até amanhã, Gil.

- Até amanhã, Catherine. –disse num tom amoroso. Sorri meio sem graça e abri a porta para que ele saísse após fitar – me intensamente.

Notas finais
Espero que gostem, nos vemos nos reviews. Bjs!