Down
29 Capítulo 29
Notas iniciais
Obrigada, meu amor, por tanto carinho a mim dispensado.
Um grade beijo!
E espero que todos gostem...
Durante o jantar daquele dia observava Lindsey de maneira especial. O tempo passou e ela havia se transformado em uma linda mulher. Forte, destemida, mas também doce e sensível. Mesmo tendo passado a maior parte do meu tempo longe dela, me orgulhava da pessoa incrível que ela se tornou. Lindsey era a razão da minha vida. Jamais permitiria que algo lhe fizesse mal ou a magoasse. Me perguntava como deveria contar a ela sobre o pai sem provocar uma reação ruim. Como dizer que menti durante todos esses anos a privando do convívio com ele? Não sabia ao certo...
Depois do jantar estava no meu escritório revendo alguns relatórios que deveriam ser entregues na segunda – feira, quando a vi passar no corredor. A chamei e pedi que entrasse. Ela obedeceu. Nos sentamos no sofá. Ela se deitou e colocou a cabeça no meu colo.
- Querida, — comecei enquanto acariciava seus cabelos. – Você gostaria que seu pai estivesse vivo, ou melhor, gostaria de ter um pai?
Ela me encarou desconfiada, com a testa franzida. Ficou pensativa durante um tempo. — Nada contra o seu relacionamento com Vartann, você sabe que gosto dele, mas ele nunca será o meu pai – disse balançando a cabeça negativamente.
- Não! Lógico que não. – ri vendo que ela concluíra equivocadamente. – Ele é e sempre será apenas seu amigo. Mas você não sente falta de ter um pai? Afinal, quando Eddie morreu você era muito pequena.
- Sim. – continuou não me encarando, apenas mexendo em seu cabelo. – Mas não quero que você fale dele.
- Por que, querida? – perguntei confusa e levantei seu rosto pelo queixo para encará- la.
- Você sempre fica triste quando fala dele, ou da vida que teve ao seu lado. Me sinto culpada por tudo que ele te fez passar, pois sinto que vocês só se casaram por minha causa. – ela explicou desviando o olhar.
Meus olhos se encheram de lágrimas. Me lembrei de uma série de brigas que Eddie e eu tivemos...
Início de Flashback:
Eu estava realmente atrasada para chegar em casa. Havia passado o resto do turno preenchendo relatórios e me esqueci completamente de que Eddie e eu tínhamos planos esta manhã. Cheguei em casa em vinte minutos – o laboratório era próximo à minha casa – busquei por minhas chaves na bolsa e ao abrir a porta, deparei – me com algumas garrafas de uísque espalhadas pelo chão. — Eddie? – entrei um pouco assustada, procurando por ele na sala, na cozinha, até perceber que ele poderia estar no nosso quarto.
- Olá, benzinho. – ele tinha os olhos de mágoa e um aspect onojento de bebida.
- Meu Deus! O que houve com você? Nós não iríamos sair hoje?
- Iríamos. Se a minha mulher não tivesse me abandonado e me trocado pelo trabalho mais uma vez. – ele foi se aproximando e antes que ele o fizesse, já podia sentir seu hálito horroroso.
- Desculpe, querido, eu realmente perdi o horário... – tentei me justificar, dando alguns passos para trás.
- Querido? Que piada, Catherine! Olhe para você e olhe para mim – ele me olhou e deu um sorriso irônico – Mas que droga! Por que você passa mais tempo naquele laboratório do que comigo... especificamente com aquela droga do seu ex- namorado e supervisor?
- Não quero começar a discutir com você. – disse simplesmente, virando de costas para ele, em direção ao banheiro.
- Agora você vai ter que me ouvir – ele disse pegando meu braço e me fazendo olhar para ele. Eu estava começando a ficar assustada ele nem sequer tinha aumentado o tom de voz, mas o olhar estava demonstrando o quão chateado, não sei se posso usar essa palavra, estava.
- Ed, por favor, você está completamente bêbado e eu estou muito cansada. – disse, encarando – o, porém com receio da reação dele.
- Quem você pensa que é para falar comigo desse jeito? – ele estava alterado pela bebida e as drogas. – E eu não ligo para o seu cansaço,você terá que me ouvir AGORA! – E a cada palavra que saia de sua boca, eu podia sentir sua mão apertando com mais força o meu braço.
