Down
20 Capítulo 20
Notas iniciais
Mas não poderia continuar sem antes agradecer os depoimentos carinhosos que continuo recebendo.
Dedico esse capítulo especialmente para minha amiga Thifany Lavinsky que fez aniversário essa semana. Amo - te, querida!
Vamos lá?
Não tomava um café da manhã tão animado há algum tempo. Lindsey passou em casa para trazer suas roupas para lavar e acabamos juntos à mesa. Ela e Lou conversavam e ele parecia atento a cada palavra. Via a cena com um sorriso. Ele seria um ótimo pai.
Às vezes sentia vontade de rir do quanto o destino era irônico comigo. No início, achei que realmente estava apaixonada por ele, mas cheguei à conclusão que o único sentimento que me ligava a ele era amizade e atração física. Amava apenas uma pessoa e nem mesmo toda a atenção e carinho de Lou poderia mudar aquilo.
Ao terminar o café, fomos os 3 em direção a garagem. Cada um entrou em seu respectivo carro e nos dirigimos em direção a nossos compromissos.
Caminhava em direção a entrada do laboratório, depois de estacionar o carro em minha vaga quando me surpreendo com a figura de Gil parado na porta do elevador. Os braços cruzados sobre o peito, a postura rígida, o olhar sério. Um arrepio percorreu meu corpo. Não poderia negar o quanto ele parecia mais bonito a cada dia. Ia cumprimenta – lo com um “ bom dia” quando ele se aproximou.
- Onde estão os relatórios? Preciso deles agora – disse me encarando friamente.
- Eh... Bem... Eu... – suava. Passei as mãos pelos cabelos.
- Catherine, onde eles estão? – perguntou num tom que deixava claro que seria a última vez que falaria calmamente.
- Eu não consegui terminar...
- Por quê? – interrompeu. A impaciência já era clara.
- Eu estava muito ocupada ontem porque... porque... ontem eu...
- Minha mãe estava ocupada ontem porque o Lou estava lá em casa – uma voz doce e suave anunciou.
Olhamos para o lado e vimos Lindsey com um sorriso gigantesco nos lábios. Não a tinha visto antes, já que estava entretida na“conversa”. Senti meu sangue congelar. Vi que ele a encarava com um sorriso.
Ao perceber que ele ia falar com ela, me intrometi entre eles.- Querida, o que faz aqui? – perguntei sem tirar os olhos dele a minha frente. Não queria que ele nem ao menos olhasse para ela.
- Depois que saímos, me lembrei que havia esquecido de te entregar isso. Preciso que assine – falou me entregando alguns papeis. — Não precisa me entregar agora. Pego mais tarde quando for buscar as roupas.
- Tudo bem – disse pegando — os – Agora vá ou vai se atrasar para sua primeira aula.
- Oi, tio Gil – ela disse se aproximando dele. Tentei impedir, sem sucesso. — Você voltou a trabalhar no laboratório?
POV – Gil
Senti uma felicidade repentina ao vê – la. Estava tão linda, tão encantadora, uma princesa. Minha princesa. Mais que uma princesa, minha filha. Filha. Palavra que jamais imaginei dizer. Tinha uma filha e me sentia muito bem com isso. Queria abraçá – la de verdade, me aproximar, mas sabia que Catherine não permitiria.
- Sim. Como você está?
- Bem. Vou para o campus agora. – ela disse se aproximando de mim e me abraçando. – Senti sua falta. Que bom que voltou.
Confuso, encarei Catherine e vi que ela parecia não gostar de nossa aproximação. Não pensei duas vezes, retribui ao abraço. Senti vontade de gritar de felicidade. O que mais queria naquele momento era poder segurar minha filha daquela maneira.