- Você está me machucando... – murmurei.
- Tá doendo, benzinho? – e outra gargalhada. – Então você deveria ter pensado nisso antes de me deixar aqui plantado, esperando sua boa vontade em aparecer – falando isso, ele puxou com mais força o meu braço. Ele apenas apertava e num movimento brusco e rápido, ele me jogou contra nossa cama. Encolhi – me sentada a espera do que viria a seguir.
- Agora me responda: por que diabos você não me respeita? Por que me deixa abandonado aqui e passa horas no trabalho? Não está feliz com nossa vida? Responda!
Percebi que ele já estava vermelho, parecia que seus olhos iriam saltar tamanha era a sua raiva. — Eu não quero falar sobre isso – respondi.
- Não me venha com conversinhas. O que seus amigos de trabalho vão pensar? Que você não ama o seu marido.
O que ele havia falado era a mais pura verdade. Não suportava ficar ao lado dele, preferindo enterrar a cara no trabalho a passar algum momento ao seu lado.
- Que droga! – ele fechou seu punho se afastando de mim. –Você nunca faz nada direito, não se prontifica a melhorar nosso relacionamento. Confesse, se não fosse por mim você seria um nada misturado com coisa nenhuma. – Uma olhada de canto e pude perceber seu riso irônico aparecer. – Se não fosse por mim, sua filha não teria um pai – ele finalizou me encarando.
Por um momento eu havia achado que iria ouvi – lo a noite inteira, aos prantos, enquanto ele, alterado pelo álcool e outras drogas, ficaria falando tudo o que desejava, porém, ele tocou em um assunto muito delicado e sério na minha vida: minha filha. Realmente devia muito a ele por tudo que ele fez, por ter ficado comigo quando fui abandonada por Gil grávida, mas aquelas palavras que saíram de sua boca sem dó nem piedade sobre mim foi demais. Ele estava duvidando de minha capacidade e isso não iria permitir, nunca.
- Não ouse se referir a minha filha dessa maneira, muito menos duvidar de minha capacidade. – Nesse momento eu havia criado coragem, Deus sabe de onde e me levantei secando minhas lágrimas e assim poder enfrentá- lo melhor. – Para mim já chega, Eddie Willows! Não agüento mais essa discussão.– disse com toda firmeza que restava.
- Eu digo quando acaba – ele falou caminhando até mim. – Eu mando nessa porcaria aqui, você apenas tem que me obedecer. – agarrou – me pelo braço e logo pensei que deixaria marcas horríveis.
- Eddie, por favor, me larga. Está doendo – choraminguei.
- Cala a boca sua vadia! – o tom de voz aumentou. – Você é minha e eu faço o que quero e bem entendo. Dizendo isso eu apenas senti uma dor em meu braço direito pela forte batida ao encontrar o chão. Sim, ele havia me jogado lá. — Olhe para você. Nem parece aquela mulher toda poderosa do laboratório de criminalística. – gargalhou. – Agora aprenda a fazer o que eu quero, você está me ouvindo? – Me pegou pelos meus dois braços e em um movimento me ergueu apertando — os. Acreditava que ele estava usando toda a sua força, a dor que sentia estava se tornando cada vez mais insuportável.
- Pára, Eddie! – gritei com a pouca força que me restava.
- Não fale assim comigo! Cala a boca sua idiota...
O que nunca havia passado nem em meus pensamentos,aconteceu. A ardência no local logo veio. Como reflexo, minha mão foi ao encontro do local em uma tentativa frustrante de fazer com que a dor parasse,foi em vão. Nós sempre tínhamos brigas como todo casal, mas aquilo nunca tinha ocorrido. Aquele tapa me machucou muito, não pela dor em si, mas pela audácia dele em fazer isso comigo.
Fiquei estática, atônita, parecendo uma criança com medo e que só necessitava de um colo para chorar. Ainda não tinha caído a ficha do que acabara de acontecer. Quando dei por mim, ele já havia deixado a casa e pude ouvir o ronco do seu carro deixando nossa garagem.Tentei levantar com o maior cuidado possível. Tudo doía no meu corpo e principalmente meu coração. Apesar de toda machucada e com ódio de quem eu chamava de marido, fiquei preocupada com ele. O estado dele não era dos melhores, ele estava completamente bêbado e drogado. Dirigir assim poderia ser uma péssima idéia. Meus olhos pesaram e ao chegar ao banheiro pude notar o estado em que estava. A área da minha bochecha ainda estava um pouco vermelha. Joguei um pouco de água no meu rosto, coloquei minha camisola e deitei. Não podia fazer nada mesmo. Me aconcheguei, abraçando meu corpo como se fosse me proteger de alguma coisa e fiquei chorando até conseguir pegar no sono,agradecendo a Deus por Lindsey já estar na escola e não ter presenciado a cena.
Fim de flashback
- Você sempre chora quando fala dele e eu não quero mais te ver chorar. – ela disse me abraçando.
- Ah querida, amo tanto você. – a envolvi entre meus braços e a abracei forte. – Prometo não chorar mais. Antes eu ficava triste, mas agora é diferente.
- Se é assim, pode falar – sorriu timidamente.
- Eu vou. – disse secando as lágrimas – Não hoje, em breve.Você já é uma garota crescida e com uma boa cabeça. Acho que vai me entender.
- Tudo bem! – ela concordou abrindo um sorriso. Naquele momento, olhando em seus olhos e vendo seu sorriso,tive certeza de que poderia contar sobre Gil a ela. Dei um beijo no topo de sua cabeça.
- Agora vá se divertir com seus amigos.
- Não estou a fim de sair hoje, mesmo sendo uma noite de sexta feira. Vou dormir, estou cansada. A semana foi intensa.
- Imagino que sim. – disse sorrindo. Ela se levantou e foi em direção ao quarto. Fiquei observando enquanto ela se afastava me perguntando se mesmo que ela entendesse o que fiz, se me perdoaria por isso...
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Suspirei mais uma vez fazendo um esforço enorme para não chorar. Precisava ser forte. Engoli com dificuldade sentindo algo arranhar minha garganta. Ainda sentada na beirada da cama, procurando ânimo para encarar a manhã de sábado, olhei com carinho o porta – retratos sobre a cômoda com fotos de Lindsey, sentindo um aperto no peito. Estava prestes a tomar uma das decisões mais difíceis da minha vida e repetia mentalmente para mim mesma que estava fazendo a coisa certa,como se precisasse disso para me convencer.
- Catherine? – a porta se abriu, sobressaltando – me. Engoli o bolo que se formara em minha garganta e encarei minha mãe com os olhos brilhantes.- Catherine? Tudo bem? – Lily questionou se aproximando da cama.
- Sim, mãe! – minha voz vacilou, estava trêmula, mas tratei de disfarçar me abaixando para pegar meus chinelos.
- Senti sua voz tão triste ao telefone ontem quando nos falamos que quase não consegui dormir preocupada com você. – ela disse angustiada. Fechou a porta atrás de si e andou em minha direção.
- Decidi contar a verdade sobre Gil para Lindsey.
- O quê? Você não pode fazer isso. Deixar esse ingrato se aproximar ainda mais é um absurdo! Já não basta aceitar que ele saia com ela? –contestava furiosa.
- Você acharia correto se eu continuasse convivendo com Sam sem saber que ele era meu pai? Você nunca iria me contar? – perguntei a ela. Ela preferiu não responder, mas pelo seu silêncio, parecia ter concordado comigo.
- Catherine, querida, se afaste dele – começou com um tom suplicante – Vá cuidar dos cassinos do seu pai! Saia do laboratório, mas fique longe dele.
- Mamãe, por mais que fosse maravilhoso conduzir os negócios de Sam, não posso fazer isso.
- Mas, e Vartann? Ele é ótimo e gosta muito de Lindsey. Você deveria se casar com ele e...
- Não! – gritei levantando – me ao ver o rumo nada agradável que aquela conversa tomara. – Lou jamais vai tomar o lugar de pai na vida de Lindsey, jamais! Já fiz isso uma vez com Eddie e você sabe que não deu certo. Ele é meu namorado sim, mas é só. Não vou tirar novamente a chance de minha filha ter um pai que a ame. Dei as costas e fui em direção à área da piscina, batendo a porta. Me sentei em uma espreguiçadeira abraçando as pernas e apoiando a cabeça sobre os joelhos. Senti que começaria a chorar. Naquele momento precisava apenas de alguém que me amparasse. Só precisava escutar que estava tomando a decisão certa para que aquele receio me abandonasse.