POV — Catherine
Fiquei por um tempo olhando. Sentia – me desesperada e até ameacei arranca – la dos braços dele, mas não consegui. Era impossível não ver,por mais que quisesse fazê – lo que ele gostava dela e vice versa. Não podia negar o quanto me sentia emocionada ao vê – los daquela forma. Me senti mal por querer esconder a verdade dela e por impedi– lo de se aproximar. Não podia separá- los. No fundo, não queria. Queria chorar mas aquele não era o local. E nem a hora.
Respirei fundo e me aproximei dos dois. — Filha, você tem que ir. Vai se atrasar – disse carinhosamente a puxando pelo braço, deixando – o desapontado. – Vá com cuidado. À noite nos vemos – beijei sua testa.
- Está bem, mamãe. Tchau tio Gil.
- Tchau, princesa.
Acenamos e a vimos entrar no carro e partir.
- Ela está tão linda, Catherine! Tão linda! – falou para mim se esquecendo do nosso desentendimento ocorrido minutos antes.
- Eu sei – concordei com um sorriso e virei para fita – lo –Desculpe – me. Vou fazer os relatórios agora mesmo .Ele fechou os olhos por um segundo e seu ar sério voltou. Se transformou em outra pessoa. Me encarou de forma dura.
Pov — Gil
- Estava muito ocupada, não é? Com seu namorado? -Eu só me lembrava do que Lindsey disse ao chegar. Louis Vartann estava na casa dela. Então eles estavam realmente juntos, como tinha ouvido falarem. Um ódio cheio de ciúmes me invadiu. Não queria imaginar Vartann na mesma casa que Catherine e minha filha, assumindo um lugar que poderia ser somente meu.
Pov — Catherine
- Não vou comentar sobre isso! – senti que se continuasse ali não agüentaria segurar a vontade de chorar. Queria poder bater na cara dele, mas não podia me esquecer que estava no laboratório e havia pessoas em volta. Achei melhor deixar que ele pensasse o que quisesse.
- Se Lou é ou não é meu namorado você não tem nada a ver comisso, Grissom. Você não tem anda a ver com minha vida!
- Sim, eu concordo. E não pense que estou interessado em sua vida pessoal, senhorita Willows. Mas se isso começa a interferir em seu trabalho, me interessa. E somente isso.
Magoada com o desprezo dele, dei – lhe as costas e fui para o elevador. Não queria escutar mais nada.
Trecho contado na 3ªpessoa
Semanas se passaram e eles apenas se falavam quando era necessário. Sempre distantes, tratavam um ao outro com respeito e mais nada.
Gil mantinha – se exigente, Catherine, eficiente. Mas só eles mesmos sabiam o quanto estava sendo difícil continuarem assim. Para Gil o mais difícil era entrar naquela sala, sentir o cheiro dela e ter de resistir. Encarar a fotografia de Lindsey que ficava num porta retrato em cima da mesa de Catherine também não era fácil. Sentia falta da menina.
Catherine também evitava encara – lo ao máximo. Sabia o poder que aqueles olhos tinham sobre ela.
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Sem tirar Catherine de minha mente, dirigi para o bar do meu cassino favorito em Vegas, o Riviera, e parei na entrada descendo e jogando a chave para o manobrista. O prédio do cassino era bastante antigo, datado da época das primeiras construções no estado de Nevada e acho que era por isso que admirava o lugar. Locais antigos sempre guardam boas histórias.
A noite estava um tanto fria e andei com passos largos até a recepção querendo tomar uma boa dose de uísque.
O local era agradável. Um funcionário antigo me cumprimentou e me indicou o caminho que sabia de cor. Entrei no ambiente parcialmente iluminado, o som do piano atingindo meus ouvidos com leves e suaves acordes da música clássica. Uma de minhas prediletas.
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Sorri apreciando a música e notei que o bar não se encontrava cheio. Melhor assim. Ambiente selecionado, boa música, algumas doses de uísque, eram tudo o que precisava para relaxar.