Senti uma mão acariciando levemente meus cabelos. Levantei o rosto e encontrei o sorriso animador e acolhedor de minha mãe, que se sentou ao meu lado. Como uma criança, deitei com a cabeça apoiada sobre suas pernas.
- Catherine, eu já vivi muito e conheço você. Se fosse apenas decidir o melhor para sua filha seria fácil. Você apenas agiria com a razão, como sempre. Mas o problema é que você ainda ama Grissom.
Pensei em negar, inventar qualquer desculpa, mas Lily não permitiu que dissesse algo. — Quer mentir para mim? Sabe que não consegue. – sorriu.
- Amo. Infelizmente ainda o amo. – confessei de cabeça baixa, envergonhada de tal sentimento, a voz desanimada. Ela segurou minha mão.
- Por que está com Vartann então?
- Eu não sei bem. Queria esquecer Gil, mas não consigo. Além do mais, Lou gosta de mim.
- E Gil Grissom, não?
A encarei sem saber o que dizer diante daquela pergunta inesperada. Nem eu sabia ao certo.- Ele está com outra mulher: Heather Kessler. – disse a única coisa que me veio à cabeça. Assumir aquilo me causou náuseas.
- Isso não responde a minha pergunta. Você está com Vartann e gosta de outro.
Não pude negar, ela estava certa. E se o mesmo que acontecia comigo, acontecesse com ele? – Repreendi o pensamento. Não queria me iludir. No fundo sabia que jamais ficaríamos juntos.
Vimos Lindsey passar pela sala em direção à cozinha falando ao celular. — Não sabemos como contar a ela. – recomecei séria. – Tenho medo de como ela vai reagir. E se ficar com raiva de mim ou dele?
- Lindsey é uma garota maravilhosa. Doce, esperta e compreensiva. – afirmou com um sorriso orgulhoso.
Sorri. Após uma longa conversa com minha mãe, me senti mais confiante em minha decisão. Somente ela parecia ter sabedoria suficiente para não deixar que o passado interferisse nas decisões do futuro. — Obrigada, mãe!
- Oh... querida! – ela afofou meus cabelos com carinho. –Tudo vai ficar bem.
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Acordei cedo na segunda feira, mais revigorada, após descansar todo o final de semana. Como em toda manhã, estacionei meu carro em minha vaga privativa e fui em direção a recepção. Cumprimentei a todos que estavam por lá,incluindo Greg e Nick e fui para o andar da diretoria. Percebi que eles estavam um pouco distantes, mas eu havia começado aquilo. Logo contaria a verdade a eles, mas não agora. Não era o momento. Tinha muita coisa na cabeça.
Quando cheguei ao andar e a porta do elevador se abriu, vi que Gil já havia chegado, pois a porta de sua sala estava aberta e escutei a voz dele vindo de lá. Ele dizia algo que não conseguia entender. Então, aproximei -me mais da porta e coloquei a cabeça entre a fresta, ainda com o corpo para fora da sala. O vi em pé, ao lado de sua mesa, virado para a janela. Ele falava ao telefone celular.
- Não sei se hoje eu posso...Eu tenho muito a fazer, Heather... Te aviso se eu resolver alguma coisa... De qualquer forma podemos jantar hoje se quiser... Está bem... Te ligo então. – Ele desligou e jogou o aparelho sobre a mesa. Continuou a fitar a paisagem pela janela.
Fui em direção a minha sala. Se havia acordado com algum tipo de ânimo especial, aquele sentimento havia escoado pela sala naquele mesmo momento. Sentei e levei despropositadamente o olhar à foto de Lindsey. Suspirei e peguei a agenda. Ia abri-la quando senti a presença dele. Levantei a cabeça rapidamentee o vi caminhar lentamente até minha mesa.- Bom dia. – falei ao voltar o olhar para a agenda.