Algumas mulheres viraram as cabeças para me observar, me lançando olhares convidativos e sensuais, mas as ignorei. Hoje, especialmente, não queria companhia. Suspirei.
Pedi uma dose e virei de uma vez só, chamando o barman e pedindo outra, quando uma risada familiar chegou aos meus ouvidos despertando minha atenção. O meu coração saltou no peito. Não... Não podia ser...
Virei minha cabeça na direção daquela voz e procurei pelo rosto amado e conhecido. Lá estava ela... Linda, perfeita como sempre. Catherine...
Por um minuto o mundo parou e fitei – a fascinado. A pele, o rosto, os olhos azuis, os cabelos ruivos. Incrível. Não acreditei na minha sorte. Esbanjando charme, ela estava de pé, junto a uma mesa com algumas pessoas. Usava um vestido prata com bordados, que deixava o colo exposto, as pernas e boa parte das coxas de fora. Não era de nenhuma forma vulgar, mas sexy e capaz de fazer miséria em minha fértil imaginação. Qualquer homem em seu juízo perfeito gostaria de arrancá- lo de cima dela com as próprias mãos. Não preciso dizer que odiei o tal vestido.
Logo lhe ofereceram uma cadeira. Minutos depois ela estava com um copo de bebida em sua mão e começou a bebericar. Sentado em uma banqueta no balcão do bar, observei o grupo disfarçadamente. Eram umas cinco pessoas que conversavam animadas e um homem loiro se inclinou na direção dela e sorriu insinuante. Aquela cena me deixou doente de ciúmes. Apertei os punhos com força e estretei os olhos ao ver Catherine beber tudo que havia no copo de uma vez. Ela sinalizou para o barman que prontamente a serviu com mais um drinque. O que ela estaria bebendo?
Esperei o garçom se aproximar de mim e perguntei do que se tratava visto que tinha uma coloração interessante... Era uma especialidade da casa, uma mistura de tequila, ½ dose de Cointreau e 1 dose de suco de limão. O que chamavam de Margarita Frozen.
Passado mais algum tempo, ela acabou mais esse e solicitou outro. E por que estaria bebendo daquela forma, como se quisesse esquecer do mundo? O que aquela maluca estava querendo? Cair bêbada diante de todos? O teor do álcool contido na tequila é bastante elevado. Suspirei exasperado e resolvi ir até lá. Paciência nunca foi o meu forte. Me levantei decidido a intervir. Dei alguns passos e deparei com o par de olhos azuis. Ela tentou, mas não conseguiu esconder a surpresa e em seguida desviou o olhar fazendo um carinho insinuante no ombro do homem ao seu lado. A raiva que me atingiu era vermelha, quente, intensa e poderosa.Parei ao seu lado, lutando para me controlar e ela ergueu o queixo, me fitando numa atitude desafiadora.
- Não acha que já extrapolou? Isso é tequila, não água. –questionei sério.
- Não.
Tomei o copo de sua mão. Ela me encarou com raiva.
- Você não é meu pai. – exclamou raivosa. Me encostei no bar e sorri displicente.
- Mas posso fazer o trabalho dele se for preciso. Sou mais velho que você. – falei com um toque de ironia na voz.
- Sete anos apenas – retrucou. O homem me fitou curioso e abriu a boca para dizer algo, mas o meu olhar assassino o fez calar e logo em seguida pediu licença e saiu.
Nossos olhos encontraram – se mais uma vez e permanecemos assim por algum tempo. Envergonhada, ela desviou os olhos e fitou o copo vazio. Puxei – a pela mão e ela se deixou guiar como uma criança. Nos afastamos um pouco do grupo mas a conversa entre eles continuava animada. Levei a mão até o seu queixo, erguendo sua cabeça, obrigando– a me encarar. Seus olhos azuis passearam pela minha camisa chegando até meus ombros. Ela estava me avaliando e aquilo me agradou. Prendi a respiração enquanto ela terminava seu percurso, mas no fim, ela desviou o olhar e permaneceu calada.O barman se aproximou e pedi que trouxesse água. Em minutos ele retornou e olhou mais do que devia para Catherine, o que me fez dar um pigarro em advertência. Rapidamente ele se afastou.