- Bom dia. – respondeu após uma leve tossida para que a voz saísse melhor. Colocou as mãos no bolso. – Você pode ver se eu tenho algo para a tarde?
A muito contra gosto abri a agenda naquele dia e, para meu desespero emocional, vi que não havia compromisso algum. Senti vontade de inventar qualquer reunião, mas não seria capaz de mentir tão descaradamente na frente dele. — Não. – minha voz não passou de um sussurro.
- Ótimo, e para antes?
- Nada em especial. Só tem que dar uma olhada nos novos contratos de aquisições de materiais para o laboratório e marcar a reunião com o prefeito Oscar Goodman.
- É verdade, havia me esquecido... – Levou a mão à cabeça. – Marque a reunião para qualquer dia e traga os papéis até minha sala, ok?
- Lógico... – concordei, como se não houvesse outra escolha. Não conseguia disfarçar o desânimo. Me levantei, peguei tudo e o segui até a sua sala. Indo atrás dele, pude sentir o cheiro de seu perfume que ficava pelo ar. Sorri, sem que ele visse, ao reconhecer aquele mesmo perfume da época em que namorávamos.
Pov — Gil
Depois que ela saiu de minha sala, dei um longo suspiro aliviado. Era cada vez mais difícil me manter longe dela. Como ela conseguia ficar ainda mais linda a cada dia? Sabia que Heather,que tentava fazer de tudo para me conquistar de verdade, jamais chegaria aos pés de Catherine, nem na beleza e nem na doçura. Os olhos jamais seriam tão meigos e o sorriso tão puro. Ela jamais teria a garra de mulher e jeito de menina que somente Catherine tinha. No entanto, não adiantava pensar naquilo agora. Estava com Heather e a situação não mudaria se dependesse de Catherine. Ela não me queria e aquilo era um fato. Pelo menos era o que pensava. Só me perguntava por quanto tempo conseguiria ficar com Heather, tendo Catherine na cabeça.
Comecei a ler os contratos, mas sempre ao chegar à segunda linha, voltava para a primeira, sem saber o que havia acabado de ler. Repreendi — me. Tinha que me concentrar mais no trabalho. Dei uma longa respirada, virei a cabeça para um lado e depois para o outro,estalando o pescoço. Aquilo sempre me ajudava. Estiquei a coluna e ajeitei a postura na cadeira. Recomecei a ler. Pensei em pegar o carro e voltar para casa, a fim de ficar somente com meus pensamentos, mas não seria possível.Tinha muita coisa a ser resolvida no laboratório ainda e não podia mais deixar tanto o trabalho de lado, arriscando a perder tudo o que levei anos para conseguir,mesmo que, no fundo, tudo aquilo não importasse muito.
Me levantei e fui até a janela e vi um homem caminhando alegremente pela rua com quem parecia ser sua esposa e seu filho. Pelas roupas que usavam, não pareciam ser ricos, mas aparentavam ser tão felizes. Senti a inveja corroer — me. Pude me ver com Catherine e Lindsey, vivendo a mesma cena. Era a única coisa que desejava. Sentir-me-ia a pessoa mais completa do mundo. Mas a certeza de que aquilo era somente um sonho me fez encher de desânimo. Abri a porta e coloquei somente a cabeça para fora e vi Catherine sentada em sua mesa na sua sala. Enfiei a mão nos bolsos, pus uma postura reta e uma expressão segura. Em passos firmes, fui até ela.- Então, marcou a reunião? –perguntei, ao passar a mão rapidamente pela nuca e colocá-la novamente no bolso.
- Sim. – Mal levantou a cabeça para me olhar, e continuou a escrever.
- E pra quando é? – indaguei.
- Amanhã, às onze da manhã. Ele virá aqui. – Levantou a cabeça, encarando-me muito séria. Enlaçou os dedos das mãos, apoiando os braços sobre a mesa. – Espero que você não tenha nenhum imprevisto amanhã. – terminou com a voz carregada de sarcasmo.
Senti vontade de rir. Vê – la brava era, antes de tudo, muito divertido. Ainda mais quando ela agia de forma tão parecida com a minha.- Acho que você está convivendo muito comigo. Está até sendo sarcástica. – disse, com um sorriso provocador e uma das sobrancelhas arqueadas. Ao vê-la abrir a boca para responder, virei-me e me encaminhei de volta a minha sala. De lá escutei quando ela deu um soco na mesa, na certa, desejando me enforcar.