- Tome. Beba, Catherine – falei colocando o copo na sua frente.Ela me encarou e nós medimos forças por alguns segundos, mas dando de ombros, ela desistiu e aceitou a bebida sem fazer objeções.
Depois de tomar tudo, fez uma careta e empurrou o copo para longe. Ela ficou de pé, mas em seguida sentou – se outra vez. Provavelmente tonta.
O grupo se aproximou e nos cercou, mas o homem loiro ficou um pouco mais para trás. Ótimo! Ele entendeu que Catherine era território meu. Uma das mulheres se aproximou e colocou a mão em meu braço, com franco interesse.- Que tal irmos para algum lugar mais agitado? – perguntou sorrindo.
Devolvi o sorriso. Conhecia aquele jogo. Enquanto ela se empenhava em conseguir minha atenção, o amigo se encarregaria de Catherine.
- Hum? – respondeu Catherine esforçando – se para se concentrar na conversa. Retirei a mão da mulher do meu braço.
- Não, obrigado. – respondi indo até Catherine inclinando –me para frente e passando a mão sobre os ombros dela. O toque me causou agradáveis arrepios. — Vou te levar para casa. Ela me fitou e sacudiu de leve a cabeça, confirmando. Sorri satisfeito por ela ter concordado ao menos uma vez comigo. Observei pelo canto do olho que o homem estava decepcionado e que eles estavam indo embora. Ajudei – a se sentar e me acomodei a sua frente. Ela me encarou com olhos frios.
- Não precisa me levar para casa, Gil. Não sou mais criança e não estou bêbada.
Sorri complacente. Uma vez teimosa, sempre teimosa.
- A mesma teimosa de sempre – respondi divertido.
Do ângulo em que estava sentado podia ver perfeitamente o inicio de seus seios, revelados pelo decote do sexy vestido. Como queria tirá –la dali, arrancar aquela segunda pele que a cobria parcialmente e me afundar em seu corpo macio...
Com essas idéias, o meu membro vibrou e mudei de posição tentando disfarçar minha ereção gigante.
- Vá se ferrar! – ela exclamou com um meio sorriso.
- Se é dos problemas que está fugindo, beber não vai adiantar nada – falei e ela sorriu sarcástica.
- Falou o sabe tudo, Gilbert Arthur Grissom.
Suspirei.
- Catherine...
- Por que se incomodar, então?
Não esperava por essa pergunta. O que iria dizer? Por mais que a amasse, tinha que agir com cautela. — Sou seu amigo.
Ela não me respondeu. Mudei de assunto. — Onde está seu marido? Me odiei por fazer essa pergunta, mas precisava saber a que ponto estava sua relação com ele. Ela revirou os olhos de maneira engraçada.
- Lou não é meu marido e sim meu namorado. – respondeu dando de ombros e as suas palavras foram como um bálsamo em minha alma aflita.
- Vamos lá. O que foi que Vartann fez?
Ela fez uma careta e em seguida desviou o olhar. — Vocês brigaram?
- Não é da sua conta – respondeu emburrada.
- Uma briga besta de namorados ou foi algo mais sério? –sabia como provocá- la.
- Cale a boca, Grissom! Você não sabe de nada.
- O que está acontecendo? Talvez se sinta melhor se falar sobre o que está lhe incomodando.
- Será, Gil? Será que ao menos uma vez você será capaz de me entender? Sua voz soou amarga. Ela ergueu – se, mas não conseguiu dar dois passos e cambaleou. Rapidamente a segurei, passando um dos meus braços em sua cintura e joguei uma nota de cem dólares em cima da mesa.
Agora eu ia cuidar dela, minha paixão, minha vida...
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