Sorri.
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Estava sentada em minha mesa organizando os últimos relatórios que haviam acabado de chegar do CSI, e que Gil e eu fazíamos questão de analisar um por um, quando escutei o barulho da porta da sala dele e passos em direção a minha sala.
- Eu já vou almoçar. –falou e logo me deu as costas, indo até o elevador. O vi entrar no elevador, sem tirar os olhos dele. Quis matá-lo por usar o mesmo perfume que me encantava e que parecia penetrar em cada objeto daquele andar. Como amava aquele cheiro. Não saberia descrevê-lo. Era um perfume de homem, sedutor e misterioso. Era o perfume de Gil Grissom.
Dando-me conta de minhas imaginações, repreendi – me e tentei voltar ao trabalho, mas já não conseguia mais. Recordei-me do dia anterior. Como foi difícil ignorar sua presença tão marcante em minha sala, mesmo depois dele ir embora. Como foi difícil dormir naquela noite em que não conseguia parar de observar a foto de Lindsey e imaginar as milhares de possíveis reações que ela poderia ter ao saber que Gil era seu pai. Tentava esquecer as piores, mas estas eram as que mais povoavam minha mente. Mas não importava. Após muito relutar e refletir sobre aquilo decidi que já estava na hora dela saber a verdade. Conversaria com Gil ali mesmo.
Estava esperando ele chegar quando meu estômago começou a me avisar que era hora do almoço, já que havia comido muito mal no café da manhã. Pelo menos durante o almoço consegui esquecer um pouco meus problemas. Mas foi somente entrar no elevador e apertar o botão para meu andar que novamente o peso das decisões me caíram sobre os ombros. Coloquei a bolsa sobre a mesa e bati na porta da sala dele. Não queria adiar nem mais um minuto. Entrei ao escutá-lo pedir para entrar. Abri a porta e caminhei lentamente até a mesa dele. Enrolei os cabelos, joguei-os pelos ombros e me sentei de frente para ele.
- Sim?... – ele começou, ao deixar a caneta de lado e voltar sua atenção para mim.
- Amanhã Lindsey não terá aula na faculdade.
- E...? – continuou, deixando claro que não estava entendendo o motivo do comentário.
- Ela vai ficar em casa o diatodo sem fazer nada. – Abri um pequeno sorriso e ele continuou com a expressãode que queria que eu chegasse logo ao ponto. Irritada pela lentidão mental dele, cheguei a cadeira pra frente e debrucei levemente sobre a mesa. – Você quer ou não contar pra ela que é seu pai? Conseguiu entender agora ou prefere que eu faça um desenho para explicar melhor?
Ele me encarou com um sorriso debochado, mas a expressão séria foi se desvanecendo e se tornando hesitante. — E como faremos? – Ele perguntou, com a postura reta, tentando parecer senhor de si.
- Eu não sei... – abaixei o olhar, muito confusa, totalmente diferente da postura dele. Se ele estava com medo, eu só desejava sumir. – Acho que isso deve ser feito em casa. Para ela se sentir, não sei, mais à vontade.
- Então eu posso passar lá à tarde, talvez...
Parei pensativa, com a mão à boca. Fitava-o enquanto formulava um plano em minha mente.
- Já sei. – recomecei,novamente me aproximando. – Eu vou avisar a ela que amanhã você jantará conosco e depois vamos conversar. Não vou dizer sobre o que, mas quero deixá-la de sobreaviso.
- Está perfeito. – concordou satisfeito.
Parecia um bom começo. Podia ver nos olhos dele o mesmo brilho que sabia que estava nos meus próprios olhos. Um brilho de anseio e ligeiro temor.
– Então amanhã vamos direto do trabalho para a sua casa.
Apenas assenti com a cabeça, me levantei e sai. Quando fechei a porta da sala dele, arrastei o corpo até minha sala e me sentei. Afundando-me na cadeira, encarei a foto de minha filha. Tinha que dar tudo certo. Fechando os olhos, desejei que minha mãe estivesse ali para me confortar.
Notas finais
Descubram no próximo capítulo...
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